Matthew Henry

Números 5

Argumento

Neste capítulo temos:

I. Uma ordem, em cumprimento das leis já feitas, para a remoção dos imundos para fora do arraial, vv. 1-4.

II. A repetição das leis sobre a restituição, no caso de dano feito a um próximo (vv. 5-8), e sobre a destinação das coisas santas aos sacerdotes, v. 9, 10.

III. Uma lei nova sobre a prova da mulher suspeita de adultério, pelas águas do ciúme, v. 11, etc.

Versículos 1 a 10

Os Imundos Devem Ser Removidos. (a.C. 1490.)

Aqui está:

I. Uma ordem para a purificação do arraial, pela expulsão, de dentro das suas linhas, de todos os que eram cerimonialmente imundos, por fluxos, lepras ou toque em cadáveres, até que fossem purificados segundo a lei, v. 2, 3.

  1. Estas ordens são executadas imediatamente, v. 4.

(1.) O arraial tinha sido agora remodelado e posto em ordem, e por isso, para completar a sua reforma, ele deve em seguida ser purificado.

Repare: a pureza da igreja deve ser tão cuidadosamente levada em conta e preservada quanto a paz e a ordem dela. É preciso não só que cada israelita se limite ao seu próprio estandarte, mas que cada israelita poluído seja separado dele. A sabedoria do alto é primeiro pura, depois pacífica.

(2.) O tabernáculo de Deus estava agora fixado no meio do arraial deles, e por isso eles tinham de ter cuidado de mantê-lo limpo.

Repare: quanto maior a profissão de religião que uma casa ou família faz, mais obrigada está a afastar a iniquidade para longe do seu tabernáculo, Jó 22:23.

Nem a pessoa nem o lugar no meio dos quais Deus habita devem ser contaminados; se o forem, ele será afrontado, ofendido e provocado a retirar-se, 1 Coríntios 3:16, 17.

  1. Esta expulsão dos imundos para fora do arraial devia significar:

(1.) O que os governantes da igreja devem fazer: eles têm de separar entre o precioso e o vil, e expurgar as pessoas escandalosas, como o fermento velho (1 Coríntios 5:8, 13), para que outros não sejam infectados e contaminados, Hebreus 12:15.

É para a glória de Cristo e a edificação da sua igreja que aqueles que são aberta e incorrigivelmente profanos e viciosos sejam postos fora e mantidos longe da comunhão cristã até que se arrependam.

(2.) O que o próprio Deus fará no grande dia: ele expurgará inteiramente a sua eira e recolherá do seu reino todas as coisas que ofendem. Assim como aqui os imundos eram excluídos do arraial, assim na nova Jerusalém não entrará coisa alguma imunda, Apocalipse 21:27.

II. Uma lei acerca da restituição, no caso de dano feito a um próximo. É chamado de “pecado que os homens cometem” (v. 6), porque é comum entre os homens; um pecado do homem, isto é, um pecado contra o homem, pois assim se pensa que deveria ser traduzido e entendido.

Se alguém lesa ou defrauda o seu irmão em qualquer coisa, isso deve ser visto como uma transgressão contra o Senhor, que é o protetor do direito, o punidor do dano, e que rigorosamente nos encarrega e nos manda proceder com justiça.

Ora, o que se deve fazer quando a consciência despertada de um homem o acusa de uma culpa desse tipo, e a traz à sua lembrança, embora cometida há muito tempo?

  1. Ele tem de confessar o seu pecado: confessá-lo a Deus, confessá-lo ao próximo, e assim tomar para si a vergonha.

Se antes o negou, ainda que lhe custe reconhecer que mentiu, tem de fazê-lo. Porque o seu coração estava endurecido, ele o negou; por isso não tem outro meio de mostrar que o seu coração agora está abrandado senão confessando-o.

  1. Ele tem de trazer um sacrifício, um carneiro de expiação, v. 8.

É preciso dar satisfação pela ofensa feita a Deus, cuja lei é quebrada, assim como pela perda sofrida pelo nosso próximo; a restituição, neste caso, não basta sem fé e arrependimento.

  1. Contudo, os sacrifícios não seriam aceitos enquanto não se fizesse plena reparação à parte que sofreu o dano, não só do principal, mas com a quinta parte acrescentada a ele, v. 7.

É certo que, enquanto aquilo que se obtém por injustiça é conscientemente retido nas mãos, a culpa da injustiça permanece sobre a consciência, e não é expurgada por sacrifício nem oferta, nem por orações nem lágrimas, pois é um só e o mesmo ato contínuo de pecado, no qual se persiste.

Esta lei já tivemos antes (Levítico 6:4), e aqui se acrescenta que, se a parte que sofreu o dano estivesse morta e não tivesse parente próximo com direito à dívida, ou se fosse de algum modo incerto a quem se devia fazer a restituição, isso não serviria de desculpa para reter o que foi obtido injustamente.

A quem quer que pertencesse, certamente não era de quem o obteve pelo pecado, e por isso devia ser dado ao sacerdote, v. 8.

Se houvesse alguém que pudesse provar direito a isso, não devia ser dado ao sacerdote (Deus odeia o roubo para holocaustos); mas, se não houvesse, então revertia ao grande Senhor (ob defectum sanguinis, por falta de descendência), e os sacerdotes eram os seus recebedores.

Repare: alguma obra de piedade ou de caridade é uma parte de justiça necessária, a ser feita por aqueles que têm consciência de ter causado dano, mas não sabem de que outro modo fazer a restituição; o que não é nossa propriedade nunca será nosso proveito.

III. Uma regra geral acerca das coisas santas dadas nesta ocasião: que, o que quer que fosse dado ao sacerdote, “será dele”, v. 9, 10:

  1. Quem o deu não devia recebê-lo de volta sob pretexto algum, qualquer que fosse. Esta lei ratifica e confirma todas as doações para usos piedosos, para que as pessoas não dessem coisas aos sacerdotes num acesso de zelo e depois as retomassem num acesso de despeito.

  2. Os outros sacerdotes não deviam entrar como participantes com aquele sacerdote que então oficiava, e a quem a coisa santa, fosse qual fosse, era dada.

Quem foi mais pronto e diligente em aplicar-se ao serviço, que se saia melhor por isso: se ele faz o trabalho, que tenha o pagamento, e bom proveito lhe faça.

Versículos 11 a 31

A Água Amarga do Ciúme. (a.C. 1490.)

Temos aqui a lei sobre a prova solene de uma mulher de quem o marido tinha ciúme. Observe:

I. Qual era o caso suposto: que um homem tinha alguma razão para suspeitar de que a sua mulher havia cometido adultério, vv. 12-14. Aqui:

  1. O pecado do adultério é justamente apresentado como um pecado extremamente pecaminoso: é desviar-se de Deus e da virtude, e do bom caminho, Provérbios 2:17.

É cometer uma transgressão contra o marido, roubando-lhe a honra, alienando o seu direito, introduzindo na família dele uma descendência bastarda para ter parte com os filhos dele nos seus bens, e violando a aliança que ela fez com ele. É ficar contaminada; pois nada polui a mente e a consciência mais do que este pecado.

  1. Supõe-se que é um pecado que os pecadores tomam grande cuidado em esconder, do qual não há testemunha. “O olho do adúltero aguarda o crepúsculo”, Jó 24:15. E a adúltera aproveita a oportunidade quando “o marido não está em casa”, Provérbios 7:19.

Esse pecado não cobiçaria ficar em segredo se não fosse vergonhoso; e o diabo, que atrai os pecadores a este pecado, ensina-lhes a encobri-lo.

  1. Supõe-se que o espírito de ciúme vem sobre o marido, do qual Salomão diz: “É a fúria do homem” (Provérbios 6:34), e que ele é “cruel como a sepultura”, Cantares de Salomão 8:6.

  2. “Contudo”, dizem os escritores judeus, “ele tem de mostrar que tem alguma causa justa para a suspeita.”

A regra que eles dão é: “Se o marido disse à sua mulher diante de testemunhas: ‘Não estejas em segredo com tal homem'; e se, apesar dessa admoestação, depois se provar que ela esteve em segredo com esse homem, ainda que fosse o pai ou o irmão dela, então ele pode obrigá-la a beber a água amarga.”

Mas a lei aqui não o prende a esse método particular de provar a causa justa da sua suspeita; ela podia ser provada de outro modo. Caso se pudesse provar que ela cometera adultério, ela devia ser morta (Levítico 20:10); mas, se era incerto, então se aplicava esta lei. Daí:

(1.) Sejam todas as esposas admoestadas a não dar a ninguém a menor ocasião de suspeita quanto à sua castidade.

Não basta que se abstenham do mal da impureza; devem abster-se de toda aparência dele, de tudo o que se pareça com ele, ou leve a ele, ou possa dar a menor sombra de motivo ao ciúme; pois quão grande coisa um pouco de fogo pode acender!

(2.) Sejam todos os maridos admoestados a não nutrir nenhuma suspeita sem causa, ou injusta, das suas mulheres. Se a caridade em geral, muito mais o afeto conjugal, ensina a “não pensar mal”, 1 Coríntios 13:5. É a felicidade da mulher virtuosa que “o coração do seu marido confia nela com segurança”, Provérbios 31:11.

II. Qual era o procedimento prescrito neste caso, a fim de que, se a mulher suspeita fosse inocente, não continuasse sob a desonra e a inquietação do ciúme do marido; e, se culpada, o seu pecado a achasse, e os outros ouvissem, e temessem, e tomassem advertência.

  1. O processo da prova devia ser este:

(1.) O marido devia trazê-la ao sacerdote, com as testemunhas que pudessem provar o fundamento da sua suspeita, e pedir que ela fosse submetida à prova. Os judeus dizem que o sacerdote devia primeiro procurar persuadi-la a confessar a verdade, dizendo-lhe algo neste sentido:

“Querida filha, talvez tenhas sido vencida pelo vinho, ou arrastada pelo calor da mocidade ou pelos exemplos de maus vizinhos; vamos, confessa a verdade, por amor do seu grande nome, que é descrito na mais sagrada cerimônia, e não deixes que ele seja apagado com a água amarga.”

Se ela confessava, dizendo “Estou contaminada”, não era morta, mas era repudiada e perdia o dote; se dizia “Estou pura”, então prosseguiam.

(2.) Ele devia trazer uma oferta rústica de farinha de cevada, sem azeite nem incenso, de acordo com o estado aflito em que a sua família então estava; pois era grande aflição ou ter motivo de ciúme, ou ter ciúme sem motivo. É uma oferta de memorial, para significar que o que se ia fazer era um apelo religioso à onisciência e à justiça de Deus.

(3.) O sacerdote devia preparar a água do ciúme, a água santa da pia em que os sacerdotes deviam lavar-se quando ministravam. Ela devia ser trazida num vaso de barro, que continha (dizem eles) cerca de um quartilho; e tinha de ser vaso de barro, porque quanto mais grosseira e simples fosse cada coisa, mais adequada era à ocasião.

Devia-se pôr pó na água, para significar a desonra sob a qual ela estava e a vergonha que devia tomar para si, pondo a boca no pó; mas pó do chão do tabernáculo, para honrar tudo o que pertencia ao lugar que Deus escolhera para pôr ali o seu nome, e para manter no povo a reverência por ele; veja João 8:6.

(4.) A mulher devia ser posta perante o Senhor, na porta oriental do átrio do templo (dizem os judeus), e a cabeça dela devia ser descoberta, em sinal da sua condição dolorosa. E ali ela ficava como espetáculo para o mundo, para que as outras mulheres aprendessem a não fazer segundo a lascívia dela, Ezequiel 23:48.

Só que os judeus dizem: “Os seus próprios servos não deviam estar presentes, para que ela não parecesse vil aos olhos deles, que deviam honrá-la; o marido também devia ser mandado sair.”

(5.) O sacerdote devia conjurá-la a dizer a verdade, e pronunciar a maldição de Deus contra ela se fosse culpada, e declarar qual seria o efeito de beber a água do ciúme, vv. 19-22. Ele devia assegurar-lhe que, se fosse inocente, a água não lhe faria mal nenhum, v. 19. Ninguém precisa temer a maldição da lei se não violou os mandamentos da lei.

Mas, se ela fosse culpada, esta água lhe seria veneno: faria o seu ventre inchar e a sua coxa apodrecer, e ela seria maldição, ou abominação, no meio do seu povo, v. 21, 22. A isto ela devia dizer “Amém”, como Israel devia fazer às maldições pronunciadas no monte Ebal, Deuteronômio 27:15-26.

Alguns pensam que o Amém, sendo dobrado, diz respeito às duas partes da conjuração: tanto àquela que a livrava, se fosse inocente, quanto àquela que a condenava, se fosse culpada.

Nenhuma mulher, se fosse culpada, poderia dizer Amém a esta conjuração e beber a água sobre ela, salvo se descresse da verdade de Deus ou lhe desafiasse a justiça, e tivesse chegado a tal ponto de desfaçatez e dureza de coração no pecado que provocasse o Deus Todo-Poderoso a fazer o seu pior, e preferisse arriscar a sua maldição a dar-lhe glória confessando; assim a prostituição tirou o coração.

(6.) O sacerdote devia escrever esta maldição num escrito, ou rolo de pergaminho, verbatim, palavra por palavra, como a tinha pronunciado, e depois apagar, ou raspar, o que tinha escrito dentro da água (v. 23), para significar que era aquela maldição que impregnava a água e lhe dava força para produzir o efeito pretendido.

Isso significava que, se ela fosse inocente, a maldição seria apagada e nunca apareceria contra ela. Assim, em Isaías 43:25 Deus declara que apaga a transgressão, e em Salmos 51:9 lê-se: “Apaga as minhas iniquidades”.

Mas, se ela fosse culpada, a maldição, tal como estava escrita, sendo infundida na água, entraria nas suas entranhas com a água, e até como azeite nos seus ossos (Salmos 109:18), assim como lemos de uma maldição que entra numa casa, Zacarias 5:4.

(7.) A mulher devia então beber a água (v. 24). Ela é chamada “a água amarga”, pensam alguns, porque punham nela absinto para torná-la amarga, ou antes porque causava a maldição. Assim o pecado é chamado coisa má e amarga pela mesma razão: porque causa a maldição, Jeremias 2:19.

Se ela tivesse sido culpada (e de outro modo a água não causava a maldição), era levada a saber que, embora as suas águas roubadas tivessem sido doces e o seu pão comido às ocultas, agradável, o fim era “amargo como o absinto”, Provérbios 9:17 e Provérbios 5:4. Saibam todos os que se metem com prazeres proibidos que eles serão amargura no fim.

Os judeus dizem que, se ao ser pronunciada a maldição a mulher ficava tão aterrorizada que não ousava beber a água, mas confessava estar contaminada, o sacerdote derramava a água e lançava a oferta dela entre as cinzas, e ela era repudiada sem dote.

Se não confessava, e ainda assim não queria beber, obrigavam-na a isso; e, se ela estava a ponto de vomitá-la, levavam-na às pressas para fora, para que não poluísse o lugar santo.

(8.) Antes de ela beber a água, a oferta do ciúme era movida e oferecida sobre o altar (v. 25, 26): um punhado dela era queimado como memorial, e o restante era comido pelo sacerdote, a não ser que o marido fosse sacerdote, e então era espalhado entre as cinzas.

Esta oferta, no meio do procedimento, significava que o todo era um apelo a Deus, como Deus que sabe todas as coisas e para quem nenhum segredo está escondido.

(9.) Cumpridas assim todas as coisas segundo a lei, deviam esperar o desfecho. A água, com um pouco de pó posto nela e as raspas de um pergaminho escrito, não tinha tendência natural nenhuma para fazer ou bem ou mal.

Mas, se assim se apelava a Deus pelo caminho de uma ordenança instituída, ainda que de outro modo os inocentes pudessem ter continuado sob suspeita e os culpados sem ser descobertos, Deus reconheceria a sua própria instituição a ponto de, em pouco tempo, pela operação miraculosa da Providência, a inocência dos inocentes ser esclarecida e o pecado dos culpados achá-los.

[1.] Se a mulher suspeita fosse de fato culpada, a água que bebia lhe seria veneno (v. 27): o seu ventre incharia e a sua coxa apodreceria, por uma doença vil como retribuição por sua conduta vil, e ela lamentaria no fim, quando a sua carne e o seu corpo fossem consumidos, Provérbios 5:11.

O bispo Patrick diz, com base em alguns dos escritores judeus, que o efeito dessas águas aparecia de imediato: ela ficava pálida, e os olhos quase lhe saltavam da cabeça.

O Dr. Lightfoot diz que às vezes ele não aparecia por dois ou três anos, mas ela não tinha filhos, ficava doente, definhava e por fim apodrecia; é provável que alguns indícios aparecessem de imediato.

Os rabinos dizem que o adúltero também morria no mesmo dia e na mesma hora que a adúltera, e do mesmo modo: o ventre dele inchava e as suas partes secretas apodreciam.

Uma doença, talvez, não muito diferente daquela que nestas últimas eras a mão vingadora de um Deus justo fez o flagelo da impureza, e com a qual prostitutas e devassos infectam, e atormentam, e arruínam uns aos outros, já que escapam ao castigo dos homens.

Os doutores judeus acrescentam que as águas só tinham este efeito sobre a adúltera caso o marido nunca tivesse ofendido da mesma maneira; mas que, se ele alguma vez tivesse contaminado o leito conjugal, Deus não lhe fazia justiça assim contra a mulher que o injuriara.

E que, por isso, nas eras posteriores e degeneradas da igreja judaica, quando a impureza abundava, este modo de prova caiu geralmente em desuso e foi posto de lado: os homens, conhecendo os próprios crimes, contentavam-se em não conhecer os crimes das mulheres.

E a isto talvez se refira a ameaça de Oseias 4:14: Deus não castigará as esposas quando cometerem adultério, pois os próprios maridos se ajuntam a prostitutas.

[2.] Se ela fosse inocente, a água que bebia lhe seria remédio: “Ela será livre, e conceberá semente”, v. 28.

Os escritores judeus engrandecem os bons efeitos desta água para a mulher inocente: para compensá-la do dano que lhe fora feito pela suspeita, ela ficaria, depois de beber estas águas, mais forte e com melhor aparência do que nunca; se era doente, ficaria sã, daria à luz um filho homem e teria parto fácil.

  1. De tudo isto podemos aprender:

(1.) Que os pecados secretos são conhecidos de Deus, e às vezes são estranhamente trazidos à luz nesta vida; seja como for, vem um dia em que Deus, por Jesus Cristo, como aqui pelo sacerdote, julgará os segredos dos homens segundo o evangelho, Romanos 2:16.

(2.) Que, em particular, “os devassos e os adúlteros, Deus os julgará”. A violação da fé e da castidade conjugal provoca gravemente o Deus do céu, e cedo ou tarde será cobrada.

Embora não tenhamos agora as águas do ciúme para serem um terror palpável aos impuros, temos contudo uma palavra de Deus que deveria ser um terror igualmente grande: que “se alguém contaminar o templo de Deus, a esse Deus destruirá”, 1 Coríntios 3:17.

(3.) Que Deus achará algum meio, ou outro, de esclarecer a inocência dos inocentes e de fazer sobressair a justiça deles como a luz.

(4.) Que “para os puros todas as coisas são puras”, mas para os contaminados nada o é, Tito 1:15.

A mesma palavra é para uns cheiro de vida para vida, para outros cheiro de morte para morte, como aquelas águas do ciúme, conforme o modo como a recebem; a mesma providência é para o bem de uns e para o mal de outros, Jeremias 24:5, 8, 9. E, seja qual for o fim a que se destina, ela não voltará vazia.


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