Salmos 144
Argumento
Os quatro salmos anteriores parecem ter sido escritos por Davi antes de subir ao trono, quando era perseguido por Saul; este parece ter sido escrito depois, quando continuava em tribulação (pois nenhuma condição neste mundo tem o privilégio de estar isenta de tribulação): as nações vizinhas o importunavam e perturbavam, especialmente os filisteus, 2 Samuel 5:17.
Neste salmo, I. Ele reconhece, com triunfo e gratidão, a grande bondade de Deus para com ele ao elevá-lo ao governo, vv. 1-4. II. Ele ora a Deus para que o ajude contra os inimigos que o ameaçavam, vv. 5-8 e novamente v. 11. III. Ele se alegra com a certeza da vitória sobre eles, v. 9, 10. IV. Ele ora pela prosperidade de seu próprio reino e se compraz na esperança dela, vv. 12-15.
Ao cantar este salmo, podemos dar a Deus a glória por nossos privilégios e avanços espirituais e buscar nele ajuda contra nossos inimigos espirituais; podemos orar pela prosperidade de nossas almas, de nossas famílias e de nossa terra. E, na opinião de alguns escritores judeus, podemos aplicar o salmo ao Messias e a seu reino.
Reconhecimentos Gratos da Bondade Divina; Oração por Sucesso contra os Inimigos.
Versículos 1 a 8
Salmo de Davi.
Aqui, I. Davi reconhece sua dependência de Deus e suas obrigações para com ele, v. 1, 2. Convém começar uma oração por misericórdia ulterior com gratidão pela misericórdia passada. Quando esperamos que Deus nos abençoe, devemos estimular a nós mesmos a bendizê-lo. Ele dá a Deus a glória por duas coisas:
- O que Deus era para ele: “Bendito seja o Senhor, minha rocha” (v. 1), “minha bondade, minha fortaleza”, v. 2. Na aliança, Deus se comprometeu a ser tudo isso e, assim, nos animou a depender dele. Todos os santos que, pela fé, o fizeram seu encontraram nele alguém que não apenas correspondeu às suas expectativas, mas as superou.
Davi fala disso aqui como motivo de sua confiança, que o deixava tranquilo, e como motivo de seu triunfo, que o alegrava e do qual se gloriava. Veja como multiplica as palavras para expressar a satisfação que tinha em Deus e na relação que mantinha com ele.
(1.) “Ele é minha força, em quem me apoio e de quem recebo poder tanto para meu trabalho quanto para minha guerra; é minha rocha, sobre a qual edificar e na qual me abrigar.” Mesmo quando somos fracos, podemos ser fortes no Senhor e na força do seu poder.
(2.) “Minha bondade: ele não apenas é bom para mim, mas é meu bem supremo. Em seu favor ponho minha felicidade; ele é o autor de toda a bondade que há em mim, e dele vem toda boa dádiva e todo dom perfeito.”
(3.) “Minha fortaleza e minha alta torre, nas quais me considero tão seguro quanto qualquer príncipe já se considerou em um castelo ou baluarte.” Antes, Davi se abrigara nas fortalezas de En-Gedi (1 Samuel 23:29), talvez redutos naturais. Recentemente, havia conquistado a fortaleza de Sião, reforçada pela mão do homem, e morava nela (2 Samuel 5:7, 9), mas não dependia dessas defesas.
“Senhor”, diz ele, “tu és minha fortaleza e minha alta torre.” Os atributos e as promessas divinas são fortificações para o crente, muito superiores às naturais ou construídas pela mão do homem.
(4.) “Meu libertador”; e, no original, com muita ênfase, “meu libertador para mim”: “não apenas um libertador com quem tenho relação, mas aquele que está sempre perto de mim e faz com que todos os meus livramentos resultem em meu verdadeiro bem.”
(5.) “Meu escudo, que me protege de todos os dardos malignos que meus inimigos lançam contra mim. Ele não é apenas minha fortaleza em casa, mas também meu escudo no campo de batalha.” Onde quer que vá, o crente leva consigo sua proteção. “Não temas, Abrão, eu sou teu escudo.”
- O que Deus havia feito por ele. Davi foi criado como pastor, e parece que nem seus pais nem ele próprio tinham para ele o desígnio de algo mais. Mas: (1.) Deus o fez soldado.
Suas mãos se haviam acostumado ao cajado e seus dedos à harpa; Deus, porém, ensinou suas mãos a guerrear e seus dedos a combater, porque tinha o desígnio de fazê-lo o campeão de Israel. Para aquilo a que Deus chama os homens, ele os encontra aptos ou os torna aptos.
Que os homens de guerra deem a Deus a glória por toda a sua habilidade militar: quem ensina seu ofício ao lavrador mais humilde também ensina o seu ao maior general. É lamentável que alguém cujos dedos Deus ensinou a combater lute contra ele ou contra seu reino entre os homens.
Têm especial motivo para reconhecer a Deus com gratidão aqueles que se mostram capacitados para serviços em que eles próprios jamais haviam pensado.
(2.) Deus o fez príncipe soberano e o ensinou a empunhar tanto o cetro quanto a espada, a governar tanto quanto a combater — das duas, a arte mais árdua e mais nobre: “Ele sujeita meu povo sob mim.” Devemos reconhecer a providência de Deus quando torna o povo sujeito a seu príncipe e, assim, preserva a ordem e o benefício das sociedades.
Houve uma ação especial de Deus ao inclinar o povo de Israel a se sujeitar a Davi, conforme a promessa que lhe fizera. Isso prefigurava aquele grande ato da graça divina: sujeitar as almas ao Senhor Jesus e torná-las voluntárias no dia do seu poder.
II. Ele admira a condescendência de Deus para com o ser humano e, em particular, para consigo (v. 3, 4): “Senhor, que é o homem?” “Que criatura pequena e pobre é ele para que tu o conheças, faças caso dele, o tenhas tanto sob teu conhecimento e zelo e mostres tão terna consideração por alguém dessa raça humilde e indigna, como mostraste por mim!”
Considerando as muitas desonras a que está sujeita a natureza humana, temos motivo para admirar as honras que Deus concedeu à humanidade em geral — especialmente aos santos, e a alguns de modo particular, como Davi — e ao Messias, a quem essas palavras são aplicadas (Hebreus 2:6).
Ele foi grandemente exaltado porque se humilhou até ser encontrado em forma humana e recebeu autoridade para executar juízo porque é o Filho do homem.
Davi fez antes uma pergunta com esse sentido (Salmos 8:4) e ilustrou o assombro considerando a grande dignidade que Deus conferiu ao homem (Salmos 8:5): “Tu o coroaste de glória e honra.” Aqui ele a ilustra considerando a insignificância e a mortalidade do homem, apesar da dignidade que lhe foi conferida (v. 4): “O homem é semelhante à vaidade.”
Tão frágil, fraco e desamparado ele é, cercado de tantas enfermidades; tão curta e incerta é sua permanência aqui, que se assemelha o máximo possível à própria vaidade. Ou melhor: ele é vaidade, mesmo em sua melhor condição.
Seus dias têm pouca substância, se considerarmos quantos pensamentos e zelos de uma alma imortal são empregados com um corpo pobre e mortal. São como uma sombra: escuros e fugazes, passageiros e encerrados com o sol; quando este se põe, tudo se desfaz em sombra. São como a sombra que passa, e nada se perde quando ela se vai. Davi se inclui entre aqueles que são assim humildes e desprezíveis.
III. Ele pede a Deus que o fortaleça e lhe dê sucesso contra os inimigos que o invadiram, vv. 5-8. Não especifica quem eram aqueles que temia, mas diz: “Dispersa-os, destrói-os.” Deus sabia de quem falava, ainda que não os nomeasse.
Depois, porém, ele os descreve (v. 7, 8): “São filhos estranhos: filisteus, estrangeiros, maus vizinhos de Israel, pagãos dos quais devemos nos manter apartados e com os quais não devemos fazer pactos; por isso, comportam-se de modo estranho conosco.”
Apesar das vantagens com que Deus havia abençoado as armas de Davi contra eles, continuavam a ser perturbadores e traiçoeiros, homens em quem não se podia confiar: “Não se pode aceitar sua palavra, pois sua boca profere vaidade. E, mesmo que deem a mão como garantia ou estendam a mão para ajudar, não há como confiar neles, porque sua mão direita é mão direita de falsidade.”
Contra gente assim não podemos nos defender, mas podemos depender do Deus da verdade e da justiça, que odeia a falsidade, para nos defender.
- Davi ora para que Deus se manifeste e faça algo extraordinário, para convencer aqueles que preferiam suas divindades do monturo ao Deus de Israel (v. 5): “Inclina os teus céus, ó Senhor, e deixa evidente que eles realmente são teus e que tu és o Senhor deles, Isaías 66:1.”
“Que tua providência ameace meus inimigos e se mostre sombria sobre eles, como fazem as nuvens sobre a terra quando estão densas e pendem muito baixas, carregadas de tempestade. Luta contra os que lutam contra nós, para que se veja claramente que estás a nosso favor.”
“Toca os montes — nossos inimigos fortes e imponentes — e faze-os fumegar.” “Mostra-te pelo ministério de teus anjos, como fizeste no monte Sinai.”
- Ele ora para que Deus se manifeste contra seus inimigos, para que lute do céu contra eles, como fizera algumas vezes, por meio dos relâmpagos, que são suas flechas. São seus dardos de fogo, contra os quais o aço mais resistente não serve de armadura, tão penetrante é a força do relâmpago.
Ora para que o próprio Deus lance essas flechas; sabemos que ele nunca erra o alvo, mas atinge aquilo que visa.
- Ele ora para que Deus se manifeste em seu favor, v. 7. Pede a destruição deles para obter seu próprio livramento e o descanso de seu povo: “Estende tua mão, teu poder, lá do alto, pois é de lá que esperamos ajuda; livra-me e tira-me destas grandes águas que estão prestes a me submergir.” O momento de Deus ajudar seu povo é quando ele está afundando e todas as outras ajudas falham.
Versículos 9 a 15
Ações de Graças e Petições; Desejo de Felicidade Nacional.
O método desta última parte do salmo é o mesmo da primeira: Davi dá glória a Deus e, depois, suplica sua misericórdia.
I. Ele louva a Deus pelas experiências que teve de sua bondade para consigo e pelos motivos de ânimo que tinha para esperar dele mais misericórdia, v. 9, 10. Em meio às queixas acerca do poder e da traição dos inimigos, há aqui uma santa exultação em seu Deus: “Cantarei a ti um cântico novo, ó Deus!” É um cântico de louvor por novas misericórdias, pelas compaixões que se renovam a cada manhã.
Novos favores pedem novas expressões de gratidão. Ou melhor: devemos louvar a Deus pelas misericórdias que esperamos em virtude de sua promessa, assim como pelas que já recebemos por sua providência, 2 Crônicas 20:20, 21.
Ele acompanhará seus cânticos de louvor com música, para expressar e estimular sua santa alegria em Deus. Louvará a Deus com um saltério de dez cordas, da melhor maneira, julgando que tudo é pouco para proclamar os louvores divinos.
Ele nos diz qual será esse cântico novo (v. 10): “É ele quem dá salvação aos reis.” Isso indica: 1. Que grandes reis não podem salvar a si mesmos sem Deus. Os reis têm guardas pessoais, exércitos sob seu comando e todos os meios de segurança imagináveis; apesar disso, é Deus quem lhes dá salvação e os protege por esses meios, podendo fazê-lo, se fosse necessário, sem eles, Salmos 33:16.
Os reis protegem seu povo, mas Deus é quem os protege. Quanto serviço, então, devem prestar com seu poder àquele que lhes concede todos os livramentos! 2. Que os bons reis, ministros de Deus para o bem de seus súditos, serão por ele protegidos e salvos. Ele se comprometeu a dar salvação àqueles reis que são seus súditos e governam por ele.
Testemunham isso as grandes coisas que fez por Davi, seu servo, a quem livrou muitas vezes da espada nociva, à qual a malícia de Saul e o próprio zelo de Davi pelo serviço de seu país o haviam exposto com frequência. Isso pode referir-se a Cristo, Filho de Davi; nesse caso, é de fato um cântico novo, um cântico do Novo Testamento.
Deus o livrou da espada nociva, sustentou-o como seu servo e o fez sair vencedor sobre todos os poderes das trevas, Isaías 42:1; 49:8. A ele Deus deu salvação não apenas para si, mas também para nós, levantando-o para ser um chifre de salvação.
II. Ele ora para que o favor de Deus continue.
Para que seja livrado dos inimigos públicos, v. 11. Aqui ele repete sua oração e seu apelo, v. 7, 8. Seus perseguidores continuavam a ter o mesmo caráter, falso e desleal, e certamente enganariam um homem honesto e seriam fortes demais para ele: “Portanto, Senhor, livra-me deles, pois são um povo estranho.”
Para que veja a paz e a prosperidade públicas: “Senhor, concede-nos a vitória, para que tenhamos tranquilidade, que jamais teremos enquanto nossos inimigos tiverem poder para nos causar dano.” Davi, como rei, expressa aqui seu ardente desejo pelo bem-estar do povo. Nisso, era um tipo de Cristo, que provê eficazmente o bem de seus escolhidos. Temos aqui:
(1.) Os exemplos específicos da prosperidade pública que Davi desejava para seu povo. [1.] Uma descendência promissora (v. 12): “Que nossos filhos e nossas filhas sejam, em todos os aspectos, como gostaríamos que fossem.”
Ele se refere não apenas aos de sua família, mas também aos de seus súditos, a semente da geração seguinte. Ver os filhos promissores e propensos a se saírem bem acrescenta muito ao conforto e à felicidade dos pais neste mundo.
Primeiro, é agradável ver nossos filhos como plantas crescidas em sua juventude, como plantas de oliveira (Salmos 128:3), “plantação do Senhor” (Isaías 61:3).
É agradável vê-los como plantas, não como ervas daninhas, não como espinhos; vê-los como plantas que crescem, tornando-se grandes, não murchos nem crestados; vê-los com constituição saudável, entendimento ágil, boa disposição e, sobretudo, inclinação piedosa, com probabilidade de produzir fruto para Deus em seu tempo.
É agradável vê-los na juventude, a fase de crescimento, avançando em tudo o que é bom, crescendo em sabedoria e bondade até se tornarem fortes em espírito. Segundo, não é menos desejável ver nossas filhas como pedras de esquina, ou colunas de esquina, polidas à semelhança de um palácio ou templo.
Por meio das filhas, famílias se unem e se ligam, fortalecendo-se mutuamente, assim como as partes de um edifício se unem pelas pedras de esquina. Quando são graciosas e belas tanto no corpo quanto na mente, estão polidas à semelhança de uma construção delicada e primorosa.
Quando as vemos firmadas com sabedoria e prudência, como pedras de esquina no edifício; quando as vemos unidas pela fé a Cristo, a principal pedra de esquina, adornadas com as graças do Espírito de Deus, que polem o que é áspero por natureza, e tornadas mulheres que professam a piedade; quando as vemos purificadas e consagradas a Deus como templos vivos, consideramo-nos felizes nelas.
[2.] Grande abundância. Famílias numerosas aumentam o zelo, talvez mais que o conforto, quando não há sustento suficiente; por isso, ele ora para que os recursos cresçam junto com a família.
Primeiro, que seus celeiros estejam bem abastecidos com os frutos e produtos da terra: “Que nossos celeiros estejam cheios”, como os do bom pai de família, que tira deles coisas novas e velhas. Ele guarda como novas as que são melhores quando novas, e como guardadas as que são melhores depois de armazenadas.
“Que tenhamos neles toda sorte de provisões, para nós e nossos amigos; que, vivendo em abundância, não vivamos no luxo, pois assim abusaríamos dela, mas com alegria e utilidade; que, tendo fartura, sejamos gratos a Deus, generosos com nossos amigos e caridosos com os pobres.” Caso contrário, que proveito há em ter os celeiros cheios? Tiago 5:3.
Segundo, que seus rebanhos se multipliquem muito: “Que nossas ovelhas produzam milhares e dezenas de milhares em nossos apriscos.” Grande parte da riqueza de seu país consistia nos rebanhos (Provérbios 27:26), e o mesmo se dá com o nosso; caso contrário, a lã não seria, como é, um produto básico do comércio. O crescimento do nosso gado é uma bênção pela qual Deus deve ser reconhecido.
Terceiro, que seus animais destinados ao serviço sejam aptos para ele: “Que nossos bois sejam fortes para o trabalho do arado”; que sejam gordos e corpulentos (segundo alguns), em boas condições de trabalho. Nenhum de nós foi feito para a ociosidade.
Por isso, devemos orar pela saúde do corpo, não para vivermos comodamente e buscarmos prazeres, mas para sermos fortes para trabalhar e cumprirmos a tarefa que cabe ao nosso lugar e tempo. Do contrário, somos piores que os animais, pois, quando são fortes, é para o trabalho.
[3.] Paz sem interrupção. Primeiro, que não haja guerra: nenhuma invasão de inimigos nem saída de desertores. “Que nossos inimigos não invadam nossa terra; que não tenhamos motivo para marchar contra eles.” A guerra traz consigo muitos danos, ou ofensiva ou defensiva.
Segundo, que não haja opressão nem facção, “nem clamores de queixa em nossas ruas”; que o povo não tenha motivo para se queixar de seu governo nem uns dos outros e tampouco seja tão rabugento a ponto de se queixar sem motivo. É desejável habitar assim em moradas tranquilas.
(2.) Sua reflexão sobre essa descrição da prosperidade da nação, que tanto desejava (v. 15): “Feliz o povo que se acha em tal condição” (mas raramente é assim, e nunca por muito tempo); “sim, feliz o povo cujo Deus é o Senhor.” A relação de um povo com Deus como seu Deus é apresentada aqui de duas maneiras:
[1.] Como a fonte da qual fluem todas aquelas bênçãos. Felizes serão os israelitas se permanecerem fielmente unidos ao Senhor como seu Deus, pois podem esperar encontrar-se em tal condição. A piedade nacional costuma trazer prosperidade nacional; pois as nações, como tais, em sua condição nacional, só podem receber recompensas e castigos nesta vida.
Ou [2.] como algo muitíssimo preferível a todos esses benefícios. O salmista começou a dizer, como a maioria faz: “Feliz o povo que se acha em tal condição”; são benditos os que prosperam no mundo. Mas imediatamente se corrige: “Sim, antes, feliz o povo cujo Deus é o Senhor”, os que têm seu favor, amor e graça, conforme os termos da aliança, embora não possuam abundância dos bens deste mundo.
Assim como tudo isso, e muito mais, não pode nos fazer felizes a menos que o Senhor seja nosso Deus, assim, se ele for, a falta dessas coisas, sua perda e até a situação contrária não podem nos tornar infelizes.