Matthew Henry

Josué 12

Argumento

Este capítulo resume as conquistas de Israel:

I. As conquistas sob Moisés, do outro lado do Jordão, a leste — pois agora nos imaginamos em Canaã —, das quais tivemos o relato em Números 21:24 etc. Aqui vem o resumo dessa história, vv. 1-6.

II. As conquistas sob Josué, deste lado do Jordão, a oeste:

  1. A região que subjugaram (v. 7, 8).

  2. Os reis que venceram, trinta e um ao todo (vv. 9-24). Isto aparece aqui não só como conclusão da história das guerras de Canaã, para que víssemos de uma vez o que haviam conquistado, mas também como introdução ao relato da divisão de Canaã, reunindo tudo aquilo que ainda seria distribuído.

Versículos 1 a 5

O Resumo das Conquistas de Israel. (a.C. 1450.)

Antes de resumir as novas conquistas de Israel, o historiador — Josué ou quem quer que tenha escrito este relato — relembra nestes versículos as conquistas anteriores, no tempo de Moisés, sob quem Israel se tornou senhor dos grandes e poderosos reinos de Seom e Ogue.

Repare: as novas misericórdias não devem apagar da memória as antigas; tampouco se deve permitir que a glória dos agentes atuais do bem da igreja ofusque e diminua a justa honra dos que vieram antes, bênçãos e ornamentos de seu tempo.

Os serviços e feitos de Josué são reconhecidamente grandes, mas não deixemos de lado nem esqueçamos os feitos sob Moisés, pois o mesmo Deus operou ambos; juntos, eles o proclamam o Alfa e o Ômega da grande salvação de Israel. Aqui está:

  1. A descrição geral da região conquistada, sua extensão e seus limites (v. 1): do rio Arnom, ao sul, ao monte Hermom, ao norte. Em particular, descreve-se o reino de Seom (v. 2, 3) e o de Ogue (v. 4, 5). Moisés descreveu essa região com muitos detalhes (Deuteronômio 2:36; 3:4 etc.), e a descrição aqui concorda com a dele.

Diz-se que o rei Ogue morava em Astarote e Edrei (v. 4), provavelmente porque ambas eram cidades reais: ele tinha palácios nas duas e residia ora numa, ora noutra; talvez uma fosse sua residência de verão e a outra, de inverno. Mas Israel tomou ambas dele e fez uma só sepultura servir àquele que não se contentava com um só palácio.

  1. A divisão dessa região. A pedido das duas tribos e meia, Moisés a destinou a elas e a dividiu entre elas (v. 6); tivemos o relato completo disso em Números 32. A menção à divisão da região conquistada por Moisés serve de exemplo a Josué para o que deveria fazer agora, depois de conquistar a região deste lado do Jordão.

No tempo de Moisés, ele deu a uma parte de Israel uma região muito rica e fértil, mas além do Jordão; Josué deu a todo Israel a terra santa, o monte do santuário de Deus, deste lado do Jordão. Assim, a lei concedeu a alguns poucos do Israel espiritual de Deus bênçãos externas e temporais, que eram penhores das coisas boas por vir.

Mas nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Josué, proveu para todos os filhos da promessa bênçãos espirituais: os privilégios do santuário e a Canaã celestial.

Os triunfos e as dádivas da lei foram gloriosos, mas os do evangelho os excedem em glória.

Versículos 7 a 24

Temos aqui um resumo das conquistas de Josué.

I. Os limites da região conquistada. Ela ficava entre o Jordão, a leste, e o mar Mediterrâneo, a oeste; estendia-se de Baal-Gade, perto do Líbano, ao norte, até Halak, junto ao território de Edom, ao sul (v. 7). Os limites são descritos com mais detalhes em Números 34:2 etc.

O que se diz aqui basta para mostrar que Deus cumprira sua palavra e lhes dera posse de tudo o que lhes prometera por meio de Moisés, se tão somente tivessem conservado essa terra.

II. Os vários tipos de terreno encontrados naquela região, que contribuíam tanto para sua beleza quanto para sua fertilidade (v. 8). Havia montanhas, não escarpadas, rochosas e estéreis, que assustam o viajante e são inúteis aos habitantes, mas colinas férteis, que produzem coisas preciosas (Deuteronômio 33:15), encantam os olhos de quem as contempla e enchem as mãos de quem as possui.

Havia vales, não cobertos de musgo e pantanosos, mas “cobertos de cereais” (Salmos 65:13). Havia planícies e fontes para regá-las. E, mesmo naquela região rica, também havia desertos, ou florestas, menos habitados que outras partes, mas com cidades e casas; serviam de contraste para realçar as regiões mais agradáveis e férteis.

III. As diversas nações que haviam ocupado a região — heteus, amorreus, cananeus etc. —, todas descendentes de Canaã, o filho amaldiçoado de Cam (Gênesis 10:15-18). São chamadas de sete nações (Deuteronômio 7:1), e tantas são enumeradas ali; aqui, porém, só se mencionam seis. Os girgaseus foram omitidos ou desapareceram, embora apareçam em Gênesis 10:16 e Gênesis 15:21.

Ou foram incorporados a alguma das outras nações ou, segundo a tradição dos judeus, ao se aproximar Israel sob o comando de Josué, retiraram-se todos para a África e deixaram sua terra para Israel, pois viram que era inútil lutar contra ele. Por isso, não são mencionados entre as nações que Josué subjugou.

IV. Uma lista dos reis vencidos e subjugados pela espada de Israel: alguns no campo de batalha, outros em suas próprias cidades, trinta e um ao todo, nomeados e contados com muito cuidado, ao que parece, na ordem em que foram conquistados. O catálogo começa com os reis de Jericó e Ai, inclui depois o rei de Jerusalém e os príncipes do sul aliados a ele, e então passa aos da aliança do norte.

  1. Isso mostra como Canaã era então fértil, capaz de sustentar tantos reinos, e como muitos reis preferiram reunir-se ali a dispersar-se por outras regiões, que talvez ainda não fossem habitadas. Embora pudessem encontrar mais espaço, não esperariam tanta fartura e prazer.

Essa era a terra que Deus sondara para Israel; no entanto, hoje é uma das regiões mais estéreis, desprezíveis e improdutivas do mundo. Esse é o efeito da maldição que pesa sobre ela, desde que seus habitantes rejeitaram Cristo e seu evangelho, como Moisés predisse (Deuteronômio 29:23).

  1. Isso mostra como eram estreitos os limites da ambição humana naquele tempo. Cada um desses reis se contentava em governar uma cidade e as povoações e aldeias que pertenciam a ela; pelo que se vê, nenhum pretendia dominar os demais. Quando necessário, todos se uniam pela segurança comum.

Mas parece que a pouca extensão de seus territórios era compensada pelo caráter absoluto de seu poder: seus súditos eram todos arrendatários e vassalos, inteiramente sujeitos às ordens deles.

  1. Isso mostra como Deus foi bom para Israel, dando-lhe vitória sobre todos esses reis e posse de todos esses reinos, e como, por isso, os obrigou a “observar seus estatutos e guardar suas leis” (Salmos 105:44, 45). Havia trinta e um reinos, ou senhorios, a serem divididos entre nove tribos e meia de Israel.

Couberam a Judá os reinos de Hebrom, Jarmute, Laquis, Eglom, Debir, Arade, Libna e Adulão — oito ao todo —, além de parte do reino de Jerusalém e de Geder. A Benjamim couberam Jericó, Ai, Jerusalém, Maquedá, Betel e as nações de Gilgal — seis ao todo. Simeão recebeu o reino de Hormá e parte de Geder.

Efraim recebeu os reinos de Gezer e Tirza. Manassés — aquela meia tribo — recebeu os reinos de Tapua, Héfer, Taanaque e Megido. Aser recebeu os reinos de Afeca e Acsafe. Zebulom recebeu os reinos de La-Sarom, Sinrom-Merom e Jocneão. Naftali recebeu os reinos de Madom, Hazor e Quedes. Issacar recebeu o de Dor.

Esses foram alguns dos grandes e famosos reis que Deus feriu, “pois sua misericórdia dura para sempre”; e “deu a terra deles como herança, como herança a Israel, seu servo”, “pois sua misericórdia dura para sempre” (Salmos 136:17 etc.).


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