Matthew Henry

Salmos 77

Argumento

Este salmo, como muitos outros, começa com queixas tristes, mas termina com palavras de ânimo e consolo. As queixas parecem tratar de sofrimentos pessoais, enquanto as palavras de ânimo dizem respeito aos interesses da igreja como um todo; por isso, não se sabe ao certo se foi escrito por um motivo pessoal ou coletivo.

Se eram tribulações particulares sob as quais o salmista gemia, isso nos ensina que o que Deus fez por sua igreja em geral pode ser aproveitado para o consolo dos crentes em particular.

Se era alguma calamidade pública que ele lamentava, o fato de falar dela com tanto sentimento, como se fosse uma tribulação particular sua, mostra quanto devemos levar a sério os interesses da igreja de Deus e fazer deles os nossos interesses.

Um dos rabinos diz: “Este salmo é expresso no dialeto dos cativos”; por isso, alguns pensam que foi escrito durante o cativeiro na Babilônia.

I. O salmista se queixa aqui das marcas profundas que suas tribulações deixaram em seu ânimo e da tentação de desesperar do alívio, vv. 1-10. II. Ele se anima para esperar que tudo acabe bem, ao recordar as manifestações anteriores de Deus em socorro de seu povo, das quais apresenta diversos exemplos, vv. 11-20.

Ao cantar este salmo, devemos nos envergonhar de todas as nossas desconfianças pecaminosas de Deus, de sua providência e de sua promessa. Devemos dar-lhe a glória de seu poder e de sua bondade, recordando com gratidão o que fez por nós no passado e dependendo dele com alegria para o futuro.

Melancolia Dominante; Súplicas Dolorosas.

Versículos 1 a 10

Ao Músico-Mor, para Jedutum. Salmo de Asafe.

Temos aqui o retrato vivo de um homem bom sob melancolia dominante, que caiu naquele poço horrível e naquele barro lamacento e ali afunda, mas luta para sair. Os santos abatidos, de espírito entristecido, podem ver aqui, como num espelho, o próprio rosto.

O conflito do salmista com suas dores e seus temores parece ter terminado quando ele escreveu este relato, pois diz (v. 1): “Clamei a Deus, e ele me deu ouvidos.” Enquanto durou a luta, não teve a percepção consoladora disso que teve depois.

Mas ele põe essas palavras no começo da narrativa para indicar que sua tribulação não terminou em desespero: Deus o ouviu e, por fim, ele soube que Deus o ouvira. Observe:

I. Suas orações melancólicas. Afligido, ele orou (Tiago 5:13) e, em agonia, orou com mais fervor (v. 1): Minha voz se elevou a Deus, e clamei; sim, com minha própria voz clamei a Deus.

Estava cheio de queixas, de queixas em voz alta, mas as dirigiu a Deus e transformou todas em orações, orações audíveis, muito fervorosas e insistentes. Desse modo, deu vazão à sua dor e obteve algum alívio; assim tomou o caminho certo para ser socorrido (v. 2): “No dia da minha tribulação busquei o Senhor”.

Repare: os dias de tribulação devem ser dias de oração, sobretudo os de tribulação interior, quando Deus parece ter-se afastado de nós; devemos buscá-lo e continuar buscando até encontrá-lo.

No dia de sua tribulação, ele não procurou a distração das ocupações ou do lazer para se livrar dela desse modo; mas buscou a Deus, seu favor e sua graça. Os que sofrem uma tribulação da mente não devem pensar em dissipá-la com bebida ou riso, mas devem dissipá-la com oração.

“Minha mão ficou estendida durante a noite e não cessou”; assim o dr. Hammond lê as palavras seguintes, como expressão da insistência incessante de suas orações. Compare com Salmos 143:5, 6.

II. Sua dor melancólica. A dor pode ser chamada melancólica, de fato: 1. Quando não admite interrupção. Assim era a sua: minha chaga, ou ferida, corria de noite e sangrava por dentro; e não cessava, não, nem na hora reservada ao descanso e ao sono.

  1. Quando não admite consolação. Esse também era seu caso: “Minha alma recusou ser consolada”; não tinha vontade de ouvir os que seriam seus consoladores. “Como vinagre sobre salitre, assim é quem canta canções a um coração pesado”, Provérbios 25:20.

Tampouco queria pensar nas coisas que poderiam consolá-lo; afastava-as de si como alguém que se entrega à tristeza. Os que estão tristes, por qualquer motivo, não apenas se prejudicam, mas ofendem a Deus se recusam ser consolados.

III. Seus pensamentos melancólicos. Ele se fixou tanto na tribulação, fosse pessoal ou coletiva, que: 1. Os meios que deveriam tê-lo aliviado apenas aumentaram sua dor, v. 3.

(1.) Poderíamos ter pensado que a lembrança de Deus o consolaria, mas não foi assim: “Lembrei-me de Deus e fiquei perturbado”, como o pobre Jó (Jó 23:15): “Fico perturbado em sua presença; quando considero, tenho medo dele”.

Quando se lembrava de Deus, seus pensamentos se fixavam somente em sua justiça, em sua cólera e em sua temível majestade; desse modo, o próprio Deus se tornava um terror para ele.

(2.) Poderíamos ter pensado que derramar a alma diante de Deus lhe traria alívio, mas não foi assim: ele se queixava e, ainda assim, seu espírito ficava subjugado e sucumbia sob o peso.

  1. Foram-lhe negados os meios de alívio naquele momento, v. 4. Ele não conseguia dormir. Se o sono é tranquilo e restaurador, torna-se um parêntese em nossas dores e preocupações: “Tu manténs meus olhos acordados com teus terrores, que me fazem revolver-me de um lado para outro até o amanhecer.”

Não conseguia falar por causa da desordem de seus pensamentos, do tumulto de seu ânimo e da confusão de sua mente.

Calava-se até mesmo quanto ao bem enquanto seu coração ardia dentro dele; estava prestes a rebentar como um odre novo (Jó 32:19) e, contudo, tão perturbado que não conseguia falar e assim aliviar-se. A dor nunca consome tanto o ânimo quanto quando é abafada e mantida presa.

IV. Suas reflexões melancólicas (v. 5, 6): “Considerei os dias antigos e os comparei com os dias presentes; nossa antiga prosperidade só agrava nossas calamidades atuais, pois não vemos as maravilhas das quais nossos pais nos falaram”.

As pessoas melancólicas tendem a se concentrar inteiramente nos dias passados e nos anos remotos e a engrandecê-los, para justificar seu próprio mal-estar e descontentamento com a situação presente.

Mas não diga que os dias passados foram melhores que estes, pois você não sabe se foram ou não, Eclesiastes 7:10. Que a lembrança dos consolos perdidos tampouco nos torne ingratos pelos que restaram ou impacientes sob nossas cruzes.

Em particular, ele se lembrou de seu cântico na noite, dos consolos com que se sustentara nas tristezas anteriores e se entretivera na solidão do passado.

Lembrou-se desses cânticos e tentou ver se não poderia cantá-los novamente; mas não estava afinado para eles, e a lembrança apenas o levou a derramar a alma dentro de si, Salmos 42:4. Veja Jó 35:10.

V. Seus temores e apreensões melancólicos: “Conversei com meu próprio coração”, v. 6. “Vamos, minha alma, qual será o desfecho destas coisas? Que posso pensar delas e que posso esperar que aconteça por fim?”

“Examinei diligentemente as causas da minha tribulação, perguntando por que Deus contendia comigo e quais seriam as consequências disso. E assim comecei a raciocinar: O Senhor rejeitará para sempre, como faz agora?”

“Ele agora não se mostra favorável; jamais voltará a sê-lo? Sua misericórdia agora se foi; desapareceu por completo para sempre? Sua promessa agora falha; falhará para todo o sempre?”

“Deus agora não se mostra benigno; acaso se esqueceu de ser benigno? Suas ternas misericórdias foram retidas, talvez por sabedoria; mas foram encerradas, encerradas pela ira?”, vv. 7-9.

Essa é a linguagem de uma alma desolada e abandonada, que anda nas trevas sem ter luz, situação nada incomum até entre os que temem o Senhor e obedecem à voz de seu servo, Isaías 50:10. Podemos vê-lo aqui:

  1. Como alguém que geme sob uma penosa tribulação. Deus lhe ocultou o rosto e retirou os sinais habituais de seu favor.

Repare: para uma alma que conhece a graça, a tribulação espiritual é a mais dolorosa de todas; nada a fere e traspassa tanto quanto a percepção de que Deus está irado, a suspensão de seu favor e a revogação de sua promessa. Isso fere o espírito; e quem pode suportá-lo?

  1. Como alguém que luta contra uma forte tentação. Repare: em dias sombrios e escuros, até o povo de Deus pode ser tentado a tirar conclusões desesperadas sobre sua própria condição espiritual e sobre a situação da igreja e do reino de Deus no mundo, dando ambos por perdidos.

Podemos ser tentados a pensar que Deus nos abandonou e rejeitou, que a aliança da graça nos falta e que a terna misericórdia de nosso Deus nos será negada para sempre. Mas não devemos ceder a tais sugestões.

Se o medo e a melancolia fizerem essas perguntas queixosas, que a fé lhes responda pelas Escrituras: O Senhor rejeitará para sempre? “Deus não o permita”, Romanos 11:1. Não: “O Senhor não rejeitará o seu povo”, Salmos 94:14.

Jamais voltará a mostrar favor? Sim: voltará; pois, embora cause dor, ainda assim terá compaixão, Lamentações 3:32. Sua misericórdia desapareceu por completo para sempre? Não: sua misericórdia dura para sempre; assim como é desde a eternidade, é até a eternidade, Salmos 103:17.

Sua promessa falhará para todo o sempre? Não: “É impossível que Deus minta”, Hebreus 6:18. Deus se esqueceu de ser benigno? Não: ele não pode negar a si mesmo nem o seu próprio nome que proclamou, benigno e misericordioso, Êxodo 34:6.

Na ira, encerrou suas ternas misericórdias? Não: “Elas são novas a cada manhã” (Lamentações 3:23); portanto: “Como te abandonarei, Efraim?”, Oseias 11:8, 9.

Ele prosseguia assim em suas apreensões sombrias e funestas quando, de repente, conteve-se primeiro com a palavra Selá: “Pare aí; não avance; não ouçamos mais essas suspeitas incrédulas”. E então repreendeu a si mesmo (v. 10): “Eu disse: Esta é a minha fraqueza”.

Logo percebeu que suas palavras não eram acertadas e, por isso: “Por que estás abatida, ó minha alma? Eu disse: Esta é a minha aflição” (assim alguns entendem).

“Esta é a calamidade que me cabe, e devo lidar com ela da melhor maneira; cada um tem sua aflição, sua tribulação na carne; esta é a minha cruz, que devo tomar”.

Ou, antes: “Este é o meu pecado; é a minha iniquidade, a praga do meu próprio coração”. Essas dúvidas e temores procedem da falta e da fraqueza da fé e da corrupção de uma mente perturbada.

Repare: (1.) Todos conhecemos em nós algo a respeito do qual devemos dizer: “Esta é a nossa fraqueza, um pecado que tão facilmente nos assedia”.

(2.) O desalento de espírito e a desconfiança de Deus na aflição são, muitas vezes, fraquezas das pessoas boas e, como tais, devemos examiná-las com dor e vergonha, como fez aqui o salmista: “Esta é a minha fraqueza”.

Quando essa fraqueza começar a agir em nós, devemos sufocar seu surgimento e não permitir que o espírito maligno fale. Devemos refutar as rebeliões da incredulidade, como fez o salmista: “Mas eu me lembrarei dos anos da destra do Altíssimo”.

Ele havia considerado os anos remotos (v. 5), as bênçãos antigas cuja lembrança só aumentava sua dor; agora, porém, via aqueles anos como os anos da destra do Altíssimo.

As bênçãos antigas vinham do Ancião de Dias, do poder e da disposição soberana da destra daquele que está acima de todos, Deus bendito para sempre; isso o satisfez. Pois não pode o Altíssimo, com sua destra, fazer as mudanças que bem entender?

Versículos 11 a 20

Reconhecimento da Majestade Divina e das Maravilhas que Deus Operou em Favor de Israel.

Aqui o salmista se recupera da grande angústia e do flagelo em que se encontrava e silencia o próprio temor de que Deus rejeitasse seu povo, lembrando-se das grandes coisas que fizera em favor deles no passado.

Embora tivesse tentado, em vão, tranquilizar-se com essa lembrança (v. 5, 6), ainda assim tentou novamente e, na segunda vez, descobriu que não era em vão.

Convém perseverar nos meios apropriados para fortalecer a fé, mesmo que de início não se mostrem eficazes: “Eu me lembrarei, certamente me lembrarei do que Deus fez em favor de seu povo na antiguidade, até poder concluir daí que a atual dispensação sombria terá um desfecho feliz”, v. 11, 12.

Repare: 1. As obras do Senhor em favor de seu povo têm sido maravilhosas. 2. Foram registradas para nós, para que nos lembremos delas.

  1. Para nos beneficiarmos dessa lembrança, devemos meditar nessas obras, demorar-nos nelas em nossos pensamentos e falar delas, a fim de instruirmos melhor a nós mesmos e aos outros a seu respeito.

  2. A lembrança devida das obras de Deus é um poderoso antídoto contra a desconfiança de sua promessa e de sua bondade, pois ele é Deus e não muda. Se iniciou sua obra, irá concluí-la e colocará a pedra de remate.

Duas coisas, de modo geral, muito o satisfizeram:

I. Que o caminho de Deus está no santuário, v. 13. Está na santidade, segundo alguns. Quando não conseguimos resolver as dificuldades particulares que podem surgir em nossa interpretação da providência divina, de uma coisa temos certeza em geral: Deus é santo em todas as suas obras.

Todas são dignas dele e conformes à pureza e à retidão eternas de sua natureza. Ele tem fins santos em tudo o que faz e será santificado em cada dispensação de sua providência.

Seu caminho está de acordo com sua promessa, que ele proferiu em sua santidade e tornou conhecida no santuário. O que fez está de acordo com o que disse e pode ser interpretado à luz disso; pelo que disse, podemos concluir facilmente que não rejeitará seu povo para sempre.

O caminho de Deus é para o santuário e para o benefício dele. Tudo o que faz visa ao bem de sua igreja.

II. Que o caminho de Deus está no mar. Embora Deus seja santo, justo e bom em tudo o que faz, ainda assim não podemos dar conta das razões de seus procedimentos nem formar juízo seguro sobre seus desígnios: Sua vereda está nas grandes águas, e suas pegadas não são conhecidas, v. 19.

Os caminhos de Deus são como as águas profundas que não se podem sondar (Salmos 36:6), como a rota de um navio no mar, que não se pode rastrear, Provérbios 30:18, 19. Devemos sempre nos conformar com os procedimentos de Deus, embora nem sempre possamos explicá-los.

O salmista especifica alguns fatos, remontando à infância da igreja judaica, e deles conclui: 1. Que não há Deus que se compare ao Deus de Israel (v. 13): “Quem é Deus tão grande como o nosso Deus?”

Primeiro, demos glória a Deus pelas grandes coisas que fez em favor de seu povo e reconheçamos que, nelas, sua grandeza não tem comparação; então podemos apropriar-nos do consolo do que fez e animar-nos com isso.

  1. Que ele é um Deus de poder onipotente (v. 14): “Tu és o Deus que sozinho operas maravilhas acima do poder de qualquer criatura; manifestaste tua força entre os povos de modo visível e incontestável.”

O que Deus fez em favor de sua igreja tem sido uma declaração permanente de seu poder onipotente, pois nisso descobriu seu braço eterno.

(1.) Deus tirou Israel do Egito, v. 15. Esse foi o começo das misericórdias concedidas ao povo e devia ser comemorado todos os anos na Páscoa: “Com teu braço, estendido em tantos milagres, remiste teu povo das mãos dos egípcios.”

Embora tenham sido libertos pelo poder, ainda assim se diz que foram remidos, como se isso tivesse ocorrido mediante um preço, porque a libertação prefigurava a grande redenção, que seria realizada, na plenitude dos tempos, tanto mediante um preço quanto mediante o poder.

Os remidos são chamados aqui não somente filhos de Jacó, a quem a promessa fora feita, mas também de José, que cria em seu cumprimento com fé muito firme e viva.

Pois, ao morrer, José mencionou a saída dos filhos de Israel do Egito e deu ordens a respeito de seus ossos.

(2.) Deus dividiu o mar Vermelho diante deles (v. 16): As águas deram passagem, e instantaneamente se abriu uma via através daquela massa de águas, como se elas tivessem visto o próprio Deus à frente dos exércitos de Israel e recuado por temor dele.

Não apenas a superfície das águas, mas também as profundezas se agitaram e se abriram à direita e à esquerda, obedecendo à palavra de sua ordem.

(3.) Deus destruiu os egípcios (v. 17): As nuvens despejaram água sobre eles, enquanto a coluna de fogo, como um guarda-chuva sobre o acampamento de Israel, o protegia da chuva.

Nessa chuva, como no dilúvio, as águas de cima do firmamento se uniram às de baixo para destruir os rebeldes. Então “os céus emitiram um som; tuas flechas também se espalharam”.

Isso é explicado (v. 18): a voz do trovão de Deus foi ouvida nos céus (era esse o som que os céus produziram); “os relâmpagos iluminaram o mundo”: eram essas as flechas que se espalharam e pelas quais o exército egípcio foi derrotado.

O terror foi tão grande que a terra da costa vizinha tremeu e se abalou. Assim, o caminho de Deus estava no mar tanto para destruir seus inimigos como para salvar seu povo.

No entanto, quando as águas voltaram a seu lugar, suas pegadas não ficaram conhecidas (v. 19); nenhum marco foi posto naquele lugar, como se faria depois no Jordão, Josué 4:9.

No relato da passagem de Israel pelo mar Vermelho, não lemos que houve trovões, relâmpagos e terremoto; ainda assim, é possível que tenham ocorrido, e Josefo diz que houve tais manifestações do terror divino naquela ocasião.

Também pode haver aqui uma referência aos trovões, relâmpagos e terremotos que ocorreram no monte Sinai quando a lei foi dada.

(4.) Deus tomou seu povo Israel sob sua própria direção e proteção (v. 20): “Conduziste teu povo como um rebanho”. Por serem fracos, indefesos e propensos a se desgarrar como um rebanho de ovelhas, e estarem expostos às feras de rapina, Deus ia adiante deles com todo o zelo e a ternura de um pastor, para que não desfalecessem.

A coluna de nuvem e fogo os conduzia; aqui, porém, não se menciona a coluna, mas a atuação de Moisés e Arão, por cuja mão Deus os guiou.

Eles não podiam fazê-lo sem Deus, mas Deus o fez com eles e por meio deles. Moisés era o governante do povo; Arão, seu sumo sacerdote. Eram guias, supervisores e governantes de Israel, e por meio deles Deus os conduziu.

A administração correta e feliz das duas grandes instituições, a magistratura e o ministério, embora não seja um milagre tão grande, é, para qualquer povo, misericórdia tão grande quanto foi para Israel no deserto a coluna de nuvem e fogo.

O salmo termina bruscamente, sem aplicar os exemplos antigos do poder de Deus às angústias atuais da igreja, como seria de esperar.

Mas, tão logo o homem bom começou a meditar nessas coisas, descobriu que alcançara seu propósito: o simples começo dessa reflexão lhe trouxe luz e alegria (Salmos 119:130).

Seus temores desapareceram de súbito e de modo surpreendente, de sorte que não precisou ir adiante; seguiu seu caminho, comeu, e seu rosto já não estava triste, como ocorreu com Ana, 1 Samuel 1:18.


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