Isaías 14
Argumento
Neste capítulo, I. Acrescenta-se mais peso à sentença contra a Babilônia, o suficiente para afundá-la como uma pedra de moinho:
- É a causa de Israel que será defendida nesta desavença com a Babilônia (vv. 1-3). 2. O rei da Babilônia de então será derrubado de modo notável e objeto de triunfo (vv. 4-20). 3. Toda a raça dos babilônios será eliminada e extirpada (vv. 21-23).
II. A confirmação da profecia da destruição da Babilônia, ainda distante, é dada aqui pela profecia da destruição do exército assírio que invadiu a terra, ocorrida pouco depois (vv. 24-27).
III. Predizem-se aqui o êxito de Ezequias contra os filisteus e as vantagens que seu povo obteria com isso (vv. 28-32).
Versículos 1 a 3
Promessas a Israel. (a.C. 739.)
Esta passagem aparece aqui como motivo pelo qual a Babilônia deve ser derrotada e arruinada: Deus tem misericórdia reservada para seu povo. Portanto:
Deve-se pedir contas das injúrias que lhes foram feitas e vingá-las em seus perseguidores. A misericórdia para Jacó será cólera e ruína para os adversários impenitentes e implacáveis de Jacó, como era a Babilônia.
O jugo de opressão que a Babilônia por muito tempo pôs sobre o pescoço deles deve ser quebrado, e eles devem ser libertados. Para isso, a destruição da Babilônia é tão necessária quanto a destruição do Egito e do faraó foi para sua libertação daquela casa de servidão.
A mesma predição é promessa para o povo de Deus e ameaça para seus inimigos, assim como a mesma providência tem um lado luminoso voltado para Israel e um lado negro ou sombrio voltado para os egípcios. Observe:
I. O fundamento desses favores a Jacó e Israel: a bondade de Deus para com eles e a escolha que fez deles (v. 1): “O Senhor terá misericórdia de Jacó, da descendência de Jacó agora cativa na Babilônia; mostrará que tem compaixão deles e misericórdia reservada para eles, e que não contenderá para sempre com eles.”
“Ainda os escolherá, ainda voltará a eles; embora por algum tempo parecesse recusá-los e rejeitá-los, mostrará que são seu povo escolhido e que a eleição permanece firme.” Por mais que nos pareça o contrário, a misericórdia de Deus não se acabou nem sua promessa falha (Salmos 77:8).
II. Os favores específicos que lhes destinou:
Ele os traria de volta à sua terra e ao seu ar natal: O Senhor os estabelecerá em sua própria terra, da qual haviam sido expulsos. A estabilidade na terra santa, a terra da promessa, é fruto da misericórdia de Deus, de sua misericórdia distintiva.
Muitos seriam convertidos à sua santa religião e voltariam com eles, levados a isso pelos sinais manifestos da presença favorável de Deus junto deles, pelas operações da graça de Deus neles e por sua providência em favor deles: “Estrangeiros se unirão a eles”, dizendo: “Iremos com vocês, pois ouvimos que Deus está com vocês” (Zacarias 8:23).
Muito se acrescenta à honra e à força de Israel quando estrangeiros se unem a ele e muitos de fora são acrescentados à igreja (Atos 2:47). Que os filhos da igreja não se mostrem arredios aos estrangeiros, mas recebam os que Deus recebe e reconheçam os que se apegam à casa de Jacó.
- Esses convertidos não apenas trariam crédito à causa deles, mas lhes seriam muito úteis e prestativos na volta para casa: Os povos entre os quais vivem os tomarão, cuidarão deles, terão compaixão deles e os levarão ao seu lugar, como amigos relutantes em se separar de companhia tão boa e como servos dispostos a lhes prestar todos os bons serviços que pudessem.
O povo de Deus, onde quer que seja colocado, deve procurar, por todas as manifestações de uma conduta exemplar e cativante, conquistar o afeto dos que estão ao redor e recomendar a religião à boa opinião deles.
Isso se cumpriu na volta dos cativos da Babilônia, quando todos os que estavam ao redor, conforme a proclamação de Ciro, contribuíram para sua partida (Esdras 1:4, 6), não como os egípcios, porque estivessem cansados deles, mas porque os amavam.
- Depois de voltarem, eles se beneficiariam do serviço desses convertidos, pois muitos, por escolha própria, iriam com eles mesmo na condição mais humilde, antes que deixar de acompanhá-los: Na terra do Senhor os possuirão como servos e servas.
As leis dessa terra a livravam de ser um purgatório para os servos, pois determinavam que não fossem oprimidos; e as vantagens dessa terra a tornavam um paraíso para aqueles servos que antes eram estranhos às alianças da promessa, pois havia uma só lei para o estrangeiro e para os nascidos na terra.
Os que vivem na terra do Senhor, terra de luz, devem cuidar para que seus servos e servas também participem de seus benefícios. Estes então descobrirão que é melhor ser possuído na terra do Senhor do que ser proprietário em qualquer outra.
- Triunfariam sobre seus inimigos, e aqueles que não quisessem se reconciliar com eles seriam subjugados e humilhados por eles: Tomarão cativos aqueles de quem eram cativos e dominarão sobre seus opressores, com justiça, mas sem espírito de vingança.
Talvez os judeus tenham comprado prisioneiros babilônios das mãos dos medos e persas e feito deles escravos. Ou talvez isso tenha se cumprido em suas vitórias sobre os inimigos na época dos macabeus.
Isso se aplica ao êxito do evangelho, quando lhe foram submetidos aqueles que mais se haviam oposto a ele, como Paulo; e à participação dos crentes nas vitórias de Cristo sobre seus inimigos espirituais, quando levou cativo o cativeiro.
Aplica-se também ao poder que obtêm sobre suas próprias corrupções e ao domínio que os retos terão pela manhã (Salmos 49:14).
- Veriam um fim feliz para todas as suas aflições (v. 3): “O Senhor dará a você descanso de sua dor e de seu medo, e de sua dura servidão.” O próprio Deus se encarrega de realizar uma mudança abençoada:
(1.) Em sua condição. Terão descanso de sua servidão; os dias de sua aflição, embora muitos, terão fim, e a vara dos ímpios, ainda que repouse por muito tempo, não repousará para sempre sobre sua sorte.
(2.) Em seu espírito. Terão descanso de sua dor e de seu medo, da percepção de seus fardos presentes e do temor de males piores. Às vezes o medo deixa a alma tão agitada quanto a dor, e aqueles a quem Deus dá descanso de ambos certamente se sentirão muito tranquilos.
Aqueles que são libertos da servidão ao pecado recebem o fundamento de um verdadeiro descanso da dor e do medo.
Versículos 4 a 23
A Condenação do Rei da Babilônia. (a.C. 739.)
Os sucessivos reis da Babilônia foram os grandes inimigos e opressores do povo de Deus. Por isso a destruição da Babilônia, a queda de seu rei e a ruína de sua família são aqui mencionadas em particular e celebradas como triunfo.
No dia em que Deus der descanso a Israel, eles entoarão esta parábola contra o rei da Babilônia. Não devemos nos alegrar quando cai nosso inimigo pessoal; mas, quando afunda a Babilônia, inimiga comum de Deus e de seu Israel, então “alegra-te sobre ela, ó céu, e vocês, santos apóstolos e profetas” (Apocalipse 18:20).
A monarquia babilônica parecia prestes a se tornar absoluta, universal e perpétua, e com essas pretensões rivalizava com o Todo-Poderoso. Portanto, com toda a justiça, não só é derrubada, mas também insultada depois de cair.
Não é apenas o último monarca, Belsazar, morto na noite em que a Babilônia foi tomada (Daniel 5:30), que é celebrado como vencido, mas toda a monarquia que nele afundou, com referência especial a Nabucodonosor, em quem ela alcançou o auge. Temos aqui:
I. A queda do rei da Babilônia é celebrada; prepara-se aqui uma composição primorosa e elegante, não para adornar seu esquife ou monumento, mas para expor sua memória e deixar nela uma marca permanente de infâmia.
Ela nos conta da vida e da morte desse monarca poderoso: como desceu abatido à cova, embora tivesse sido o terror dos poderosos na terra dos vivos (Ezequiel 32:27). Nesta parábola podemos observar:
- A altura prodigiosa da riqueza e do poder a que chegaram esse monarca e essa monarquia. A Babilônia era uma cidade de ouro (v. 4), expressão que no original é uma palavra caldeia e indica que ela costumava chamar a si mesma assim.
Tão abundante era sua riqueza e tão superior era às outras cidades quanto o ouro é aos demais metais. Ela tem sede de ouro, ou exige ouro, como alguns leem; pois como os homens acumulam riquezas para si, senão espremendo-as dos outros? A Nova Jerusalém é a única cidade de ouro na verdade (Apocalipse 21:18, 21).
O rei da Babilônia, com tanta riqueza em seus domínios e comando absoluto sobre ela, usou-a para governar as nações (v. 6), ditar-lhes leis, ler-lhes a condenação e, ao seu prazer, enfraquecer as nações (v. 12), de modo que não pudessem resistir a ele.
Levava a campo exércitos tão vastos e vitoriosos que, para qualquer direção que olhasse, fazia a terra tremer e abalava os reinos (v. 16). Todos os vizinhos o temiam e eram obrigados a se submeter a ele.
Um só homem não poderia fazer isso por sua força pessoal, mas o fazia pelo grande número de pessoas à sua disposição. Os grandes tiranos, fazendo uns executar sua vontade, fazem outros sofrer o que os tiranos quiserem.
Quão lamentável é a condição da humanidade, que assim parece conspirar contra si mesma e contra seus próprios direitos e liberdades, os quais não poderiam ser destruídos senão por suas próprias forças!
- O deplorável abuso de toda essa riqueza e poder, do qual o rei da Babilônia foi culpado em dois aspectos:
(1.) Grande opressão e crueldade. É conhecido pelo nome de opressor (v. 4); tem o cetro dos governantes (v. 5) e comanda todos os príncipes ao seu redor. Mas esse é o bordão dos ímpios, com o qual se apoia em sua impiedade e fere perversamente todos ao redor.
Feriu os povos não com justiça, para corrigi-los e reformá-los, mas com cólera (v. 6), para satisfazer seus próprios ressentimentos irritadiços, e com golpes contínuos. Perseguiu-os com suas forças e não lhes deu trégua, tempo para respirar nem cessação das armas.
Governava as nações, mas governava-as irado; tudo o que dizia e fazia era dominado pela paixão. Assim, aquele que governava todos ao redor não governava a si mesmo. Fez do mundo um deserto, como se tivesse orgulho de ser a praga de sua geração e uma maldição para a humanidade (v. 17).
Os grandes príncipes costumam gloriar-se de construir cidades, mas ele se gloriava de destruí-las (veja Salmos 9:6). São dados aqui dois exemplos específicos de sua tirania, piores que todos os demais:
[1.] Era severo com seus cativos (v. 17): “Não abriu a casa de seus prisioneiros”; não os soltou para voltarem para casa, como diz a leitura à margem. Mantinha-os em confinamento rigoroso e nunca permitia que alguém voltasse à sua própria terra.
Isso se refere especialmente ao povo judeu. O que completa a medida da iniquidade do rei da Babilônia é ter mantido o povo de Deus no cativeiro e se recusado de todo a libertá-lo.
Ou melhor, ao profanar os utensílios do templo de Deus em Jerusalém, na prática dizia que nunca voltariam ao uso anterior (Daniel 5:3). Por isso foi pronta e justamente deposto por alguém cujo primeiro ato foi abrir a casa dos prisioneiros de Deus e mandar de volta os utensílios do templo.
[2.] Oprimia seus próprios súditos (v. 20): “Destruíste tua terra e abateste teu povo”. Que ganhou com isso, se a riqueza da terra e a multidão do povo são a força e a honra do príncipe, que nunca governa com tanta segurança e glória quanto no coração e no afeto do povo?
Mas os tiranos sacrificam seus interesses a seus desejos e paixões. Deus lhes pedirá contas pelo tratamento bárbaro que dão aos que estão sob seu poder, dos quais pensam poder fazer o que quiserem.
(2.) Grande orgulho e altivez. Repara-se aqui em sua pompa e na extravagância de seu séquito (v. 11). Fazia questão de aparecer com a máxima magnificência. Mas isso não era o pior: a disposição e a exaltação de sua mente o amadureceram para a ruína (v. 13, 14): “Disseste em teu coração”, como Lúcifer: “Subirei ao céu”.
Essa é a linguagem de sua vanglória, talvez tomada da dos anjos que caíram. Insatisfeitos com sua primeira condição e com o lugar que lhes fora designado, quiseram rivalizar com Deus e tornar-se não apenas independentes dele, mas iguais a ele.
Ou talvez se refira à história de Nabucodonosor, que, querendo ser mais que homem, foi justamente transformado em animal bruto (Daniel 4:30). O rei da Babilônia aqui promete a si mesmo:
[1.] Que superará todos os vizinhos em pompa e poder e chegará ao auge da glória e da felicidade terrenas, que será tão grande e feliz quanto este mundo pode torná-lo. Esse é o céu de um coração carnal, e a ele espera subir, para ficar tão acima dos que o cercam quanto o céu está acima da terra.
Os príncipes são as estrelas de Deus, que lançam alguma luz sobre este mundo escuro (Mateus 24:29); ele, porém, exaltará seu trono acima de todos eles.
[2.] Que insultará especialmente o monte Sião de Deus. Belsazar, em sua última orgia de embriaguez, parece ter nutrido particular rancor contra esse monte quando mandou buscar os utensílios do templo de Jerusalém para profaná-los (veja Daniel 5:2).
Com a mesma disposição, ele disse: “Assentar-me-ei no monte da congregação”, palavra que também é usada para as santas convocações, “nos lados do norte”; assim se descreve a localização do monte Sião (Salmos 48:2). Talvez Belsazar planejasse uma expedição contra Jerusalém para triunfar em suas ruínas quando Deus o eliminou.
[3.] Que rivalizará com o Deus de Israel, de quem de fato ouvira coisas gloriosas: que sua morada ficava acima das alturas das nuvens. “Mas até lá”, diz ele, “subirei e serei tão grande quanto ele; serei semelhante àquele a quem chamam Altíssimo.”
É uma ambição piedosa desejar ser semelhante ao Santíssimo, pois ele disse: “Sejam santos, porque eu sou santo”. Mas é uma ambição pecaminosa querer ser semelhante ao Altíssimo, pois ele disse: “Quem se exalta será humilhado”; e o diabo levou nossos primeiros pais a comer o fruto proibido prometendo-lhes que seriam como deuses.
[4.] Que ele próprio será divinizado depois da morte, como alguns dos primeiros fundadores da monarquia assíria, que até deram seus nomes a estrelas. “Mas”, diz ele, “exaltarei meu trono acima de todos eles.” Tal era seu orgulho, presságio indubitável de sua destruição.
- A ruína completa que lhe sobreviria. Prediz-se:
(1.) Que sua riqueza e seu poder seriam quebrados, e que sua pompa e seus prazeres chegariam ao fim. Por muito tempo foi opressor, mas deixará de sê-lo (v. 4). Se tivesse cessado por verdadeiro arrependimento e reforma, conforme o conselho que Daniel deu a Nabucodonosor, talvez sua vida e tranquilidade tivessem sido prolongadas.
Deus fará cessar os que não quiserem deixar de pecar. “A cidade de ouro, que alguém poderia imaginar que duraria para sempre, deixou de existir; chegou o fim daquela Babilônia. O Senhor, o Deus justo, quebrou o bordão daquele príncipe ímpio sobre sua cabeça, sinal de que o destituiu do cargo.”
“Deus lhe tirou o poder e o tornou incapaz de causar mais dano: quebrou os cetros, pois até eles são coisas frágeis, que logo se quebram, muitas vezes com justiça.”
(2.) Que ele próprio seria agarrado: “É perseguido” (v. 6); mãos violentas são postas sobre ele, e ninguém impede. É o destino comum dos tiranos, quando caem em poder dos inimigos, serem abandonados pelos aduladores que consideravam amigos.
Lemos sobre outro inimigo semelhante, do qual se prediz que chegará ao fim e ninguém o ajudará (Daniel 11:45). Assim Tibério e Nero viram-se abandonados.
(3.) Que seria abatido e desceria à congregação dos mortos, livre entre eles, como os mortos dos quais não há mais lembrança (Salmos 88:5). Será fraco como os mortos e semelhante a eles (v. 10).
Sua pompa é levada à sepultura (v. 11), isto é, perece com ele; a pompa de sua vida não terminará, como de costume, na pompa de um funeral. A verdadeira glória, isto é, a verdadeira graça, sobe com a alma ao céu, mas a pompa vã desce com o corpo à sepultura: chega a seu fim.
O som de suas violas já não é ouvido. A morte é adeus aos prazeres deste mundo, assim como à sua pompa. Esse príncipe poderoso, acostumado a deitar-se num leito de plumas, pisar tapetes ricos e ter cobertas e dosséis primorosamente acabados, agora terá vermes estendidos debaixo de si e vermes a cobri-lo.
Esses vermes nascem de seu próprio corpo em decomposição, o qual, embora o rei se imaginasse um deus, provou que ele era feito da mesma matéria que os outros homens. Quando mimamos e enfeitamos nosso corpo, é bom lembrar que em breve ele servirá de alimento aos vermes.
(4.) Que não teria a honra de um sepultamento, muito menos de um sepultamento decoroso nos túmulos de seus antepassados. “Os reis das nações jazem em glória” (v. 18): ou seus corpos são embalsamados de modo a serem preservados da decomposição, como antigamente entre os egípcios, ou suas efígies são erguidas sobre as sepulturas, como entre nós.
Assim, como se desafiassem a ignomínia da morte, jazem numa espécie de glória fraca e pobre, cada um em sua própria casa, isto é, no seu próprio lugar de sepultamento, pois a sepultura é a casa destinada a todos os viventes.
É uma casa de sono, onde os ocupados e inquietos repousarão em silêncio e os atribulados e cansados descansarão. Mas esse rei da Babilônia é lançado fora e não tem sepultura (v. 19); seu cadáver é jogado, como o de um animal, na vala mais próxima ou no monturo mais próximo.
É como um renovo abominável de planta nociva e venenosa, em que ninguém tocará, ou como as vestes de criminosos condenados à morte e traspassados pela espada da justiça, cujos cadáveres são cobertos por montes de pedras ou lançados numa pedreira profunda entre as pedras da cova.
Ou melhor, o cadáver do rei da Babilônia será como os corpos dos abatidos numa batalha, pisoteados e despedaçados pelos cavalos e soldados. Desse modo não será unido a seus antepassados no sepultamento (v. 20).
Ser privado de um sepultamento decoroso é uma desonra que, se infligida por causa da justiça, como em Salmos 79:2, pode, assim como outros descréditos semelhantes, ser motivo de alegria (Mateus 5:12); é o destino das duas testemunhas (Apocalipse 11:9).
Mas, se for o justo castigo da iniquidade, como aqui, indica que o mal persegue os pecadores impenitentes além da morte, um mal ainda maior que esse, e que ressuscitarão para vergonha e desprezo eternos.
- Os muitos triunfos que acompanhariam sua queda:
(1.) Os que o tiveram como grande tirano e terror se alegrarão por se verem livres dele (v. 7, 8). Agora que se foi, toda a terra está em repouso e sossegada, pois ele era o grande perturbador da paz. Todos irrompem em cântico, porque, quando os ímpios perecem, há júbilo (Provérbios 11:10).
Os abetos e os cedros do Líbano agora se julgam seguros; não há mais perigo de serem cortados para abrir caminho a seus vastos exércitos ou para lhe fornecer madeira. Os príncipes e grandes homens vizinhos, comparados a abetos e cedros (Zacarias 11:2), podem agora descansar sem temer perder seus direitos.
O martelo de toda a terra foi cortado e quebrado (Jeremias 50:23), o machado que se gabava contra aquele que com ele cortava (Isaías 10:15).
(2.) A congregação dos mortos lhe dará as boas-vindas, especialmente os que ele barbaramente apressara a chegar ali (v. 9, 10): “O inferno desde baixo se move para te encontrar à tua chegada e te cumprimentar na entrada dessas regiões escuras e terríveis.”
Os poderosos da terra, que em vida ele mantinha intimidados e que não ousavam se aproximar dele, mas se erguiam dos tronos para cedê-los a ele, o repreenderão por isso quando ele chegar à condição dos mortos.
Sairão a encontrá-lo, como costumavam fazer quando ele entrava publicamente nas cidades de que se tornara senhor. Com tal desfile será introduzido nessas regiões de horror, para tornar sua desonra e seu tormento ainda mais dolorosos.
Levantarão zombeteiramente de seus tronos e assentos ali e lhe perguntarão se gostaria de se sentar neles, como costumava fazer com seus tronos na terra. Farão da confusão que então o cobrirá objeto de escárnio:
“Você também se tornou fraco como nós? Quem imaginaria isso? Era algo que você próprio não esperava que acontecesse quando, em tudo, era forte demais para nós. Você, que se incluía entre os deuses imortais, veio compartilhar o destino de nós, pobres mortais?”
“Onde estão agora sua pompa e sua alegria? Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da manhã! (v. 11, 12).” O rei da Babilônia brilhava como a estrela da manhã e imaginava trazer o dia consigo aonde quer que fosse.
“E um príncipe tão ilustre caiu, uma estrela assim se tornou um torrão de barro? Já houve homem que caísse de tamanha altura de honra e poder num abismo tão profundo de vergonha e miséria?”
Isso costuma ser usado como alusão, e é apenas uma alusão, para ilustrar a queda dos anjos, que eram como estrelas da manhã (Jó 38:7), mas como caíram! Como você foi derrubado ao chão e nivelado com ele, você que enfraquecia as nações!
Deus pedirá contas dos que invadem os direitos da humanidade e perturbam sua paz, pois ele é Rei das nações assim como dos santos. Essa recepção do rei da Babilônia nas regiões dos mortos, aqui descrita, certamente é mais que mero voo da fantasia e se destina a ensinar estas verdades sólidas:
[1.] Existe um mundo invisível, um mundo de espíritos, para o qual as almas dos homens vão na morte e no qual existem e agem separadas do corpo.
[2.] As almas separadas conhecem umas às outras e têm comunhão entre si, embora nós não tenhamos comunhão com elas; a parábola do rico e Lázaro indica isso.
[3.] A morte e o inferno serão de fato morte e inferno para os que caem sem santificação do alto da pompa deste mundo e da plenitude de seus prazeres. “Filho, lembra-te” (Lucas 16:25).
(3.) Os espectadores ficarão espantados com sua queda. Quando for levado ao inferno, aos lados da cova, e ali posto, os que o virem olharão atentamente para ele e o considerarão (v. 15, 16); mal poderão acreditar em seus próprios olhos.
“Nunca a morte transformou tanto um homem quanto o transforma. Será possível que um homem que poucas horas atrás parecia tão grande, tão agradável, tão esplendidamente adornado e acompanhado, agora pareça tão horrendo e desprezível e jaza nu e abandonado?”
“É este o homem que fazia a terra tremer e abalava os reinos? Quem poderia imaginar que ele chegaria a tal estado?” (Salmos 82:7).
- Eis a conclusão tirada de tudo isso (v. 20): “A descendência dos malfeitores nunca será renomada”. Todos os príncipes da monarquia babilônica eram descendência de malfeitores, opressores do povo de Deus; por isso receberam essa infâmia como herança.
Não serão renomados para sempre, como alguns leem; podem parecer grandes por algum tempo, mas toda a sua pompa só tornará sua desonra final ainda mais vergonhosa. Não há honra no caminho do pecado.
II. Prediz-se aqui a ruína completa da família real, juntamente com a desolação da cidade real:
- A família real será inteiramente extirpada. Os medos e persas, empregados nessa obra destruidora, recebem ordem de, depois de abaterem Belsazar, preparar a matança de seus filhos (v. 21) e não poupá-los.
Os pequeninos da Babilônia devem ser despedaçados contra as pedras (Salmos 137:9). Essas ordens soam muito duras, mas:
(1.) Devem sofrer pela iniquidade dos pais, que muitas vezes é visitada nos filhos, para mostrar quanto Deus odeia o pecado e se desagrada dele e para dissuadir dele os pecadores, que é a finalidade do castigo.
Nabucodonosor havia abatido os filhos de Zedequias (Jeremias 52:10); por essa sua iniquidade, sua descendência recebe o mesmo pagamento.
(2.) Devem ser eliminados agora para que não se levantem, tomem posse da terra e causem em seu tempo tanto dano quanto os pais causaram no deles. Não devem ser tão incômodos ao mundo construindo cidades para sustentar sua tirania, política de Nimrode (Gênesis 10:10, 11), quanto os antepassados foram destruindo cidades.
O faraó oprimiu Israel no Egito obrigando-os a construir cidades (Êxodo 1:11). A providência de Deus olha pelo bem-estar das nações mais do que percebemos, ao eliminar alguns que, se tivessem vivido, teriam causado dano.
Com justiça os inimigos podem eliminar os filhos: “Pois eu me levantarei contra eles, diz o Senhor dos exércitos” (v. 22). Se Deus revela ser sua vontade que isso se faça, ninguém pode impedi-lo nem precisa hesitar em promovê-lo.
Talvez a Babilônia se orgulhasse da quantidade de membros de sua família real, mas Deus determinara eliminar seu nome e seu remanescente, sem deixar ninguém, matando tanto os filhos quanto os netos do rei. Ainda assim, temos certeza de que ele nunca fez nem jamais fará injustiça a qualquer criatura sua.
- A cidade real será demolida e abandonada (v. 23). Tornar-se-á morada de aves solitárias e assustadoras, especialmente do abetouro, junto ao corvo-marinho e à coruja (Isaías 34:11).
Assim se ilustra a destruição completa da Babilônia do Novo Testamento (Apocalipse 18:2): “Tornou-se gaiola de toda ave impura e detestável”. A Babilônia ficava em terreno baixo; quando foi abandonada e ninguém cuidou de drenar a região, logo se transformou em poças de água, charcos parados e fétidos, tão insalubres quanto desagradáveis.
Desse modo Deus a varrerá com a vassoura da destruição. Quando um povo só tem entre si sujeira e imundícia e não aceita ser limpo pela vassoura da reforma, o que pode esperar senão ser varrido da face da terra pela vassoura da destruição?
A Condenação dos Assírios; A Condenação dos Filisteus. (a.C. 726.)
Versículos 24 a 32
A destruição da Babilônia e do império caldeu ainda estava muito distante; o império não havia alcançado grande altura quando aqui se predisse sua queda. Passariam quase duzentos anos entre essa predição e seu cumprimento.
O povo a quem Isaías profetizava poderia perguntar: “Que temos nós com isso? Que benefício obteremos? E que certeza podemos ter de que acontecerá?” Ele responde a ambas as perguntas nestes versículos, predizendo a ruína dos assírios e dos filisteus, os inimigos que então os atormentavam.
Em pouco tempo eles seriam testemunhas oculares desses acontecimentos e se beneficiariam deles. Isso lhes traria consolo presente e serviria de penhor da libertação futura, para confirmar a fé de seus descendentes.
Deus é para seu povo hoje o mesmo que foi ontem e será no futuro; para sempre será o mesmo que foi e é. Temos aqui:
I. A garantia da destruição dos assírios (v. 25): “Quebrarei o assírio em minha terra”. Senaqueribe trouxe um exército muito temível à terra de Judá, mas ali Deus o quebrou, quebrou todos os regimentos de Senaqueribe pela espada de um anjo exterminador.
Repare: os que invadem injustamente a terra de Deus descobrirão que o fazem por sua conta e risco; e os que pisam com pés profanos seus montes santos serão ali pisoteados. O próprio Deus assume essa tarefa, pois seu povo não tinha força para enfrentar a grande multidão que vinha contra ele:
“Eu quebrarei o assírio; deixem isso comigo, que tenho anjos, exércitos de anjos, sob meu comando.” A quebra do poder assírio quebraria o jugo imposto ao povo de Deus: “O fardo dele sairá dos ombros deles”, o fardo de alojar aquele vasto exército e pagar tributo.
Portanto, o assírio deve ser quebrado para aliviar Judá e Jerusalém. Os que fazem de si um jugo e um fardo para o povo de Deus vejam o que devem esperar. Pois bem:
- Essa profecia é ratificada e confirmada aqui por um juramento (v. 24): “O Senhor dos exércitos jurou”, para mostrar a imutabilidade de seu conselho e dar a seu povo forte consolo (Hebreus 6:17, 18).
O que aqui se diz dessa intenção particular vale para todos os propósitos de Deus: “Como pensei, assim acontecerá”; pois ele tem uma só mente, e quem poderá fazê-lo mudar? Nunca precisa formular novos conselhos ou tomar outras medidas, como muitas vezes os homens precisam quando surgem coisas que não previram.
Os chamados segundo o propósito de Deus devem se consolar com isto: assim como Deus propôs, assim permanecerá; disso depende a estabilidade deles.
- A quebra do poder assírio serve de exemplo do que Deus faria com todos os poderes das nações levantados contra ele e sua igreja (v. 26): “Este é o propósito proposto sobre toda a terra”, todo o mundo, como traduz a Septuaginta, ou todos os habitantes da terra, como diz a paráfrase caldeia.
Isso se aplica não apenas ao império assírio, então considerado, de certo modo, como o mundo inteiro, assim como depois o império romano (Lucas 2:1), e com cuja queda caíram muitas nações dependentes dele, mas a todos os estados e poderosos que em qualquer tempo atacassem a terra e os montes de Deus.
O destino dos assírios será o deles: logo descobrirão que se intrometem para seu próprio prejuízo. Jerusalém, como foi para os assírios, será para todos os povos uma pedra pesada; todos os que a carregarem serão certamente despedaçados por ela (Zacarias 12:3, 6).
A mesma mão poderosa e justa que agora se estenderá contra o assírio por invadir o povo de Deus se estenderá sobre todas as nações que fizerem o mesmo. Continua sendo verdade, e sempre será: Maldito aquele que amaldiçoar o Israel de Deus (Números 24:9). Deus será inimigo dos inimigos de seu povo (Êxodo 23:22).
- Todos os poderes da terra são desafiados a mudar o conselho de Deus (v. 27): “O Senhor dos exércitos decidiu quebrar o jugo assírio e toda vara dos ímpios posta sobre a sorte dos justos; quem poderá anular esse propósito?”
“Quem poderá convencê-lo a revogá-lo ou encontrar um apelo para evitá-lo? Sua mão está estendida para executar esse propósito; quem tem poder suficiente para fazê-la recuar ou deter o curso de seus juízos?”
II. Dá-se também a garantia da destruição dos filisteus e de seu poder. Essa sentença, essa profecia que lhes pesava como um fardo capaz de afundar seu estado, veio no ano em que morreu o rei Acaz, o primeiro ano do reinado de Ezequias (v. 28).
Quando um rei bom tomou o lugar de um mau, essa mensagem bem-vinda lhes foi enviada. Quando nos reformamos, então, e só então, podemos esperar boas notícias do céu. Temos aqui:
- Uma repreensão aos filisteus por celebrarem a morte do rei Uzias. Ele fora como serpente para eles (v. 29): os havia mordido, ferido e abatido profundamente (2 Crônicas 26:6). Guerreou contra os filisteus, derrubou suas muralhas e construiu cidades em seu território.
Quando Uzias morreu, ou antes abdicou, a notícia foi dada com alegria em Gate e anunciada nas ruas de Asquelom. É desumano alegrar-se assim com a queda do próximo.
Contudo, não devem se sentir seguros. Embora, depois da morte de Uzias, tenham feito represálias contra Acaz e tomado muitas cidades de Judá (2 Crônicas 28:18), da raiz de Uzias sairia um basilisco, inimigo ainda mais temível que Uzias: Ezequias.
O fruto de seu governo seria para eles uma serpente ardente e voadora, pois ele os atacaria com velocidade e fúria incríveis; e de fato assim fez (2 Reis 18:8): feriu os filisteus até Gaza.
Repare: se Deus retira um instrumento útil enquanto ainda é útil, pode levantar outros, e levantará, para dar continuidade e concluir a mesma obra para a qual o primeiro fora empregado e que deixou inacabada.
- Uma profecia da destruição dos filisteus pela fome e pela guerra:
(1.) Pela fome (v. 30): “Quando o povo de Deus, que os filisteus devastaram, afligiram e empobreceram, voltar a desfrutar de abundância”, e os primogênitos de seus pobres se alimentarem, de modo que os mais pobres terão o alimento de que precisam, Deus matará a raiz dos filisteus com a fome.
Aquilo que lhes dava força e em que julgavam estar firmes, como a árvore se firma pela raiz, será privado de alimento e secará pouco a pouco, como os que morrem de fome. Desse modo ele abaterá o remanescente: os que escaparem de uma destruição ficarão reservados para outra. Quando restarem poucos, esses poucos acabarão eliminados, pois Deus porá fim a todos.
(2.) Pela guerra. Quando os necessitados do povo de Deus se deitarem em segurança, sem se assustar com os alarmes de guerra, mas se alegrando com os cânticos de paz, então cada porta e cada cidade dos filisteus pranteará e gritará (v. 31), e seu estado se desintegrará por completo.
Da Judeia, ao norte da terra dos filisteus, virá uma fumaça: um exército vasto levantando uma grande nuvem de poeira, fumaça que indicará a proximidade de um fogo devorador. Ninguém em todo esse exército ficará só em seus tempos designados.
Ninguém se desgarrará nem faltará quando for hora de combater; todos atacarão com vigor e união o inimigo comum quando chegar o tempo designado. Nenhum deles se esquivará do serviço público, como no tempo de Débora, quando Rúben ficou entre os apriscos e Aser na costa do mar (Juízes 5:16, 17). Quando Deus tem uma obra a realizar, dota e dispõe os homens para ela de modo admirável.
III. O bom uso que se deve fazer de todos esses acontecimentos para animar o povo de Deus (v. 32): “Que se responderá, então, aos mensageiros das nações?”
- Isso implica:
(1.) Que as grandes coisas que Deus faz por seu povo são percebidas, e não podem deixar de sê-lo, pelos vizinhos; os pagãos comentam sobre elas (Salmos 126:2).
(2.) Que mensageiros serão enviados para indagar sobre elas. Jacó e Israel há muito eram um povo distinto de todos os outros e honrado com favores incomuns; por isso, alguns por boa vontade, outros por má vontade, e todos por curiosidade, procuram saber a respeito deles.
(3.) Que nos cabe estar sempre prontos a dar a razão da esperança que temos na providência de Deus, assim como em sua graça, a quem nos perguntar, com mansidão e temor (1 Pedro 3:15).
Não precisamos ir além das verdades sagradas da palavra de Deus para encontrar essa razão, pois em tudo o que faz Deus cumpre a Escritura.
(4.) Que o resultado do trato de Deus com seu povo será tão clara e manifestamente glorioso que qualquer pessoa, toda pessoa, poderá dar um relato dele aos que perguntarem. Pois bem:
- A resposta que deve ser dada aos mensageiros das nações é:
(1.) Que Deus é e será amigo fiel de sua igreja e de seu povo, e garantirá e promoverá os interesses deles. Digam-lhes: “O Senhor fundou Sião”. Isso explica tanto a obra realizada quanto seu motivo.
O que Deus faz no mundo e qual é seu desígnio em todas as mudanças de estados e reinos, na ruína de algumas nações e na ascensão de outras? Em tudo isso ele funda Sião, busca promover os interesses de sua igreja; e realizará aquilo que pretende.
Quando os mensageiros das nações foram enviados para indagar sobre os êxitos de Ezequias contra os filisteus, esperavam saber com que política, conselhos e técnicas de guerra ele alcançara seu objetivo.
Receberam, porém, a resposta de que esses êxitos não se deviam a nada disso, mas ao zelo de Deus por sua igreja e ao interesse que ele tinha nela. O Senhor fundou Sião; por isso os filisteus devem cair.
(2.) Que sua igreja depende dele e continuará a depender: “Os pobres de seu povo confiarão nela”, seu povo pobre, recentemente muito abatido, até os mais pobres dentre eles. Eles confiarão mais que os outros, porque nada mais têm em que confiar (Sofonias 3:12, 13).
Os pobres recebem o evangelho (Mateus 11:5). Confiarão nisto, nesta grande verdade de que o Senhor fundou Sião; nela firmarão suas esperanças, e não num braço de carne.
Isso deve nos dar abundante satisfação quanto aos assuntos públicos: seja o que for que aconteça com pessoas, partidos e interesses particulares, a igreja não pode deixar de permanecer firme, pois tem o próprio Deus como fundador e Cristo, a rocha, como alicerce.
“Os pobres de seu povo se acolherão a ela”, como alguns leem; juntar-se-ão à sua igreja e abraçarão seus interesses. Concordarão com Deus em seus desígnios de estabelecer seu povo, organizarão tudo segundo o mesmo plano e sujeitarão a ele todos os seus pequenos interesses e projetos.
Os que tomam o povo de Deus por seu povo devem estar dispostos a compartilhar a sorte deles e lançar sua sorte entre eles. Que os mensageiros das nações saibam que os israelitas pobres que confiam em Deus têm, como Sião, seus alicerces nos montes santos (Salmos 87:1).
São como Sião, que não pode ser removida, mas permanece para sempre (Salmos 125:1); por isso não temerão o que o homem lhes possa fazer.