Salmos 145
Argumento
Os cinco salmos anteriores formavam um conjunto, todos cheios de orações. Este e os cinco que o seguem até o fim do livro também formam um conjunto, todos cheios de louvores. Embora só este receba o título de salmo de Davi, ainda assim não temos motivo para pensar que os outros não fossem dele, assim como todas as orações anteriores.
E é digno de nota: 1. Que depois de cinco salmos de oração vêm seis salmos de louvor. Pois quem ora muito não ficará sem motivo para louvar, e quem obteve resposta à oração deve abundar em louvor. Nossas ações de graças pela misericórdia recebida devem até superar as súplicas que fizemos enquanto a buscávamos.
Davi havia prometido louvar a Deus no último dos salmos em que suplicava (Salmos 144:9), e aqui cumpre a promessa. 2. Que o livro dos Salmos termina com salmos de louvor, todos eles louvor, pois o louvor é a conclusão de toda a questão; é para ele que convergem todos os salmos.
Isso indica também que o povo de Deus, ao se aproximar do fim da vida, deve abundar ainda mais em louvor. Afinal, espera passar, ao fim da vida, para o mundo do louvor eterno. Quanto mais perto do céu chegar, mais deve se habituar à obra do céu.
Este é um dos salmos compostos em ordem alfabética, como os Salmos 25 e 34, entre outros, para facilitar sua memorização e mantê-lo na lembrança. Os escritores judeus exaltam com razão este salmo como uma estrela de primeira grandeza nessa constelação luminosa.
Alguns deles, porém, fazem a seu respeito uma afirmação extravagante, não muito diferente de certas superstições papistas: quem cantar este salmo regularmente três vezes por dia certamente será feliz no mundo vindouro.
Neste salmo, I. Davi compromete a si mesmo e a outros a louvar a Deus, v. 1, 2, 4-7, 10-12. II. Ele se detém nos motivos próprios de louvor: a grandeza de Deus (v. 3), sua bondade (v. 8, 9), as provas de ambas na administração de seu reino (v. 13), no reino da providência (vv. 14-16) e no reino da graça (vv. 17-20).
Então conclui com a resolução de continuar louvando a Deus (v. 21). Nosso coração deve estar cheio dessa resolução e permanecer firme nela ao cantarmos este salmo.
Reconhecimentos Agradecidos.
Versículos 1 a 8
Salmo de louvor de Davi.
O título de salmo de louvor de Davi pode indicar não apenas que ele o escreveu, mas também que encontrava nele prazer especial e o cantava muitas vezes; era seu companheiro por onde quer que fosse. Nesta primeira parte do salmo, louvam-se os atributos gloriosos de Deus; na segunda, seu reino e sua administração. Observe:
I. Quem se ocupará em dar glória a Deus:
- Façam os outros o que fizerem, o salmista louvará muito a Deus. Aqui ele se anima e se compromete a essa boa obra, e seu coração se alarga muito nela. O que já faz continuará a fazer, encontrando nisso satisfação cada vez maior. Era seu dever; era seu prazer.
Observe: (1.) Como ele expressa a própria obra: “Eu te exaltarei e bendirei teu nome” (v. 1); “falarei bem de ti, conforme te deste a conhecer, e assim expressarei meus próprios elevados pensamentos a teu respeito e procurarei suscitar pensamentos semelhantes nos outros.” Quando falamos de Deus com honra, ele, por graça, interpreta e aceita isso como exaltação a ele.
De novo (v. 2): “Eu te bendirei, louvarei teu nome.” A repetição indica o fervor de seu afeto por essa obra, a firmeza de seu propósito de abundar nela e a frequência com que a realiza. De novo (v. 5): Falarei de sua honra; e (v. 6): “Declararei tua grandeza.” Ele daria glória a Deus não só em suas devoções solenes, mas também na conversa cotidiana.
Se o coração estiver cheio de Deus, a boca falará dessa abundância com reverência e para o louvor dele em todas as ocasiões. Que assunto de conversa podemos encontrar mais nobre, mais vasto, mais agradável, útil e irrepreensível do que a glória de Deus?
(2.) Como ele expressa sua resolução de perseverar nisso. [1.] Ele será constante nessa obra: “Todos os dias te bendirei.” Louvar a Deus deve ser nosso trabalho diário. Nenhum dia, por mais ocupado ou triste que seja, deve passar sem louvor a Deus. Devemos considerá-lo a mais necessária de nossas ocupações diárias e o mais agradável de nossos consolos diários.
Deus nos abençoa todos os dias, fazendo-nos o bem. Há, portanto, motivo para o bendizermos todos os dias, falando bem dele. [2.] Ele continuará nessa obra: “Eu te bendirei para todo o sempre”, v. 1, e novamente v. 2.
Isso indica, primeiro, que ele resolveu continuar nessa obra até o fim da vida, durante todo o tempo que passasse neste mundo.
Segundo, que os salmos escritos por ele seriam usados pela igreja no louvor a Deus até o fim dos tempos, 2 Crônicas 29:30. Terceiro, que esperava louvar a Deus por toda a eternidade no outro mundo. Quem faz do louvor sua obra constante na terra terá nele sua felicidade eterna no céu.
- Ele não duvida de que outros também se prontificariam a essa obra. (1.) “Eles participarão dela agora; juntar-se-ão a mim: quando eu declarar tua grandeza, os homens falarão dela (v. 6); eles a proclamarão abundantemente” (v. 7), ou a derramarão, como diz a palavra.
Louvarão a Deus com uma fluência cheia de graça, superior à mais primorosa oratória. O zelo de Davi despertaria muitos, como de fato aconteceu.
(2.) “Eles a manterão quando eu me for, numa sucessão ininterrupta” (v. 4): “Uma geração louvará tuas obras à outra.” A geração que parte contará à que surge o que viu em seus dias e o que ouviu de seus pais. Declarará plena e particularmente seus feitos poderosos (Salmos 78:3). E a geração que surge seguirá o exemplo da que parte.
Assim, a morte dos adoradores de Deus não diminuirá sua adoração, pois uma nova geração se levantará em seu lugar para prosseguir nessa boa obra, em maior ou menor medida, até o fim dos tempos. Então ela será deixada àquele mundo em que não há sucessão de gerações.
II. Pelo que devemos dar glória a Deus:
- Por sua grandeza e suas grandes obras. Devemos declarar: Grande é o Senhor; sua presença é infinita, seu poder irresistível, seu brilho insuportável, sua majestade inspira reverência, seu domínio não tem limites e sua soberania é incontestável.
Por isso não há discussão: grande é o Senhor e, se é grande, deve ser grandemente louvado, com tudo o que há em nós, até o limite de nossas forças e com toda a solenidade imaginável. Sua grandeza, de fato, não pode ser compreendida, pois é insondável. Quem pode conceber ou expressar quão grande Deus é? Por isso mesmo, deve ser ainda mais louvado.
Quando, por mais que investiguemos, não conseguimos encontrar o fundo, devemos nos sentar à beira e adorar a profundidade, Romanos 11:33. Deus é grande, pois (1.) sua majestade é gloriosa no mundo superior, acima dos céus, onde estabeleceu sua glória.
Ao declararmos sua grandeza, não podemos deixar de falar da honra gloriosa de sua majestade, do esplendor da glória de sua majestade (v. 5): como ele brilha intensamente no mundo superior, a ponto de ofuscar os olhos dos próprios anjos e obrigá-los a cobrir o rosto, incapazes de suportar seu fulgor.
(2.) Suas obras são maravilhosas neste mundo inferior. A preservação, o sustento e o governo de todas as criaturas proclamam a imensa grandeza do Criador. Ao declararmos sua grandeza, devemos observar suas provas incontestáveis: declarar seus feitos poderosos (v. 4), falar de suas obras maravilhosas (v. 5) e do poder de seus feitos temíveis, v. 6.
Devemos ver Deus agindo e operando em todos os acontecimentos deste mundo inferior. Diversos instrumentos são usados, mas, em todos os desfechos, Deus é o supremo diretor; é ele quem realiza todas as coisas. Muito de seu poder se vê nas operações de sua providência. São feitos poderosos, incomparáveis com a força de qualquer criatura.
Neles se vê também muito de sua justiça: são feitos temíveis, que inspiram reverência aos santos e pavor aos pecadores. Devemos aproveitar todas as ocasiões para falar deles e observar o dedo, a mão e o braço de Deus em tudo, a fim de nos maravilharmos.
- Por sua bondade; esta é sua glória, Êxodo 33:19. É aquilo de que ele se gloria (Êxodo 34:6, 7) e pelo que devemos glorificá-lo: “Proclamarão abundantemente a memória de tua grande bondade”, v. 7. A bondade de Deus é grande bondade. Seus tesouros jamais se esgotarão; ou melhor: jamais diminuirão, pois ele sempre será tão rico em misericórdia quanto já foi.
É uma bondade digna de memória. Devemos sempre mantê-la diante de nós, lembrá-la e preservar sua memória, pois merece ser lembrada para sempre. E a lembrança que guardamos da bondade de Deus devemos proclamar, proclamá-la abundantemente, como pessoas que estão cheias dela, muito cheias, e desejam que outros a conheçam e sejam tocados por ela.
Mas, sempre que proclamarmos a grande bondade de Deus, não devemos esquecer de, ao mesmo tempo, cantar sua justiça. Pois, assim como ele é gracioso ao recompensar os que o servem fielmente, também é justo ao punir os que se rebelam contra ele. A justiça imparcial e inflexível é tão certa em Deus quanto a bondade inesgotável; devemos cantar as duas juntas, Romanos 11:22.
(1.) Há uma fonte de bondade na natureza de Deus (v. 8): o Senhor é gracioso para com os que o servem; está cheio de compaixão pelos que precisam dele, tarda em irar-se com os que o ofenderam e é de grande misericórdia para com todos os que o buscam e lhe suplicam. Está pronto para dar e pronto para perdoar, mais pronto do que nós para pedir ou nos arrepender.
(2.) Há correntes de bondade em todas as disposições de sua providência, v. 9. Assim como é bom, ele faz o bem. É bom para todos, para todas as suas criaturas, do anjo mais elevado ao verme mais insignificante; para todos, exceto os demônios e os pecadores condenados, que se excluíram de sua bondade. Suas ternas misericórdias estão sobre todas as suas obras.
[1.] Todas as suas obras, todas as suas criaturas, recebem os frutos de seu zelo misericordioso e de sua generosidade. Esse zelo se estende a todas elas; ele não odeia nada do que fez.
[2.] As obras de sua misericórdia ofuscam todas as demais obras e o manifestam mais do que qualquer uma delas. Em nada a glória de Deus será tão ilustre para sempre como nos vasos de misericórdia preparados para a glória. À bondade divina serão cantados os eternos aleluias de todos os santos.
Versículos 10 a 21
Reconhecimentos Agradecidos.
A grandeza e a bondade daquele que é optimus et maximus, o melhor e o maior dos seres, foram celebradas na primeira parte do salmo. Aqui, nestes versículos, nos é ensinado que devemos dar-lhe a glória de seu reino, cuja administração faz sua grandeza e bondade brilharem tão claramente, tão intensamente. Observe, como antes:
I. De quem se espera o tributo de louvor (v. 10): todas as obras de Deus o louvarão. Todas nos oferecem motivos de louvor e assim o louvam segundo sua capacidade; mesmo sobre aqueles que se recusam a honrá-lo, ele obterá honra para si.
Mas seus santos o bendizem, não apenas porque recebem dele bênçãos particulares que as outras criaturas não recebem, mas também porque o louvam ativamente, enquanto suas demais obras o louvam apenas como objetos de observação. Eles o bendizem, pois recolhem a renda ou o tributo de louvor das criaturas inferiores e o entregam ao tesouro celestial.
Todas as obras de Deus o louvam, como um belo edifício louva o construtor ou um quadro bem pintado louva o pintor. Mas os santos o bendizem como os filhos de pais prudentes e carinhosos se levantam e os chamam bem-aventurados. Dentre todas as obras de Deus, seus santos, obra de sua graça e primícias de suas criaturas, têm os maiores motivos para bendizê-lo.
II. Pelo que esse louvor deve ser oferecido: falarão de seu reino. O reino de Deus entre os homens é assunto sobre o qual se deve pensar e falar com frequência. Assim como antes ele exaltou a grandeza e a bondade de Deus em geral, assim aqui as exalta aplicando-as a seu reino. Considere, então:
- A grandeza de seu reino. É de fato grande, pois todos os reis e reinos da terra estão sob seu domínio. Para mostrar a grandeza do reino de Deus, ele observa: (1.) Sua pompa. Se, pela fé, olhássemos para dentro do véu, veríamos a glória de seu reino (v. 11), a majestade gloriosa dele (v. 12), e, crendo, falaríamos dessas coisas.
Pois ele preparou seu trono nos céus, elevado e erguido, cercado por uma companhia inumerável de anjos. As cortes de Salomão e Assuero eram magníficas, mas, comparadas à majestade gloriosa do reino de Deus, eram apenas como vaga-lumes diante do sol. Considerar isso deve nos encher de reverência sempre que nos aproximarmos de Deus.
(2.) Seu poder. Ao falarem da glória do reino de Deus, eles devem falar de seu poder, de sua extensão e eficácia: o poder com que ele pode fazer qualquer coisa e faz tudo o que lhe agrada (v. 11). Como prova disso, que deem a conhecer seus feitos poderosos (v. 12). Assim os filhos dos homens serão convidados a se tornar súditos voluntários e a se colocar sob a proteção de um soberano tão poderoso.
(3.) Sua perpetuidade, v. 13. Os tronos dos príncipes terrenos vacilam, as flores de suas coroas murcham e as monarquias chegam ao fim. Mas, Senhor, “teu reino é um reino eterno”. Deus governará o mundo até o fim dos tempos.
Então o Mediador, a quem hoje está confiada a administração de seu reino, o entregará a Deus, o Pai, para que ele seja tudo em todos por toda a eternidade. Seu domínio dura por todas as gerações, pois ele mesmo é eterno, e seus conselhos são imutáveis e coerentes. Satanás, que estabeleceu um reino em oposição a ele, foi vencido e acorrentado.
- A bondade de seu reino. Seu estilo e título reais são: o Senhor Deus, gracioso e misericordioso; e seu governo corresponde ao título. A bondade de Deus aparece no que ele faz:
(1.) Por todas as criaturas em geral (v. 15, 16): ele provê alimento para toda carne, e nisso se revela sua misericórdia eterna, Salmos 136:25. Todas as criaturas vivem de Deus. Assim como receberam dele a existência no princípio, dele recebem também tudo o que sustenta essa existência e dele dependem para que ela continue.
[1.] Os olhos de sua expectativa estão voltados para ele: “Os olhos de todos esperam em ti.” As criaturas inferiores não conhecem a Deus nem são capazes disso. Mesmo assim, diz-se que esperam nele, pois buscam alimento segundo o instinto que o Deus da natureza colocou nelas (e “não semeiam nem colhem”, Mateus 6:26).
Além disso, recebem o que o Deus da natureza preparou para elas no tempo e da maneira que ele designou, e ficam satisfeitas. [2.] A mão de sua generosidade se estende a elas: “Tu lhes dás o alimento a seu tempo”, o alimento adequado a elas, na hora certa, quando dele precisam. Assim, normalmente nenhuma criatura perece por falta de alimento, nem mesmo no inverno.
“Tu abres tua mão” com liberdade e generosidade e “satisfazes o desejo de todo ser vivo”, exceto alguns filhos irracionais dos homens, que não se satisfazem com nada, mas vivem reclamando e clamando: “Dá, dá.”
(2.) Pelos filhos dos homens em particular, a quem ele governa como criaturas dotadas de razão.
[1.] Ele não faz mal a nenhum deles, pois (v. 17) o Senhor é justo em todos os seus caminhos e não é injusto em nenhum deles. Ele é santo e age de acordo com o que é, com perfeita retidão em todas as suas obras. Em todos os atos de governo, é justo: não prejudica ninguém e administra justiça a todos.
Os caminhos do Senhor são retos, embora os nossos não o sejam. Ao estabelecer leis, decidir controvérsias, recompensar serviços e punir ofensas, ele é incontestavelmente justo, e somos obrigados a reconhecê-lo.
[2.] Ele faz o bem a todos, e de maneira especial a seu próprio povo.
Primeiro, sustenta os que estão sucumbindo, e ajudar os fracos é para ele motivo de honra, v. 14. Ele ampara todos os que caem, de modo que, embora caiam, não são totalmente abatidos. Muitos filhos dos homens são levados a uma condição muito baixa pela doença e por outras aflições e parecem prestes a descer à sepultura.
Mesmo assim, a Providência os sustenta de modo admirável, levanta-os e lhes diz: “Voltai” (Salmos 90:3). Se todos os que um dia pareceram morrer tivessem morrido, o mundo teria ficado muito vazio.
Muitos filhos de Deus, prestes a cair no pecado ou no desespero, experimentaram sua bondade quando ele impediu sua queda ou os restaurou prontamente por suas graças e consolações. Assim, embora tenham caído, não foram totalmente abatidos, Salmos 37:24. Se os que estavam curvados pela opressão e pela aflição são levantados, foi Deus quem os levantou.
Quanto a todos os que carregam o pesado fardo do pecado, se vierem a Cristo pela fé, ele lhes dará alívio e os levantará.
Segundo, ele está muito pronto a ouvir e responder às orações de seu povo, v. 18, 19. Nisso se vê a graça de seu reino: seus súditos não apenas têm liberdade de apresentar petições, mas recebem todo o ânimo possível para fazê-lo.
- A concessão é riquíssima: Deus estará perto de todos os que o invocam; sempre ouvirá suas orações quando clamarem, e eles sempre poderão contar com sua ajuda. Se um vizinho próximo é melhor que um irmão distante (Provérbios 27:10), quanto mais um Deus próximo.
Ou melhor: ele estará perto deles não só para lhes dar a satisfação de serem ouvidos, mas também para realizar seus desejos; receberão o que pedem e encontrarão o que buscam. Foi dito (v. 16) que ele satisfaz o desejo de todo ser vivo; com muito maior razão realizará o desejo dos que o temem, pois quem alimenta suas aves não fará suas criancinhas morrerem de fome.
Ele ouvirá seu clamor e os salvará; isso é ouvi-los de modo eficaz, como ouviu Davi (isto é, como o salvou) do chifre do unicórnio, Salmos 22:21. 2. A condição é muito razoável. Ele nos ouvirá e ajudará (1.) se o temermos, se o adorarmos e servirmos com santa reverência, pois, de outro modo, como esperar que ele nos aceite?
(2.) Se o invocarmos em verdade, pois ele deseja a verdade no íntimo. Devemos ser fiéis a Deus e sinceros nas declarações de nossa dependência dele e de nossa dedicação a ele. Em todos os atos de devoção, as disposições interiores devem corresponder às expressões exteriores; caso contrário, não são praticados em verdade.
Terceiro, ele toma sob sua proteção especial os que têm confiança nele e nele encontram prazer (v. 20): o Senhor preserva todos os que o amam. Eles estão expostos neste mundo, mas, ao preservá-los na integridade deles, ele os guardará de modo eficaz, para que nenhum mal verdadeiro lhes aconteça.
[3.] Se alguns são destruídos, só podem culpar a si mesmos: ele destruirá todos os perversos, mas foram eles que, por sua perversidade, se prepararam para a destruição.
Isso engrandece sua bondade na proteção dos justos: com os próprios olhos, eles verão a recompensa dos perversos (Salmos 91:8). É assim também que Deus preservará seu povo, destruindo os perversos que lhe fariam dano.
Por fim, o salmista conclui: 1. Com a resolução de dar ele mesmo glória a Deus (v. 21): “Minha boca falará o louvor do Senhor.” Depois de termos dito tudo o que podemos no louvor a Deus, ainda há mais a dizer. Portanto, não devemos apenas começar nossas ações de graças com esse propósito, como ele fez (v. 1), mas terminá-las com ele, como faz aqui, pois logo teremos ocasião de começar de novo.
Assim como o fim de uma misericórdia é o começo de outra, assim também o fim de uma ação de graças deve ser o começo de outra. Enquanto eu tiver fôlego, minha boca continuará a proclamar os louvores de Deus.
- Com um chamado para que outros façam o mesmo: que toda carne, toda a humanidade, bendiga seu santo nome para todo o sempre. Alguns seres humanos bendirão a Deus para sempre; seria uma pena que nem todos se dedicassem a isso.