Matthew Henry

Isaías 62

Argumento

A tarefa dos profetas era tanto pregar quanto orar. Neste capítulo, I. O profeta decide dedicar-se atentamente e constantemente a essa tarefa, v. 1.

II. Deus encarrega o profeta e outros de seus profetas de continuarem a fazê-lo, para animar seu povo durante a demora de sua libertação, v. 6, 7. III. Repetem-se e ratificam-se as promessas das grandes coisas que Deus faria por sua igreja, pelos judeus depois de voltarem do cativeiro e pela igreja cristã quando fosse estabelecida no mundo.

  1. A igreja será honrada aos olhos do mundo, v. 2. 2. Ela se mostrará muito querida para Deus, valiosa e honrada aos seus olhos, vv. 3-5. 3. Desfrutará de grande abundância, v. 8, 9. 4. Será libertada do cativeiro e voltará a crescer como nação importante, reconhecida e favorecida especialmente pelo céu, vv. 10-12.

Versículos 1 a 5

A Prosperidade da Igreja. (a.C. 706.)

O profeta aqui nos diz:

I. O que fará pela igreja. Assim como um profeta é vidente, assim também é porta-voz. Este profeta decide cumprir fielmente essa função (v. 1). Não ficará calado nem descansará; cuidará de sua tarefa, trabalhará muito e nunca desejará ficar à vontade.

Nisso foi tipo de Cristo, incansável no exercício do ofício de profeta, que fez disso seu alimento e sua bebida até terminar a obra. Observe aqui: 1. Qual é a resolução do profeta: não ficará calado.

Continuará pregando com insistência: não apenas exporá fielmente, mas repetirá com frequência as mensagens recebidas do Senhor. Se as pessoas não acolherem de início os preceitos e as promessas, ele os inculcará e dará instrução sobre instrução.

E continuará orando com insistência. Nunca se calará diante do trono da graça até prevalecer junto a Deus pelas misericórdias prometidas. Dedicar-se-á à oração e ao ministério da palavra, como devem fazer os ministros de Cristo (Atos 6:4), trabalhando com frequência em ambos e nunca se cansando de fazer o bem.

A tarefa dos ministros é falar da parte de Deus ao seu povo e falar a Deus em favor dele; em nenhuma dessas coisas devem ficar calados. 2. Qual é o princípio dessa resolução: por amor de Sião e de Jerusalém, não por algum interesse particular dele próprio, mas pela igreja, pois ele a ama e se preocupa com ela; ela está perto de seu coração.

Independentemente do que aconteça com sua própria casa e família, ele deseja ver o bem de Jerusalém e decide buscá-lo por todos os dias da vida, Salmos 122:8,9; 128:5. Sião é de Deus, e Jerusalém é dele; por isso lhe são queridas, pois também o são para Deus e porque a glória de Deus está ligada à prosperidade delas.

  1. Por quanto tempo ele decide perseverar nessa insistência: até que se cumpra a promessa da justiça e da salvação da igreja, feita no capítulo anterior. Isaías não viverá para ver os cativos libertos da Babilônia, muito menos a chegada do evangelho, no qual a graça reina pela justiça para a vida e a salvação.

Mesmo assim, não se calará até que tudo isso se cumpra, até mesmo em seu alcance máximo, pois suas profecias continuarão anunciando essas coisas e, em cada geração, haverá um remanescente que continuará orando por elas, como seus sucessores, até que as promessas se realizem e as orações fundamentadas nelas sejam respondidas.

Então a justiça e a salvação da igreja sairão como claridade e como uma lâmpada que arde, tão claramente que levarão consigo a própria prova. Trarão honra e consolo à igreja, que assim tanto terá aparência agradável quanto parecerá ilustre, e instrução e direção ao mundo: luz não apenas para os olhos, mas para os pés e os caminhos dos que antes se sentavam nas trevas e na sombra da morte.

II. O que Deus fará pela igreja. O profeta só pode orar e pregar, mas Deus confirmará a palavra e responderá às orações. 1. A igreja será muito admirada. Quando a justiça que é sua salvação, seu louvor e sua glória se manifestar, os gentios a verão.

As notícias a respeito dela serão levadas aos gentios, e ela lhes será oferecida; poderão ver essa justiça e participar dela, a menos que a culpa seja deles próprios. Até os reis verão e se apaixonarão pela glória de sua justiça (v. 2); deixarão de lado a glória de suas próprias cortes e reinos para olhar e buscar a glória espiritual da igreja, que a supera.

  1. Ela será na verdade admirável. Grandes nomes tornam as pessoas importantes no mundo, e por isso lhes prestam grande respeito. Agora, admite-se que honor est in honorante — a honra deriva seu valor da dignidade de quem a concede.

Deus é a fonte da honra, e dele vem a honra da igreja: “Serás chamada por um nome novo, um nome agradável, como nunca te chamaram antes, nem mesmo no dia da tua maior prosperidade; será o contrário do nome que te deram no dia da tua aflição. Terás um novo caráter, serás elevada a uma nova dignidade, e os que estão ao teu redor pensarão de outro modo a teu respeito.”

Parece haver uma alusão a isso na promessa da “pedra branca”, e, na pedra, “um nome novo” (Apocalipse 2:17), e na promessa do “nome da cidade do meu Deus” e do “meu nome novo” (Apocalipse 3:12).

É um nome que a boca do Senhor dará; sabemos que ele nunca chama as coisas pelo nome errado e fará com que os outros a chamem pelo nome que lhe deu, pois seu juízo é segundo a verdade e, mais cedo ou mais tarde, todos concordarão com ele.

Deus lhe dará dois nomes:

(1.) Chamá-la-á sua coroa (v. 3): “Serás uma coroa de glória na mão do Senhor”, não sobre sua cabeça, como se lhe acrescentasse honra ou poder reais, como fazem as coroas de quem é coroado, mas em sua mão.

Ele tem prazer em considerá-los e mostrá-los como sua glória e beleza. Quando os tomou como seu povo, foi para que fossem para ele por nome, louvor e glória (Jeremias 13:11): “Serás coroa de glória e diadema real pela mão, pela boa mão do teu Deus sobre ti. Ele te fará assim, pois será para ti coroa de glória”, Isaías 28:5.

“Estarás em sua mão”, isto é, sob sua proteção. “Aquele que te cobrir de glória criará defesa ao redor de toda essa glória; assim, as flores de tua coroa nunca murcharão, nem suas joias se perderão.”

(2.) Chamá-la-á sua esposa (v. 4, 5). Esta é honra ainda maior, sobretudo se considerarmos a condição desolada em que ela se encontrava. [1.] Sua situação era muito triste. Durante o cativeiro, chamavam-na de Abandonada, e sua terra, de Desolada, como mulher repudiada com desprezo ou viúva inconsolável.

Assim era a religião no mundo antes da pregação do evangelho: de certo modo, estava abandonada e desolada, sem que alguém cuidasse dela ou tivesse real interesse por ela. [2.] Agora será muito agradável, pois Deus voltará a ela com misericórdia.

Em lugar daqueles dois nomes de descrédito, ela receberá dois nomes honrosos. Primeiro, será chamada Hefzibá, que significa “O meu prazer está nela”. Era o nome da rainha de Ezequias, mãe de Manassés (2 Reis 21:1), nome apropriado para a esposa, que deve ser o deleite do marido, Provérbios 5:19.

E aqui é o Criador da igreja que é seu marido: “O Senhor se deleita em ti.” Pela graça, Deus operou em sua igreja aquilo que faz dela seu deleite: purificou-a, reformou-a e a trouxe de volta para si.

Então, por sua providência, faz por ela o que mostra que ela é seu deleite e que ele tem prazer em lhe fazer o bem. Em segundo lugar, será chamada Beulá, que significa “casada”, ao passo que antes era desolada, condição oposta à da mulher casada, Isaías 54:1.

“A tua terra será casada”, isto é, voltará a ser frutífera e povoada. Embora tenha sido estéril por muito tempo, voltará a ter habitantes, será novamente levada a cuidar de uma casa e a ser mãe alegre de filhos, Salmos 113:9.

Ela será casada, pois: 1. Seus filhos se comprometerão de coração com a terra natal e seus interesses, que por muito tempo haviam negligenciado, desesperando-se de algum dia desfrutar dela com tranquilidade: “Os teus filhos se casarão contigo”, isto é, viverão contigo e terão prazer em ti.

Quando estavam na Babilônia, pareciam ter se casado com aquela terra, pois receberam a ordem de se estabelecer e buscar a paz dela, Jeremias 29:5-7. Mas agora voltarão a se casar com sua própria terra, como o jovem que se casa com uma virgem de quem muito se agrada, por quem é profundamente apaixonado e com quem provavelmente terá muitos filhos.

É bom para uma terra quando seus próprios nativos e habitantes gostam dela, preferem-na às outras e seus príncipes se casam com seu país, decididos a compartilhar sua sorte. 2. Seu Deus, o que é muito melhor, a desposará para si em justiça, Oseias 2:19,20.

Deus terá prazer em sua igreja. “Assim como o noivo se alegra com a noiva”, satisfeito com a união entre eles e com o afeto dela por ele, “o teu Deus se alegrará contigo”. Ele descansará em seu amor por ti (Sofonias 3:17), terá prazer em ti (Salmos 147:11) e se deleitará em te fazer o bem com todo o seu coração e toda a sua alma, Jeremias 32:41.

Isso se aplica muito bem ao amor de Cristo por sua igreja e à satisfação que tem nela, tão claramente revelados em Cantares de Salomão e que se completarão no céu.

Versículos 6 a 9

A Prosperidade da Igreja. (a.C. 706.)

Duas coisas são prometidas a Jerusalém:

I. Abundância dos meios da graça — muitas boas pregações e muitas boas orações (v. 6, 7). Isso mostra o método que Deus usa quando pretende conceder misericórdia a um povo: primeiro o conduz ao dever e derrama sobre ele um espírito de oração; depois lhe traz a salvação. Providencia-se:

  1. Que os ministros cumpram seu dever como vigias. Isso é apresentado como sinal favorável, passo em direção a mais misericórdia e penhor dela: para realizar o que planejava em favor deles, Deus colocaria vigias sobre os muros, que nunca se calariam.

Repare: (1.) Os ministros são vigias sobre os muros da igreja, pois ela é como uma cidade sitiada, que precisa de sentinelas nos muros para reparar nos movimentos do inimigo e avisar sobre eles. Como vigias, é necessário que estejam atentos, sejam fiéis e estejam dispostos a suportar as agruras.

(2.) Devem permanecer de guarda dia e noite; não podem abandonar a vigilância enquanto aqueles por cujas almas velam ainda estiverem em perigo.

(3.) Nunca devem se calar. Devem aproveitar todas as oportunidades para avisar os pecadores, em ocasião oportuna ou não, e nunca trair a causa de Cristo por silêncio covarde ou desleal. Não devem se calar diante do trono da graça; devem orar sem desanimar, como Moisés levantou as mãos e as manteve firmes até Israel vencer os amalequitas, Êxodo 17:10,12.

  1. Que o povo cumpra seu dever. Os que fazem menção do Senhor também não devem se calar. Não pensem que basta seus vigias orarem por eles; o povo deve orar por si mesmo. Todo esforço será pouco para receber com a devida solenidade a misericórdia que se aproxima.

Repare: (1.) O povo que professa pertencer a Deus se caracteriza por fazer menção do Senhor, e continua a fazê-lo mesmo em tempos difíceis, quando a terra é chamada Abandonada e Desolada. São os que fazem o Senhor lembrar-se (como diz a margem): eles próprios se lembram do Senhor e lembram uns aos outros dele.

(2.) O povo que professa pertencer a Deus deve ser um povo de oração, que se preocupa com o bem comum ao orar, luta com Deus em oração e persevera nela: “Não se calem; não afrouxem nesse dever nem se cansem dele.”

“Não lhe deem descanso”, como o mendigo insistente e a viúva que, por voltar sempre, levou o juiz a atender seu pedido. Deus disse a Moisés: “Deixa-me”, Êxodo 32:10; e Jacó disse a Cristo: “Não te deixarei ir se não me abençoares”, Gênesis 32:26.

(3.) Ao contrário do que os seres humanos costumam fazer, Deus não se desagrada de nossa insistência ao pedir; ele a anima e nos convida a clamar por ele. Não é como aqueles discípulos que desanimaram uma suplicante, Mateus 15:23.

Ele nos manda apresentar pedidos insistentes diante do trono da graça e não lhe dar descanso, Lucas 11:5,8. Permite que não apenas argumentemos com ele, mas também lutemos com ele.

(4.) O bem-estar ou a prosperidade da Jerusalém de Deus devem ser aquilo por que mais insistimos diante do trono da graça; devemos orar pelo bem da igreja. [1.] Para que seja segura: que Deus a estabeleça, que os interesses da igreja permaneçam firmes agora e sejam garantidos para a posteridade.

[2.] Para que seja grande, um louvor na terra, de modo que seja louvada e Deus seja louvado por causa dela. Quando as verdades do evangelho são esclarecidas e defendidas, suas ordenanças são administradas com pureza e poder e a igreja se destaca pela santidade e pelo amor, Jerusalém é um louvor na terra e conquista boa reputação.

(5.) Devemos perseverar em nossas orações pela misericórdia para a igreja até que ela chegue. Devemos fazer como o servo do profeta: ir ainda sete vezes, até aparecer a nuvem que promete chuva, 1 Reis 18:44.

(6.) É bom sinal de que Deus se aproxima de um povo para lhe mostrar misericórdia quando derrama sobre ele um espírito de oração e o estimula a interceder com fervor e constância.

II. Abundância de todas as outras coisas boas (v. 8). Isso vem depois do que foi dito: quando o povo louva a Deus, quando todo o povo o louva, então a terra dará seu fruto (Salmos 67:5,6), e a prosperidade exterior, coroando a piedade, ajudará a fazer de Jerusalém um louvor na terra. Observe:

  1. A grande angústia que sofreram e as perdas que tiveram. Seu cereal fora alimento para seus inimigos, quando esperavam que fosse alimento para eles próprios e suas famílias.

Havia um duplo motivo de queixa: eles próprios careciam do necessário para sustentar a vida e corriam o risco de morrer de fome, enquanto seus inimigos se fortaleciam com aquilo, abasteciam seu acampamento e ficavam mais capazes de lhes fazer dano.

Diz-se que Deus entregou o cereal deles aos inimigos porque não apenas o tolerou, mas o ordenou como justo castigo tanto pelo abuso da abundância quanto por se associarem a estrangeiros, Isaías 1:7. Os estrangeiros bebiam o vinho pelo qual haviam trabalhado e de que precisavam na aflição para aliviar os que tinham o coração pesado; bebiam para satisfazer seus desejos.

Esse severo juízo foi anunciado por causa dos pecados deles, Levítico 26:16; Deuteronômio 28:33. Veja como são incertos os consolos que as criaturas nos dão e como é sábio trabalhar pelo alimento de que nunca poderemos ser roubados.

  1. A grande abundância e satisfação a que agora seriam restaurados (v. 9): “Os que o colheram comerão e louvarão o Senhor.” Veja aqui: (1.) A misericórdia de Deus ao dar abundância e paz para desfrutá-la: a terra produz seu fruto, há mãos para colhê-lo, e elas não são levadas por pragas e doenças nem empregadas de outra maneira na guerra.

Estrangeiros e inimigos não vêm colher o fruto para si nem o tomam de nós depois da colheita; comemos o fruto do trabalho de nossas mãos, e o pão não nos é tirado da boca. Acima de tudo, temos oportunidade e disposição para honrar a Deus com ele, e seus átrios estão abertos para nós e não somos impedidos de comparecer diante dele.

(2.) Nosso dever ao desfrutar dessa misericórdia. Devemos colher com zelo e diligência o que Deus nos dá, comê-lo livre e alegremente, sem enterrar os dons de sua generosidade, mas usando-os.

Depois de comer e ficar satisfeitos, devemos bendizer o Senhor e agradecer-lhe por sua generosidade para conosco. E devemos servi-lo com nossa abundância, empregando-a em obras de piedade e caridade, e comer e beber nos átrios de sua santidade, onde o altar, o sacerdote e os pobres devem receber sua parte.

O maior consolo que um homem bom encontra em seu alimento e bebida é que eles lhe permitem apresentar ao Senhor, seu Deus, uma oferta de alimento e uma oferta de bebida, Joel 2:14. Seu maior consolo ao possuir bens é ter oportunidade de honrar a Deus e fazer o bem.

Esse vinho deve ser bebido nos átrios da santidade de Deus; portanto, com moderação e sobriedade, como diante do Senhor.

  1. A ratificação solene desta promessa: o Senhor jurou por sua mão direita e pelo braço de seu poder que fará isso por seu povo. Deus a confirma com juramento, para que seu povo, que confia nele e em sua palavra, tenha forte consolação, Hebreus 6:17,18.

E, como não pode jurar por ninguém maior, jura por si mesmo: às vezes por sua existência (“Como eu vivo”, Ezequiel 33:11), às vezes por sua santidade (Salmos 89:35), e aqui por seu poder, sua mão direita, levantada no juramento (Deuteronômio 32:40), e seu braço poderoso.

É grande consolo para os que fundamentam sua esperança na promessa de Deus ter certeza de que ele pode cumprir o que prometeu, Romanos 4:21. Para nos assegurar disso, jurou por seu poder e empenhou a reputação de sua onipotência.

Se não fizer o que prometeu, digam que não conseguiu fazê-lo; mas os egípcios nunca o dirão (Números 14:16), nem qualquer outro. O consolo do povo de Deus é saber que seu poder está comprometido em seu favor: sua mão direita, onde se senta o Mediador.

Versículos 10 a 12

A Vinda do Messias. (a.C. 706.)

Esta passagem, como muitas outras semelhantes anteriores, refere-se à libertação dos judeus da Babilônia e, sob o tipo e a figura disso, à grande redenção realizada por Jesus Cristo e ao anúncio da graça e da liberdade do evangelho por meio dele.

  1. O caminho será preparado para essa salvação; todas as dificuldades serão removidas e tudo o que possa impedi-la será tirado do caminho (v. 10).

As portas da Babilônia serão abertas para que os judeus possam atravessá-las livremente. O caminho da Babilônia para a terra de Israel será preparado; estradas serão construídas e elevadas nos lugares úmidos e lamacentos, e as pedras serão retiradas dos trechos acidentados e rochosos.

Nos lugares convenientes, indicados para que se reúnam, serão erguidos estandartes para orientá-los e animá-los, a fim de que se agrupem para maior segurança. Assim João Batista foi enviado para preparar o caminho do Senhor, Mateus 3:3.

E, antes que Cristo venha a alguém para salvá-lo com suas graças e consolos, é feita preparação para ele pelo arrependimento; é chamado de “preparação do evangelho da paz”, Efésios 6:15. Aqui o caminho é nivelado por essa preparação; ali os pés são calçados com ela. No fim, dá no mesmo, pois as duas coisas se destinam a uma viagem.

  1. A notícia dessa salvação será anunciada (v. 11, 12). Proclamarão aos cativos que estão libertos e podem partir, se quiserem. A notícia será anunciada aos vizinhos, a todos os que estão ao redor deles e aos confins da terra: Deus defendeu a causa justa, lesada e desprezada de Sião.

Diga-se a Sião, para seu consolo: “Eis que vem a tua salvação”, isto é, teu Salvador, que traz salvação. Ele trará consigo uma obra e uma recompensa que todos admirarão: recompensa de consolo e paz com ele; mas, diante dele, uma obra de humilhação e reforma, que preparará seu povo para essa recompensa por seus sofrimentos.

Então, referindo-se a cada uma dessas coisas, serão chamados “Povo santo” e “Redimidos do Senhor”. A obra que será realizada neles e sobre eles os fará ser chamados povo santo: estarão curados de sua inclinação à idolatria e consagrados somente a Deus.

A recompensa com ele, o livramento realizado em favor deles, fará com que sejam chamados redimidos do Senhor: redimidos de tal modo que só Deus poderia tê-los redimido e para lhe pertencerem, com as amarras soltas para que fossem seus servos.

Jerusalém será então chamada “Procurada, cidade não abandonada”. Ficara abandonada por muitos anos; já não havia comerciantes nem adoradores que perguntassem pelo caminho de Jerusalém, como antes, quando ambos a frequentavam.

Agora, porém, Deus voltará a torná-la importante. Ela será procurada, visitada, frequentada e cortejada tanto quanto antes. Quando Jerusalém é chamada cidade santa, também é chamada procurada, pois a santidade confere honra e beleza a qualquer lugar ou pessoa, atraindo respeito e tornando-os admirados, amados e procurados.

Mas, por ser este anúncio dirigido aos confins da terra, deve referir-se ao evangelho de Cristo, que seria pregado a toda criatura. Isso indica: (1.) A glória de Cristo. A notícia é anunciada diretamente à igreja, mas dali ecoa por todas as nações: “Eis que vem a tua salvação.”

Cristo não é apenas o Salvador, mas a própria salvação; a felicidade dos crentes não vem apenas dele, mas está nele, Isaías 12:2. Sua salvação consiste tanto na obra quanto na recompensa que ele traz, pois os que lhe pertencem não ficarão ociosos nem perderão o trabalho.

(2.) A beleza da igreja. Os cristãos serão chamados santos (1 Coríntios 1:2), povo santo, pois são escolhidos e chamados para a salvação mediante a santificação.

Serão chamados redimidos do Senhor. Devem a ele sua liberdade e, portanto, também seu serviço; não terão vergonha de reconhecer ambos. Ninguém deve ser chamado redimido do Senhor se não for do povo santo: o povo que Deus resgatou é uma nação santa.

Também serão chamados procurados. Deus os procurará e encontrará onde quer que estejam dispersos, obscurecidos ou perdidos no meio da multidão. As pessoas os procurarão para se unir a eles, e não abandoná-los.

É bom conviver com o povo santo para aprender seus caminhos e com os redimidos do Senhor para participar das bênçãos da redenção.


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