Matthew Henry

Neemias 2

Argumento

Como Neemias lutou com Deus e prevaleceu, lemos no capítulo anterior; agora nos é contado como, à semelhança de Jacó, ele prevaleceu também com os homens e, assim, viu suas orações ouvidas e respondidas.

I. Prevaleceu junto ao rei para que o enviasse a Jerusalém com uma comissão para construir uma muralha ao redor dela e lhe concedesse o que fosse necessário para isso, vv. 1-8.

II. Prevaleceu contra os inimigos que teriam impedido sua viagem (vv. 9-11) e tentado fazê-lo desistir do empreendimento pelo escárnio, v. 19, 20.

III. Prevaleceu junto ao seu próprio povo para que se unisse a ele nessa boa obra, examinando a desolação das muralhas (vv. 12-16) e, depois, conseguindo que cada um ajudasse a reconstruí-las, v. 17, 18. Assim Deus o amparou na obra para a qual o chamou.

Versículos 1 a 8

O Pedido de Neemias ao Rei. (a.C. 445.)

Depois de orar pelo alívio dos seus compatriotas, talvez com as palavras de Davi (Salmos 51:18, “Edifica tu as muralhas de Jerusalém”), Neemias não ficou parado dizendo: “Deixe que Deus faça agora a sua própria obra, pois não tenho mais nada a fazer”, mas se pôs a planejar o que poderia fazer em favor dela.

Nossas orações precisam ser acompanhadas de esforços sérios; caso contrário, zombamos de Deus. Passaram-se quase quatro meses, de Quisleu a Nisã (de novembro a março), antes que Neemias pedisse ao rei licença para ir a Jerusalém.

Talvez fosse porque o inverno não era adequado para tal viagem, e ele não queria fazer o pedido antes de poder levá-lo adiante; ou porque demorou todo esse tempo para chegar seu mês de serviço, e ninguém podia entrar na presença do rei sem ser chamado, Ester 4:11.

Agora que servia à mesa do rei, esperava conseguir sua atenção. Nós não estamos limitados a certos momentos para dirigir nossos pedidos ao Rei dos reis, mas temos liberdade de acesso a ele em todo tempo; nunca chegamos ao trono da graça em hora imprópria. Aqui está:

I. A ocasião que deu ao rei para perguntar por suas preocupações e dores, ao aparecer triste diante dele. Quem fala com homens tão importantes não deve ir direto ao assunto, mas abordá-lo por outro caminho. Neemias quis verificar se o rei estava de bom humor antes de se arriscar a expor-lhe o motivo de sua vinda, e foi este o modo que escolheu para sondá-lo.

Quando o rei pediu vinho, Neemias o serviu, esperando que então o rei lhe olhasse o rosto. Não costumava mostrar tristeza em sua presença, mas se ajustava às regras da corte (como deve fazer quem vive na corte), que não admitiam tristeza, Ester 4:2. Embora fosse estrangeiro e cativo, mostrava-se à vontade e agradável.

As pessoas boas devem fazer o que puderem, por meio de sua alegria, para convencer o mundo de que os caminhos da religião são agradáveis e afastar a pecha de melancólicos lançada sobre elas; mas há tempo para todas as coisas, Eclesiastes 3:4. Neemias agora tinha motivo tanto para estar triste quanto para demonstrá-lo.

As desgraças de Jerusalém lhe davam motivo para a tristeza, e mostrar sua dor levaria o rei a perguntar a causa. Não fingia tristeza, pois realmente sofria pelas aflições de José e não era como os hipócritas que desfiguram o rosto.

Contudo, poderia ter escondido sua dor, se isso fosse necessário (o coração conhece sua própria amargura e muitas vezes está triste em meio ao riso); agora, porém, revelar sua tristeza serviria ao seu propósito.

Embora tivesse vinho diante de si e provavelmente, conforme o ofício de copeiro, ele próprio o bebesse antes de entregá-lo ao rei, o vinho não alegraria seu coração enquanto o Israel de Deus estivesse em aflição.

II. A atenção bondosa que o rei deu à sua tristeza e a pergunta que fez sobre a causa dela (v. 2): “Por que está triste o teu semblante, se não estás doente?”

Repare: 1. Devemos, por solidariedade cristã, interessar-nos pelas dores e tristezas dos outros, mesmo dos que estão abaixo de nós, sem dizer: “Que temos nós com isso?” Os senhores não devem desprezar a dor dos seus servos, mas desejar aliviá-los.

O grande Deus não se agrada do abatimento e da inquietação do seu povo; quer que o sirvam com alegria e comam seu pão com contentamento. 2. Não é de estranhar que os doentes tenham semblante triste, pelo que sentem e pelo que temem.

A doença tornará sérios até os mais despreocupados e alegres; contudo, um homem bom pode conservar a alegria mesmo na doença, se souber que seus pecados foram perdoados.

  1. Estar livre de doenças é uma misericórdia tão grande que, enquanto gozamos dela, não devemos nos deixar abater em excesso por nenhum fardo externo. Ainda assim, a tristeza pelos nossos pecados, pelos pecados dos outros e pelas calamidades da igreja de Deus pode muito bem entristecer o semblante, mesmo sem doença.

III. O relato que Neemias deu ao rei sobre a causa de sua tristeza, com mansidão e temor. 1. Com temor. Ele confessou que naquele momento estava com muito medo (embora a história a seguir mostre que era homem corajoso), talvez da cólera do rei, pois aqueles monarcas orientais arrogavam para si poder absoluto sobre a vida e a morte, Daniel 2:12, 13; 5:19.

Ou talvez temesse usar uma palavra fora do lugar e perder o pedido por apresentá-lo mal. Embora fosse sábio, desconfiava de si mesmo, receando dizer algo imprudente; convém-nos fazer o mesmo. A firme confiança é, de fato, uma boa qualidade, mas a humilde desconfiança de si mesmo não desmerece ninguém.

  1. Com mansidão. Sem censurar pessoa alguma e com todo o respeito, deferência e boa vontade que se pode imaginar para com o rei, seu senhor, ele diz: “Viva o rei para sempre”; o rei é sábio e bom, o homem mais apto do mundo para governar.

Pergunta modestamente: “Por que não estaria triste o meu semblante, como está, quando (embora eu mesmo esteja bem e em segurança) a cidade” (o rei sabia de qual cidade falava), “o lugar dos sepulcros dos meus pais, está em ruínas?”

Muitos se mostram melancólicos e tristes, mas não sabem explicar por quê, nem apresentar o motivo disso. Esses deveriam altercar consigo mesmos por suas dores e seus temores injustos e sem fundamento e, altercando, livrar-se deles. Neemias, porém, tinha um motivo tão bom para sua tristeza que podia apelar ao próprio rei a respeito dela. Observe:

(1.) Ele chama Jerusalém de lugar dos sepulcros de seus pais, onde seus antepassados foram sepultados. Faz-nos bem pensar com frequência nos sepulcros de nossos pais.

Temos a tendência de pensar em suas honras e títulos, casas e propriedades, mas pensemos também em seus sepulcros e consideremos que aqueles que nos precederam no mundo também partiram do mundo antes de nós; seus monumentos são lembretes para nós.

Devemos ainda grande respeito à memória de nossos pais, e não deveríamos aceitar que ela fosse ofendida. Todos os povos, mesmo aqueles que não esperavam a ressurreição dos mortos, consideraram os sepulcros de seus antepassados sagrados em certa medida e invioláveis.

(2.) Ele justifica sua tristeza: “Tenho razão para estar triste. Por que não estaria?” Há tempo até para os homens piedosos e prósperos ficarem tristes e mostrarem sua dor. Os melhores homens não devem pensar que podem antecipar o céu banindo todo pensamento doloroso. Atravessamos um vale de lágrimas e precisamos nos sujeitar ao clima desse lugar.

(3.) Ele aponta as ruínas de Jerusalém como a verdadeira causa de sua dor. Repare: todas as aflições da igreja, sobretudo suas desolações, são e devem ser motivo de dor e tristeza para todas as pessoas boas, que se importam com a honra de Deus, são membros vivos do corpo místico de Cristo e se preocupam com o bem comum. Elas têm carinho até pelo pó de Sião, Salmos 102:14.

IV. O ânimo que o rei lhe deu para dizer o que desejava, e o pedido que então fez a Deus em seu coração, v. 4. O rei tinha afeição por Neemias e não gostava de vê-lo melancólico. É provável, também, que apreciasse a religião dos judeus; já o havia mostrado na comissão dada a Esdras, homem da igreja, e o mostrava de novo no poder que concedeu a Neemias, homem de Estado.

Querendo apenas saber como poderia servir a Jerusalém, pergunta a esse amigo aflito da cidade: “Que pedido fazes? Desejas alguma coisa; o que é?” Neemias tinha medo de falar (v. 2), mas isso lhe deu coragem. Com muito mais razão, o convite de Cristo para orarmos e a promessa de que obteremos resposta podem nos permitir chegar com confiança ao trono da graça.

Neemias orou imediatamente ao Deus do céu para que lhe desse sabedoria ao formular o pedido e inclinasse o coração do rei a concedê-lo. Quem deseja encontrar favor diante dos reis precisa assegurar o favor do Rei dos reis. Ele orou ao Deus do céu, infinitamente acima até desse poderoso monarca.

Não foi uma oração solene, pois não tinha oportunidade para isso, mas uma súplica repentina e secreta. Elevou o coração ao Deus que entende a linguagem do coração: “Senhor, dá-me boca e sabedoria; Senhor, concede-me favor aos olhos deste homem”. Repare: é bom fazer muitas orações breves e piedosas, especialmente em ocasiões particulares.

Onde quer que estejamos, há um caminho aberto em direção ao céu. Isso não atrapalha nenhum trabalho; antes, ajuda a realizá-lo. Portanto, não deixemos que nenhum trabalho impeça essas orações; antes, façamos dele uma ocasião para elas.

Neemias já havia orado solenemente a respeito dessa mesma ocasião (Neemias 1:11), mas, na hora decisiva, ora outra vez. As orações breves e as solenes não devem excluir umas às outras: cada uma tem seu lugar.

V. Seu humilde pedido ao rei. Recebido esse ânimo, apresentou sua petição com muita modéstia e submissão à sabedoria do rei (v. 5), mas com toda a clareza.

Pediu uma comissão para ir a Judá como governador, construir a muralha de Jerusalém e ficar ali por certo tempo, talvez alguns meses. Depois disso, ou teve sua comissão renovada, ou voltou e foi enviado novamente, de modo que governou ali por pelo menos doze anos, Neemias 5:14.

Também pediu uma escolta (v. 7) e uma ordem aos governadores, não só para que lhe concedessem licença e permitissem atravessar as respectivas províncias, mas também para que lhe fornecessem o que precisasse. Pediu ainda outra ordem ao responsável pela floresta do Líbano, para que lhe desse madeira para a obra que tinha o desígnio de realizar.

VI. O grande favor que o rei lhe mostrou ao perguntar quando voltaria, v. 6. Deu a entender que não queria perdê-lo nem passar muito tempo sem ele. Contudo, para atendê-lo e prestar um verdadeiro serviço de bondade ao seu povo, dispensou-o por algum tempo e permitiu que incluísse em sua comissão as cláusulas que desejasse, v. 8.

Ali estava uma resposta imediata à sua oração, pois a descendência de Jacó nunca buscou em vão o Deus de Jacó. Ao relatar o êxito de seu pedido, Neemias repara em dois aspectos: 1. A presença da rainha. Ela estava sentada ao lado do rei (v. 6), o que, segundo dizem, não era comum na corte persa, Ester 1:11.

Não se sabe se a rainha era adversária e teria tentado impedi-lo, caso em que Neemias registra, para louvor da poderosa providência de Deus, que obteve êxito apesar da presença dela; ou se era verdadeira amiga, e sua presença para ajudar no pedido é registrada para louvor da bondosa providência de Deus.

  1. O poder e a graça de Deus. Neemias conseguiu o que desejava, não por mérito próprio, influência junto ao rei ou habilidade ao conduzir o assunto, mas segundo a boa mão do seu Deus sobre ele. As pessoas alcançadas pela graça reparam na mão de Deus, sua boa mão, em todos os acontecimentos que lhes são favoráveis. Isto é obra do Senhor e, por isso, duplamente bem-vinda.

Versículos 9 a 20

A Viagem de Neemias a Jerusalém; a Malícia de Sambalate, etc. (a.C. 445.)

Aqui nos é contado:

I. Como Neemias foi dispensado pela corte da qual partiu. O rei designou capitães do exército e cavaleiros para acompanhá-lo (v. 9), tanto para protegê-lo quanto para mostrar que era um homem a quem o rei se alegrava em honrar, de modo que todos os servos do rei o respeitassem. O Rei dos reis protege assim aqueles que envia e também os dignifica, fazendo com que um exército de anjos os acompanhe.

II. Como foi recebido na terra à qual fora enviado:

  1. Pelos judeus e seus amigos em Jerusalém. Aqui nos é contado:

(1.) Que, enquanto ocultou o motivo de sua vinda, mal repararam nele. Ele ficou três dias em Jerusalém (v. 11), e não parece que algum dos homens importantes da cidade tenha ido felicitá-lo pela chegada; permaneceu desconhecido. O rei enviou cavaleiros para acompanhá-lo, mas os judeus não enviaram ninguém para recebê-lo. Não levava consigo outro animal além daquele em que montava, v. 12.

Os homens sábios, mesmo os dignos de dupla honra, não cobiçam chegar chamando a atenção, exibir-se ou causar alarde, nem sequer quando trazem as maiores bênçãos. Aqueles que em breve terão domínio pela manhã são agora desconhecidos do mundo; permanecem ocultos, 1 João 3:1.

(2.) Que, embora mal reparassem nele, ele reparou atentamente neles e em sua situação. Levantou-se durante a noite e examinou as ruínas das muralhas, provavelmente ao luar (v. 13), para ver o que precisava ser feito e como deveriam começar, se a antiga fundação serviria e quais materiais antigos ainda poderiam ser aproveitados.

Repare: [1.] Uma boa obra provavelmente será bem executada quando antes for bem ponderada. [2.] A sabedoria de quem se ocupa dos assuntos públicos está em ver com os próprios olhos sempre que possível, sem agir apenas com base nos relatos e nas descrições de outros; e, ainda assim, fazê-lo sem alarde e, se possível, sem ser observado.

[3.] Quem deseja reconstruir as muralhas da igreja precisa primeiro reparar nas ruínas delas. Quem deseja saber como corrigir algo precisa investigar o que está errado, o que requer reforma e o que pode permanecer como está.

(3.) Que, quando revelou seu desígnio aos líderes e ao povo, eles se juntaram a ele com alegria. De início, não lhes contou a razão de sua vinda (v. 16), para não parecer que agia por ostentação e para poder recuar com mais honra caso concluísse que a obra era impraticável. Homens íntegros e humildes não tocam trombeta diante de suas esmolas nem dos demais atos de bondade.

Depois de examinar e considerar a situação e, provavelmente, sondar a disposição dos líderes e do povo, contou-lhes o que Deus havia posto em seu coração (v. 12): reconstruir a muralha de Jerusalém, v. 17.

Observe: [1.] Como lhes apresentou o empreendimento de maneira justa: “Vocês veem a aflição em que estamos.” Estavam expostos aos inimigos ao redor, que com razão lançavam descrédito sobre eles como tolos e desprezíveis e podiam facilmente fazer deles presa quando quisessem. Por isso, ele os convocou: venham e reconstruamos a muralha.

Não se propôs a fazer o trabalho sem eles, pois não era obra para um homem só. Tampouco os pressionou ou mandou neles com arrogância, embora tivesse a comissão do rei; antes, de maneira amigável e fraterna, exortou-os e estimulou-os a se juntarem a ele nessa obra. Para animá-los, falou do desígnio, primeiro, como algo que devia sua origem à graça especial de Deus.

Não tomou para si o mérito da ideia, como se fosse um bom pensamento seu, mas reconheceu que Deus a havia posto em seu coração. Por isso, todos deveriam apoiá-la (tudo o que vem de Deus deve ser promovido) e podiam esperar prosperar nela, pois Deus ampara aqueles que ele próprio põe a trabalhar.

Em segundo lugar, falou do desígnio como algo que devia seu progresso até ali à providência especial de Deus. Apresentou a comissão do rei, contou como ela havia sido prontamente concedida e como o rei se mostrara disposto a favorecer seu desígnio.

Em tudo isso, viu a boa mão do seu Deus sobre ele. Isso animaria tanto Neemias quanto os demais a prosseguir num empreendimento sobre o qual Deus havia sorrido de modo tão evidente.

Foi assim que lhes apresentou a proposta. [2.] Sem demora, todos eles, sem exceção, resolveram juntar-se a ele: “Levantemo-nos e construamos.” Envergonharam-se de ter ficado parados por tanto tempo sem sequer tentar realizar essa obra necessária e decidiram levantar-se de sua preguiça, pôr-se em movimento e estimular uns aos outros.

“Levantemo-nos” significa: “Façamos isso com vigor, dedicação e determinação, como quem está decidido a levar a obra até o fim.” Assim fortaleceram as próprias mãos e as mãos uns dos outros para essa boa obra. Repare: primeiro, muitas boas obras encontrariam mãos suficientes para realizá-las se houvesse ao menos uma boa cabeça para conduzi-las.

Todos viam a desolação de Jerusalém, mas ninguém propunha reparar as muralhas. Quando Neemias o propôs, todos anuíram. É uma pena que uma boa iniciativa se perca apenas por falta de alguém que a proponha e quebre o gelo. Em segundo lugar, ao estimularmos a nós mesmos e uns aos outros para o bem, fortalecemos a nós mesmos e uns aos outros para fazê-lo.

Pois o principal motivo de sermos fracos em nosso dever é estarmos frios em relação a ele, indiferentes e indecisos. Vejamos agora como Neemias foi recebido:

  1. Pelos que desejavam o mal aos judeus. Os que Deus e seu Israel abençoavam, esses adversários amaldiçoavam. (1.) Bastou Neemias aparecer para que ficassem irritados, v. 10. Sambalate e Tobias, dois samaritanos, embora o primeiro fosse moabita de nascimento e o segundo, amonita, viram chegar alguém munido de uma comissão do rei para servir a Israel.

Entristeceram-se profundamente porque todas as suas pequenas e mesquinhas manobras para enfraquecer Israel tinham sido neutralizadas e frustradas por um projeto justo, nobre e generoso para fortalecê-lo. Nada irrita mais os inimigos das pessoas boas, que as difamaram diante dos príncipes como turbulentas, facciosas e indignas de viver, do que vê-las estimadas por seus governantes.

Agora veem que a inocência dessas pessoas foi reconhecida e que o descrédito lançado sobre elas foi removido; que são consideradas não apenas dignas de viver, mas também de confiança. Quando viram chegar daquela maneira um homem que declaradamente buscava o bem-estar dos filhos de Israel, ficaram profundamente irritados. Os ímpios o verão e ficarão entristecidos.

(2.) Quando Neemias começou a agir, empenharam-se em impedi-lo, mas em vão, v. 19, 20. [1.] Veja como os inimigos tinham pouco motivo para tentar desanimá-lo. Apresentaram o empreendimento como uma tolice: riram de nós com desprezo e nos trataram como construtores insensatos, incapazes de concluir o que havíamos começado.

Também apresentaram o empreendimento como uma maldade, nada menos que traição: “Vocês vão se rebelar contra o rei?” Como essa era a antiga acusação maliciosa, embora agora tivessem uma comissão do rei e estivessem sob sua proteção, ainda assim deviam ser chamados de rebeldes.

[2.] Veja também como os judeus tinham boas razões para não dar importância a essas tentativas de desânimo. Sustentavam-se na certeza de que eram servos do Deus do céu, o único Deus verdadeiro e vivo; agiam em nome dele no que faziam e, portanto, ele os sustentaria e os faria prosperar, ainda que os pagãos se enfurecessem, Salmos 2:1.

Consideravam ainda que esses inimigos lhes queriam tanto mal porque não tinham nenhum direito sobre Jerusalém e invejavam o direito que os judeus possuíam ali. Assim, os amigos da igreja podem facilmente desprezar as ameaças impotentes de seus inimigos.


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