A obra
An Exposition of the Old and New Testament começou a ser publicado em 1708 e foi concluído postumamente em 1721. São seis volumes cobrindo os 66 livros da Bíblia, capítulo por capítulo, versículo por versículo.
Henry morreu em 1714, com a obra completa até o fim de Atos. Os volumes de Romanos a Apocalipse foram terminados por outros pastores a partir das anotações e dos sermões dele, e é esse conjunto que circula desde então como o comentário completo.
Como cada capítulo é organizado
Sempre do mesmo jeito, e é isso que torna a obra utilizável trezentos anos depois.
Primeiro vem o argumento: um parágrafo ou dois resumindo o capítulo inteiro e apontando onde cada assunto começa. É o mapa antes da caminhada.
Depois vem a exposição, em blocos de versículos. A obra dá nome a cada bloco e comenta o trecho de uma vez, mostrando primeiro o que o texto diz e depois o que isso pede de quem está lendo. As enumerações encaixadas que aparecem o tempo todo, com números e algarismos romanos dentro de romanos, não são maneirismo: são o esqueleto do argumento dele.
Neste site, o rótulo com o intervalo de versículos aparece acima de cada bloco, e o título acompanha a edição original usada como fonte.
Por que continua sendo lido
Porque ele escreve para uma pessoa, não para uma banca. Charles Spurgeon mandava seus alunos lerem a obra inteira, e George Whitefield dizia tê-la lido de ponta a ponta várias vezes de joelhos. O comentário é usado até hoje em preparação de sermão, estudo pessoal e escola dominical.
E porque ele não se esconde atrás do aparato. Onde um comentário técnico moderno discute variantes do original e literatura secundária, Henry pergunta o que aquele texto exige de quem o lê. Isso envelhece muito melhor.
O que ele não é
Não é um comentário crítico. Henry escreve de dentro de uma tradição e de um século, e há passagens em que a opinião datada aparece: sobre outros povos, sobre a autoridade civil, sobre o papel de cada um na casa.
Essas passagens foram traduzidas como estão. Corrigir a teologia dele em silêncio seria pior que publicá-la: quem lê tem direito de saber o que o autor de fato escreveu, e de discordar.
O que se corrige é só erro verificável, como referência a um versículo que não existe, e mesmo assim cada correção fica registrada publicamente no repositório do projeto.