Zacarias 13
Argumento
Neste capítulo temos: I. Algumas outras promessas relativas aos tempos do evangelho. Há aqui uma promessa do perdão dos pecados (v. 1), da reforma dos costumes (v. 2) e, particularmente, do convencimento e silenciamento dos falsos profetas, vv. 2-6.
II. Uma predição clara dos sofrimentos de Cristo e da subsequente dispersão de seus discípulos (v. 7), da destruição da maior parte da nação judaica pouco depois (v. 8) e da purificação de um remanescente deles, um povo especial para Deus, v. 9.
Versículos 1 a 6
Predições Evangélicas; A Destruição dos Falsos Profetas. (a.C. 500.)
Eis o Cordeiro de Deus tirando o pecado do mundo, o pecado da igreja; pois foi para tirar nosso pecado que o Filho de Deus se manifestou, 1 João 3:5.
I. Ele tira a culpa do pecado pelo sangue de sua cruz (v. 1): Naquele dia, no dia do evangelho, uma fonte será aberta, isto é, haverá provisão para limpar da impureza do pecado todos os que de fato se arrependem e lamentam seus pecados.
Naquele dia, quando o Espírito da graça for derramado para levá-los a prantear seus pecados, eles não prantearão como quem não tem esperança. Antes, terão seus pecados perdoados e guardarão no íntimo a consolação desse perdão. Sua consciência será purificada e pacificada pelo sangue de Cristo, que purifica de todo pecado, 1 João 1:7.
Pois Cristo foi exaltado para conceder tanto arrependimento quanto perdão dos pecados; e, onde concede um, sem dúvida concede o outro. Essa fonte aberta é o lado traspassado de Jesus Cristo, mencionado pouco antes (Zacarias 12:10), pois dele saíram sangue e água, ambos para purificação.
Os que olham para Cristo traspassado e pranteiam os pecados com que o traspassaram, e por isso o lamentam amargamente, podem olhar de novo para Cristo traspassado e alegrar-se nele. Pois aprouve ao Senhor ferir assim essa rocha, para que ela se tornasse para nós uma fonte de águas vivas. Veja aqui: 1. Como estamos impuros.
Todos estamos assim; pecamos, e o pecado é impureza. Ele contamina a mente e a consciência, torna-nos detestáveis a Deus e inquietos em nós mesmos, impróprios para servir a Deus e para ser admitidos à comunhão com ele, assim como os cerimonialmente impuros eram excluídos do santuário.
A casa de Davi e os habitantes de Jerusalém estão sob o pecado, que é impureza. A verdade é que todos somos como coisa impura e merecemos ter nossa porção entre os impuros. 2. Como podemos ser purificados. Eis que há uma fonte aberta para nos lavarmos e há correntes que fluem dela até nós. Portanto, se não formos limpos, a culpa será nossa.
O sangue de Cristo e a misericórdia perdoadora de Deus nesse sangue, revelados na nova aliança, são: (1.) Uma fonte, pois neles há plenitude inesgotável. Há misericórdia suficiente em Deus e mérito suficiente em Cristo para perdoar os maiores pecados e pecadores, nos termos do evangelho. “Tais fostes alguns de vós, mas fostes lavados”, 1 Coríntios 6:11.
Sob a lei havia uma pia de bronze e um mar de bronze em que se lavar; aqueles eram apenas recipientes, mas nós temos uma fonte para nós mesmos, transbordante, que flui sem cessar. (2.) Uma fonte aberta, pois todo aquele que quiser poderá vir e beneficiar-se dela.
Ela está aberta não só à casa de Davi, mas aos habitantes de Jerusalém; tanto aos pobres e humildes quanto aos ricos e importantes. Ou está aberta a todos os crentes, que, como descendência espiritual de Cristo, pertencem à casa de Davi e, como membros vivos da igreja, são habitantes de Jerusalém.
Por meio de Cristo, todos os que creem são justificados e lavados de seus pecados em seu sangue, para que sejam feitos reis e sacerdotes para o nosso Deus, Apocalipse 1:5, 6.
II. Ele tira o domínio do pecado pelo poder de sua graça, até dos pecados queridos. Isso sempre acompanha o anterior: os que são lavados na fonte aberta, assim como são justificados, também são santificados; do lado traspassado de Cristo saíram a água e o sangue. Aqui se promete que, naquele dia:
- A idolatria será inteiramente abolida, e o povo judeu será efetivamente curado de sua inclinação para ela (v. 2): “Eliminarei da terra os nomes dos ídolos.” O culto aos ídolos de seus pais será tão completamente extirpado que, em uma ou duas gerações, se esquecerão de que tais ídolos existiram entre eles.
Eles não serão mencionados de modo algum, ou não o serão com respeito; não serão mais lembrados, conforme a promessa de Oseias 2:17. Isso se cumpriu na arraigada aversão que os judeus, depois do cativeiro, passaram a ter pelos ídolos e pela idolatria, aversão que conservam até hoje.
Cumpriu-se também na pronta conversão de muitos à fé em Cristo, pela qual deixaram de fazer da lei cerimonial um ídolo, como faziam os judeus incrédulos. E continua a cumprir-se quando as almas são afastadas do mundo e da carne, esses dois grandes ídolos, para se apegarem somente a Deus.
- A falsa profecia também terá fim: “Farei sair da terra os profetas e o espírito imundo”, os profetas que estão sob a influência do espírito imundo. O diabo é um espírito imundo; dele vêm o pecado e a impureza. Ele tem seus profetas, que servem a seus interesses e dele recebem instruções.
Tire o espírito imundo, e os profetas não enganarão como enganam. Tire os falsos profetas que apresentam falsas credenciais de sua missão, e o espírito imundo não poderá fazer o mal que faz. Quando Deus decide silenciar os falsos profetas, expulsa da terra o espírito imundo que atuava neles e disputava com Deus o trono no coração.
A igreja dos judeus, quando era dada aos ídolos, também se apaixonava muito pelos falsos profetas, que a lisonjeavam em seus pecados com promessas de impunidade e paz. Mas aqui se promete, como efeito bendito da reforma anunciada, que eles se voltarão firmemente contra os falsos profetas e terão zelo em livrar deles a terra.
Assim fizeram depois do cativeiro, até que, pela cegueira de seu zelo contra os falsos profetas, condenaram Cristo à morte sob esse título. Depois disso, surgiram muitos falsos cristos e falsos profetas e enganaram a muitos, Mateus 24:11. Aqui se prediz:
(1.) Que os falsos profetas, em vez de serem tolerados e favorecidos, receberão o merecido castigo até de seus parentes mais próximos. Isso será uma das maiores demonstrações possíveis de zelo ardente contra esses enganadores (v. 3).
Quando alguém se apresentar como profeta e falar mentiras em nome do Senhor, pregando o que tende a afastar as pessoas de Deus e a confirmá-las no pecado, seus próprios pais serão os primeiros e mais prontos a processá-lo por isso, conforme a lei, Deuteronômio 13:6-11.
Se seu filho incitar você secretamente a afastar-se de Deus, você certamente o matará. Demonstre sua indignação contra ele e impeça que volte a tentar você.
“Seu pai e sua mãe o traspassarão quando ele profetizar.” Repare: devemos conceber e conservar sempre grande repulsa e temor de tudo o que nos afaste do caminho do dever para atalhos errados, como aqueles que não podem suportar o que é mau, Apocalipse 2:2.
E o santo zelo por Deus e pela piedade nos fará odiar o pecado e temer a tentação sobretudo nas pessoas a quem, por natureza, mais amamos e que estão mais perto de nós. Ali nosso perigo é maior, como foi o de Adão por meio de Eva e o de Jó por meio da esposa.
E ali será mais digno de louvor mostrarmos nosso zelo, como Levi, que, na causa de Deus, não reconheceu seus irmãos nem conheceu seus próprios filhos, Deuteronômio 33:9. Assim, devemos odiar e abandonar até os parentes mais próximos quando entrarem em conflito com nosso dever para com Deus, Lucas 14:26. As afeições naturais, mesmo as mais fortes, devem ser dominadas pelas afeições da graça.
(2.) Que os próprios falsos profetas serão convencidos de seu pecado e de sua insensatez e abandonarão suas alegações (v. 4): “Cada um dos profetas terá vergonha de sua visão.” Não a repetirão nem insistirão nela; antes, desejarão que seja esquecida e não se fale mais nela, estando eles mesmos prontos a admitir que foi uma fraude.
Isso porque Deus, por sua graça, despertou a consciência deles e lhes mostrou o erro; ou porque os acontecimentos desmentiram suas predições; ou porque suas profecias já não são recebidas tão favoravelmente como antes, mas são em geral desprezadas e rejeitadas. Eles percebem que o povo tem vergonha deles, o que os faz começar a ter vergonha de si mesmos.
Por isso não usarão mais manto áspero, nem veste de pelos, como costumavam os verdadeiros profetas, à imitação de Elias e como sinal de que haviam renunciado aos prazeres e deleites dos sentidos.
Os impostores haviam aparecido com as vestes dos verdadeiros profetas, mas, agora que sua insensatez se tornou evidente, deixarão de usá-las para não mais enganar nem iludir por meio delas pessoas irrefletidas e desprevenidas.
Vestir-se com modéstia é muito bom quando isso indica de fato um coração humilde e serve de instrução; mas é ruim quando se trata de um disfarce hipócrita de um coração orgulhoso e ambicioso e serve para enganar. Que os homens sejam realmente tão bons quanto parecem, mas não pareçam melhores do que realmente são. Esse impostor, como verdadeiro penitente:
[1.] Desfará o engano daqueles que iludiu. Ele dirá: “Não sou profeta, como aleguei ser. Nunca fui designado nem separado para esse ofício, nunca fui educado nem preparado para ele, nunca convivi entre os filhos dos profetas. Sou lavrador e fui criado para esse trabalho; Deus nunca me ensinou a profetizar, mas um homem me ensinou a cuidar do gado.”
Amós também fora originalmente alguém assim, mas depois foi chamado a ser profeta, Amós 7:14, 15. Esse enganador, porém, nunca recebeu tal chamado. Repare: os que se entristecem segundo Deus por terem enganado outras pessoas prontamente confessarão seu pecado e serão justos o bastante para corrigir os equívocos que causaram.
Assim, os que haviam praticado artes mágicas, ao se converterem, mostraram seus atos e os embustes usados para lograr o povo, Atos 19:18.
[2.] Voltará à sua ocupação própria, a mais adequada para ele: “Serei lavrador” (assim se pode ler). “Voltarei a me dedicar à minha profissão e não me intrometerei mais em assuntos que não me dizem respeito; pois desde a juventude um homem me ensinou a cuidar do gado, e voltarei a cuidar do gado, sem jamais me apresentar de novo como pregador.”
Repare: quando somos convencidos de que saímos do caminho do dever, devemos demonstrar a verdade de nosso arrependimento voltando a ele, por mais severa que nos seja essa mortificação.
[3.] Reconhecerá como amigos aqueles que, por meio de uma disciplina severa, o ajudaram a enxergar seu erro, v. 6. Quando aquele que até há pouco afirmava com a maior segurança ser profeta de repente abandona suas alegações e diz: “Não sou profeta”, todos ficam surpresos, e alguns perguntam:
“Que feridas são essas, ou marcas de açoites, em tuas mãos? Como as recebeste? Não foste examinado sob açoites? Não foi isso que te fez voltar a ti?” (Vexatio dat intellectum — A aflição aguça o intelecto.) “Não foram as pancadas que te levaram a reconhecer isso? Não foram a vara e a repreensão que te deram essa sabedoria?”
E ele admitirá: “Sim, foram; estas são as feridas com que fui ferido na casa de meus amigos. Eles me amarraram e me trataram com dureza e severidade, como a um homem fora de si, e assim me fizeram recobrar a razão.”
Disso se conclui que aqueles pais do falso profeta que o traspassaram (v. 3) não o fizeram antes de tentarem corrigi-lo para recuperá-lo, sem resultado. Assim era a lei acerca do filho desobediente: os pais deviam primeiro tê-lo castigado em vão antes que pudessem levá-lo para ser apedrejado, Deuteronômio 21:18, 19.
Mas aqui está outro homem que foi corrigido por meio de açoites e, assim, escapou da pena capital. Teve o discernimento e a honestidade de reconhecer que eram seus amigos, seus verdadeiros amigos, os que o feriram desse modo para recuperá-lo; pois “fiéis são as feridas de um amigo”, Provérbios 27:6.
Alguns bons intérpretes, observando como esse trecho aparece logo depois da menção a Cristo traspassado, entendem que essas são palavras daquele grande profeta, não do falso profeta mencionado antes. Cristo foi ferido nas mãos quando elas foram pregadas na cruz e, depois da ressurreição, conservou as marcas dessas feridas; aqui ele conta como as recebeu.
Recebeu-as como falso profeta, pois os principais sacerdotes o chamaram de enganador e, por isso, quiseram que fosse crucificado.
Mas recebeu-as na casa de seus amigos, os judeus, que deveriam ter sido seus amigos. Ele veio para os seus e, embora fossem seus inimigos implacáveis, teve por bem chamá-los de amigos, como chamou Judas (Amigo, por que vieste?), porque contribuíram para seus sofrimentos.
Do mesmo modo chamou Pedro de Satanás, um adversário, porque este procurou dissuadi-lo desses sofrimentos.
Versículos 7 a 9
Os Sofrimentos de Cristo Preditos. (a.C. 500.)
Aqui está uma profecia:
I. Dos sofrimentos de Cristo, daquele que seria traspassado e seria a fonte aberta. “Desperta, ó espada, contra o meu Pastor!”, v. 7. Estas são as palavras de Deus Pai, ordenando e autorizando a espada de sua justiça a despertar contra seu Filho, depois que ele, voluntariamente, fez de sua alma uma oferta pelo pecado.
Pois aprouve ao Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer; e ele foi ferido, atingido por Deus e afligido, Isaías 53:4, 10. Observe: 1. Como ele o chama. “Como Deus, ele é meu igual”, pois não considerou usurpação ser igual a Deus. Ele e o Pai são um.
Desde a eternidade, ele estava junto do Pai, como alguém que cresceu ao seu lado; e, na obra da redenção humana, era o seu eleito, em quem sua alma se alegrava, e o conselho de paz estava entre ambos. “Como Mediador, ele é meu Pastor, o grande e bom Pastor que assumiu o cuidado de alimentar o rebanho”, Zacarias 11:7. Ele é o Pastor que daria a vida pelas ovelhas.
- Como Deus o trata: “Desperta, ó espada, contra ele!” Se ele será um sacrifício, terá de ser morto, pois sem derramamento de sangue, o sangue da vida, não havia perdão. Os homens o traspassaram como o bom Pastor (compare com o v. 3), para que ele adquirisse o rebanho de Deus com seu próprio sangue, Atos 20:28.
Não se ordena a uma vara que o corrija, mas a uma espada que o mate; pois o Messias, o príncipe, seria eliminado, mas não por causa de si mesmo, Daniel 9:26. Não é a espada da guerra que recebe essa ordem, para que ele morra no leito de honra, mas a espada da justiça, para que morra como criminoso sobre um madeiro vergonhoso.
Essa espada deve despertar contra ele. Como não tinha pecado próprio pelo qual responder, a espada da justiça nada teria a dizer-lhe por si mesma, até que uma ordem particular do Juiz de todos lhe desse autorização para erguer-se contra ele.
Ele era o Cordeiro morto desde a fundação do mundo, no decreto e no conselho de Deus; mas a espada designada contra ele dormira por muito tempo, até que, enfim, foi chamada a despertar. Não se disse apenas: “Desperta e fere-o; golpeia-o em cheio; não com um golpe sonolento, mas com um golpe desperto”, pois Deus não poupou seu próprio Filho.
II. Da subsequente dispersão dos discípulos: “Fere o Pastor, e as ovelhas serão dispersas.” Nosso Senhor Jesus declarou que isso se cumpriu quando todos os seus discípulos se escandalizaram por causa dele na noite em que foi traído, Mateus 26:31; Marcos 14:27. Todos o abandonaram e fugiram.
O golpe no Pastor é a dispersão das ovelhas. Cada um se dispersou para o que era seu e o deixou sozinho, João 16:32. Nisso foram como ovelhas medrosas. Ainda assim, o Pastor providenciou sua segurança, pois disse: “Se me buscais, deixai estes ir embora.”
Alguns fazem outra aplicação disso: Cristo era o Pastor da nação judaica; foi ferido, e eles mesmos o feriram. Por isso, foram justamente espalhados e dispersos entre as nações e assim permanecem até hoje.
Estas palavras, “Voltarei minha mão sobre os pequeninos”, podem ser entendidas como ameaça (assim como Cristo sofreu, seus discípulos também sofrerão; beberão do cálice que ele bebeu e serão batizados com o batismo com que foi batizado) ou como promessa de que Deus reuniria novamente os discípulos dispersos de Cristo e lhes marcaria encontro na Galileia.
Embora os pequeninos entre os soldados de Cristo possam ser dispersos, voltarão a reunir-se. Os cordeiros do seu rebanho, embora assustados pelas feras predadoras, se recuperarão, serão reunidos em seus braços e postos em seu regaço.
Às vezes, quando as ovelhas estão dispersas e perdidas no deserto, os pequeninos que, como se temia, seriam presa fácil (Números 14:31) são introduzidos, são trazidos para casa, e Deus volta sua mão sobre eles.
III. Da rejeição e ruína dos judeus incrédulos (v. 8). Essa palavra tem e ainda terá seu cumprimento na destruição da parte corrupta e hipócrita da igreja. Acontecerá que, em toda a terra de Israel, duas partes serão eliminadas e morrerão. O exército romano devastou o país e matou pelo menos dois terços dos judeus.
Alguns entendem que a eliminação e a morte de duas partes em toda a terra representam a abolição do paganismo e do judaísmo, para que o cristianismo, a terceira parte, permaneça reinando sozinho. O culto judaico foi completamente suprimido com a destruição de Jerusalém e do templo. Algum tempo depois, a idolatria pagã foi praticamente extirpada quando o império se tornou cristão.
IV. Da reforma e preservação do remanescente escolhido, os que dentre eles creram, e da igreja cristã em geral (v. 9): A terceira parte permanecerá. Quando Jerusalém e a Judeia foram destruídas, todos os cristãos daquela região, tendo entre si a advertência de Cristo para fugir aos montes, conseguiram pôr-se a salvo e foram abrigados numa cidade chamada Pella, do outro lado do Jordão.
Temos aqui primeiro as provações e depois os triunfos da igreja cristã e de todos os seus membros fiéis. 1. Suas provações: Farei passar essa terceira parte pelo fogo da aflição e os refinarei e provarei como se refinam e provam a prata e o ouro. Isso se cumpriu nas perseguições da igreja primitiva, a prova de fogo que então provou o povo de Deus, 1 Pedro 4:12.
Os que Deus separa para si devem passar por provação e purificação neste mundo. Devem ser provados para que sua fé seja achada para louvor e honra (1 Pedro 1:6, 7), como a fé de Abraão quando foi provada pela ordem de oferecer Isaque: agora sei que você me teme.
Devem ser provados para que tanto os perfeitos quanto os que não o são se tornem manifestos. Devem ser refinados de suas escórias; sua corrupção deve ser expurgada; devem tornar-se mais brilhantes e melhores.
- Seus triunfos. (1.) Sua comunhão com Deus é seu triunfo: “Invocarão o meu nome, e eu os ouvirei.” Escrevem a Deus pela oração e recebem dele respostas de paz, mantendo assim uma comunhão consoladora com ele. Todos os seus santos têm essa honra.
(2.) Sua aliança com Deus é seu triunfo: Deus dirá: “É meu povo”, que ele escolheu, amou e reconhecerá como seu; e eles dirão: “O Senhor é meu Deus”, plenamente suficiente para cada um. Nele se gloriarão todos os dias, durante o dia todo. Esse Deus é nosso Deus para todo o sempre.