Matthew Henry

Salmos 59

Argumento

Este salmo tem a mesma natureza e o mesmo propósito de seis ou sete salmos anteriores. Todos estão cheios das queixas de Davi contra a malícia de seus inimigos e seus desígnios malditos e cruéis contra ele, de suas orações e profecias contra eles e de seu consolo e confiança em Deus como seu Deus.

A primeira dessas coisas é a linguagem da natureza, que pode ser consentida; a segunda é a linguagem do espírito profético, que olha para Cristo e para os inimigos de seu reino e, por isso, não deve ser tomada como precedente; a terceira é a linguagem da graça e de uma fé santíssima, que cada um de nós deve imitar.

Neste salmo, I. Ele ora a Deus para que o defenda e livre de seus inimigos, apresentando-os como homens muito maus, bárbaros, maliciosos e ateus, vv. 1-7. II. Prevê e anuncia a destruição de seus inimigos, pela qual daria glória a Deus, vv. 8-17.

Na medida em que pareça que quaisquer inimigos específicos do povo de Deus correspondem a essas características, podemos, ao cantar este salmo, ler sua condenação e prever sua ruína.

Oração por Libertação.

Ao Músico-Mor, Al-taschith, Mictão de Davi, quando Saul enviou homens, e eles vigiaram a casa para matá-lo.

Versículos 1 a 7

O título deste salmo informa em particular a ocasião em que foi composto: Saul enviou um grupo de seus guardas para cercar à noite a casa de Davi, a fim de prendê-lo e matá-lo; temos esse relato em 1 Samuel 19:11. Foi quando a hostilidade de Saul contra Davi mal havia começado e Davi acabara de escapar por pouco da lança de Saul.

Essas primeiras manifestações da malícia de Saul certamente perturbaram Davi e lhe causaram dor e pavor. Ainda assim, ele manteve sua comunhão com Deus e tamanha serenidade que nunca perdeu a disposição para orar e louvar.

Felizes aqueles cuja comunhão com o céu não é interrompida nem perturbada por suas preocupações, suas dores, seus temores ou por qualquer agitação, exterior ou interior, de uma condição aflitiva. Nestes versículos:

I. Davi ora para ser livrado das mãos de seus inimigos e para que seus desígnios cruéis contra ele sejam frustrados (v. 1, 2): “Livra-me dos meus inimigos, ó meu Deus! Tu és Deus e podes livrar-me, és o meu Deus, sob cuja proteção me coloquei; prometeste ser-me um Deus todo-suficiente e, por isso, por tua honra e fidelidade, me livrarás.”

“Põe-me no alto, fora do alcance do poder e da malícia dos que se levantam contra mim, e acima do medo disso. Que eu esteja seguro e reconheça que estou, seguro e tranquilo, seguro e satisfeito. Ó, livra-me! E salva-me!”

Clama como quem está prestes a perecer e espera somente de Deus salvação e libertação. Ora (v. 4): “Desperta para me ajudar, toma conhecimento da minha situação, olha para ela com compaixão e manifesta teu poder para me socorrer.”

Assim, durante a tempestade, os discípulos despertaram Cristo, dizendo: Mestre, salve-nos; perecemos. Com a mesma insistência, devemos orar diariamente para ser defendidos e libertos de nossos inimigos espirituais: as tentações de Satanás e as corrupções de nossos próprios corações, que guerreiam contra nossa vida espiritual.

II. Ele apresenta os fundamentos de seu pedido de libertação. Nosso Deus nos permite não só orar, mas argumentar diante dele, expor-lhe nossa causa e encher nossa boca de razões, não para movê-lo, mas para mover a nós mesmos. É o que Davi faz aqui.

  1. Aponta o mau caráter de seus inimigos. São praticantes da iniquidade e, portanto, inimigos não só de Davi, mas também de Deus; são homens sanguinários e, portanto, inimigos não só dele, mas de toda a humanidade.

“Senhor, não permitas que praticantes da iniquidade prevaleçam contra quem pratica a justiça, nem que homens sanguinários prevaleçam contra um homem misericordioso.”

  1. Aponta a malícia deles contra ele e o perigo iminente em que se encontrava por causa deles, v. 3. “O rancor deles é grande; atentam contra a minha alma, a minha vida, a minha melhor parte. São astutos e muito sagazes: armam-me ciladas, esperando uma oportunidade de me causar dano.”

“São todos poderosos, homens de posição e posses, com influência na corte e no país. Estão aliados, unidos por pacto e de fato reunidos contra mim, em acordo tanto na deliberação quanto na ação. São muito engenhosos em suas maquinações e muito diligentes em executá-las (v. 4): correm e se preparam com toda a velocidade e fúria para me causar dano.”

Davi repara especialmente na conduta grosseira dos mensageiros que Saul enviou para prendê-lo (v. 6): “Voltam ao anoitecer dos postos que lhes foram designados durante o dia e se entregam às obras das trevas (seu trabalho noturno, que bem poderia ser a vergonha deles durante o dia); então fazem barulho como um cão de caça que persegue a lebre.”

Assim agiram os inimigos de Davi quando vieram prendê-lo: levantaram um clamor contra ele como rebelde, traidor e homem indigno de viver. Com esse alarde rondaram a cidade, a fim de dar a Davi má fama e, se possível, atiçar a multidão contra ele; ao menos queriam impedir que ela se indignasse contra eles, como tinham razão de temer, pois Davi era muito amado pelo povo.

Assim também os perseguidores de nosso Senhor Jesus, comparados a cães (Salmos 22:16), o perseguiram com alarido. Caso contrário, não poderiam tê-lo prendido, pelo menos não no dia da festa, pois haveria tumulto entre o povo.

Eles arrotam pela boca a malícia que ferve no coração, v. 7. “Espadas estão em seus lábios”: isto é, palavras de descrédito que me ferem o coração de dor (Salmos 42:10) e calúnias que apunhalam e ferem minha reputação.

Sugeriam continuamente coisas que desembainhavam e afiavam contra ele a espada de Saul, e a culpa é atribuída aos falsos acusadores. Talvez a espada não estivesse na mão de Saul se não tivesse estado primeiro nos lábios deles.

  1. Ele aponta sua própria inocência, não perante Deus (pois nunca hesitou em reconhecer diante dele sua culpa), mas perante seus perseguidores. As acusações que lhe faziam eram inteiramente falsas; ele nunca dissera ou fizera coisa alguma que merecesse deles tal tratamento (v. 3): “Não por minha transgressão, nem por meu pecado, ó Senhor! Tu sabes, tu que sabes todas as coisas.”

E novamente (v. 4): “Sem culpa minha”. Repare: (1.) A inocência dos piedosos não os protegerá da maldade dos perversos. Embora inofensivos como pombas, por amor de Cristo são odiados por todos como se fossem nocivos como serpentes, e ficam expostos a esse tratamento.

(2.) Embora nossa inocência não nos livre das tribulações, ainda assim ela nos sustentará e consolará muito em meio a elas. O testemunho de nossa consciência em nosso favor, de que nos portamos bem para com os que se portam mal conosco, será grande motivo de alegria no dia do mal.

(3.) Se temos consciência de nossa inocência, podemos apelar a Deus com humilde confiança e pedir que defenda nossa causa injustamente atacada; ele o fará no tempo devido.

  1. Ele aponta que seus inimigos eram profanos e ateus e que o desprezo por Deus fortalecia sua hostilidade contra Davi: “Pois quem ouve?”, dizem eles, v. 7. Pensam que nem o próprio Deus ouve, Salmos 10:11; 94:7. Repare: não é de estranhar que não tenham cuidado com o que dizem aqueles que se convenceram de que Deus não se importa com suas palavras.

III. Ele entrega a si mesmo e sua causa ao justo juízo de Deus, v. 5. “Que o Senhor, o Juiz, julgue entre mim e meus perseguidores.” Ao apelar a Deus, vê nele o Senhor dos Exércitos, que tem poder para executar o juízo, pois todas as criaturas, até os exércitos de anjos, estão sob seu comando.

Vê nele também o Deus de Israel, para quem ele era, de modo especial, Rei e Juiz. Não duvida de que Deus se manifestará em favor dos retos, os verdadeiros israelitas. Quando os exércitos de Saul o perseguiam, recorria a Deus como Senhor de todos os exércitos; quando o difamavam os que em espírito eram estranhos à comunidade de Israel, recorria a Deus como Deus de Israel.

Deseja, isto é, tem plena certeza, que Deus despertará para visitar todas as nações e investigará cedo e com exatidão as controvérsias e desavenças entre os filhos dos homens. Haverá um dia de visitação (Isaías 10:3), e a esse dia Davi entrega sua causa com o solene apelo: “Não tenhas misericórdia de nenhum dos transgressores perversos”. Selá — repare nisso.

  1. Se Davi tivesse consciência de ser um transgressor perverso, não esperaria receber misericórdia. Mas, diante de seus inimigos, podia afirmar que não era transgressor de modo algum (v. 3, 4): “Não por minha transgressão; por isso, tu te manifestarás em meu favor.”

Diante de Deus, podia dizer que não era um transgressor perverso: embora tivesse transgredido, era um transgressor arrependido e não persistia obstinadamente no mal que fizera.

  1. Ele sabia que seus inimigos eram transgressores perversos, voluntariosos, maliciosos e endurecidos em suas transgressões tanto contra Deus quanto contra os homens. Por isso, pede justiça contra eles, juízo sem misericórdia. Não devem esperar misericórdia os que nunca a demonstraram, pois assim são os transgressores perversos.

Versículos 8 a 17

Confiança em Deus.

Diante do poder ameaçador de seus inimigos, Davi se anima com a piedosa resolução de esperar em Deus e com a expectativa, fundada na fé, de que ainda o louvaria.

I. Ele resolve esperar em Deus (v. 9): “Por causa de sua força” — seja a força dos inimigos, cujo temor o levou a Deus, seja a força de Deus, cuja esperança o atraiu a ele — “esperarei em ti, dependendo de ti com fé e confiando em ti.”

Em tempos de perigo e dificuldade, é sábio e é nosso dever esperar em Deus, pois ele é nossa defesa, nosso lugar alto, onde estaremos seguros.

Davi espera: 1. Que Deus seja para ele Deus de misericórdia (v. 10): “O Deus da minha misericórdia me precederá com as bênçãos de sua bondade e os dons de sua misericórdia; precederá meus temores, precederá minhas orações e será melhor para mim do que minhas próprias expectativas.”

É muito consolador, na oração, olhar para Deus não só como Deus de misericórdia, mas como Deus da nossa misericórdia, autor de todo o bem em nós e doador de todo o bem que recebemos. Toda a misericórdia que há em Deus está reservada para nós e pronta a ser aplicada em nosso favor.

Com razão o salmista chama a misericórdia de Deus de sua misericórdia, pois todas as bênçãos da nova aliança são chamadas “as firmes misericórdias de Davi” (Isaías 55:3), e são garantidas a toda a descendência.

  1. Que Deus seja para seus perseguidores Deus de vingança. Sua expectativa aparece em parte como predição e em parte como petição, que vêm a dar no mesmo: sua oração para que aconteça equivale à profecia de que acontecerá.

Aqui estão várias coisas que ele prevê acerca de seus inimigos, ou observadores, que procuravam pretextos contra ele e oportunidades de causar-lhe dano. Em todas elas veria cumprido seu desejo a respeito deles: não um desejo impetuoso ou vingativo, mas um desejo fundado na fé, v. 10.

(1.) Prevê que Deus os exporia ao desprezo, pois eles próprios haviam se tornado ridículos, v. 8. “Pensam que Deus não os ouve nem lhes dá atenção; mas tu, ó Senhor, rirás deles por sua insensatez de imaginar que aquele que plantou o ouvido não ouvirá. E terás em escárnio não só a eles, mas também todos os outros povos pagãos semelhantes, que vivem sem Deus no mundo.”

Repare: ateus e perseguidores merecem ser motivo de riso e escárnio. Veja Salmos 2:4; Provérbios 1:26; Isaías 37:22.

(2.) Que Deus os tornaria monumentos permanentes de sua justiça (v. 11): “Não os abatas”; que não sejam mortos de uma vez, “para que meu povo não se esqueça”. Se a execução for rápida, a impressão que causar não se conservará e, portanto, não durará: logo se apagará.

As destruições repentinas assustam os homens no momento, mas depressa são esquecidas. Por isso, Davi ora para que esta punição seja gradual: “Dispersa-os por teu poder, e que levem consigo, em suas andanças, sinais do desagrado de Deus que espalhem a notícia de seu castigo por todo o país.”

Assim, o próprio Caim, embora assassino, não foi abatido, para que a vingança não fosse esquecida; foi condenado a ser fugitivo e errante. Repare: quando achamos que os juízos de Deus vêm lentamente sobre os pecadores, devemos concluir que ele tem fins sábios e santos na execução gradual de sua cólera.

“Dispersa-os de tal modo que nunca mais possam unir-se para causar dano; derruba-os, ó Senhor, nosso escudo!” Se Deus assumiu a proteção de seu povo como escudo, certamente humilhará e abaterá todos os que lutam contra eles.

(3.) Que fossem tratados conforme merecem (v. 12): “Pelo pecado de sua boca, pelas palavras de seus lábios” — pois há pecado em cada palavra que pronunciam — que por isso sejam apanhados em seu orgulho, inclusive por amaldiçoarem os outros e a si mesmos, pecado a que Saul era propenso (1 Samuel 14:28, 44), e por mentirem.

Repare: há nos pecados da língua muito mais malícia do que geralmente se pensa. Repare ainda: amaldiçoar, mentir e falar com orgulho estão entre os piores pecados da língua; na verdade, miserável é o homem a quem Deus trata conforme esses pecados merecem, fazendo sua própria língua voltar-se contra ele.

(4.) Que Deus se glorificaria como Deus e Rei de Israel na destruição deles (v. 13): “Consome-os na cólera, consome-os; isto é, faze-os sofrer um juízo depois do outro até que estejam completamente arruinados. Que definhem de modo perceptível, porém gradual, para que eles mesmos, enquanto são consumidos, saibam disso.”

“E que os observadores também concluam daí que Deus governa em Jacó até os confins da terra.” Saul e seus partidários pensam que governam e dominarão tudo diante de si, mas serão obrigados a saber que há alguém superior a eles, que se sobrepõe a eles agora e continuará a fazê-lo.

O desígnio dos juízos de Deus é convencer os homens de que o Senhor reina, cumpre seus próprios conselhos, dá lei a todas as criaturas e dispõe todas as coisas para sua glória. Assim, até os maiores homens estão sob seu controle, e ele os usa como lhe agrada.

Ele governa em Jacó, pois ali mantém sua corte; ali é conhecido, e seu nome é grande. Mas governa até os confins da terra, pois todas as nações fazem parte do território de seu reino. Governa até os confins da terra, mesmo sobre os que não o conhecem; mas governa em favor de Jacó, segundo outra leitura.

Tem em vista o bem de sua igreja no governo do mundo. Os atos desse governo, até os confins da terra, são feitos por causa de Jacó, seu servo, e de Israel, seu eleito, Isaías 45:4.

(5.) Que Deus faria do pecado deles o seu castigo, v. 14; compare com o v. 6. Seu pecado fora caçar Davi para fazer dele uma presa; seu castigo seria serem reduzidos a uma pobreza tão extrema que caçariam alimento para matar a fome e não a encontrariam, assim como não encontraram Davi.

Não seriam eliminados de uma vez, mas dispersos (v. 11) e consumidos aos poucos (v. 13). Os que morrem de fome morrem gradualmente e sentem a própria morte, Lamentações 4:9. Davi prevê que seriam obrigados a mendigar pão de porta em porta.

[1.] Que fariam isso com o maior constrangimento e relutância imagináveis. Envergonham-se de mendigar, o que torna o castigo ainda maior; por isso saem ao anoitecer, quando começa a escurecer, para que não sejam vistos, na hora em que outras feras de rapina saem de seus esconderijos, Salmos 104:20.

[2.] Que, ainda assim, fariam grande alarido em suas queixas, movidos por profunda indignação diante da situação à qual não conseguem se conformar nem um pouco: farão barulho como um cão. Quando procuravam Davi, faziam barulho como um cão furioso que rosna e late; agora, à procura de alimento, farão barulho como um cão faminto que uiva e geme.

Os que se arrependem dos pecados, quando sofrem, lamentam-se como pombas. Aqueles cujo coração está endurecido, quando sofrem, fazem barulho como cães, como um touro selvagem preso numa rede, cheios da ira do Senhor. Veja Oseias 7:14: eles não clamaram a mim de coração quando uivaram em seus leitos por cereal e vinho.

[3.] Que encontrariam pouco socorro, pois o coração das pessoas se tornaria muito duro para com eles. Rondariam a cidade e vagueariam de um lado para outro à procura de alimento (v. 15), e nada conseguiriam senão por muita insistência.

Segundo nossa leitura à margem, “Se não ficarem satisfeitos, passarão a noite”. Assim, o que lhes dão não vem de boa vontade, mas apenas para se livrarem deles, a fim de que sua vinda contínua não canse as pessoas.

[4.] Que seriam insaciáveis, a maior desgraça de todas na pobreza. “São cães vorazes que nunca se fartam” (Isaías 56:11) e se queixam se não ficam satisfeitos. O homem contente, ainda que não tenha o que deseja, ainda assim não se queixa, não entra em desavença com a Providência nem se atormenta por dentro.

Mas aqueles cujo deus é o ventre, se este não fica cheio e seus apetites não são satisfeitos, desentendem-se tanto com Deus quanto consigo mesmos. Não é a pobreza, e sim o descontentamento, que torna um homem infeliz.

II. Ele espera louvar a Deus: a providência divina lhe daria motivos para louvar, e a graça divina produziria nele um coração disposto ao louvor, v. 16, 17. Observe:

  1. Pelo que louvaria a Deus. (1.) Louvaria seu poder e sua misericórdia; ambos seriam o assunto de seu cântico. O poder sem misericórdia é temível; da misericórdia sem poder ninguém pode esperar grande benefício. Mas o poder de Deus, pelo qual ele pode ajudar-nos, e sua misericórdia, pela qual se inclina a ajudar-nos, serão com razão o louvor eterno de todos os santos.

(2.) Louvaria a Deus porque muitas vezes, e ao longo de toda a sua vida, o encontrara como sua defesa e refúgio no dia da tribulação. Deus leva seu povo à tribulação para que experimentem seu poder e sua misericórdia ao protegê-los e abrigá-los e tenham motivo para louvá-lo.

(3.) Louvaria a Deus porque ainda dependia dele e confiava nele como sua força, que o sustenta e o faz prosseguir no dever; como sua defesa, que o protege do mal; e como Deus de sua misericórdia, que o torna feliz e tranquilo. Aquele que é tudo isso para nós certamente merece nossos melhores afetos, louvores e serviços.

  1. Como louvaria a Deus. (1.) Cantaria. Assim como o canto é expressão natural de alegria, também é uma ordenança instituída para manifestar e despertar a santa alegria e a gratidão.

(2.) Cantaria em voz alta, como alguém profundamente tocado pela glória de Deus, que não se envergonhava de reconhecê-la e desejava que outros também fossem tocados por ela. Cantará o poder de Deus, mas cantará em voz alta sua misericórdia; considerá-la desperta seus afetos mais do que qualquer outra coisa.

(3.) Cantaria em voz alta pela manhã, quando seu ânimo estivesse mais renovado e vivo. As compaixões de Deus se renovam a cada manhã; por isso, convém começar o dia com louvores a ele.

(4.) Cantaria a Deus (v. 17), para sua honra e glória e mantendo os olhos nele. Assim como devemos dirigir a Deus nossas orações, devemos dirigir-lhe também os louvores e erguer os olhos, entoando cânticos ao Senhor.


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