Matthew Henry

Salmos 3

Argumento

Assim como o salmo anterior, na figura de Davi exaltado, nos mostrou a dignidade régia do Redentor, este, pelo exemplo de Davi aflito, nos mostra a paz e a santa segurança dos remidos: como estão realmente seguros sob a proteção divina e como se consideram seguros.

Davi, agora expulso de seu palácio, da cidade real e da cidade santa por seu filho rebelde Absalão, I. Queixa-se a Deus dos inimigos, v. 1, 2. II. Apesar de tudo, confia em Deus e nele se anima como seu Deus, v. 3.

III. Recorda a satisfação que lhe trouxeram as respostas bondosas de Deus às suas orações e a experiência de sua bondade para com ele, v. 4, 5. IV. Triunfa sobre seus temores (v. 6) e sobre seus inimigos, contra os quais ora, v. 7.

V. Dá glória a Deus e recebe para si o consolo da bênção e da salvação divinas, asseguradas a todo o povo de Deus, v. 8. Falam melhor das verdades de Deus aqueles que falam por experiência; assim Davi fala aqui do poder e da bondade de Deus e da segurança e tranquilidade dos piedosos.

Aflição e Confiança.

Versículos 1 a 3

Salmo de Davi, Quando Fugiu de Seu Filho Absalão.

O título deste e de muitos outros salmos é como uma chave pendurada à porta, pronta para abri-la e nos introduzir em seu conteúdo. Quando sabemos em que ocasião um salmo foi escrito, sabemos melhor como explicá-lo.

Este salmo foi composto, ou pelo menos sua essência foi meditada e ordenada no pensamento de Davi e oferecida a Deus, quando ele fugiu de seu filho Absalão. Este tramou uma conspiração para lhe tirar não só a coroa, mas também a vida; temos o relato em 2 Samuel 15 e seguintes.

  1. Davi estava então profundamente entristecido. Quando, em sua fuga, subiu o monte das Oliveiras, chorou muito, com a cabeça coberta e caminhando descalço. Ainda assim, compôs esse salmo consolador.

Ele chorou e orou, chorou e cantou, chorou e creu; isso era semear com lágrimas. Alguém está aflito? Que ore. Ou melhor: que cante salmos, que cante este salmo. Alguém sofre com filhos desobedientes e rebeldes? Davi sofreu, e isso não impediu sua alegria em Deus nem o desafinou para os cânticos santos.

  1. Ele corria grande perigo. A conspiração contra ele fora profundamente arquitetada; o grupo que buscava sua ruína era muito temível, e seu próprio filho o liderava. Assim, sua situação parecia ter chegado ao extremo; ainda assim, ele se apegou à relação que tinha com Deus e dela tirou proveito. Perigos e sustos devem nos levar a Deus, não nos afastar dele.

  2. Ele sofrera grande provocação daqueles de quem tinha razão para esperar coisa melhor: seu filho, a quem tratara com indulgência, e seus súditos, para os quais fora tão grande bênção. Não podia deixar de se ressentir disso, e era o bastante para perturbar o ânimo de qualquer pessoa.

No entanto, longe de dar vazão indevida à paixão e à indignação, manteve a serenidade necessária aos atos de devoção que mais exigem firmeza e liberdade de pensamento. A vinda do Espírito sobre ele comprovou a calma de sua mente, pois o Espírito prefere mover-se sobre águas tranquilas.

Jamais levemos tão a sério a falta de bondade de alguém, nem mesmo de um filho ou amigo, a ponto de nos tornarmos incapazes de ter comunhão com Deus.

  1. Ele sofria então por seu pecado no caso de Urias. Esse era o mal que Deus ameaçara suscitar contra ele dentro da própria casa por causa daquele pecado (2 Samuel 12:11). Sem dúvida Davi percebeu isso e aproveitou a ocasião para renovar seu arrependimento.

Nem por isso abandonou a confiança no poder e na bondade divinos, nem perdeu a esperança de socorro. Mesmo a tristeza por nossos pecados não deve impedir nossa alegria em Deus nem nossa esperança nele.

  1. Ao fugir de Absalão e deixar a cidade real sem sequer lutar por ela, parecia covarde. Contudo, este salmo revela que estava cheio da verdadeira coragem que nasce da fé em Deus.

A verdadeira fortaleza cristã consiste mais na segurança que a graça dá e na serenidade de espírito, em suportar e esperar com paciência, do que em empreendimentos ousados de espada em punho.

Nestes três versículos ele recorre a Deus. Para quem mais iríamos quando algo nos aflige ou assusta? Davi estava longe de seu lugar reservado de oração e dos átrios da casa de Deus, onde costumava orar; mesmo assim, encontrou o caminho aberto para o céu.

Onde quer que estejamos, podemos ter acesso a Deus e nos aproximar dele, para onde quer que sejamos impelidos. Em sua fuga, Davi se apresenta diante de seu Deus:

I. Com a exposição de sua aflição, v. 1, 2. Ele olha ao redor e, por assim dizer, examina o acampamento dos inimigos ou recebe notícias de seus desígnios contra ele. Leva tudo a Deus, não ao seu próprio conselho de governo. Queixa-se de duas coisas acerca de seus inimigos:

  1. Eram muito numerosos: “Senhor, como se multiplicaram!” Mais do que no início e mais do que ele imaginara que se multiplicariam. A facção de Absalão crescia espantosamente no caminho, como uma bola de neve.

Ele fala como quem está admirado, e com razão: o povo a quem beneficiara de tantas maneiras, quase todo ele, se afastara e se rebelara contra ele. E escolhera como chefe um jovem tão insensato e leviano como Absalão.

Como são inconstantes e enganadoras as multidões! Quão pouca fidelidade e constância se encontra entre os homens! Davi tivera o coração dos súditos tanto quanto qualquer rei, mas agora, de repente, o perdera.

Assim como o povo não deve confiar demais nos príncipes (Salmos 146:3), os príncipes não devem se apoiar demais no prestígio que têm entre o povo. Cristo, o Filho de Davi, teve muitos inimigos.

Quando uma grande multidão veio prendê-lo e o povo gritou “Crucifica-o! Crucifica-o!”, como se multiplicaram os que o afligiam! Mesmo os bons não devem estranhar quando a corrente se volta contra eles e as forças que os ameaçam se tornam cada vez mais temíveis.

  1. Eram muito maliciosos. Levantavam-se contra ele e queriam afligi-lo. Mas não era só isso: diziam a respeito de sua alma: “Não há ajuda para ele em Deus”. Isso significa:

(1.) Interpretavam suas aflições com maldade e inveja, como os amigos de Jó fizeram com ele. Concluíam que, porque seus servos e súditos o abandonavam e não o ajudavam, Deus também o abandonara e deixara sua causa de lado.

Portanto, segundo eles, era preciso considerá-lo, ou antes, desprezá-lo, como hipócrita e perverso.

(2.) Blasfemavam contra Deus, insinuando que ele não era capaz de livrá-lo: “Seu perigo é tão grande que o próprio Deus não pode ajudá-lo”. É estranho encontrar tão grande incredulidade em qualquer pessoa, ainda mais em tantos israelitas, que julgavam um grupo de homens forte demais até para a Onipotência.

(3.) Tentavam abalar sua confiança em Deus e levá-lo a perder a esperança de receber socorro dele. “Eles disseram isso à minha alma”; assim também se pode ler; compare Salmos 11:1; 42:10.

O que mais o entristecia era terem dele uma opinião tão ruim a ponto de julgarem possível afastá-lo daquele fundamento. A mera tentação já era para ele uma agressão, um espinho na carne; ou melhor, uma espada nos ossos.

Repare: um filho de Deus se assusta com a simples ideia de perder a esperança de receber ajuda divina. Nada o aflige tanto quanto tentarem convencê-lo de que Deus não o ajudará.

Davi vai a Deus e lhe conta o que os inimigos disseram, assim como Ezequias estendeu diante do Senhor a carta blasfema de Rabsaqué. “Eles dizem: ‘Não há ajuda para mim em ti’; mas, Senhor, se isso for verdade, estou perdido.”

“Dizem à minha alma: ‘Não há salvação’ (pois esse é o termo) ‘para ele em Deus’; mas, Senhor, dize tu à minha alma: ‘Eu sou a tua salvação’ (Salmos 35:3). Isso me satisfará e, no tempo devido, os fará calar.”

A essa queixa ele acrescenta “Selá”, palavra que aparece cerca de setenta vezes no livro dos Salmos. Alguns a relacionam à música com que se cantavam os salmos nos dias de Davi; outros, ao sentido, entendendo-a como sinal de uma pausa solene.

Selá: observe bem, ou: “Pare aqui e reflita um pouco”. Como neste caso: eles dizem “Não há ajuda para ele em Deus”. Selá. “Reserve um momento para considerar tal pensamento. Para trás de mim, Satanás! Que o Senhor te repreenda! Fora com sugestão tão vil!”

II. Com a declaração de sua dependência de Deus, v. 3. Quanto mais um crente ativo é afastado de Deus, seja pelas repreensões da Providência, seja pelo descrédito lançado pelos inimigos, com mais firmeza se apega a ele e mais perto dele permanece.

Assim Davi, quando os inimigos disseram “Não há ajuda para ele em Deus”, exclamou com confiança ainda maior: “Mas tu, Senhor, és um escudo para mim. Digam o que quiserem: sei que nunca me abandonarás e estou decidido a nunca desconfiar de ti”.

Veja o que Deus é para seu povo, o que será, o que seu povo já encontrou nele e o que Davi encontrou. 1. Segurança: “Tu és um escudo para mim, um escudo ao meu redor” (segundo alguns), “para me proteger de todos os lados, pois os inimigos me cercaram”.

Não apenas “meu escudo” (Gênesis 15:1), expressão que indica ter parte na proteção divina, mas “um escudo para mim”, expressão que indica o benefício presente e efetivo dessa proteção.

  1. Honra: “Tu és a minha glória”. Aqueles a quem Deus reconhece como seus não apenas estão seguros e tranquilos: têm verdadeira grandeza e recebem honra real, muito superior àquela de que os poderosos da terra se orgulham.

Davi estava agora desonrado; a coroa lhe caíra da cabeça. Mas, tendo Deus por sua glória, não pensará menos de si mesmo (Isaías 60:19). “Tu és a minha glória; considero tua glória como minha” (segundo alguns).

“É a isso que viso e é isso que ambiciono, qualquer que seja minha sorte e o que quer que aconteça à minha honra: que eu seja para o meu Deus um nome e um louvor.”

  1. Alegria e livramento: “Tu és aquele que levanta a minha cabeça. No tempo devido, erguerás minha cabeça, tirando-me das aflições, e restaurarás minha dignidade. Ou, pelo menos, erguerás minha cabeça em meio a elas, para que eu não desfaleça, não desanime nem perca as forças.”

Se, nos piores tempos, o povo de Deus consegue erguer a cabeça com alegria, sabendo que tudo lhe contribuirá para o bem, reconhecerá que Deus é quem lhe ergue a cabeça, dando-lhe tanto motivo como disposição para se alegrar.

Ao cantar este salmo e fazer dele nossa oração, devemos compreender o perigo que corremos diante da multidão e da malícia de nossos inimigos espirituais. Eles procuram arruinar nossa alma afastando-nos de nosso Deus.

Também devemos nos importar com as aflições e os perigos da igreja de Deus, contra a qual se fala e se luta em toda parte. Em ambos os casos, porém, devemos nos animar em nosso Deus, que reconhece e protege sua causa e, no tempo devido, a coroará tanto no mundo como no coração de seu povo.

Versículos 4 a 8

Confiança em Deus.

As provocações dos inimigos levaram Davi a se apegar a Deus como seu Deus. Assim encontrou consolo olhando para o alto, quando, ao olhar ao redor, só via motivos de desânimo.

Agora ele olha para trás com satisfação, ao lembrar o benefício que recebeu por confiar em Deus, e olha para a frente com a agradável expectativa do resultado luminoso e feliz a que logo chegaria a sombria dispensação sob a qual se encontrava.

I. Veja com que consolo ele recorda a comunhão que tivera com Deus e as demonstrações de seu favor, seja numa aflição anterior que atravessara pela bondade divina, seja nesta, até o momento presente.

Davi enfrentara muitas dificuldades, fora frequentemente oprimido e levado a uma condição muito humilde; ainda assim, sempre achara em Deus toda a suficiência. Agora ele recorda com prazer:

  1. Que suas aflições sempre o levavam a dobrar os joelhos. Em todas as dificuldades e perigos, ele pudera reconhecer a Deus e elevar-lhe o coração e também a voz. Essa será uma lembrança consoladora quando estivermos aflitos: “Com a minha voz clamei a Deus”.

As preocupações e a dor nos fazem bem, e não mal, quando nos levam a orar e nos movem não apenas a falar com Deus, mas a clamar a ele com toda a seriedade.

É verdade que Deus compreende a linguagem do coração quando a voz não se ouve (1 Samuel 1:13), e não valoriza as orações hipócritas dos que fazem ouvir sua voz nas alturas (Isaías 58:4): vox et præterea nihil, mero som.

Contudo, quando a intensidade da voz procede do fervor do coração, isso será levado em conta: clamamos a Deus com a nossa voz.

  1. Que sempre achara Deus pronto a responder suas orações: “Ele me ouviu do seu santo monte”, do céu, o lugar alto e santo, e da arca no monte Sião, de onde costumava responder aos que o buscavam.

Quando fugia de Absalão, Davi ordenara a Zadoque que levasse a arca de volta à cidade (2 Samuel 15:25). Sabia que Deus não estava preso nem mesmo à arca de sua presença e que, apesar da distância, pela fé podia receber respostas de paz vindas do santo monte.

Nenhuma dessas coisas pode abrir um abismo entre as manifestações da graça de Deus para conosco e a ação dessa graça em nós, entre o favor dele e a nossa fé. A arca da aliança estava no monte Sião, e todas as respostas às nossas orações vêm das promessas dessa aliança.

Cristo foi estabelecido Rei no santo monte Sião (Salmos 2:6); é por meio dele, a quem o Pai sempre ouve, que nossas orações são ouvidas.

  1. Que sempre estivera muito seguro e tranquilo sob a proteção divina (v. 5): “Deitei-me e dormi”, sereno e em paz; “acordei” revigorado, “pois o Senhor me sustentou”.

(1.) Isso se aplica às misericórdias comuns de cada noite, pelas quais devemos agradecer toda manhã, a sós e com nossa família. Muitos não têm onde reclinar a cabeça, mas vagueiam pelos desertos; outros até têm onde, porém não ousam deitar-se por medo do inimigo. Nós, porém, nos deitamos em paz.

Muitos se deitam e não conseguem dormir. Passam a noite se revirando até o amanhecer, por causa de dores no corpo, angústia na mente ou sobressaltos incessantes de medo. Nós, porém, nos deitamos e dormimos em segurança, embora então nada possamos fazer para nos proteger.

Muitos se deitam, dormem e jamais tornam a acordar: dormem o sono da morte, como os primogênitos dos egípcios. Nós, porém, nos deitamos, dormimos e acordamos para a luz e o consolo de outro dia.

De onde vem isso, senão do Senhor, que nos sustenta pelo sono como nos sustenta pelo alimento? Estivemos seguros sob sua proteção e tranquilos nos braços de sua boa providência.

(2.) Aqui, porém, parece referir-se à admirável quietude e serenidade do espírito de Davi em meio aos perigos. Tendo confiado a si mesmo e sua causa a Deus em oração, e certo de sua proteção, manteve firme o coração e permaneceu em paz.

A rebeldia do filho, a deslealdade dos súditos, a traição de muitos amigos, o risco que corria sua vida, o cansaço da marcha e a incerteza do desfecho não lhe tiraram uma hora de sono nem perturbaram seu repouso.

Pela graça e pelas consolações de seu Espírito, o Senhor o sustentou poderosamente e o deixou tranquilo. É grande misericórdia, quando estamos aflitos, ter a mente firme em Deus, de modo que nunca comamos nem durmamos tomados de tremor e espanto.

(3.) Alguns antigos aplicam isso à ressurreição de Cristo. Em seus sofrimentos, ele ofereceu intensos clamores e foi ouvido. Por isso, embora se tenha deitado e dormido o sono da morte, acordou no terceiro dia, pois o Senhor o sustentou para que não visse a corrupção.

  1. Que Deus muitas vezes quebrara o poder dos inimigos e contivera sua malícia. Golpeara-os no osso da face (v. 7), fizera-os calar e lhes tirara a capacidade de falar, desonrara-os e os envergonhara, golpeara-os na bochecha em sinal de afronta.

Também os incapacitara de causar o dano que pretendiam, pois lhes quebrara os dentes. Saul e os filisteus, que por vezes estavam prestes a devorá-lo, não conseguiram realizar seus desígnios. Os dentes que se rangem ou se afiam contra o povo de Deus serão quebrados.

Quando o poder dos inimigos da igreja parecer ameaçador, é bom lembrar quantas vezes Deus já o quebrou. Sabemos que seu braço não se encurtou. Ele pode fechar a boca deles e amarrar-lhes as mãos.

II. Veja com que confiança ele contempla os perigos que ainda esperava enfrentar. Tendo-se posto sob a proteção divina e experimentado muitas vezes seus benefícios:

  1. Todos os seus temores foram acalmados e silenciados, v. 6. Com que santa coragem desafia as ameaças e investidas impotentes dos inimigos! “Não temerei dez milhares de pessoas”, que, seja numa invasão estrangeira, seja numa rebelião interna, se levantem ou acampem contra mim por todos os lados.

Ninguém parecia menos seguro: seus inimigos eram numerosos, dezenas de milhares; eram rancorosos e determinados. “Levantaram-se contra mim. Ou melhor: já avançaram muito e parecem ter alcançado seu objetivo, pois me cercam por todos os lados: milhares contra um só.”

No entanto, ninguém estava mais confiante: “Apesar de tudo, não temerei. Não podem me prejudicar; portanto, não me assustarão. Por mais prudentes que sejam as medidas que eu tome para me proteger, não me inquietarei, não desconfiarei de meu Deus nem duvidarei de um bom desfecho”.

Quando, ao fugir de Absalão, Davi mandou Zadoque levar a arca de volta, falou com incerteza sobre o resultado de suas aflições. Como um penitente humilde, concluiu: “Eis-me aqui; faça ele comigo o que lhe parecer bem” (2 Samuel 15:26).

Agora, porém, fala com a confiança de um crente fortalecido e não teme o desfecho. Repare: entregar-se alegremente a Deus é o caminho para encontrar nele satisfação e confiança igualmente alegres.

  1. Suas orações foram avivadas e animadas, v. 7. Ele cria que Deus era seu Salvador e, ainda assim, orou. Ou melhor: orou justamente porque cria: “Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu!” As promessas de salvação não dispensam nossas súplicas por ela; antes, nos levam a suplicar. Também por isso ele será buscado em oração.

  2. Sua fé triunfou. Começou o salmo queixando-se do poder e da malícia dos inimigos, mas o termina exultando no poder e na graça de seu Deus. Agora vê mais a seu lado do que contra si, v. 8. Sua confiança e seu consolo repousam em duas grandes verdades:

(1.) A salvação pertence ao Senhor. Ele tem poder para salvar, por maior que seja o perigo. Salvar é sua prerrogativa quando falha todo outro auxílio ou socorro. É seu prazer, sua característica e sua promessa para os que lhe pertencem; a salvação deles não vem de si mesmos, mas do Senhor.

Portanto, todos os que têm o Senhor por seu Deus, conforme os termos da nova aliança, têm a certeza da salvação, pois aquele que é seu Deus é o Deus da salvação.

(2.) A bênção dele está sobre seu povo. Ele não apenas tem poder para salvá-lo; também lhe assegurou suas intenções bondosas e graciosas. Em sua palavra, pronunciou uma bênção sobre seu povo, e devemos crer que essa bênção realmente repousa sobre ele, ainda que seus efeitos não sejam visíveis.

Assim podemos concluir que o povo de Deus, mesmo sujeito ao descrédito e às críticas dos homens, é certamente abençoado por ele. Deus de fato abençoa e, por isso, pode ordenar que venha a bênção.

Ao cantar este salmo e fazer dele nossa oração, devemos reconhecer a satisfação que experimentamos ao depender de Deus e nos entregar a ele. Devemos animar a nós mesmos e uns aos outros a continuar esperando, com paciência e serenidade, a salvação do Senhor.


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