Matthew Henry

Salmos 41

Argumento

A bondade e a verdade de Deus muitas vezes sustentaram e consolaram os santos quando mais sofreram com a falta de bondade e a traição dos homens. Davi as encontrou assim no leito de enfermidade: seus inimigos foram muito cruéis, mas seu Deus, muito cheio de graça.

I. Aqui ele se consola na comunhão com Deus durante a enfermidade, recebendo pela fé as promessas que Deus lhe fez e apegando-se a elas (vv. 1-3), e elevando o coração a Deus em oração, v. 4.

II. Aqui ele apresenta a malícia dos inimigos contra si, as censuras maldosas que lhe fazem, as observações rancorosas a seu respeito e sua conduta insolente para com ele, vv. 5-9.

III. Ele entrega seu caso a Deus, sem duvidar de que Deus o reconheceria e favoreceria (vv. 10-12), e o salmo termina com uma doxologia, v. 13. Alguém está aflito por causa de enfermidade? Que cante o começo deste salmo.

Alguém é perseguido por inimigos? Que cante a parte final; e qualquer um de nós, ao cantá-lo, pode meditar tanto nas calamidades quanto nos consolos das pessoas boas neste mundo.

Promessas aos Que Consideram os Pobres.

Versículos 1 a 4

Ao Músico-Mor. Salmo de Davi.

Nestes versículos, temos:

I. As promessas de socorro e consolo de Deus aos que consideram os pobres:

  1. Podemos supor que Davi as menciona aplicando-as, ou (1.) aos amigos que foram bondosos com ele e muito atentos à sua situação quando estava aflito: bem-aventurado aquele que considera o pobre Davi.

Aqui e ali ele encontrou alguém que se compadecia dele, se preocupava com ele e conservava a boa opinião e o respeito que lhe tinha, apesar de suas aflições, enquanto os inimigos o tratavam com tanta insolência e o ofendiam.

Sobre essas pessoas pronunciou a bênção, sem duvidar de que Deus lhes retribuiria toda a bondade que lhe demonstraram, sobretudo quando também viessem a sofrer aflição. As provocações dos inimigos apenas faziam com que seus amigos lhe fossem ainda mais queridos.

Ou (2.) a si mesmo. Sua consciência lhe dava testemunho de que havia considerado os pobres: quando tinha honra e poder na corte, reconhecera as carências e misérias deles e providenciara seu socorro. Por isso, tinha certeza de que Deus, conforme a promessa, o fortaleceria e consolaria na enfermidade.

  1. Devemos considerar essas promessas de modo mais geral, aplicando-as a nós mesmos. Aqui temos um comentário à promessa: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Observe: (1.) Qual é a misericórdia exigida de nós.

É considerar os pobres ou aflitos, seja na mente, no corpo ou nos bens. Devemos considerá-los com prudência e ternura: reparar em sua aflição e investigar sua situação, compadecer-nos deles e julgá-los com caridade.

Devemos considerar sabiamente os pobres. Isto é: pela pobreza e pela aflição de outras pessoas, deve ser dada instrução a nós mesmos; devem servir-nos de Maschil, que é a palavra empregada aqui.

(2.) Qual é a misericórdia que nos é prometida, se assim a demonstrarmos. Aquele que considera os pobres, mesmo que não possa socorrê-los, ainda assim os considera e se preocupa com eles por compaixão; e, ao socorrê-los, age com atenção e discernimento.

Esse será considerado por seu Deus: não apenas receberá recompensa na ressurreição dos justos, mas será abençoado na terra. Esse aspecto da piedade, tanto quanto qualquer outro, tem a promessa da vida presente e costuma ser recompensado com bênçãos temporais.

A generosidade para com os pobres é o caminho mais certo e seguro para prosperar. Quem a pratica pode ter certeza de receber de Deus socorro oportuno e eficaz:

[1.] Em todas as tribulações: ele os livrará no dia do mal, de modo que, quando os tempos estiverem no pior estado, tudo lhes correrá bem e não cairão nas calamidades que atingem os outros. Se alguém for escondido no dia da ira do Senhor, serão eles.

Deus distinguirá dos que são tratados com dureza aqueles que assim se distinguem dos que têm o coração endurecido. Estão em perigo? Ele os preservará e conservará vivos. Até os melhores perderam o direito à vida mil vezes; se lhes for dada a própria vida por despojo, deverão reconhecer nisso grande favor.

Ele não diz: “Serão promovidos”, mas: Serão preservados e conservados vivos quando as flechas da morte voarem densamente ao seu redor. Seus inimigos os ameaçam? Deus não os entregará à vontade deles.

O mais poderoso inimigo que temos só pode exercer contra nós o poder que lhe for concedido do alto. A boa vontade de um Deus que nos ama basta para nos proteger da má vontade de todos os que nos odeiam, homens e demônios.

Podemos contar que teremos parte nessa boa vontade se consideramos os pobres e ajudamos a socorrê-los e resgatá-los.

[2.] Especialmente na enfermidade (v. 3): “O Senhor o fortalecerá”, tanto no corpo quanto na mente, “no leito de prostração” em que esteve doente por muito tempo; e lhe arrumará toda a cama. É expressão de grande condescendência, que alude ao zelo de quem trata e acompanha os enfermos.

Alude especialmente ao zelo das mães com os filhos doentes, quando lhes arrumam a cama para que fiquem confortáveis. A cama que o próprio Deus arruma certamente fica bem arrumada.

Ele lhe arrumará toda a cama, da cabeceira aos pés, de modo que nenhuma parte lhe cause desconforto. Ele lhe virará a cama, como diz a palavra, para afofá-la e torná-la muito confortável; ou a transformará num leito de saúde.

Repare: Deus prometeu a seu povo que os fortalecerá e lhes dará conforto em meio às dores e enfermidades do corpo. Não prometeu que nunca adoecerão, nem que não ficarão debilitados por muito tempo, nem que sua doença não os levará à morte.

Mas prometeu capacitá-los a suportar a aflição com paciência e esperar com alegria pelo desfecho. Por sua graça, a alma será levada a habitar tranquila enquanto o corpo estiver prostrado em dor.

II. A oração de Davi, orientada e animada por essas promessas (v. 4): “Eu disse: Cura minha alma.” É bom guardarmos alguma lembrança de nossas orações, para não desdizermos com nossos atos nada do que dissemos nelas. Aqui está:

  1. Sua humilde súplica: “Senhor, tem misericórdia de mim.” Ele recorre à misericórdia, sabendo que não resistiria à prova da justiça rigorosa. Nem os melhores santos, mesmo os que foram misericordiosos com os pobres, fizeram de Deus seu devedor; devem lançar-se à misericórdia dele.

Quando estamos sob a vara, devemos nos recomendar assim à terna misericórdia de nosso Deus: Senhor, “cura minha alma”. O pecado é a doença da alma; a misericórdia que perdoa a cura, assim como a graça que renova. Devemos buscar com mais fervor essa cura espiritual do que a saúde do corpo.

  1. Sua confissão penitente: “Pequei contra ti”; por isso minha alma precisa de cura. Sou pecador, um pecador miserável; portanto, Deus, “tem misericórdia de mim” (Lucas 18:13).

Não parece que isso se refira a algum ato grave e particular de pecado, mas, de modo geral, aos muitos pecados de fraqueza que sua enfermidade pôs em ordem diante dele. O temor das consequências desses pecados o levou a orar: “Cura minha alma.”

Versículos 5 a 13

Davi se Queixa dos Inimigos; o Consolo de Davi em Deus.

Davi se queixa muitas vezes da conduta insolente dos inimigos para com ele quando estava doente. Assim como isso era muito cruel da parte deles, não podia deixar de lhe causar profunda dor.

Eles não haviam chegado ao grau moderno de perversidade de envenenar sua comida e bebida ou de lhe dar algo que o fizesse adoecer.

Mas, quando ele adoeceu, insultaram-no (v. 5): “Meus inimigos falam mal de mim”, com o desígnio de causar dor ao seu espírito, arruinar sua reputação e, assim, enfraquecer sua influência. Investiguemos:

I. Qual foi a conduta dos inimigos para com ele:

  1. Desejavam sua morte: quando morrerá, e seu nome perecerá com ele? Ele levava uma vida pouco confortável, e mesmo assim se ressentiam de que ele a tivesse. Contudo, era uma vida útil: sob todos os aspectos, ele era o maior ornamento e bênção de seu país.

Ainda assim, ao que parece, havia quem não o suportasse, como os judeus não suportavam Paulo e clamavam: “Fora da terra com um homem desses!” Não devemos desejar a morte de ninguém; mas desejar a morte de homens úteis justamente por sua utilidade contém muito do veneno da antiga serpente.

Invejavam-lhe o nome e a honra que conquistara, e não duvidavam de que, se ele morresse, ambos seriam sepultados com ele. Veja, porém, como se enganaram: depois de servir à sua geração, ele morreu (Atos 13:36); mas seu nome pereceu?

Não. Ele vive e floresce até hoje nos escritos sagrados e viverá até o fim dos tempos, pois a memória dos justos é e será abençoada.

  1. Recolhiam tudo o que podiam para lançá-lo em descrédito (v. 6): “Se vem me visitar” (pois visitar os doentes sempre foi considerado gesto de bondade para com o próximo), “fala coisas vãs”; isto é, alega amizade e afirma ter vindo para lamentar com Davi e consolá-lo.

Diz que sente muito ao vê-lo tão indisposto e deseja-lhe saúde, mas tudo é bajulação e falsidade. Queixamo-nos, com razão, da falta de sinceridade em nossos dias e de que quase não se encontra amizade verdadeira entre as pessoas; mas parece que os tempos antigos não eram melhores.

Os amigos de Davi eram só formalidades e não tinham no coração a afeição que professavam ter por ele. E isso nem era o pior: iam visitá-lo com um desígnio danoso, para fazer comentários maldosos sobre tudo o que ele dissesse ou fizesse.

Depois poderiam contar essas coisas aos outros como quisessem, com seus próprios comentários, de modo a torná-lo odioso ou ridículo: “Seu coração ajunta iniquidade para si”, pois interpreta tudo da pior maneira. E, quando vai para junto dos companheiros, conta-lhes o que reuniu, para que eles o contem a outros.

“Denunciai”, dizem eles, “e nós o denunciaremos” (Jeremias 20:10). Se Davi se queixasse muito da doença, lançá-lo-iam em descrédito por sua pusilanimidade; se quase não se queixasse, lançá-lo-iam em descrédito por sua insensibilidade.

Se orasse ou lhes desse bons conselhos, zombariam disso e chamariam de fala religiosa vazia. Se guardasse silêncio quanto ao bem na presença dos perversos, diriam que esquecera a religião agora que estava doente. Não há defesa contra os que, por malícia, ajuntam assim iniquidade.

  1. Estavam certos de que ele nunca se recuperaria daquela doença nem conseguiria apagar a aversão de que o haviam coberto. Sussurravam juntos contra ele (v. 7), dizendo em segredo ao ouvido uns dos outros o que teriam vergonha de dizer em voz alta e sabiam que, se o dissessem, seria refutado.

Os que sussurram e os maldizentes são postos juntos entre os piores pecadores (Romanos 1:29, 30). Sussurravam para que sua trama contra ele não fosse descoberta e, assim, frustrada. Raramente há sussurros, como dizemos, sem mentira ou algum dano em andamento.

Esses homens que sussurravam planejavam o mal contra Davi. Concluindo que ele logo morreria, maquinavam como frustrar todas as medidas que ele havia traçado para o bem público, impedir que fossem levadas adiante e desfazer tudo o que fizera até então.

É a isso que ele chama planejar-lhe prejuízo. Não tinham dúvidas de que alcançariam seu objetivo: “Uma doença maligna” (uma coisa de Belial), diziam, “apegou-se firmemente a ele”.

Esperavam que o descrédito lançado sobre seu nome se apegasse tão firmemente a ele que seu nome perecesse com ele; assim, alcançariam seu objetivo.

Seguiam uma máxima moderna, Fortiter calumniari, aliquid adhærebit: espalhe calúnias em abundância, e alguma delas certamente pegará. “A doença de que sofre agora certamente acabará com ele, pois é castigo de um crime enorme e grave do qual não se deixará persuadir a arrepender-se.”

“Apesar das aparências, isso prova que ele é filho de Belial.” Ou: “A doença foi infligida por Satanás, chamado Belial”, o maligno, 2 Coríntios 6:15. “É”, conforme a maneira imprecisa de falar de alguns, “uma doença diabólica; por isso se apegará firmemente a ele.”

“Agora que está deitado”, agora que a enfermidade se agravou a ponto de obrigá-lo a permanecer na cama, “não se levantará mais”. Ficaremos livres dele e dividiremos os despojos de seus cargos.

Não devemos achar estranho que, quando pessoas boas adoeçam, haja quem tema isso, o que torna o mundo indigno delas, Apocalipse 11:10.

  1. Havia um homem em particular em quem ele depositara muita confiança, mas que se aliara aos inimigos e o ofendia tanto quanto qualquer um deles (v. 9): “Meu próprio amigo íntimo.” É provável que ele se refira a Aitofel, que fora seu amigo do peito e principal ministro de Estado.

Davi confiava nele como alguém inabalavelmente fiel e se apoiava muito em seus conselhos ao lidar com os inimigos. Esse amigo comia do seu pão: Davi tinha muita intimidade com ele e lhe permitia sentar-se à sua mesa. Ou melhor, sustentava-o e lhe dava os meios de subsistência.

Por isso, tanto a gratidão quanto o próprio interesse deviam levá-lo a permanecer fiel a Davi. Os que recebiam sustento do palácio real não consideravam correto presenciar a desonra do rei (Esdras 4:14), muito menos desonrá-lo.

Mas esse confidente vil e traiçoeiro de Davi se esqueceu de todo o pão que comera e levantou o calcanhar contra quem lhe erguera a cabeça. Não apenas o abandonou: também o insultou, deu-lhe pontapés e procurou derrubá-lo.

São de fato perversos aqueles a quem nenhum favor prestado nem confiança depositada obriga a corresponder. Não estranhemos se sofrermos ofensas dessas pessoas: assim fizeram com Davi e com o Filho de Davi.

Pois Davi, pelo Espírito, falou aqui de Judas, o traidor. Nosso Salvador mesmo explica isso dessa forma e, por isso, deu a Judas o bocado de pão, para que se cumprisse a Escritura: “Aquele que come pão comigo levantou contra mim o calcanhar” (João 13:18, 26).

Ou melhor: não nos comportamos nós mesmos de modo tão pérfido e sem franqueza para com Deus? Comemos diariamente do seu pão e, ainda assim, levantamos contra ele o calcanhar, como Jesurum, que engordou e deu coices (Deuteronômio 32:15).

II. Como Davi suportou essa conduta insolente e maldosa dos inimigos para com ele?

  1. Pediu a Deus que frustrasse os planos deles. Nada lhes disse; voltou-se para Deus: Ó Senhor, “tem misericórdia de mim”, pois eles não têm misericórdia, v. 10. Ele já havia orado, em relação aos insultos dos inimigos: “Senhor, tem misericórdia de mim”, pois essa oração serve para qualquer situação.

A misericórdia de Deus traz remédio para toda queixa: Eles procuram me derrubar, mas, Senhor, levante-me deste leito de sofrimento do qual pensam que nunca me levantarei. “Levanta-me para que eu lhes retribua”, para que lhes pague o mal com o bem, segundo alguns, pois esse era o costume de Davi (Salmos 7:4; 35:13).

Uma pessoa boa até desejará a oportunidade de mostrar que não guarda rancor dos que a prejudicaram e que, ao contrário, está pronta a fazer-lhes todo o bem possível. Ou: “Como rei, poderei mostrar-lhes sinais do meu justo desagrado, afastá-los da corte e proibir-lhes de agora em diante a minha mesa.”

Isso seria um ato de justiça necessário para servir de aviso aos outros. Talvez essa oração contenha uma profecia da exaltação de Cristo, a quem Deus levantou para ser justo vingador de todos os males feitos a ele e ao seu povo, especialmente pelos judeus, cuja destruição completa não tardou a acontecer.

  1. Tinha certeza de que os inimigos seriam frustrados (v. 11): “Por isto sei que me favoreces”, a mim e à minha causa, “porque meu inimigo não triunfa sobre mim”. Esperavam que ele morresse, mas, pela misericórdia de Deus, percebeu que se recuperava.

Isso aumentaria o consolo da recuperação: (1.) ela seria uma frustração para os adversários. Ficariam abatidos e profundamente envergonhados; nem seria preciso repreendê-los pela frustração, pois se consumiriam por dentro.

Repare: embora não devamos sentir prazer com a queda dos inimigos, podemos nos alegrar quando seus desígnios contra nós são frustrados.

(2.) Seria sinal do favor de Deus para com ele e prova certa de que Deus o favorecia e continuaria a fazê-lo. Repare: quando conseguimos discernir o favor de Deus em qualquer misericórdia recebida, pessoal ou pública, essa misericórdia se duplica e se torna mais doce.

  1. Confiava que Deus, que já o livrara de muitas obras más, o preservaria para seu reino celestial, à semelhança do bem-aventurado Paulo (2 Timóteo 4:18).

“Quanto a mim”, visto que me favoreces, como fruto desse favor e para me capacitar a continuar recebendo-o, “tu me sustentas em minha integridade” e, para isso, “me colocas diante da tua face”, manténs teus olhos sempre sobre mim para o meu bem.

Ou: Porque, por sua graça, você me sustenta em minha integridade, sei que, em sua glória, me colocará para sempre diante da sua face. Repare: (1.) Sempre que nossa reputação sofre, nossa principal preocupação deve ser nossa integridade. Então podemos deixar alegremente a Deus o cuidado de preservar nossa reputação.

Davi sabe que, se ao menos perseverar na integridade, não precisará temer o triunfo dos inimigos sobre ele. (2.) O melhor homem do mundo só mantém sua integridade enquanto Deus o sustenta nela; pois pela graça dele somos o que somos. Se formos deixados por nossa conta, não apenas cairemos, mas nos afastaremos dele.

(3.) É grande consolo saber que, por mais fracos que sejamos, Deus é capaz de nos sustentar em nossa integridade e o fará se confiarmos a ele a guarda dela.

(4.) Se a graça de Deus não zelasse constantemente por nós, não seríamos sustentados em nossa integridade; seus olhos estão sempre sobre nós, caso contrário logo nos desviaríamos dele.

(5.) Aqueles a quem Deus agora sustenta em sua integridade, ele os colocará diante de sua face para sempre e os fará felizes na visão e fruição de si mesmo. Quem perseverar até o fim será salvo.

  1. O salmo termina com uma doxologia solene, ou adoração a Deus como o Senhor Deus de Israel, v. 13. Não é certo se esse versículo pertence a este salmo em particular.

Nesse caso, ensina-nos que a esperança confiante de sermos preservados pela graça até a glória basta para encher nosso coração de alegria e nossa boca de louvor perpétuo, mesmo nas maiores dificuldades.

Ou talvez tenha sido acrescentado como conclusão do primeiro livro dos Salmos, que se considera terminar aqui; algo semelhante foi anexado aos Salmos 72, Salmos 89 e Salmos 106. Nesse caso, ensina-nos a fazer de Deus o Ômega que é o Alfa, o fim que é o começo de toda boa obra.

Nos é ensinado: (1.) a dar glória a Deus como o Senhor Deus de Israel, um Deus em aliança com seu povo, que fez coisas grandes e bondosas em favor deles e reserva ainda mais coisas, e melhores, para eles.

(2.) A dar-lhe glória como Deus eterno, que tem tanto seu ser quanto sua bem-aventurança, desde a eternidade e até a eternidade.

(3.) Devemos fazer isso com grande afeição e fervor de espírito, expressos no duplo selo posto na doxologia: “Amém, e amém.” Que assim seja agora e por toda a eternidade. Dizemos amém a isso, e que todos os outros também digam amém.


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