Isaías 26
Argumento
Este capítulo é um cântico de santa alegria e louvor, no qual se celebram as grandes coisas que Deus se comprometeu, no capítulo anterior, a fazer por seu povo contra os inimigos dele e os de seu povo. Foi preparado para ser cantado quando essa profecia se cumprisse.
Pois devemos estar prontos para ir ao encontro de Deus com nossas ações de graças quando ele vem ao nosso encontro com suas misericórdias. Agora, aqui se ensina ao povo de Deus:
I. A triunfar na segurança e na santa confiança tanto da igreja em geral quanto de cada membro em particular, sob a proteção divina, vv. 1-4.
II. A triunfar sobre todos os poderes adversários, v. 5, 6.
III. A andar com Deus e esperar por ele nos tempos piores e mais sombrios, vv. 7-9.
IV. A lamentar a estupidez dos que não atentavam para a providência de Deus, quer misericordiosa, quer aflitiva, v. 10, 11.
V. A animar a si mesmos e uns aos outros com a esperança de que Deus ainda continuaria a lhes fazer o bem (v. 12, 14) e a comprometer-se a continuar em seu serviço, v. 13.
VI. A recordar as bondosas providências de Deus para com eles em sua condição rebaixada e angustiada, e sua conduta sob essas providências, vv. 15-18.
VII. A alegrar-se na esperança de um livramento glorioso, que para eles seria como uma ressurreição (v. 19), e a recolher-se enquanto o aguardam, v. 20, 21. Isso foi escrito para sustentar e auxiliar a fé e a esperança do povo de Deus em todas as épocas, mesmo daqueles sobre os quais chegaram os fins dos séculos.
Versículos 1 a 4
As Bênçãos do Evangelho. (a.C. 718.)
Às profecias da graça do evangelho se acrescenta, muito apropriadamente, um cântico no qual podemos dar a Deus a glória e receber para nós o consolo dessa graça. Naquele dia, o dia do evangelho, que era prefigurado pelo dia das vitórias e da expansão da igreja do Antigo Testamento, este cântico será cantado.
Talvez haja aqui uma referência primária a algumas daquelas vitórias e expansões. Haverá pessoas que o cantem, motivo para cantá-lo e corações para isso. Será cantado na terra de Judá, que era figura da igreja do evangelho, pois se diz que a aliança do evangelho é feita com a casa de Judá, Hebreus 8:8. Aqui se dizem coisas gloriosas da igreja de Deus.
I. Que ela é fortemente fortificada contra os que são maus (v. 1): “Temos uma cidade forte”. É uma cidade constituída pela carta da aliança eterna, preparada para receber todos os que por essa carta se tornam livres, para lhes dar ocupação e acolhida.
É uma cidade forte, como Jerusalém o era enquanto permanecia uma cidade bem unida e tinha o próprio Deus como muralha de fogo ao redor. Era tão forte que ninguém teria acreditado que um inimigo pudesse entrar pelas portas de Jerusalém, Lamentações 4:12.
A igreja é uma cidade forte, pois tem muros e baluartes, ou contraescarpas, designados pelo próprio Deus. Em sua promessa, ele designou a própria salvação para ser a defesa dela. Aqueles que estão destinados à salvação encontrarão nela sua proteção, 1 Pedro 1:4.
II. Que ela é ricamente povoada pelos que são bons, e eles lhe servem de fortificações. Pois os habitantes de Jerusalém, se forem como devem ser, são sua força, Zacarias 12:5. Aqui se ordena que as portas sejam abertas, para que entre a nação justa, que guarda a verdade, v. 2.
Eles haviam sido banidos e expulsos pela iniquidade dos tempos anteriores, mas agora as leis promulgadas contra eles são revogadas, e eles têm liberdade para entrar outra vez. Ou há um ato de naturalização geral de todos os justos, seja qual for a nação deles, animando-os a vir e estabelecer-se em Jerusalém.
Quando Deus faz grandes coisas por algum lugar ou povo, espera que assim retribuam conforme o benefício recebido: que sejam bondosos com seu povo e os acolham sob sua proteção e em seu seio. Repare:
É próprio dos homens justos guardar as verdades de Deus. A firme crença nelas exercerá influência dominante sobre a regularidade de toda a conduta. Bons princípios firmados na cabeça produzirão boas resoluções no coração e boas práticas na vida.
É do interesse dos estados favorecer tais pessoas e atraí-las para o seu meio, pois elas trazem consigo uma bênção.
III. Que todos os que pertencem à igreja estão seguros e tranquilos e têm santa confiança e serenidade de espírito na certeza do favor de Deus:
- Aqui isso é objeto de uma promessa (v. 3): “Tu o conservarás em paz, paz, em paz perfeita”, paz interior, paz exterior, paz com Deus, paz de consciência, paz em todos os tempos e sob quaisquer acontecimentos. Nessa paz será colocado, e nela conservado, aquele cuja mente está firme em Deus, porque confia nele.
É próprio de todo homem bom confiar em Deus, pôr-se sob sua direção e seu governo e depender dele, certo de que fazê-lo lhe será de grande proveito. Os que confiam em Deus devem manter a mente firme nele, confiar nele em todos os tempos e sob quaisquer acontecimentos e apegar-se a ele com firmeza e fidelidade, plenamente satisfeitos nele.
A esses Deus conservará em paz contínua, e essa paz os guardará. Quando circularem más notícias, os que têm os corações firmes, confiando no Senhor, aguardarão serenamente o desfecho, sem se perturbar por temores assustadores que delas possam surgir, Salmos 112:7.
- Aqui isso é objeto de um preceito (v. 4): “Encontremos tranquilidade confiando no Senhor para sempre. Visto que Deus prometeu paz aos que nele se apoiam, não percamos o benefício dessa promessa, mas depositemos nele inteira confiança. Confiem nele para sempre, em todos os tempos, quando não tiverem mais nada em que confiar; confiem nele para aquela paz, aquela porção, que durará para sempre”.
Seja para o que for que confiamos no mundo, será apenas por um momento: tudo o que dele esperamos fica dentro dos limites do tempo. Mas aquilo para o que confiamos em Deus durará tanto quanto nós duraremos.
Pois no Senhor Jeová-Já, Jeová, naquele que era, é e virá, há uma rocha dos séculos, um fundamento firme e duradouro sobre o qual a fé e a esperança podem edificar. A casa construída sobre essa rocha permanecerá de pé numa tempestade.
Os que confiam em Deus não somente encontrarão nele, mas também receberão dele força eterna, força que os levará à vida eterna, à bem-aventurança que dura para sempre. Por isso, confiem nele para sempre e jamais abandonem nem troquem a sua confiança.
Versículos 5 a 11
A Bondade e a Justiça de Deus. (a.C. 718.)
Aqui o profeta nos anima ainda mais a confiar no Senhor para sempre e a continuar esperando por ele. Pois:
I. Ele fará as almas humildes que nele confiam triunfar sobre seus inimigos orgulhosos, v. 5, 6. Os que se exaltam serão humilhados, pois ele abate os que habitam nas alturas; naquilo em que eles agem com orgulho, ele está, e estará, acima deles.
Até a própria cidade altiva de Babilônia, ou Nínive, ele a rebaixa, Isaías 25:12. Ele pode fazê-lo, por mais bem fortificada que esteja. Já o fez muitas vezes. Voltará a fazê-lo, pois resiste aos soberbos. É sua glória fazê-lo, pois prova que é Deus ao olhar para os soberbos e humilhá-los, Jó 40:12.
Mas, em contrapartida, os que se humilham serão exaltados, pois os pés dos pobres pisarão as cidades altivas, v. 6. Ele não diz que grandes exércitos as pisotearão, mas que, quando Deus quiser fazê-lo, até os pés dos pobres o farão, Malaquias 4:3. “Vocês pisarão os ímpios.” Venham, ponham os pés sobre o pescoço desses reis. Veja Salmos 147:6; Romanos 16:20.
II. Ele observa o caminho de seu povo e nele se agrada (v. 7): o caminho do justo é plano, como se pode ler. Eles se empenham e zelam constantemente por andar com Deus num curso uniforme e firme de obediência e de santa conduta.
“Meu pé está firme em lugar plano”, segue por um caminho plano, Salmos 26:12. E sua felicidade é que Deus torna o caminho diante deles plano e fácil: “Tu, ó retíssimo, nivelas”, ou tornas plano, “o caminho do justo”, impedindo ou removendo o que lhes serviria de tropeço, de modo que “nada os fará tropeçar”, Salmos 119:165.
Deus o pesa, conforme lemos. Ele o considera e lhes dará graça suficiente para ajudá-los a superar todas as dificuldades que possam encontrar em seu caminho. Assim Deus se mostrará reto para com os retos.
III. É nosso dever, e será nosso consolo, esperar por Deus e manter santos desejos por ele nos tempos mais sombrios e desanimadores, v. 8, 9. Essa sempre foi a prática do povo de Deus, mesmo quando ele lhes mostrava desagrado:
- Manter contínua dependência dele: “No caminho de teus juízos, temos esperado continuamente por ti”; quando tu nos corrigiste, não buscamos alívio de nenhuma outra mão senão a tua, assim como o servo olha somente para a mão de seu senhor, até que este tenha misericórdia dele, Salmos 123:2.
Não podemos apelar da justiça de Deus senão para sua misericórdia. Se os juízos de Deus perdurarem, se forem um caminho de juízos, como indica a palavra, ainda assim não devemos nos cansar, mas continuar esperando.
- Elevar a ele santos desejos. Nossas tribulações, por mais urgentes que sejam, jamais devem nos fazer perder o apreço por nossa religião nem nos afastar de Deus. Mas o desejo de nossa alma deve continuamente estar voltado para o seu nome e para a sua lembrança; e à noite, na noite mais longa e sombria da aflição, devemos desejá-lo com nossa alma.
(1.) Nossa grande preocupação deve ser o nome de Deus, e nosso desejo ardente deve ser que seu nome seja glorificado, aconteça o que acontecer conosco e com nossos nomes. É por isso que devemos esperar e orar. Pai, glorifique o seu nome, e estamos satisfeitos.
(2.) Nosso grande consolo deve estar na lembrança desse nome, de tudo aquilo por meio do qual Deus se deu a conhecer. A lembrança de Deus deve ser nosso grande sustento e prazer. Embora às vezes nos esqueçamos dele, ainda assim nosso desejo continuamente deve voltar-se para a lembrança dele, e devemos esforçar-nos com nossos próprios corações para tê-lo sempre em mente.
(3.) Nossos desejos por Deus devem ser íntimos, fervorosos e sinceros. Com nossa alma devemos desejá-lo; com nossa alma devemos ansiar por ele (Salmos 42:1); e com nossos espíritos dentro de nós, com o pensamento mais íntimo e a aplicação mais concentrada da mente, devemos buscá-lo. Nada fazemos de nossa religião, seja qual for nossa profissão de fé, se ela não for obra do coração.
(4.) Mesmo na noite mais sombria da aflição, nossos desejos devem voltar-se para Deus como nosso sol e escudo. Pois, seja como for que Deus resolva nos tratar, jamais devemos pensar pior dele nem deixar esfriar nosso amor por ele.
(5.) Se nossos desejos se voltam de fato para Deus, devemos dar prova disso buscando-o, e buscando-o cedo, como quem deseja encontrá-lo e teme a ideia de não encontrá-lo. Os que querem buscar a Deus e encontrá-lo precisam buscá-lo cedo e com ardor. Por mais cedo que venhamos, encontraremos Deus pronto para nos receber.
IV. Ao enviar seus juízos pelo mundo, Deus tem o gracioso desígnio de levar os homens a buscá-lo e servi-lo. Quando seus juízos estiverem sobre a terra e devastarem tudo, temos razão para esperar que não somente os que se declaram povo de Deus, mas até os habitantes do mundo, aprendam a justiça.
Terão seus erros corrigidos e sua vida reformada. Serão levados a reconhecer a justiça de Deus ao puni-los, a arrepender-se da própria injustiça com que o ofenderam e, assim, a andar por caminhos retos.
Eles farão isso: ou seja, os juízos se destinam a conduzi-los a isso e têm uma tendência natural a produzir esse efeito. Embora muitos persistam na obstinação, alguns, mesmo entre os habitantes do mundo, aproveitarão essa disciplina e aprenderão a justiça. Certamente aprenderão; se não aprenderem, são estranhamente estúpidos.
Repare: a intenção das aflições é ensinar-nos a justiça. Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina e assim ensina, Salmos 94:12. Discite justitiam, moniti, et non temnere divos: Que esta repreensão lhes ensine a cultivar a justiça e a deixar de desprezar os deuses. Virgílio.
V. São de fato ímpios os que não se deixam transformar pelos meios favoráveis que Deus emprega para sujeitá-los e reformá-los. É necessário que Deus os trate severamente por meio de seus juízos, que prevalecerão para humilhar aqueles que de outro modo não se humilhariam. Observe:
- Como os pecadores andam em oposição a Deus e se recusam a corresponder aos meios empregados para reformá-los e às intenções desses meios, v. 10:
(1.) É-lhes mostrado favor. Recebem muitas misericórdias dele. Ele faz seu sol brilhar e sua chuva cair sobre eles; ou melhor, faz que prosperem e põe fartura em suas mãos. Escapam de muitos golpes dos juízos de Deus que eliminaram outros menos ímpios do que eles.
Em alguns casos particulares, parecem receber um favor notável, maior do que o de seus vizinhos. O desígnio de tudo isso é conquistá-los para que amem e sirvam ao Deus que assim os favorece. Contudo, tudo é em vão: não querem aprender a justiça nem querem ser conduzidos ao arrependimento pela bondade de Deus.
Por isso, é necessário que Deus envie seus juízos à terra para ajustar contas com os homens pelas misericórdias de que abusaram.
(2.) Vivem numa terra de retidão, onde a religião é professada e estimada, onde se prega a palavra de Deus e onde muitos bons exemplos lhes são apresentados. É terra plana, onde não há tantos tropeços como em outros lugares, e terra de correção, onde o vício e a irreverência são reprovados e punidos.
No entanto, ali agirão injustamente e persistirão obstinados em seus maus caminhos. Os que praticam a impiedade agem injustamente para com Deus e os homens, bem como para com suas próprias almas. Os que não se deixam corrigir pela justiça da nação podem esperar sobre si os juízos de Deus.
Tampouco podem esperar um lugar futuro na terra da bem-aventurança aqueles que agora não se conformam às leis e aos costumes da terra de retidão nem aproveitam seus privilégios e vantagens. E por que não o fazem?
Porque não querem contemplar a majestade do Senhor. Não querem crer nem considerar quão terrível é a majestade do Deus cujas leis e cuja justiça insistem em desprezar. A majestade de Deus aparece em todas as manifestações de sua providência, mas eles não lhe dão atenção e, portanto, não procuram corresponder aos propósitos dessas manifestações.
Mesmo quando recebemos a misericórdia do Senhor, continuamente devemos contemplar a majestade do Senhor e sua bondade.
(3.) Deus ergue sua mão para dar-lhes um aviso, a fim de que, pelo arrependimento e pela oração, façam as pazes com ele. Mas eles não reparam nisso. Não percebem que Deus está irado contra eles nem que vem enfrentá-los. Não querem ver; e ninguém é tão cego quanto os que não querem ver.
Fecham os olhos à mais clara convicção da culpa e da cólera. Atribuem ao acaso ou ao destino comum o que é manifestamente uma repreensão divina. Desprezam os sinais ameaçadores da própria ruína e dizem a si mesmos que há paz, enquanto o Deus justo trava guerra com eles.
- Como Deus, por fim, será forte demais para eles, pois, quando julgar, vencerá: não querem ver, mas verão. Serão obrigados a ver, queiram ou não, que Deus está irado contra eles. Os ateus, os escarnecedores e os que se sentem seguros logo experimentarão o que agora não querem crer: é coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo.
Não querem ver o mal do pecado, em particular o de odiar e perseguir o povo de Deus. Mas, pelos sinais do desagrado de Deus contra eles por isso e pelos livramentos com que Deus defenderá a causa de seu povo, verão que ele considera feito a si mesmo o que se faz contra seu povo e ajustará contas por isso.
Verão que causaram grande mal ao povo de Deus e, portanto, se envergonharão da inimizade e da inveja que lhe tinham e dos maus-tratos que dispensaram àqueles que mereciam melhor tratamento.
Repare: os que têm má vontade contra o povo de Deus têm razão para se envergonhar dela, tão absurda e sem motivo ela é. Cedo ou tarde, terão vergonha, e sua lembrança os encherá de confusão.
Alguns leem: verão e serão confundidos pelo zelo do povo, ou seja, pelo zelo que Deus mostrará por seu povo. Quando forem levados a saber quanto Deus zela pela honra e pelo bem-estar de seu povo, ficarão confundidos ao pensar que poderiam ter sido desse povo e não quiseram.
Portanto, sua condenação é que, por terem desprezado a felicidade dos amigos de Deus, o fogo de seus inimigos os devorará. Isto é, o fogo preparado para os inimigos de Deus, pelo qual serão devorados, o fogo destinado ao diabo e aos seus anjos.
Repare: Deus considera seus inimigos aqueles que são inimigos de seu povo e o invejam, e os tratará de acordo com isso.
A Bondade de Deus para com Israel; Israel Corrigido pelo Pecado; Perspectivas da Igreja. (a.C. 718.)
Versículos 12 a 19
Nesses versículos, o profeta olha para trás, para o que Deus fizera com eles tanto em misericórdia quanto em juízo, canta a Deus por ambas as coisas e então olha adiante, para o que esperava que Deus fizesse por eles. Observe:
I. Suas lembranças e reflexões são misturadas. Ao olhar para a condição da igreja, ele constata:
- Que Deus, em muitos casos, lhes tinha sido muito bondoso e fizera grandes coisas por eles:
(1.) Em geral (v. 12): “Tu realizaste todas as nossas obras em nós, ou em nosso favor.” Toda boa obra feita por nós se deve à boa obra realizada em nós pela graça de Deus. É ele que põe bons pensamentos e afetos em nossos corações, se em algum momento ali estiverem, e que opera em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade.
Acti, agimus: movidos, agimos. E, se alguém nos demonstra bondade ou se algum de nossos assuntos prospera e tem êxito, é Deus que realiza isso em nosso favor. Toda criatura, toda atividade que de algum modo contribui para nosso conforto é feita assim por ele. E às vezes, aquilo que parecia agir contra nós ele faz agir em nosso favor.
(2.) Em particular (v. 15): “Aumentaste a nação, ó Senhor”, de modo que um pequeno se tornou mil. No Egito, multiplicaram-se extraordinariamente, e depois também em Canaã, até encherem a terra. E nisso você é glorificado, pois a multidão do povo é a honra do príncipe.
Nisso Deus foi glorificado como fiel à aliança com Abraão, segundo a qual faria dele pai de muitas nações. Repare: a nação de Deus é uma nação que cresce, e isso é para sua glória. Portanto, devemos nos alegrar com o crescimento da igreja, essa nação santa, porque ele significa o crescimento dos que se dedicam a glorificar a Deus neste mundo.
- Que, apesar disso, Deus os havia sujeitado às suas repreensões:
(1.) As nações vizinhas por vezes os oprimiram e tiranizaram sobre eles (v. 13): “Ó Senhor, nosso Deus, tu que tens o direito exclusivo de nos governar e de quem somos súditos e servos, a ti nos queixamos (pois a quem mais levaríamos nossas queixas?) de que outros senhores, além de ti, exerceram domínio sobre nós”.
Não somente nos dias dos juízes, mas também depois, Deus frequentemente os vendeu nas mãos de seus inimigos. Ou, antes, por suas iniquidades, eles próprios se venderam, Isaías 52:3-5. Quando negligenciavam o serviço de Deus, ele permitia que seus inimigos os dominassem para que conhecessem a diferença entre servi-lo e servir os reinos de outros países.
Pode-se entender isso como confissão de pecado: serviram a outros deuses e se submeteram às leis e aos costumes supersticiosos de seus vizinhos. Assim, outros senhores, pois chamavam seus ídolos de baalins, isto é, senhores, além de Deus, exerceram domínio sobre eles.
Mas agora prometem que isso não tornará a acontecer: Daqui em diante, “somente por meio de ti faremos menção do teu nome”. Adoraremos somente a você, e apenas da maneira que você instituiu e designou.
A mesma pode ser nossa reflexão penitente: outros senhores, além de Deus, exerceram domínio sobre nós. Cada desejo pecaminoso foi nosso senhor, e por ele fomos levados cativos. E já faz tempo suficiente, tempo demais, que assim ofendemos tanto a Deus quanto a nós mesmos.
Portanto, a mesma deve ser nossa piedosa resolução: daqui em diante faremos menção somente do nome de Deus e somente por meio dele. Permaneceremos junto a Deus e ao nosso dever e jamais o abandonaremos.
(2.) Algumas vezes foram levados cativos pelos seus inimigos (v. 15): “A nação que no princípio aumentaste e fizeste criar raízes, agora diminuíste, arrancaste e espalhaste até os confins da terra, expulsando-a até as extremidades do céu”, conforme a ameaça em Deuteronômio 30:4; 28:64.
Mas observe: entre a menção do aumento da nação e a de sua dispersão se diz: “És glorificado”. Os juízos que Deus inflige a seu povo pelos pecados dele são para sua honra, assim como as misericórdias que lhe concede no cumprimento de sua promessa.
(3.) O profeta recorda que, quando estavam oprimidos e levados ao cativeiro, clamaram a Deus. Isso era boa evidência de que não o tinham abandonado de todo nem tinham sido de todo abandonados por ele e de que havia intenções misericordiosas nos juízos sob os quais estavam (v. 16): “Senhor, na tribulação te visitaram”.
Isso era comum entre o povo de Israel, como encontramos muitas vezes na história dos juízes. Quando outros senhores os dominavam, eles se humilhavam e diziam: “O Senhor é justo”, 2 Crônicas 12:6. Veja aqui:
[1.] A necessidade que temos das aflições. Elas são necessárias para despertar a oração. Ao se dizer “na tribulação te visitaram”, fica implícito que, em tempos de paz e prosperidade, eram estranhos a Deus, mantinham-se distantes dele e raramente se aproximavam dele. Era como se, quando o mundo lhes sorria, não precisassem de seus favores.
[2.] O proveito que muitas vezes tiramos das aflições. Elas nos levam a Deus, despertam-nos para o dever e mostram nossa dependência dele. Aqueles que antes raramente olhavam para Deus agora o visitam. Aproximam-se com frequência, tornam-se amigáveis e procuram obter seu favor.
Antes, a oração vinha gota a gota, mas agora derramam uma oração. Ela vem como água de uma fonte, e não como água de um alambique. Derramaram uma fala secreta, conforme a nota à margem. Orar é falar com Deus, mas é uma fala secreta, pois é a linguagem do coração; de outro modo, não é oração.
As aflições nos levam à oração secreta, na qual podemos dirigir-nos a Deus com mais liberdade e particularidade do que em público. Na aflição, os que antes o buscavam vagarosamente o buscarão cedo, Oseias 5:15. Ela tornará os homens fervorosos e fluentes na oração.
“Derramaram uma oração”, como se derramavam as libações, “quando tua disciplina estava sobre eles”. Mas é de temer que, uma vez retirada a disciplina, voltem pouco a pouco ao antigo descuido, como tantas vezes fizeram.
(4.) Ele se queixa de que seus esforços para conquistar a própria liberdade foram muito dolorosos e perigosos, mas não tiveram êxito, v. 17, 18:
[1.] Sofreram as dores e contrações que temiam: Fomos como uma mulher que dá à luz e grita em suas dores. Com muita ansiedade e fadiga, tentamos ajudar a nós mesmos, e nossas tribulações aumentaram por causa dessas tentativas, como quando Moisés veio libertar Israel e a quantidade exigida de tijolos dobrou.
Suas orações se intensificaram pela agudeza das dores e se tornaram tão fortes e veementes quanto os gritos de uma mulher em trabalho de parto penoso. “Assim estivemos diante de ti, ó Senhor.” Em sua angústia, consolava-os e satisfazia-os saber que Deus os via, que todas as suas misérias estavam diante dele. Ele conhecia suas dores e suas orações.
“Senhor, todo o meu desejo está diante de ti, e o meu gemido não te está oculto”, Salmos 38:9. Sempre que vinham apresentar-se diante do Senhor com suas queixas e petições, agonizavam como uma mulher em trabalho de parto.
[2.] Não alcançaram o resultado e o êxito que desejavam e esperavam: “Estivemos grávidos”; tínhamos grande expectativa de um livramento rápido e feliz, estávamos cheios de esperança e, quando sofríamos, consolávamo-nos pensando que o nascimento alegre nos faria esquecer nossa miséria, João 16:21.
Mas, ai de nós, “foi como se déssemos à luz o vento”. Revelou-se uma concepção falsa; nossas expectativas foram frustradas, e nossas dores se revelaram mais como dores de morte do que de parto. Tivemos um ventre que abortou e seios sem leite.
Todos os nossos esforços se revelaram abortados. “Não realizamos nenhum livramento na terra”, em favor de nós ou em favor de nossos amigos e aliados; antes, pioramos nossa própria condição e a deles. Tampouco os habitantes do mundo com quem disputávamos caíram diante de nós, seja em seu poder, seja em suas esperanças. Mas continuam tão altivos e arrogantes como sempre.
Repare: uma causa justa pode ser defendida com vigor, tanto pela oração quanto pelo esforço, tanto diante de Deus quanto diante dos homens, e ainda assim permanecer encoberta por muito tempo, sem que se alcance o objetivo.
II. Suas perspectivas e esperanças são muito agradáveis. Em geral: “Tu estabelecerás a paz para nós” (v. 12), isto é, todo o bem de que nossa situação necessita. Toda paz que a igreja tem ou espera vem da determinação de Deus.
Podemos nos consolar com isto: qualquer que seja a tribulação destinada por algum tempo ao povo de Deus, por fim lhe será destinada a paz, pois o fim dessas pessoas é a paz. E, se Deus, por seu Espírito, realiza em nós todas as nossas obras, estabelecerá a paz para nós, pois a obra da justiça será a paz.
Essa é a paz verdadeira e duradoura que Deus estabelece, tal que o mundo nem pode dar nem pode tirar. Para os que a possuem, ela será imutável como as ordenanças do dia e da noite. Além disso, aquilo que Deus fez em nosso favor pode animar-nos a esperar que ainda ulteriormente nos fará bem.
“Tu ouviste o desejo dos humildes e, portanto, ouvirás”, Salmos 10:17. E, quando essa paz estiver estabelecida para nós, “somente por meio de ti faremos menção do teu nome” (v. 13). Daremos a glória dessa paz somente a Deus, e não a outro, e dependeremos somente de sua graça para nos capacitar a fazê-lo. Não podemos louvar o nome de Deus senão por sua força.
O profeta consola a igreja com a perspectiva de duas coisas em particular:
- A espantosa ruína de seus inimigos (v. 14): “estão mortos” aqueles outros senhores que nos dominaram. Seu poder foi destruído de modo irrecuperável; foram inteiramente eliminados e extintos. “Não viverão”, jamais poderão erguer a cabeça outra vez.
Depois de mortos, “não se levantarão”, mas, como Hamã, quando começarem a cair diante da descendência dos judeus, afundarão como uma pedra. Visto que foram sentenciados a essa ruína definitiva, o próprio Deus, executando a sentença, os visitou em sua cólera como justo Juiz.
Eliminou tanto os próprios homens, pois os destruiu, quanto a lembrança deles: eles e seus nomes foram sepultados juntos no pó. Fez perecer toda a memória deles; ou são esquecidos, ou se fala deles com repulsa.
Repare: a causa defendida em oposição a Deus e a seu reino entre os homens, embora prospere por algum tempo, certamente cairá por fim, e todos os que a ela aderirem perecerão com ela.
Os doutores judeus, comparando isso com o v. 19, concluem que a ressurreição dos mortos pertence apenas aos judeus e que os de outras nações não ressuscitarão. Mas sabemos mais do que isso: todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho de Deus. Esta passagem fala da destruição final dos inimigos de Cristo, que é a segunda morte.
- A surpreendente ressurreição de seus amigos, v. 19. Embora a igreja não se alegre com o nascimento do filho varão pelo qual sofreu dores de parto, mas tenha como que dado à luz o vento (v. 18), ainda assim a decepção será compensada de modo equivalente: “Os teus mortos viverão.”
Aqueles que eram considerados mortos, que haviam recebido em si a sentença de morte e foram lançados fora como se estivessem naturalmente mortos, reaparecerão com o antigo vigor. Um espírito de vida vindo de Deus entrará nas testemunhas mortas, e elas voltarão a profetizar, Apocalipse 11:11. Os ossos secos viverão e se tornarão um exército extraordinariamente grande, Ezequiel 37:10.
“Juntamente com o meu cadáver eles ressuscitarão.” Se cremos na ressurreição dos mortos, de nossos corpos mortos no último dia, como creram Jó e o profeta aqui, isso nos ajudará a crer na restauração prometida do esplendor e da força da igreja neste mundo.
Quando chegar o tempo de Deus, por mais baixo que a igreja tenha caído, eles se levantarão. Até Jerusalém, a cidade de Deus, agora estendida como um cadáver ao qual se ajuntam as águias, ressuscitará. Deus ainda a reconhece como sua, e o profeta também. Ela se erguerá, será reconstruída e florescerá outra vez.
Portanto, que os pobres, desolados e melancólicos remanescentes de seus habitantes, que moram como se estivessem no pó, despertem e cantem. Voltarão a ver Jerusalém, a cidade de suas solenidades, como habitação tranquila, Isaías 33:20.
O orvalho do favor de Deus será para ela como o orvalho da tarde para as plantas ressequidas pelo calor do sol durante todo o dia: dará a elas nova vida e frescor. E, assim como o orvalho da primavera rega a terra e faz as plantas nela enterradas brotarem e formarem botões, assim voltarão a florescer, e a terra lançará fora os mortos, como faz brotar das raízes as plantas.
A terra, na qual pareciam perdidos, contribuirá para seu renascimento. Quando a igreja e seus interesses estiverem para ser restaurados, nem o orvalho do céu nem a gordura da terra deixarão de contribuir para essa restauração.
Isso, como a visão de Ezequiel, que a comenta, pode ser aplicado apropriadamente:
(1.) À ressurreição espiritual daqueles que estavam mortos em pecado, pelo poder do evangelho e da graça de Cristo. Assim o aplica o dr. Lightfoot, Hor. Hebr. em João 12:24: “Os gentios viverão; juntamente com meu corpo ressuscitarão”. “Isto é, serão chamados depois da ressurreição de Cristo, ressuscitarão com ele e se assentarão com ele nos lugares celestiais.”
“Ou melhor, ressuscitarão como meu corpo”, diz ele. “Tornar-se-ão o corpo místico de Cristo e ressuscitarão como parte dele.”
(2.) À ressurreição final, quando os santos mortos viverão e ressuscitarão juntamente com o corpo morto de Cristo. Pois ele ressuscitou como as primícias, e os crentes ressuscitarão em virtude de sua união com ele e de sua participação em sua ressurreição.
Versículos 20 a 21
O Refúgio Seguro. (a.C. 718.)
Supõe-se que esses dois versículos não pertençam ao cântico que ocupa o restante do capítulo. Antes, iniciariam um novo assunto e serviriam mais como introdução ao capítulo seguinte do que como conclusão deste. Ou, ao passo que no cântico anterior o povo de Deus lhe falou, queixando-se de seus agravos, aqui ele responde às queixas. Nessa resposta:
I. Ele os convida a entrar em seus aposentos (v. 20): “Vem, meu povo”, venha a mim, venha comigo. Ele não os chama a lugar algum aonde não os acompanhará. Que a tempestade que dispersa outros aproxime vocês uns dos outros. Venha e entre em seus aposentos; não fique do lado de fora, para não ser apanhado pela tempestade, como os egípcios pelo granizo, Êxodo 9:21.
Venham para aposentos de distinção. Venham para seus próprios quartos e não permaneçam mais misturados aos filhos de Babilônia. “Saiam do meio deles e separem-se”, 2 Coríntios 6:17; Apocalipse 18:4. Se Deus separou para si os piedosos, eles também devem separar-se.
Para aposentos de defesa, nos quais, pelo segredo ou pela força deles, vocês possam estar seguros nos piores tempos. Os atributos de Deus são o esconderijo de seu tabernáculo, Salmos 27:5. Seu nome é torre forte à qual podemos correr para nos abrigar, Provérbios 18:10.
Pela fé, devemos encontrar entrada nesses aposentos e ali nos esconder. Isto é, com santa confiança e serenidade de espírito, devemos pôr-nos sob a proteção divina. Venha como Noé para a arca, pois Deus fechou as portas ao redor dele. Quando os perigos ameaçam, é bom recolher-se e ficar escondido, como Elias junto ao ribeiro de Querite.
- Para aposentos de devoção. “Entra no teu quarto e fecha a tua porta”, Mateus 6:6. Fique a sós com Deus: entre em seu aposento para examinar a si mesmo, ter comunhão com seu próprio coração, orar e humilhar-se diante de Deus. Essa obra deve ser feita em tempos de angústia e perigo.
Assim nos escondemos, isto é, confiamos a Deus a tarefa de nos esconder, e ele nos esconderá ou debaixo do céu ou no céu. Israel deve permanecer dentro de casa enquanto o anjo destruidor abate os primogênitos do Egito; de outro modo, o sangue nas ombreiras das portas não os protegerá. Raabe e sua família também devem fazer isso enquanto é destruída a cidade de Jericó.
Os mais seguros são os menos vistos. Qui bene latuit, bene vixit: viveu bem quem buscou um grau apropriado de recolhimento.
II. Ele lhes assegura que a tribulação acabará em pouquíssimo tempo e que não permanecerão muito tempo sob medo ou perigo: “Esconde-te por um momento”, a menor parcela de tempo que podemos conceber, como um átomo de matéria.
Ou melhor: se você conseguir imaginar um momento mais curto que outro, é apenas por um pequeno momento, e isso ainda com um quasi: “como que por um pequeno momento”, menos do que imaginam. Quando passar, parecerá como nada para vocês; ficarão admirados com a rapidez com que passou.
Não precisarão ficar muito tempo confinados nem escondidos. A indignação imediatamente terá passado, ou seja, a indignação dos inimigos contra vocês, seu poder perseguidor e sua fúria, que os obrigam a se esconder. Quando os ímpios se levantam, o homem se esconde.
Isso logo passará. Deus os eliminará, quebrará seu poder, frustrará seus propósitos e encontrará um caminho para sua soltura. Quando Atanásio foi banido de Alexandria por um edito de Juliano, e seus amigos o lamentaram muito, ele lhes disse que tivessem bom ânimo.
Nubecula est quæ cito pertransibit: é uma pequena nuvem, que logo passará. “Terás tribulação por dez dias”; é só isso, Apocalipse 2:10. Saber que duram apenas um momento permite ao povo sofredor de Deus chamar leves suas aflições.
III. Ele lhes assegura que seus inimigos prestarão contas por todo o dano que lhes fizeram com a espada, seja na guerra, seja na perseguição, v. 21. O Senhor os punirá pelo sangue que derramaram. Aqui está:
- O tribunal estabelecido e o processo instaurado: o Senhor sai de seu lugar para punir os habitantes da terra por sua iniquidade, por causarem tamanha perturbação a todos à sua volta. Há muita iniquidade entre os habitantes da terra. Mas, mesmo que todos se unam nela, mesmo que deem as mãos para levá-la adiante, ela não ficará impune.
Além da punição eterna que os ímpios sofrerão depois, há frequentemente neste mundo punições notáveis pela crueldade, pela opressão e pela perseguição. Quando passar a indignação dos homens e tiverem feito o pior que podiam, esperem então a indignação de Deus, pois ele vê que seu dia se aproxima, Salmos 37:13.
Deus sai de seu lugar para punir. Manifesta-se de modo extraordinário desde o céu, o firmamento de seu poder, desde o santuário, a morada de sua graça. Ergue-se de sua santa habitação, onde antes parecia ocultar-se, e agora fará algo grandioso, fruto de seus conselhos sábios, justos e secretos, como um príncipe que sai para ocupar o trono ou entrar em campanha, Zacarias 2:13.
Alguns observam que o lugar de Deus é o propiciatório. É ali que ele se compraz em estar. Ao punir, sai de seu lugar, pois não tem prazer na morte dos pecadores.
- Os criminosos declarados culpados pela evidência manifesta dos fatos: “a terra revelará seu sangue”. O sangue inocente, o sangue dos santos e mártires, derramado sobre a terra como água, absorvido, ocultado e coberto por ela, virá à luz e será objeto de prestação de contas. Deus o investigará e dará sangue para beber aos que o derramaram, pois são dignos disso.
Assassinatos secretos e outras maldades ocultas serão descobertos, cedo ou tarde. A terra já não cobrirá os mortos que há muito tempo encobria; eles serão apresentados como prova contra os assassinos. A voz do sangue de Abel clama da terra, Gênesis 4:10, 11; Jó 20:27.
Os pecados que pareciam sepultados no esquecimento serão lembrados e chamados outra vez à memória quando chegar o dia de acertar contas. Portanto, que o povo de Deus espere com paciência mais um pouco, pois eis que “o Juiz está diante da porta”.