Salmos 95
Argumento
Para explicar este salmo, podemos receber muita luz da exposição do apóstolo em Hebreus 3 e 4. Ali se vê tanto que ele foi escrito por Davi quanto que se destinava aos dias do Messias. Diz-se expressamente ali (Hebreus 4:7) que o dia mencionado aqui (v. 7) deve ser entendido como o dia do evangelho.
Nesse dia, Deus nos fala por seu Filho com uma voz que nos cabe ouvir e nos propõe um descanso além daquele de Canaã.
Ao cantar salmos, pretende-se: I. Que “entoemos melodias ao Senhor”. Aqui somos exortados e ajudados a fazer isso: chamados a louvar a Deus (v. 1, 2) como grande Deus (vv. 3-5) e como nosso bondoso benfeitor, v. 6, 7.
II. Que ensinemos e advirtamos a nós mesmos e uns aos outros. Aqui nos é ensinado ouvir a voz de Deus (v. 7), e somos avisados de que não devemos endurecer o coração, como fizeram os israelitas no deserto (v. 8, 9), para que não caiamos sob a cólera de Deus nem deixemos de alcançar seu descanso, como eles, v. 10, 11.
Este salmo deve ser cantado com santa reverência à majestade de Deus e temor de sua justiça, com o desejo de agradá-lo e o receio de ofendê-lo.
Versículos 1 a 7
Convite para Louvar a Deus; Motivos para o Louvor.
O salmista, aqui como muitas vezes em outras passagens, anima a si mesmo e aos outros a louvar a Deus. É um dever que deve ser cumprido com os sentimentos mais vivos e para o qual temos grande necessidade de ser estimulados, pois muitas vezes somos lentos e frios nele. Observe:
I. Como Deus deve ser louvado:
- Com santa alegria e prazer nele. O cântico de louvor deve ser uma aclamação alegre, v. 1 e novamente v. 2. A alegria espiritual é o coração e a alma do louvor agradecido.
É vontade de Deus (tamanha é a condescendência de sua graça) que, ao lhe darmos glória como ser infinitamente perfeito e bem-aventurado, ao mesmo tempo nos alegremos nele como nosso Pai e Rei e Deus que fez aliança conosco.
- Com humilde reverência e santo temor diante dele (v. 6): “Adoremos, curvemo-nos e ajoelhemo-nos diante dele, como convém aos que sabem quão infinita é a distância entre nós e Deus, quanto corremos o risco de sofrer sua cólera e quanto precisamos de sua misericórdia.”
Embora o exercício corporal, por si só, aproveite pouco, ainda assim certamente é nosso dever glorificar a Deus com o corpo, por expressões externas de reverência, seriedade e humildade nos atos de culto religioso.
- Devemos louvar a Deus com a voz; precisamos proclamar e cantar seus louvores da abundância de um coração cheio de amor, alegria e gratidão: cantemos ao Senhor; façamos uma aclamação, uma aclamação alegre a ele, com salmos.
Assim procedem os que se sentem profundamente tocados por sua grandeza e bondade, estão prontos a reconhecer isso em si mesmos, desejam ser cada vez mais tocados por elas e querem servir de instrumento para acender e avivar a mesma afeição piedosa e devota também em outros.
- Devemos louvar a Deus em conjunto, nas assembleias solenes: “Venham, cantemos; unamo-nos no cântico ao Senhor: não os outros sem mim, nem eu sozinho, mas os outros comigo.”
“Aproximemo-nos juntos de sua presença, nos átrios de sua casa, onde seu povo costuma servi-lo e aguardar as manifestações que ele faz de si mesmo.”
Sempre que nos apresentamos diante de Deus, devemos fazê-lo com gratidão por sermos admitidos a tamanho favor. Sempre que temos graças a render, devemos comparecer diante dele, colocar-nos e apresentar-nos perante ele nos atos de culto que designou.
II. Por que Deus deve ser louvado e qual deve ser o assunto de nosso louvor. Não nos falta assunto; seria bom se não nos faltasse coração. Devemos louvar a Deus:
- Porque ele é um grande Deus e o Senhor soberano de todos, v. 3. É grande e, por isso, merece grande louvor. É infinito e imenso e possui em si toda perfeição.
(1.) Ele tem grande poder: é “um grande Rei acima de todos os deuses”, acima de todas as divindades delegadas, de todos os magistrados, a quem disse: “Vocês são deuses”. Ele governa todos eles, serve-se deles para cumprir seus propósitos e todos lhe devem prestar contas.
Está acima de todas as divindades falsas, de todos os que se arrogam divindade e dos usurpadores. Pode fazer o que nenhum deles pode: fazê-los morrer de fome e vencê-los; e assim fará.
(2.) Ele tem grandes possessões. Este mundo inferior é mencionado especialmente aqui. Consideramos grandes os homens que possuem vastos territórios, que afirmam ser seus diante do mundo inteiro, embora tais territórios sejam parte muito insignificante do universo.
Quão grande, então, é o Deus a quem pertencem a terra inteira e tudo o que nela há! Ela não está apenas debaixo de seus pés, pois ele tem domínio incontestável sobre todas as criaturas e é seu proprietário, mas também em sua mão, pois dirige e dispõe efetivamente de tudo (v. 4).
Até as profundezas da terra, fora de nossa vista, com suas fontes subterrâneas e minas, estão em sua mão. Também lhe pertencem as alturas das colinas, fora de nosso alcance, e tudo o que nelas cresce ou se alimenta.
Podemos entender isso figuradamente: os mais humildes entre os filhos dos homens, como as regiões baixas da terra, não estão abaixo de seu conhecimento; e os maiores, como a força das colinas, não estão acima de seu domínio.
Toda força que existe em qualquer criatura vem de Deus e é empregada para ele (v. 5): “O mar é dele”, com tudo o que nele há (suas ondas cumprem sua palavra). O mar lhe pertence, pois ele o fez, reuniu suas águas e fixou seus limites.
A terra seca, embora dada aos filhos dos homens, também é dele, pois continuou a reservar para si sua propriedade. Ela lhe pertence porque suas mãos a formaram, quando sua palavra fez aparecer a terra seca. O fato de ser Criador de tudo faz dele, sem contestação, o dono de tudo.
Sendo este um salmo do evangelho, podemos muito bem supor que é o Senhor Jesus aquele a quem aqui nos é ensinado louvar. Ele é um grande Deus: Deus poderoso é um de seus títulos, e Deus sobre todos, bendito para sempre.
Como Mediador, é um grande Rei acima de todos os deuses. Por meio dele os reis reinam, e anjos, principados e poderes lhe estão sujeitos. Por meio dele, como Palavra eterna, todas as coisas foram feitas (João 1:3).
Convinha que fosse o restaurador e reconciliador de tudo aquele que é o Criador de tudo, Colossenses 1:16, 20. A ele foi dado todo o poder tanto no céu quanto na terra, e em sua mão todas as coisas foram entregues.
É ele quem põe um pé sobre o mar e o outro sobre a terra, como Senhor soberano de ambos (Apocalipse 10:2). Portanto, a ele devemos cantar nossos louvores e diante dele devemos adorar e nos curvar.
- Porque ele é nosso Deus. Não exerce apenas domínio sobre nós, como sobre todas as criaturas; mantém conosco uma relação especial (v. 7): “Ele é nosso Deus.” Por isso se espera que o louvemos; se não o fizermos, quem o fará? Para que mais nos criou, senão para sermos para ele um nome e um louvor?
(1.) Ele é nosso Criador e autor de nossa existência. Devemos ajoelhar-nos “diante do Senhor, nosso Criador”, v. 6.
Os idólatras se ajoelham diante de deuses que eles próprios fizeram; nós nos ajoelhamos diante do Deus que nos fez e fez o mundo inteiro. Portanto, ele é nosso proprietário legítimo, pois pertencemos a ele, não a nós mesmos.
(2.) Ele é nosso Salvador e autor de nossa bem-aventurança. É chamado aqui de “rocha de nossa salvação” (v. 1), não apenas o fundador, mas o próprio fundamento dessa obra maravilhosa, sobre quem ela se edifica.
Essa rocha é Cristo; portanto, a ele devemos cantar nossos louvores, àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro.
(3.) Somos, portanto, dele e estamos sujeitos a todas as obrigações possíveis: “Somos o povo de seu pasto e as ovelhas de sua mão.” Todos os filhos dos homens o são: são alimentados e guiados por sua Providência, que zela por eles e os conduz como o pastor às ovelhas.
Devemos louvá-lo não apenas porque nos criou, mas porque nos preserva e sustenta; nossa respiração e nossos caminhos estão em sua mão. Todos os filhos da igreja o são de modo especial: os israelitas são o povo de seu pasto e as ovelhas de sua mão; por isso, Deus requer deles homenagem especial.
A igreja do evangelho é seu rebanho. Cristo é seu grande e bom Pastor. Como cristãos, somos conduzidos por sua mão aos pastos verdes; por ele somos protegidos e bem supridos. Somos inteiramente dedicados à sua honra e a seu serviço como povo singular.
Portanto, a ele seja dada glória nas igrejas (quer isso aconteça no mundo em geral, quer não) por todas as gerações, Efésios 3:21.
Aviso contra a Dureza de Coração.
7—Hoje, se ouvirdes sua voz, 8 Não endureçais o coração, como na provocação e como no dia da tentação no deserto: 9 Quando vossos pais me tentaram, me provaram e viram minha obra. 10 Durante quarenta anos me entristeci com esta geração e disse: É um povo que erra em seu coração, e não conheceram meus caminhos: 11 A quem jurei em minha cólera que não entrariam em meu descanso.
A última parte deste salmo, que começa no meio de um versículo, exorta os que cantam salmos do evangelho a viver uma vida conforme o evangelho e a ouvir a voz da palavra de Deus. Do contrário, como podem esperar que ele ouça a voz de suas orações e louvores? Observe:
I. O dever exigido de todos os que são o povo do pasto de Cristo e as ovelhas de sua mão. Ele espera que ouçam sua voz, pois disse: “Minhas ovelhas ouvem minha voz”, João 10:27.
“Somos seu povo”, dizem eles. São mesmo? Então ouçam sua voz. Se o chamam de Mestre ou Senhor, façam o que ele diz e sejam seu povo voluntariamente obediente.
Ouçam a voz de sua doutrina, de sua lei e, em ambas, de seu Espírito; ouçam e prestem atenção, ouçam e cedam. Ouçam sua voz, não a voz de um estranho.
“Se ouvirdes sua voz”: alguns entendem isso como um desejo: “Ah, se vocês ouvissem sua voz!”; se fossem tão sábios e fizessem tão bem a si mesmos! É como “Se tivesses conhecido” (Lucas 19:42), isto é, “Ah, se tivesses conhecido!”
A voz de Cristo deve ser ouvida hoje; o apóstolo insiste muito nisso ao aplicar a passagem ao dia do evangelho. Enquanto ele fala a vocês, cuidem de prestar-lhe atenção, pois este dia de suas oportunidades não durará para sempre. Portanto, aproveitem-no enquanto se chama “hoje”, Hebreus 3:13, 15.
Ouvir a voz de Cristo é o mesmo que crer. Hoje, se vocês aceitam pela fé a oferta do evangelho, muito bem; mas amanhã talvez seja tarde demais. Em assunto de tamanha importância, nada é mais perigoso que adiar.
II. O pecado contra o qual são avisados, incompatível com o ouvido crente e obediente que se exige: a dureza de coração. Se vocês ouvirem sua voz e aproveitarem o que ouvirem, então não endureçam o coração, pois a semente lançada sobre a rocha nunca produziu fruto maduro.
Por isso os judeus não creram no evangelho de Cristo: seu coração estava endurecido. Não estavam convencidos do mal do pecado nem do perigo que ele traz e, por isso, não deram atenção à oferta de salvação. Não quiseram se curvar ao jugo de Cristo nem ceder a suas exigências.
Se o coração do pecador está endurecido, isso é ato e obra dele próprio (é ele quem o endurece), e somente ele levará a culpa para sempre.
III. O exemplo pelo qual são avisados, o dos israelitas no deserto:
- “Tomem cuidado para não pecar como eles, a fim de que não sejam excluídos do descanso eterno, assim como eles foram excluídos de Canaã.” Não sejam, como seus pais, uma geração teimosa e rebelde, Salmos 78:8.
Assim se diz aqui: não endureçam o coração como vocês fizeram (isto é, seus antepassados) na provocação, ou em Meribá, o lugar em que entraram em desavença com Deus e Moisés (Êxodo 17:2-7), e no dia da tentação no deserto, v. 8.
Com tanta frequência provocaram a Deus por sua desconfiança e murmuração que todo o tempo de sua permanência no deserto poderia ser chamado de dia da tentação, ou Massá, o outro nome dado àquele lugar (Êxodo 17:7).
Pois tentaram o Senhor dizendo: “O Senhor está entre nós ou não?” Isso ocorreu no deserto, onde não podiam ajudar a si mesmos, mas dependiam da misericórdia de Deus.
Ali ele os ajudou de maneira maravilhosa e lhes deu provas palpáveis de seu poder e sinais de seu favor como nenhum outro povo tivera antes nem teria depois. Repare:
(1.) Dias de tentação são dias de provocação. Nada ofende mais a Deus do que não crer em sua promessa e desesperar-se de seu cumprimento por causa de dificuldades que parecem estar no caminho.
(2.) Quanto mais experiência temos do poder e da bondade de Deus, maior é nosso pecado se desconfiamos dele. Como? Tentar a Deus no deserto, onde dependemos dele para viver! Isso é tão ingrato quanto absurdo e desarrazoado.
(3.) A dureza de coração está na raiz de toda a nossa desconfiança de Deus e das desavenças com ele. É duro o coração que não recebe as impressões das revelações divinas nem se conforma às intenções da vontade divina, que não se derrete nem se curva.
(4.) Os pecados de outros devem servir de avisos para não seguirmos seus passos. As murmurações de Israel foram registradas para nossa advertência, 1 Coríntios 10:11.
- Agora observe:
(1.) A acusação feita, em nome de Deus, contra os israelitas incrédulos, v. 9, 10. Muitos séculos depois, Deus se queixa aqui da má conduta deles para com ele, com palavras de grande indignação.
[1.] O pecado deles foi a incredulidade: tentaram a Deus e o provaram. Questionaram se podiam confiar em sua palavra e insistiram em receber garantias ulteriores antes de prosseguir para Canaã, enviando espias.
Quando os espias os desanimaram, contestaram que o poder e a promessa divinos fossem suficientes e quiseram escolher um capitão e voltar ao Egito, Números 14:3, 4. Isso é chamado de rebelião, Deuteronômio 1:26, 32.
[2.] O agravante desse pecado foi terem visto a obra de Deus. Viram o que ele fizera por eles ao tirá-los do Egito ou melhor, o que então fazia por eles diariamente, naquele dia: o pão que fazia chover do céu e a água da rocha que os seguia. Não poderiam ter provas mais incontestáveis de sua presença com eles.
Para eles, nem mesmo ver significou crer, porque endureceram o coração, embora tivessem visto o que Faraó ganhou por endurecer o seu.
[3.] As causas do pecado deles. Veja a que Deus o atribuiu: “É um povo que erra em seu coração, e não conheceram meus caminhos.” A incredulidade e a desconfiança dos homens para com Deus, suas murmurações e desavenças com ele, resultam de ignorância e engano.
Primeiro, da ignorância: “Não conheceram meus caminhos.” Viram sua obra (v. 9), e ele lhes deu a conhecer seus feitos (Salmos 103:7); ainda assim, não conheceram seus caminhos: os caminhos de sua providência, pelos quais ele andava em direção a eles, ou os de seus mandamentos, pelos quais queria que andassem em direção a ele.
Não os conheceram, não os entenderam corretamente e, por isso, não os aprovaram. Repare: o motivo de as pessoas desprezarem e abandonarem os caminhos de Deus é não os conhecerem.
Segundo, do engano: “Erram em seu coração”; desviam-se do caminho, voltam atrás no coração. Repare: os pecados são erros, erros práticos, erros do coração; esses erros existem e são tão fatais quanto os erros da mente.
Quando os sentimentos corrompidos pervertem o julgamento e assim conduzem a alma para fora dos caminhos do dever e da obediência, há um erro do coração.
[4.] A indignação de Deus pelo pecado deles: “Durante quarenta anos me entristeci com esta geração.”
Repare: os pecados dos que professam ser povo de Deus não apenas despertam sua ira, mas também o entristecem, especialmente a desconfiança; e Deus registra quantas vezes (Números 14:22) e por quanto tempo eles o entristecem.
Veja a paciência de Deus com pecadores que o provocam: entristeceu-se com eles durante quarenta anos e, ainda assim, ao fim desse período a geração seguinte entrou triunfantemente em Canaã.
Se nossos pecados entristeceram a Deus, certamente devem nos entristecer; e nada no pecado deve nos causar mais tristeza do que isso.
(2.) A sentença proferida contra eles por seu pecado (v. 11): “A quem jurei em minha cólera: Se entrarem em meu descanso, então digam que sou mutável e falso.” Veja a sentença completa em Números 14:21, etc. Observe:
[1.] De onde veio essa sentença: da cólera de Deus. Ele jurou solenemente em sua cólera, cólera justa e santa; mas que os homens não jurem profanamente em sua própria cólera, pecaminosa e grosseira.
Deus não está sujeito às paixões a que nós estamos; contudo, diz-se que está irado, muito irado, com o pecado e os pecadores, para mostrar a maldade do pecado e a justiça de seu governo. É certamente mau o que merece uma retribuição de vingança como a que se pode esperar de uma Divindade provocada.
[2.] Qual era a sentença: que não entrariam em seu descanso, o descanso que Deus lhes preparara e destinara, uma morada estável para eles e os seus. Nenhum dos que foram registrados quando saíram do Egito constaria do rol dos vivos na entrada em Canaã, a não ser Calebe e Josué.
[3.] Como ela foi ratificada: “Eu o jurei.” Não era apenas um propósito, mas um decreto; o juramento mostrou a imutabilidade de seu conselho. O Senhor jurou e não se arrependerá. Isso eliminou qualquer esperança de misericórdia reservada para eles. As ameaças de Deus são tão seguras quanto suas promessas.
O caso de Israel pode ser aplicado aos seus descendentes que viveram no tempo de Davi, quando este salmo foi escrito.
Ouçam a voz de Deus e não endureçam o coração como seus pais, para que, caso tenham o pescoço tão duro quanto eles, Deus não seja provocado a lhes negar os privilégios de seu templo em Jerusalém, do qual disse: “Este é meu descanso.”
Mas o caso deve ser aplicado a nós, cristãos, pois assim o apóstolo o aplica. É-nos apresentado e prometido um descanso espiritual e eterno, do qual Canaã era figura. Todos nós, ao menos de profissão, caminhamos em direção a esse descanso; contudo, muitos que parecem caminhar para ele não o alcançam e jamais entrarão nele.
Que lhes barra a entrada? O pecado: a incredulidade, o pecado contra o remédio, contra nosso recurso. Os que, como Israel, desconfiam de Deus, de seu poder e de sua bondade e preferem o alho e as cebolas do Egito ao leite e ao mel de Canaã serão justamente excluídos de seu descanso. Essa será sua condenação; eles próprios a decidiram. “Temamos, portanto”, Hebreus 4:1.