Matthew Henry

Salmos 5

Argumento

O salmo é uma oração, uma solene súplica a Deus num tempo em que o salmista foi levado à aflição pela malícia de seus inimigos. Davi passou por muitos períodos assim; ou melhor, quase não houve momento de sua vida ao qual este salmo não pudesse ser aplicado.

Nisso ele foi figura de Cristo: estava continuamente cercado de inimigos, e seus apelos poderosos e eficazes a Deus, quando assim cercado, apontavam para a dependência de Cristo em relação ao Pai e para seus triunfos sobre os poderes das trevas em meio aos sofrimentos. Neste salmo:

I. Davi estabelece uma comunicação entre sua alma e Deus, prometendo orar e assegurando-se de que Deus certamente o ouviria, vv. 1-3.

II. Ele dá glória a Deus e encontra consolo para si mesmo na santidade divina, vv. 4-6.

III. Declara sua resolução de permanecer fiel ao culto público de Deus, v. 7.

IV. Ele orou:

  1. Por si mesmo, para que Deus o guie, v. 8.

  2. Contra seus inimigos, para que Deus os destrua, v. 9, 10.

  3. Por todo o povo de Deus, para que Deus lhes dê alegria e os mantenha seguros, v. 11, 12.

Tudo isso é muito útil para nos orientar na oração.

Oração por Orientação e Proteção.

Versículos 1 a 6

Ao Músico-Mor, sobre Neilote. Salmo de Davi.

O título deste salmo só tem de peculiar a indicação de que ele é sobre Neilote, palavra que não se usa em nenhum outro lugar. Conjectura-se, e não passa de conjectura, que signifique instrumentos de sopro, com os quais este salmo era cantado, assim como se supunha que Neginote designasse os instrumentos de corda. Nestes versículos Davi contempla a Deus:

I. Como Deus que ouve a oração. Assim ele tem sido desde que os homens começaram a invocar o nome do Senhor, e continua tão disposto a ouvir as orações como sempre. Observe como Davi o chama: “Ó Senhor” (v. 1, 3), Jeová, um Ser que existe por si mesmo e basta a si mesmo, a quem devemos adorar; e “meu Rei e meu Deus” (v. 2).

“Eu o declarei solenemente meu Deus, jurei-lhe fidelidade e me pus sob sua proteção como meu Rei.” Cremos que o Deus a quem oramos é Rei e Deus, Rei dos reis e Deus dos deuses. Mas isso não basta.

O princípio mais poderoso e animador da oração, e o apelo mais poderoso ou eficaz nela, é considerá-lo nosso Rei e nosso Deus, a quem devemos obrigações particulares e de quem esperamos benefícios particulares. Agora observe:

  1. O que Davi pede aqui, algo que pode animar nossa fé e esperança em todas as súplicas que dirigimos a Deus. Se orarmos com fervor e fé, temos razão para esperar:

(1.) Que Deus tome conhecimento de nossa situação, do relato que lhe apresentamos e dos pedidos que fazemos a respeito dela. Assim ele ora aqui: “Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor!” Embora Deus esteja no céu, tem o ouvido aberto às orações de seu povo e não é pesado demais para ouvir.

Os homens talvez não queiram ou não possam ouvir-nos: nossos inimigos são orgulhosos demais para querer, e nossos amigos estão distantes demais para poder. Deus, porém, embora elevado e no céu, pode e quer ouvir-nos.

(2.) Que ele leve nossa situação em conta com sabedoria e compaixão, sem desprezá-la nem despachá-la com uma resposta apressada. Assim Davi ora: “Considera minha meditação.” Suas orações não eram apenas palavras, mas também meditações. Assim como a meditação é a melhor preparação para a oração, a oração é o melhor fruto da meditação.

Meditação e oração devem andar juntas, Salmos 19:14. É quando ponderamos nossas orações, e só então, que podemos esperar que Deus as considere e leve ao coração aquilo que brota do nosso.

(3.) Que ele, no tempo devido, dê uma resposta graciosa de paz. Assim Davi ora (v. 2): “Atende à voz do meu clamor.” Sua oração era um clamor: era a voz de seu clamor, expressão que indica fervor de afeto e insistência nas palavras. Orações eficazes e fervorosas de um justo valem muito e fazem maravilhas.

  1. O que Davi promete aqui como condição que lhe cabe executar, cumprir e guardar, para obter essa acolhida graciosa. Isso pode guiar-nos e governar-nos nas súplicas que dirigimos a Deus, para que as apresentemos corretamente, pois pedimos e não recebemos quando pedimos mal. Davi promete quatro coisas, e devemos fazer o mesmo:

(1.) Que orará, que fará da oração uma questão de consciência e se dedicará a ela: “A ti orarei.” “Outros vivem sem oração, mas eu orarei.” Reis em seus próprios tronos, como Davi, devem ser mendigos diante do trono de Deus.

“Outros oram a deuses estranhos e esperam deles socorro, mas a ti, somente a ti, orarei.” As garantias que Deus nos deu de sua disposição para ouvir orações devem fortalecer nossa resolução de viver e morrer orando.

(2.) Que orará pela manhã. Sua voz em oração será ouvida nesse horário, e então sua oração será dirigida a Deus. Essa será a data de suas cartas ao céu; não apenas essa data, pois “de manhã, à tarde e ao meio-dia orarei; ou melhor, sete vezes por dia te louvarei”, mas certamente também essa.

A oração matinal é nosso dever. Estamos mais aptos para orar quando nossa disposição está mais revigorada, viva e serena, livres da sonolência da noite, restaurados pelo descanso e ainda não ocupados com os negócios do dia.

É então que mais precisamos da oração, considerando os perigos e tentações do dia a que estamos expostos e contra os quais precisamos, pela fé e pela oração, buscar novas provisões de graça.

(3.) Que manterá os olhos fixos e o coração atento nesse dever: “Dirigirei minha oração”, como o arqueiro dirige a flecha ao alvo. Com essa firmeza e constância de espírito devemos apresentar-nos a Deus.

Ou, assim como endereçamos uma carta a um amigo em determinado lugar, devemos dirigir nossas orações a Deus como nosso Pai no céu. Enviemo-las sempre pelo Senhor Jesus, o grande Mediador; assim elas certamente não se extraviarão.

Todas as nossas orações devem ser dirigidas a Deus. Sua honra e glória devem ser nosso alvo mais elevado em cada uma delas. Que nossa primeira petição seja: “Santificado, glorificado seja o teu nome.” Então podemos ter certeza da mesma resposta graciosa dada ao próprio Cristo: “Eu o glorifiquei e o glorificarei outra vez.”

(4.) Que esperará pacientemente uma resposta de paz: “Olharei para cima, acompanharei minhas orações e ouvirei o que Deus, o Senhor, dirá” (Salmos 85:8; Habacuque 2:1), “para que, se ele conceder o que pedi, eu seja agradecido; se negar, paciente; e se adiar, continue a orar e a esperar sem desfalecer.”

Devemos olhar para cima ou ficar atentos, como quem lançou uma flecha e observa quão perto ela chegou do alvo. Perdemos muito do consolo de nossas orações por não observarmos as respostas que lhes são dadas.

Orando e esperando assim, como o homem coxo olhou fixamente para Pedro e João (Atos 3:4), podemos esperar que Deus ouça e considere nossas palavras. A ele podemos confiar nossa causa, como faz Davi aqui, que não ora “Senhor, faz isto ou aquilo por mim”, mas “Ouve-me, considera minha situação e faz o que te parecer bom”.

II. Como Deus que odeia o pecado, vv. 4-6. Davi repara nisso, 1. Como aviso a si mesmo e a todos os que oram, para lembrarem que o Deus com quem tratamos é gracioso e misericordioso, mas também puro e santo. Embora esteja pronto para ouvir a oração, se guardarmos iniquidade no coração, não ouvirá nossas orações, Salmos 66:18.

  1. Como ânimo para suas orações contra os inimigos: eram homens perversos e, portanto, inimigos de Deus, dos quais ele não tinha prazer. Veja aqui:

(1.) A santidade da natureza de Deus. Ao dizer “Tu não és um Deus que tenha prazer na maldade”, Davi quer dizer: “Tu és um Deus que a odeia, porque ela se opõe diretamente à tua pureza infinita, à tua retidão e à tua vontade santa.”

Embora os que praticam a iniquidade prosperem, ninguém conclua daí que Deus se agrada da maldade. Não se agrada sequer da maldade com que os homens alegam honrá-lo, como fazem os que odeiam seus irmãos, os expulsam e dizem: “Seja glorificado o Senhor.” Deus não tem prazer na maldade, ainda que coberta pelo manto da religião.

Saibam, portanto, os que se deleitam no pecado que Deus não se deleita neles. Tampouco diga alguém, ao ser tentado: “Sou tentado por Deus”, pois Deus não é o autor do pecado. O mal também não habitará com ele, isto é, não receberá para sempre sua aprovação nem terá permissão para prosperar continuamente.

O doutor Hammond entende que isso se refere à lei de Moisés que não permitia aos estrangeiros persistentes na idolatria habitar na terra de Israel.

(2.) A justiça de seu governo. “Os insensatos não permanecerão diante de seus olhos”, isto é, não receberão seu favor, não serão admitidos para servi-lo nem serão absolvidos no julgamento do grande dia. Os que praticam a iniquidade são muito insensatos.

O pecado é insensatez, e os pecadores são os maiores de todos os insensatos. Não são insensatos feitos por Deus, dos quais devemos ter compaixão, pois ele não odeia nada do que criou, mas insensatos por obra própria; esses ele odeia.

Os perversos odeiam a Deus; por isso é justo que sejam odiados por ele, e nisso estarão sua miséria e ruína sem fim. “Aqueles a quem odeias, destruirás”, em especial duas classes de pecadores aqui marcadas para a destruição:

[1.] Os insensatos que falam falsidade ou mentira e são enganadores. Dá-se ênfase especial a esses pecadores: “Todos os mentirosos” (Apocalipse 21:8) e “Todo aquele que ama e pratica a mentira” (Apocalipse 22:15). Nada é mais contrário ao Deus da verdade do que isso e, portanto, nada lhe é mais odioso.

[2.] Os cruéis: “Abominarás o homem sanguinário”, pois a desumanidade não é menos contrária nem menos odiosa ao Deus de misericórdia, que se agrada da misericórdia.

Diz-se de maneira especial que os mentirosos e os assassinos se parecem com o diabo e são filhos dele; por isso não surpreende que Deus os abomine. Essas eram as características dos inimigos de Davi. Tais homens continuam sendo inimigos de Cristo e de sua igreja, completamente destituídos de virtude e honra. Quanto piores são, mais certa é sua ruína no tempo devido.

Ao cantar estes versículos e orar com suas palavras, devemos assumir e estimular em nós o dever da oração e animar-nos nele, pois não buscaremos o Senhor em vão. Devemos também expressar nossa repulsa pelo pecado e nossa reverente expectativa daquele dia da manifestação de Cristo, que será o dia da perdição dos ímpios.

Versículos 7 a 12

Deleite no Culto Público; Felicidade dos Justos.

Nestes versículos Davi apresenta três retratos: o de si mesmo, o de seus inimigos e o de todo o povo de Deus, e acrescenta uma oração a respeito de cada um.

I. Ele fala de si mesmo e ora por si, v. 7, 8.

  1. Está firmemente resolvido a permanecer junto de Deus e de seu culto. Os pecadores se afastam de Deus e, assim, tornam-se odiosos à sua santidade e expostos à sua justiça: “Quanto a mim, isso não me afastará de ti.”

A santidade e a justiça de Deus estão longe de ser um terror para os retos de coração que os afaste dele. Antes, por elas são convidados a apegar-se a ele. Davi resolve:

(1.) Adorar a Deus, prestar-lhe homenagem e dar-lhe a glória devida a seu nome.

(2.) Adorá-lo publicamente: “Entrarei em tua casa, nos átrios de tua casa, para ali adorar com outros fiéis adoradores.” Davi praticava muito o culto em particular e muitas vezes orava sozinho (v. 2, 3); ainda assim, frequentava o santuário com constância e devoção. Os deveres do aposento particular têm por desígnio preparar-nos para as ordenanças públicas, não servir de desculpa para deixá-las.

(3.) Adorá-lo com reverência e com a devida consciência da distância infinita entre Deus e o homem: “No teu temor adorarei, com santa reverência a Deus em meu espírito”, Hebreus 12:28. Todos os que adoram a Deus devem temê-lo profundamente.

(4.) Buscar ânimo para a adoração somente no próprio Deus:

[1.] Em sua misericórdia infinita. É na abundância da misericórdia divina, nos tesouros inesgotáveis de misericórdia que há em Deus e nas inúmeras provas e manifestações dela que dele recebemos, que Davi confia ao aproximar-se de Deus, não em qualquer mérito ou justiça sua.

A misericórdia de Deus deve ser sempre tanto o fundamento de nossa esperança quanto a fonte de nossa alegria em tudo que se relaciona com ele.

[2.] No meio de adoração instituído, que então era o templo, aqui chamado templo de sua santidade. Era uma figura de Cristo, o grande e único Mediador, que santifica o culto assim como o templo santificava o ouro. Devemos contemplá-lo em todas as nossas devoções, como os adoradores daquela época contemplavam o templo.

  1. Davi ora fervorosamente para que Deus, por sua graça, o guie e preserve sempre no caminho de seu dever (v. 8): “Guia-me em tua justiça, por causa de meus inimigos.” No hebraico: “Por causa dos que me observam, que vigiam para ver se tropeço e procuram motivo contra mim.” Veja aqui:

(1.) O bom proveito que Davi tirou da malícia de seus inimigos. Quanto mais minuciosamente procuravam falhas nele, para ter do que acusá-lo, mais cauteloso ele era para evitar o pecado e toda aparência dele, e mais solícito em permanecer no bom caminho de Deus e do dever. Assim, pela sabedoria e pela graça, o bem pode surgir do mal.

(2.) O caminho certo que Davi tomou para frustrar aqueles que procuravam motivo contra ele. Entregou-se à direção divina e pediu a Deus que, por sua providência e sua graça, o conduzisse no caminho certo e o impedisse de desviar-se dele em qualquer momento ou situação.

Assim, nem mesmo os inimigos mais exigentes e inclinados a encontrar defeitos, como os de Daniel, poderiam achar motivo contra ele. O caminho do nosso dever é chamado aqui o caminho de Deus e sua justiça, porque ele nos orienta por suas leis justas e santas.

Se as colocarmos sinceramente diante de nós como nossa regra, poderemos pedir a Deus com fé que nos dirija em cada caso particular. Veja em 1 Samuel 18:14, 15 como essa oração de Davi foi atendida.

II. Ele fala de seus inimigos e ora contra eles, v. 9, 10. 1. Se o relato que faz deles é verdadeiro, como sem dúvida é, têm péssimo caráter. Se não fossem de fato homens maus, não poderiam ser inimigos de um homem segundo o coração de Deus.

Davi falara (v. 6) do ódio de Deus ao homem sanguinário e enganador. “Agora, Senhor”, diz ele, “essas são as características dos meus inimigos: são enganadores. Não se pode confiar neles, pois não há fidelidade em sua boca.” Achavam que não havia pecado em contar uma mentira deliberada se ao menos pudessem manchar a reputação de Davi e torná-lo detestável.

“Senhor, guia-me”, diz ele (v. 8), “pois são homens desse tipo que enfrento, e nem a própria inocência protege contra suas calúnias. Falam com amabilidade? Falam de paz e amizade? Lisonjeiam com a língua; seu desígnio é encobrir a malícia e alcançar seu propósito com mais segurança.”

“Seja o que for que aleguem acerca da religião ou da amizade, duas coisas sagradas, não são fiéis a nenhuma delas: seu íntimo é a própria maldade; é pura maldade. Também são sanguinários, pois sua garganta é um sepulcro aberto, cruel como a sepultura, escancarado para devorar e engolir, insaciável como ela, que nunca diz: ‘Basta’”, Provérbios 30:15, 16.

Isso é citado em Romanos 3:13 para mostrar a corrupção geral da humanidade, pois todos estão naturalmente inclinados à malícia, Tito 3:3. A sepultura está aberta para todos eles, mas também são sepulturas abertas uns para os outros.

  1. Se a oração de Davi contra eles é ouvida, como sem dúvida é, encontram-se em má situação. Conforme são e agem, assim devem esperar ser tratados. Ele ora a Deus para que os destrua, de acordo com o que dissera no v. 6: “Destruirás homens desse caráter.” Que caiam, pois os pecadores logo se lançariam à ruína se fossem deixados por conta própria.

Davi pede que Deus os expulse de sua proteção e de seu favor, da herança do Senhor e da terra dos vivos. Ai daqueles que Deus expulsa! “Por seus pecados mereceram destruição; há motivo suficiente para justificar que Deus os rejeite por completo. Expulsa-os pela multidão de suas transgressões, com as quais encheram a medida de sua iniquidade e amadureceram para a ruína.”

Perseguir os servos de Deus enche essa medida tão depressa quanto qualquer outra coisa, 1 Tessalonicenses 2:15, 16. Ou melhor: podem facilmente ser levados a cair por seus próprios conselhos; aquilo que fazem para proteger-se e causar dano a outros pode, pela providência de Deus que se sobrepõe a eles, tornar-se meio de sua destruição, Salmos 7:15; 9:15.

Davi alega: “Rebelaram-se contra ti. Se fossem apenas meus inimigos, eu poderia perdoá-los sem receio; mas são rebeldes contra Deus, sua coroa e sua dignidade. Opõem-se ao seu governo e não querem arrepender-se para dar-lhe glória. Por isso prevejo claramente sua ruína.”

Sua oração pela destruição deles não procede de espírito vingativo, mas de espírito profético, pelo qual anunciou que todos os que se rebelam contra Deus certamente serão destruídos por seus próprios conselhos.

Se é justo que Deus retribua com tribulação aos que atribulam seu povo, como nos é dito que é (2 Tessalonicenses 1:6), oramos para que isso aconteça sempre que oramos: “Pai, seja feita a tua vontade.”

III. Ele fala do povo de Deus e ora por eles, concluindo com a certeza de sua felicidade, da qual não duvidava que ele próprio participaria. Observe:

  1. A descrição que faz do povo de Deus. São os justos (v. 12), pois confiam em Deus, estão bem certos de seu poder e de sua plena suficiência, arriscam tudo apoiados em sua promessa e confiam em sua proteção no caminho do dever.

Amam também seu nome, agradam-se de tudo aquilo por meio de que Deus se deu a conhecer e têm prazer em conhecê-lo. A religião verdadeira e pura consiste em viver com satisfação em Deus e dependência dele.

  1. Sua oração por eles: “Que se alegrem; que tenham motivos para se alegrar e coração disposto a isso. Enche-os de alegria, de alegria grande e indizível. Que exultem com alegria constante e perpétua; que exultem sempre com alegria santa, cujo fim está em Deus. Que se alegrem em ti, em teu favor e em tua salvação, não em qualquer criatura.”

“Que se alegrem porque os defendes, os cobres ou os abrigas à tua sombra, e habitas entre eles.” Talvez haja aqui uma alusão à coluna de nuvem e de fogo, que era para Israel sinal visível da presença especial de Deus entre eles e da proteção especial sob a qual viviam.

Aprendamos com Davi a orar não só por nós, mas também pelos outros: por todas as pessoas boas, por todos os que confiam em Deus e amam seu nome, ainda que não concordem conosco em tudo nem compartilhem nossos interesses.

Que todos os que têm direito às promessas de Deus tenham parte em nossas orações. A graça seja com todos os que amam a Cristo com sinceridade. Assim nos colocamos de acordo com Deus.

  1. Seu consolo a respeito deles, v. 12. Ele os inclui em suas orações porque são o povo especial de Deus; por isso não duvida de que suas orações serão ouvidas e de que eles sempre se alegrarão, pois:

(1.) São felizes na certeza da bênção de Deus: “Tu, Senhor, abençoarás o justo e ordenarás uma bênção sobre ele. Em tua palavra o declaraste bem-aventurado e, portanto, o farás verdadeiramente feliz. Aqueles a quem abençoas são de fato abençoados.”

(2.) “Estão seguros sob a proteção de teu favor; com ele o coroarás”, como leem alguns. “Esse favor é sua honra, será para ele um diadema de beleza e o tornará verdadeiramente grande. Com ele o cercarás por todos os lados, como com um escudo.”

Na guerra, o escudo protege apenas um lado, mas o favor de Deus defende os santos por todos os lados, como a cerca ao redor de Jó. Assim, enquanto se mantiverem sob a proteção divina, estarão inteiramente seguros e deverão estar plenamente satisfeitos.

Ao cantar estes versículos e orar com suas palavras, devemos, pela fé, pôr-nos sob a direção e o zelo de Deus. Então podemos alegrar-nos com sua misericórdia e sua graça e com a perspectiva do triunfo final de Deus sobre todos os seus inimigos e dos triunfos de seu povo nele e em sua salvação.


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