Matthew Henry

Levítico 12

Argumento

Depois das leis acerca do alimento limpo e imundo vêm as leis acerca das pessoas limpas e imundas; e a primeira está neste capítulo, acerca da imundícia cerimonial das mulheres no parto, vv. 1-5. E acerca da purificação delas dessa imundícia, v. 6, etc.

Versículos 1 a 5

Purificação Cerimonial. (a.C. 1490.)

A lei aqui declara cerimonialmente imundas as mulheres em resguardo de parto. Os judeus dizem: “A lei se estendia até ao aborto espontâneo, se a criança estivesse formada a ponto de o sexo ser distinguível.”

  1. Havia um tempo de separação estrita logo depois do nascimento, que durava sete dias para o filho e catorze para a filha, v. 2, 5.

Durante esses dias ela ficava separada do marido e dos amigos, e os que por necessidade a assistiam ficavam cerimonialmente imundos. Esta era uma das razões por que os meninos não eram circuncidados antes do oitavo dia: participavam da impureza da mãe durante os dias da separação dela.

  1. Havia também um tempo mais longo assinalado para a purificação delas: mais trinta e três dias (quarenta ao todo) se o parto fosse de varão, e o dobro desse tempo se fosse de fêmea, v. 4, 5.

Durante este tempo elas só ficavam separadas do santuário e proibidas de comer da páscoa ou das ofertas pacíficas, ou, se fosse mulher de sacerdote, de comer de qualquer coisa que fosse santa ao Senhor.

Por que ambos os períodos duravam o dobro quando nascia uma menina, em comparação com o nascimento de um menino, não sei atribuir outra razão senão a vontade do Legislador; em Cristo Jesus não se faz diferença entre homem e mulher, Gálatas 3:28; Colossenses 3:11.

Mas esta imundícia cerimonial a que a lei sujeitava as mulheres em resguardo devia significar a poluição do pecado em que todos somos concebidos e nascidos, Salmos 51:5. Porque, se a raiz é impura, também o é o ramo: “Quem pode tirar coisa limpa de uma imunda?”

Se o pecado não tivesse entrado, nada senão pureza e honra teria acompanhado todos os frutos daquela grande bênção: “Frutificai e multiplicai-vos”.

Mas agora que a natureza do homem está degenerada, a propagação dessa natureza fica sujeita a estas marcas de vergonha, por causa do pecado e da corrupção que se propagam com ela, e em memória da maldição sobre a mulher que foi a primeira na transgressão. Que com dor (à qual aqui se acrescenta ainda a vergonha) ela daria à luz filhos.

E a exclusão da mulher, por tantos dias, do santuário e de toda participação nas coisas santas significava que a nossa corrupção original (aquele pecado pecaminoso que trouxemos conosco ao mundo) nos teria excluído para sempre do gozo de Deus e dos seus favores, se ele não tivesse providenciado graciosamente para a nossa purificação.

Versículos 6 a 8

A mulher que dera à luz, quando chegava o tempo marcado para o seu retorno ao santuário, não devia comparecer ali de mãos vazias, mas tinha de trazer as suas ofertas, v. 6.

  1. Um holocausto: um cordeiro, se ela pudesse; se pobre, um pombo.

Este ela devia oferecer em gratidão a Deus pela misericórdia de conduzi-la em segurança pelas dores do parto e por todos os perigos do resguardo, e com o desejo e a esperança de receber ainda mais do favor de Deus, tanto para ela quanto para a criança.

Quando nasce uma criança há alegria e há esperança, e por isso era próprio trazer esta oferta, que era de natureza geral; pois daquilo em que nos alegramos temos de dar graças, e aquilo que esperamos temos de pedir em oração. Mas, além disso:

  1. Ela tinha de oferecer uma oferta pelo pecado, que devia ser a mesma para pobre e para rico, uma rola ou um pombinho; pois, qualquer que seja a diferença que possa haver entre ricos e pobres nos sacrifícios de reconhecimento, o da expiação é o mesmo para os dois.

Esta oferta pelo pecado tinha por intenção:

(1.) Ou completar a purificação dela daquela imundícia cerimonial que, embora não fosse em si mesma pecaminosa, era contudo figura da poluição moral.

(2.) Ou fazer expiação por aquilo que era realmente pecado: ou um desejo desmedido da bênção dos filhos, ou descontentamento ou impaciência debaixo das dores do parto.

É somente por Cristo, a grande oferta pelo pecado, que a corrupção da nossa natureza é removida; e é a isso que se deve não sermos por ela excluídos para sempre do santuário e de comer das coisas santas.

Segundo esta lei, encontramos que a mãe do nosso bendito Senhor, embora ele não tenha sido concebido em pecado como os outros, ainda assim cumpriu os dias da purificação, e então apresentou o seu filho ao Senhor, por ser primogênito, e trouxe a sua própria oferta, um par de rolas, Lucas 2:22-24.

Tão pobres eram os pais de Cristo que não puderam trazer um cordeiro para holocausto; e tão cedo Cristo foi submetido à lei, para remir os que estavam debaixo dela.

O ensino moral desta lei obriga as mulheres que receberam misericórdia de Deus no parto a reconhecer com toda a gratidão a bondade divina para com elas, confessando-se indignas dela, e (o que é a melhor purificação das mulheres salvas no parto, 1 Timóteo 2:15) a permanecer na fé, no amor e na santidade, com sobriedade; pois isto agradará ao Senhor mais do que as rolas ou os pombinhos.


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