Hebreus 12
Argumento
Neste capítulo, o apóstolo aplica o que reuniu no capítulo anterior e usa isso como forte motivo para a paciência e a perseverança na fé e na condição cristãs. Insiste no argumento:
I. Pelo exemplo de alguém maior do que qualquer um dos que mencionara até então: o próprio Cristo, vv. 1-3.
II. Pela natureza branda e graciosa das aflições que suportavam em sua caminhada cristã, vv. 4-17.
III. Pela comunhão e conformidade entre a condição da igreja do evangelho na terra e a da igreja triunfante no céu, v. 18 até o fim.
Versículos 1 a 3
Cristo, o Grande Exemplo. (62 d.C.)
Observe aqui qual é o grande dever que o apóstolo recomenda aos hebreus e que tanto deseja que cumpram: deixar todo peso e o pecado que tão facilmente os cerca, e correr com paciência a carreira proposta. Esse dever tem duas partes, uma preparatória e outra de realização.
I. A parte preparatória: deixar todo peso e o pecado, entre outras coisas:
- Todo peso, isto é, toda afeição e preocupação desmedidas com o corpo, com a vida presente e com o mundo.
O cuidado excessivo com esta vida, ou o apego a ela, é um peso morto sobre a alma: puxa-a para baixo quando ela deveria subir e a retém quando deveria avançar. Isso torna o dever e as dificuldades mais árduos e pesados do que seriam.
- O pecado que tão facilmente nos cerca: aquele que tem a maior vantagem contra nós em razão das circunstâncias em que estamos, de nossa constituição e de nossas companhias.
Isso pode significar ou o pecado condenatório da incredulidade ou, antes, o pecado predileto dos judeus, o apego excessivo à sua própria dispensação. Deixemos de lado todos os impedimentos externos e internos.
II. A parte de realização: correr com paciência a carreira que nos está proposta. O apóstolo fala na linguagem dos jogos, tomada das competições olímpicas e de outros exercícios.
Os cristãos têm uma carreira a correr, uma carreira de serviço e uma carreira de sofrimentos, um percurso de obediência ativa e passiva.
Essa carreira lhes está proposta: foi traçada para eles tanto pela palavra de Deus quanto pelos exemplos de seus servos fiéis, aquela nuvem de testemunhas que os rodeia. Está definida por limites e orientações adequados; a meta para a qual correm e o prêmio pelo qual correm estão diante deles.
Essa carreira deve ser corrida com paciência e perseverança. Será necessária paciência para enfrentar as dificuldades do caminho e perseverança para resistir a toda tentação de desistir ou desviar-se. A fé e a paciência são as graças vencedoras; por isso, devem ser sempre cultivadas e exercidas com vigor.
Os cristãos têm, para animá-los e encorajá-los em sua caminhada, um exemplo maior do que qualquer um dos mencionados antes, ou mesmo todos eles juntos: o Senhor Jesus Cristo. “Olhando para Jesus, o autor e consumador da nossa fé”, v. 2. Observe aqui:
(1.) O que nosso Senhor Jesus é para seu povo: o autor e consumador de sua fé, seu princípio, aperfeiçoador e galardoador.
[1.] Ele é o autor da fé deles; não só seu objeto, mas também seu autor. É o grande guia e precedente da nossa fé: confiou em Deus; adquiriu para nós o Espírito da fé; proclamou a regra da fé; é a causa eficiente da graça da fé e, em todos os sentidos, o autor da nossa fé.
[2.] Ele é o consumador da nossa fé: cumpre e é o cumprimento de todas as promessas e profecias das Escrituras; completa o cânon das Escrituras; leva à consumação a graça e a obra da fé com poder na alma de seu povo.
É também o juiz e galardoador da fé deles: determina quem alcança a meta, e é dele e nele que recebem o prêmio.
(2.) As provações que Cristo encontrou em sua carreira e caminhada.
[1.] Suportou a contradição dos pecadores contra si mesmo (v. 3); suportou a oposição que lhe fizeram, tanto em palavras quanto em conduta. Contradiziam-no continuamente e se atravessavam em seus grandes propósitos.
E, embora pudesse facilmente refutá-los e confundi-los, e por vezes lhes mostrasse uma amostra de seu poder, suportou com grande paciência a má conduta deles. As contradições dirigiam-se ao próprio Cristo, à sua pessoa como Deus-homem, à sua autoridade e à sua pregação; ainda assim, suportou tudo.
[2.] Suportou a cruz, todos os sofrimentos que encontrou no mundo; pois tomou sua cruz desde cedo e, por fim, foi pregado nela. Suportou uma morte dolorosa, vergonhosa e maldita, na qual foi contado entre os transgressores, os mais vis malfeitores. Ainda assim, suportou tudo com paciência e resolução invencíveis.
[3.] Desprezou a vergonha. Desprezou todas as afrontas lançadas contra ele, tanto em vida quanto na morte; estava infinitamente acima delas. Conhecia sua própria inocência e excelência, e desprezava a ignorância e a maldade dos que o desprezavam.
(3.) O que sustentou a alma humana de Cristo sob esses sofrimentos sem paralelo: a alegria que lhe estava proposta. Em todos os seus sofrimentos, tinha diante de si algo que lhe dava satisfação.
Alegrava-se ao ver que, por seus sofrimentos, satisfaria a justiça ofendida de Deus e asseguraria a honra e o governo de Deus; que faria a paz entre Deus e o homem; que selaria a aliança da graça e seria seu Mediador; que abriria um caminho de salvação para os maiores pecadores.
Alegrava-se também ao ver que salvaria eficazmente todos os que o Pai lhe dera e que ele próprio seria o primogênito entre muitos irmãos. Essa era a alegria que lhe estava proposta.
(4.) A recompensa de seu sofrimento: assentou-se à direita do trono de Deus. Cristo, como Mediador, foi exaltado à posição da maior honra, poder e influência; está à direita do Pai. Nada passa entre o céu e a terra senão por ele; faz tudo o que se faz; vive sempre para interceder por seu povo.
(5.) Nosso dever com respeito a esse Jesus. Devemos:
[1.] Olhar para ele, isto é, tê-lo continuamente diante de nós como nosso exemplo e grande encorajamento; buscar nele direção, auxílio e aceitação em todos os nossos sofrimentos.
[2.] Considerá-lo, meditar muito nele e raciocinar a partir de sua situação para a nossa. Devemos fazer uma analogia, como diz a palavra: comparar os sofrimentos de Cristo com os nossos.
Veremos que, assim como os sofrimentos dele superaram muito os nossos em natureza e medida, sua paciência supera muito a nossa e é modelo perfeito para imitarmos.
(6.) A vantagem que teremos ao fazer isso: será um meio de impedir que nos cansemos e desfaleçamos (v. 3): para que vocês não se cansem nem desfaleçam em suas mentes. Observe:
[1.] Mesmo os melhores são propensos a cansar-se e desfalecer sob provações e aflições, sobretudo quando são pesadas e duradouras. Isso procede das imperfeições da graça e dos restos da corrupção.
[2.] A melhor maneira de impedir isso é olhar para Jesus e considerá-lo. A fé e a meditação trarão novas reservas de força, consolo e coragem; pois ele lhes assegurou que, se sofrerem com ele, também reinarão com ele. Essa esperança será seu capacete.
O Benefício das Aflições; O Uso das Aflições; Advertências contra a Apostasia. (62 d.C.)
Versículos 4 a 17
Aqui o apóstolo insiste na exortação à paciência e à perseverança por uma razão tirada da medida branda e da natureza graciosa dos sofrimentos que os hebreus crentes suportavam em sua caminhada cristã.
I. Pelo grau e medida brandos e moderados de seus sofrimentos: “Não tendes ainda resistido até o sangue, contendendo contra o pecado”, v. 4. Observe:
- Reconhece que tinham sofrido muito, vinham contendendo até a agonia contra o pecado. Aqui:
(1.) A causa do conflito era o pecado, e estar empenhado contra o pecado é combater por uma boa causa, pois o pecado é o pior inimigo tanto de Deus quanto das pessoas.
Nossa guerra espiritual é tanto honrosa quanto necessária; pois estamos apenas nos defendendo daquilo que nos destruiria se obtivesse a vitória sobre nós; combatemos em nosso favor, por nossas vidas e, por isso, devemos ser pacientes e resolutos.
(2.) Todo cristão está alistado sob a bandeira de Cristo para contender contra o pecado, contra doutrinas, práticas, hábitos e costumes pecaminosos, tanto em si mesmo quanto nos outros.
- Lembra-lhes que poderiam ter sofrido mais, que não tinham sofrido tanto quanto outros; pois ainda não tinham resistido até o sangue, ainda não tinham sido chamados ao martírio, embora não soubessem quão logo poderiam ser chamados. Aprenda aqui:
(1.) Nosso Senhor Jesus, o capitão de nossa salvação, não chama seu povo às provas mais árduas no início, mas sabiamente os treina por sofrimentos menores para estarem preparados para maiores. Não porá vinho novo em vasos fracos; é o pastor brando que não conduzirá com rigor os filhotes do rebanho.
(2.) Convém aos cristãos reparar na brandura de Cristo em acomodar sua prova à sua força. Não devem aumentar suas aflições, mas reparar na misericórdia misturada com elas e compadecer-se dos chamados às provas de fogo para resistir até o sangue; não derramar o sangue de seus inimigos, mas selar seu testemunho com seu próprio sangue.
(3.) Os cristãos devem envergonhar-se de desfalecer sob provas menores quando veem outros sustentarem-se sob maiores e não sabem quão logo eles mesmos podem encontrar maiores.
Se corremos com os homens a pé e eles nos cansaram, como contenderemos com cavalos? Se estamos cansados numa terra de paz, o que faremos nas enchentes do Jordão? Jeremias 12:5.
II. Argumenta pela natureza peculiar e graciosa dos sofrimentos que sobrevêm ao povo de Deus. Embora seus inimigos e perseguidores possam ser os instrumentos para infligir-lhes tais sofrimentos, ainda assim são castigos divinos.
Seu Pai celestial tem sua mão em tudo e seu sábio fim a cumprir por meio de tudo; deu-lhes disso o aviso devido e não devem esquecê-lo, v. 5. Observe:
- As aflições que podem ser na verdade perseguição quanto à participação das pessoas são repreensões e castigos paternos quanto à participação de Deus. A perseguição por religião é às vezes correção e repreensão pelos pecados dos que professam religião.
As pessoas os perseguem porque são religiosos; Deus os castiga porque não são mais religiosos. As pessoas os perseguem porque não querem abandonar sua profissão; Deus os castiga porque não viveram à altura de sua profissão.
- Deus orientou seu povo sobre como devem comportar-se sob todas as suas aflições; devem evitar os extremos em que muitos caem:
(1.) Não devem desprezar o castigo do Senhor; não devem fazer pouco caso das aflições e ser estúpidos e insensíveis sob elas, pois são a mão e a vara de Deus e suas repreensões pelo pecado. Os que fazem pouco caso da aflição fazem pouco caso de Deus e fazem pouco caso do pecado.
(2.) Não devem desfalecer quando repreendidos; não devem desesperar e afundar sob sua prova, nem inquietar-se e queixar-se, mas sustentar-se com fé e paciência.
(3.) Se caem ou num ou noutro desses extremos, é sinal de que esqueceram o conselho e exortação de seu Pai celestial, dados com afeição verdadeira e terna.
- As aflições corretamente suportadas, embora possam ser frutos do desprazer de Deus, são, contudo, provas de seu amor paterno a seu povo e de seu zelo por eles (v. 6, 7): “A quem o Senhor ama ele castiga, e açoita todo filho que recebe.” Observe:
(1.) Os melhores filhos de Deus precisam de castigo. Têm suas faltas e insensatezes, que precisam ser corrigidas.
(2.) Embora Deus possa deixar outros em paz em seus pecados, corrigirá o pecado em seus próprios filhos; são de sua família e não escaparão de suas repreensões quando precisarem delas.
(3.) Nisso age como convém a um pai e os trata como filhos; nenhum pai sábio e bom fechará os olhos às faltas de seus próprios filhos como faria às dos outros; sua relação e suas afeições o obrigam a reparar mais nas faltas de seus próprios filhos do que nas dos outros.
(4.) Ser permitido que se continue no pecado sem uma repreensão é triste sinal de afastamento de Deus; essas pessoas são bastardos, não filhos. Podem chamá-lo Pai, porque nasceram dentro dos limites da igreja; mas são a descendência espúria de outro pai, de Deus não, v. 7, 8.
- Os impacientes sob a disciplina de seu Pai celestial comportam-se para com ele pior do que fariam para com pais terrenos, v. 9, 10. Aqui:
(1.) O apóstolo recomenda comportamento obediente e submisso dos filhos para com seus pais terrenos: “Prestávamos reverência a eles”, mesmo quando nos corrigiam.
É dever dos filhos prestar a reverência da obediência às ordens justas de seus pais e a reverência da submissão à sua correção quando foram desobedientes. Os pais têm não só autoridade, mas um encargo de Deus para dar correção aos seus filhos quando devida.
E ele ordenou aos filhos que recebam bem tal correção: ser teimosos e descontentes sob correção devida é falta dupla; pois a correção supõe que já houve uma falta cometida contra o poder dos pais de ordenar e acrescenta uma falta ulterior contra seu poder de castigar. Daí:
(2.) Recomenda comportamento humilde e submisso para com nosso Pai celestial quando sob sua correção; e o faz por uma razão do menor para o maior:
[1.] Nossos pais terrenos são apenas os pais de nossa carne, mas Deus é o Pai de nossos espíritos. Nossos pais na terra foram instrumentos na produção de nossos corpos, que são apenas carne, coisa baixa, mortal e vil, formada do pó da terra, como são os corpos dos animais.
E, ainda assim, por serem primorosamente trabalhados e feitos partes de nossas pessoas, tabernáculo apropriado para a alma habitar e órgão pelo qual agir, devemos reverência e afeição aos que foram instrumentos em sua procriação; mas então devemos muito mais àquele que é o Pai de nossos espíritos.
Nossas almas não são de substância material, nem da espécie mais refinada; não são ex traduce, por transmissão. Afirmá-lo é má filosofia e pior teologia: são a descendência direta de Deus, que, depois de formar o corpo humano da terra, soprou nele um espírito vital, e assim ele se tornou alma viva.
[2.] Nossos pais terrenos nos castigaram por seu próprio prazer. Às vezes o fizeram para satisfazer sua paixão em vez de reformar nossos costumes. Essa é uma fraqueza a que os pais de nossa carne estão sujeitos e contra a qual devem vigiar cuidadosamente.
Pois assim desonram a autoridade paterna que Deus lhes conferiu e impedem muito a eficácia de seus castigos. Mas o Pai de nossos espíritos nunca entristece voluntariamente nem aflige os filhos dos homens, muito menos seus próprios filhos.
É sempre para nosso proveito; e a vantagem que pretende para nós por meio disso não é menos do que sermos participantes de sua santidade. É corrigir e curar aquelas desordens pecaminosas que nos tornam diferentes de Deus e aperfeiçoar e aumentar as graças que são a imagem de Deus em nós, para sermos e agirmos mais como nosso Pai celestial.
Deus ama seus filhos de modo que quer que sejam tão semelhantes a si quanto possível; e, para esse fim, os castiga quando precisam.
[3.] Os pais de nossa carne nos corrigiram por poucos dias, em nossa condição de infância, quando menores. E, embora estivéssemos naquela condição fraca e irritadiça, devíamos reverência a eles; e, quando chegamos à maturidade, os amamos e honramos tanto mais por isso.
Toda a nossa vida aqui é uma condição de infância, menoridade e imperfeição; por isso, devemos submeter-nos à disciplina dessa condição. Quando chegarmos a uma condição de perfeição, estaremos plenamente reconciliados com todas as medidas da disciplina de Deus sobre nós agora.
[4.] A correção de Deus não é condenação. Seus filhos podem a princípio temer que a aflição venha com essa missão terrível, e clamamos: não me condene, mas mostre-me por que contende comigo, Jó 10:2.
Mas isso está tão longe de ser o desígnio de Deus para seu próprio povo que, por isso, os castiga agora para que não sejam condenados com o mundo, 1 Coríntios 11:32. Faz isso para impedir a morte e destruição de suas almas, para que vivam para Deus, sejam como Deus e estejam para sempre com ele.
- Os filhos de Deus, sob suas aflições, não devem julgar seu trato com eles pela percepção presente, mas pela razão, fé e experiência. Nenhum castigo parece, no presente, alegre, mas entristecedor; contudo, depois produz os frutos pacíficos da justiça, v. 11. Observe aqui:
(1.) O julgamento da percepção nesse caso: as aflições não são agradáveis à percepção, mas entristecedoras; a carne as sentirá, será entristecida por elas e gemerá sob elas.
(2.) O julgamento da fé, que corrige o da percepção e declara que uma aflição santificada produz os frutos da justiça; esses frutos são pacíficos e tendem a aquietar e consolar a alma. A aflição produz paz, produzindo mais justiça; pois o fruto da justiça é paz.
E, se a dor do corpo contribui assim para a paz da mente e uma aflição presente curta produz frutos benditos de longa duração, não têm motivo para inquietar-se ou desfalecer sob ela; mas seu grande interesse é que o castigo sob o qual estão possa ser suportado por eles com paciência e aproveitado para maior grau de santidade:
[1.] Que sua aflição possa ser suportada com paciência, o principal sentido do discurso do apóstolo nesse assunto; e volta a exortá-los a, pelo motivo antes mencionado, levantar as mãos pendentes e os joelhos fracos, v. 12.
Um fardo de aflição tende a fazer as mãos do cristão penderem e seus joelhos enfraquecerem, a desalentá-lo e desanimá-lo; mas deve contender contra isso, por dois motivos:
Primeiro, para poder correr melhor sua corrida e caminhada espirituais. A fé, a paciência e a santa coragem e resolução o farão andar com mais estabilidade, manter caminho mais reto e impedir a vacilação e o vaguear.
Segundo, para poder animar e não desalentar outros que estão no mesmo caminho com ele. Há muitos a caminho do céu que, contudo, andam nele apenas fracos e mancos. Estes tendem a desanimar uns aos outros e impedir uns aos outros; mas é seu dever tomar coragem e agir pela fé, e assim ajudar uns aos outros a avançar no caminho do céu.
[2.] Que sua aflição possa ser aproveitada para um grau maior de santidade. Como esse é o desígnio de Deus, deve ser o desígnio e interesse de seus filhos que, com força e paciência renovadas, possam seguir paz com todas as pessoas e santidade, v. 14.
Se os filhos de Deus ficam impacientes sob aflição, não andarão tão quieta e pacificamente para com as pessoas nem tão piedosamente para com Deus quanto deveriam; mas fé e paciência os capacitarão a seguir paz e também santidade, como alguém segue sua vocação, constantemente, diligentemente e com prazer. Observe:
Primeiro, é dever dos cristãos, mesmo numa condição de sofrimento, seguir paz com todas as pessoas; sim, e ainda, mesmo com os que podem ser instrumentos em seus sofrimentos. É uma lição árdua e uma realização elevada, mas é o que Cristo chamou seu povo a fazer.
Os sofrimentos tendem a azedar o espírito e aguçar as paixões; mas os filhos de Deus devem seguir paz com todas as pessoas.
Segundo, a paz e a santidade estão ligadas; não pode haver paz verdadeira sem santidade. Pode haver prudência, tolerância discreta e uma aparência de amizade e boa vontade para com todos; mas essa verdadeira pacificidade cristã nunca se encontra separada da santidade.
Não devemos, sob alegação de viver pacificamente com todas as pessoas, abandonar os caminhos da santidade, mas cultivar paz num caminho de santidade.
Terceiro, sem santidade ninguém verá o Senhor. A visão de Deus, nosso Salvador, no céu é reservada como recompensa da santidade, e o peso de nossa salvação repousa sobre nossa santidade, embora uma disposição plácida e pacífica contribua muito para nossa aptidão para o céu.
- Quando as pessoas não consideram as aflições e sofrimentos por causa de Cristo como castigo de seu Pai celestial e não os aproveitam como tais, serão laço e tentação perigosos à apostasia, contra a qual todo cristão deve vigiar com o maior zelo (v. 15, 16): “Olhando diligentemente para que ninguém fique aquém da graça de Deus”, etc.:
(1.) Aqui o apóstolo apresenta uma precaução séria contra a apostasia e a reforça com um exemplo terrível:
[1.] Apresenta uma precaução séria contra a apostasia, v. 15. Aqui você pode observar:
Primeiro, a natureza da apostasia: é ficar aquém da graça de Deus; é tornar-se falidos na religião por falta de um bom fundamento e de zelo e diligência apropriados; é ficar aquém da graça de Deus, não alcançar um princípio de graça verdadeira na alma, apesar dos meios de graça e de uma profissão de religião e, assim, não alcançar o amor e favor de Deus aqui e depois.
Segundo, as consequências da apostasia: quando as pessoas deixam de ter a verdadeira graça de Deus, uma raiz de amargura brotará; a corrupção prevalecerá e irromperá. Uma raiz de amargura, uma raiz amarga, produzindo frutos amargos para elas mesmas e para os outros.
Produz para elas mesmas princípios corruptos que conduzem à apostasia e são muito fortalecidos e enraizados pela apostasia: erros condenáveis (que corrompem a doutrina e o culto da igreja cristã) e práticas corruptas.
Os apóstatas geralmente ficam cada vez piores e caem na perversidade mais grosseira, que em geral termina ou em ateísmo declarado ou em desespero. Também produz frutos amargos para outros, para as igrejas a que essas pessoas pertenciam.
Por seus princípios e práticas corruptos, muitos ficam perturbados; a paz da igreja é quebrada, a paz das mentes das pessoas é perturbada e muitos são maculados, contaminados por esses princípios maus e arrastados a práticas que maculam; de modo que as igrejas sofrem tanto em sua pureza quanto em sua paz. Mas os próprios apóstatas serão os maiores sofredores, por fim.
[2.] O apóstolo reforça a precaução com um exemplo terrível, o de Esaú. Embora nascido dentro dos limites da igreja e tendo a primogenitura como filho mais velho, e assim direito ao privilégio de ser profeta, sacerdote e rei em sua família, foi tão profano que desprezou esses privilégios sagrados e vendeu sua primogenitura por um bocado de alimento. Onde observe:
Primeiro, o pecado de Esaú. Profanamente desprezou e vendeu a primogenitura e todas as vantagens ligadas a ela. Assim fazem os apóstatas que, para evitar a perseguição e desfrutar sossego e prazer sensuais, embora tivessem o caráter dos filhos de Deus e direito visível à bênção e herança, abandonam todas as alegações a elas.
Segundo, o castigo de Esaú, apropriado a seu pecado. Sua consciência foi convencida de seu pecado e insensatez quando era tarde demais: depois quis herdar a bênção, etc. Seu castigo consistia em duas coisas:
Foi condenado por sua própria consciência; via agora que a bênção de que fizera tão pouco caso valia possuí-la, valia buscá-la, embora com muito zelo e muitas lágrimas.
Foi rejeitado por Deus: não encontrou lugar de arrependimento em Deus ou em seu pai; a bênção foi dada a outro, precisamente àquele a quem a vendeu por um prato de ensopado. Esaú, em sua grande perversidade, fizera o negócio, e Deus, em seu juízo justo, o ratificou e confirmou e não permitiu que Isaque o revertesse.
(2.) Daí podemos aprender:
[1.] Que a apostasia de Cristo é fruto de preferir a satisfação da carne à bênção de Deus e à herança celestial.
[2.] Os pecadores não terão sempre pensamentos tão baixos da bênção e herança divinas quanto têm agora. Vem o tempo em que não considerarão nenhum esforço grande demais, nenhum zelo, nenhuma lágrima excessivos para obter a bênção perdida.
[3.] Quando o dia da graça terminar (como às vezes pode acontecer nesta vida), não encontrarão lugar para arrependimento; não podem arrepender-se corretamente de seu pecado; e Deus não se arrependerá da sentença que proferiu contra eles por seu pecado.
E, por isso, como desígnio de tudo, os cristãos nunca devem abandonar seu direito e esperança da bênção e herança de seu Pai e expor-se à sua cólera e maldição irrevogáveis, desertando sua santa religião para evitar sofrimento.
Embora esse sofrimento possa ser perseguição quanto à participação dos homens perversos, é apenas vara de correção e castigo na mão de seu Pai celestial, para aproximá-los dele em conformidade e comunhão.
Essa é a força da argumentação do apóstolo pela natureza dos sofrimentos do povo de Deus, mesmo quando sofrem por causa da justiça; e o raciocínio é muito forte.
Versículos 18 a 29
Natureza da Economia Cristã. (62 d.C.)
Aqui o apóstolo continua a exortar os hebreus que professam a fé a perseverar em sua caminhada e luta cristãs, sem voltar novamente ao judaísmo.
Faz isso mostrando-lhes quanto a condição da igreja do evangelho difere da igreja judaica e quanto se assemelha à da igreja no céu. Por ambos os motivos, ela exige e merece nossa diligência, paciência e perseverança no cristianismo.
I. Ele mostra quanto a igreja do evangelho difere da igreja judaica e quanto a supera. Temos aqui uma descrição muito particular da condição da igreja sob a dispensação mosaica, vv. 18-21.
- Era uma condição material e palpável. O monte Sinai, sobre o qual se estabeleceu aquela condição da igreja, era um monte que se podia tocar (v. 18), um lugar material e palpável; assim também era a dispensação.
Era muito externa e terrena e, por isso, mais pesada. A condição da igreja do evangelho no monte Sião é mais espiritual, racional e leve.
Era uma dispensação obscura. Sobre aquele monte havia negrume e escuridão, e aquela condição da igreja estava coberta de sombras e tipos obscuros. A condição do evangelho é muito mais clara e luminosa.
Era uma dispensação assustadora e terrível; os judeus não podiam suportar seu terror. O trovão, o relâmpago, o som da trombeta e a voz do próprio Deus falando com eles os encheram de tamanho pavor que pediram que a palavra não lhes fosse mais dirigida daquela maneira, v. 19.
Sim, e ainda: o próprio Moisés disse: “Temo muitíssimo e tremo”. Os melhores homens da terra não são capazes de ter comunhão direta com Deus e seus santos anjos. A condição do evangelho é branda, bondosa e condescendente, adequada à nossa frágil constituição.
Era uma dispensação limitada; nem todos podiam aproximar-se daquele monte, mas somente Moisés e Arão. Sob o evangelho, todos temos acesso a Deus com ousadia.
Era uma dispensação muito perigosa. O monte ardia em fogo, e qualquer homem ou animal que o tocasse teria de ser apedrejado ou atravessado por um dardo, v. 20.
É verdade que sempre será perigoso para pecadores presunçosos e grosseiros aproximar-se de Deus; mas não é morte imediata e certa, como era ali.
Essa era a condição da igreja judaica, adequada para infundir temor num povo obstinado e de coração duro, apresentar a justiça rigorosa e tremenda de Deus, afastar o povo de Deus daquela dispensação e induzi-lo a abraçar mais prontamente a doce e suave economia da igreja do evangelho e a permanecer nela.
II. Ele mostra quanto a igreja do evangelho representa a igreja triunfante no céu e que comunicação há entre uma e outra.
A igreja do evangelho é chamada de monte Sião, a Jerusalém celestial, que é livre, em oposição ao monte Sinai, que conduz à escravidão, Gálatas 4:24. Era nesse monte que Deus estabeleceu seu rei, o Messias. Agora, ao chegar ao monte Sião, os crentes entram em lugares celestiais e num convívio celestial.
- Em lugares celestiais:
(1.) À cidade do Deus vivo. Deus estabeleceu sua graciosa morada na igreja do evangelho, que, por isso, é um emblema do céu. Ali seu povo pode encontrá-lo governando-o, guiando-o, santificando-o e consolando-o.
Ali ele lhes fala pelo ministério do evangelho; ali eles lhe falam pela oração, e ele os ouve; ali os prepara para o céu e lhes dá o penhor de sua herança.
(2.) À Jerusalém celestial, como nascidos e criados ali, como cidadãos livres daquele lugar. Aqui os crentes têm uma visão mais clara do céu, evidências mais nítidas de sua entrada no céu, maior aptidão para o céu e uma disposição de alma mais celestial.
- A um convívio celestial:
(1.) A uma companhia inumerável de anjos, que pertencem à mesma família dos santos, estão sob a mesma cabeça e, em grande medida, se ocupam da mesma obra: servem aos crentes para o bem deles, guardam-nos em todos os seus caminhos e acampam ao redor deles.
Quanto ao número, são inumeráveis; quanto à ordem e à união, formam uma companhia, e uma companhia gloriosa. E os que pela fé se unem à igreja do evangelho unem-se aos anjos e, por fim, serão semelhantes e iguais a eles.
(2.) À assembleia geral e igreja dos primogênitos inscritos no céu, isto é, à igreja universal, por mais dispersa que esteja. Pela fé nos aproximamos deles, temos comunhão com eles sob a mesma cabeça, pelo mesmo Espírito e na mesma bendita esperança.
Andamos pelo mesmo caminho de santidade, lutamos contra os mesmos inimigos espirituais e nos apressamos para o mesmo descanso, a mesma vitória e o mesmo triunfo glorioso.
Aqui estará a assembleia geral dos primogênitos: os santos dos tempos antigos, que viram as promessas da condição do evangelho, mas não as receberam, assim como os primeiros a recebê-las sob o evangelho. Estes foram regenerados por ele e, assim, tornaram-se os primogênitos e as primícias da igreja do evangelho.
Por isso, como primogênitos, foram elevados a honras e privilégios maiores do que os do restante do mundo. De fato, todos os filhos de Deus são herdeiros, e cada um tem os privilégios do primogênito.
Seus nomes estão escritos no céu, nos registros da igreja aqui: têm um nome na casa de Deus, estão inscritos entre os vivos em Jerusalém; têm boa reputação por sua fé e fidelidade e estão registrados no livro da vida do Cordeiro, como os cidadãos são registrados nos livros das corporações.
(3.) A Deus, o Juiz de todos, o grande Deus que julgará tanto judeus como gentios conforme a lei sob a qual vivem. Os crentes já se aproximam dele pela fé, fazem súplicas a seu Juiz e recebem uma sentença de absolvição no evangelho e no tribunal de sua consciência agora. Por essa sentença sabem que serão justificados futuramente.
(4.) Aos espíritos dos justos aperfeiçoados: à melhor classe de homens, os justos, que são mais excelentes do que seus vizinhos; à melhor parte dos justos, seu espírito; e a esses em sua melhor condição, aperfeiçoados.
Os crentes estão unidos aos santos que partiram sob uma mesma cabeça e pelo mesmo Espírito e têm direito à mesma herança: os que estão na terra são herdeiros dela; os que estão no céu, seus possuidores.
(5.) A Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala coisas melhores do que o de Abel. Esse não é um dos menores entre os muitos incentivos à perseverança na condição do evangelho, pois se trata de uma condição de comunhão com Cristo, o Mediador da nova aliança, e de participação em seu sangue. Esse sangue fala coisas melhores do que o sangue de Abel.
[1.] A aliança do evangelho é a nova aliança, distinta da aliança das obras; e está agora sob uma nova dispensação, distinta da do Antigo Testamento.
[2.] Cristo é o Mediador dessa nova aliança. Ele é a pessoa intermediária que se coloca entre ambas as partes, Deus e o homem, para reuni-las nessa aliança e mantê-las unidas apesar dos pecados do povo e do desagrado de Deus contra eles por causa do pecado.
Ele apresenta nossas orações a Deus e nos traz os favores de Deus; pleiteia nossa causa diante de Deus e a causa de Deus diante de nós. Por fim, reunirá Deus e seu povo no céu e será para sempre o Mediador da fruição entre eles: estes contemplarão e desfrutarão Deus em Cristo, e Deus os contemplará e abençoará em Cristo.
[3.] Essa aliança é ratificada pelo sangue de Cristo aspergido sobre nossa consciência, assim como o sangue do sacrifício era aspergido sobre o altar e sobre o sacrifício. Esse sangue de Cristo aplaca Deus e purifica a consciência das pessoas.
[4.] Esse é um sangue que fala, e fala coisas melhores do que o de Abel. Primeiro, fala a Deus em favor dos pecadores: não clama por vingança, como o sangue de Abel clamou contra quem o derramou, mas por misericórdia.
Segundo, fala aos pecadores em nome de Deus. Anuncia perdão para seus pecados e paz para suas almas; também lhes exige a mais rigorosa obediência e o maior amor e gratidão.
III. Tendo assim desenvolvido o argumento em favor da perseverança, tirado da natureza celestial da condição da igreja do evangelho, o apóstolo encerra o capítulo aproveitando esse argumento de maneira adequada à sua importância (v. 25, etc.): Cuidem, pois, para não rejeitar aquele que fala, que fala por seu sangue.
Ele não apenas fala de maneira diferente daquela em que o sangue de Abel falou da terra, mas também daquela em que Deus falou pelos anjos e por Moisés no monte Sinai: então falou na terra; agora fala do céu. Observe aqui:
- Quando Deus fala às pessoas da maneira mais excelente, espera justamente delas a mais rigorosa atenção e consideração. É no evangelho que Deus fala às pessoas da maneira mais excelente. Pois:
(1.) Agora ele fala de um assento e trono mais alto e glorioso, não do monte Sinai, que estava nesta terra, mas do céu.
(2.) Agora fala mais diretamente por sua palavra inspirada e por seu Espírito, que são suas testemunhas. Agora não diz nada novo às pessoas, mas, por seu Espírito, faz a mesma palavra chegar à consciência delas.
(3.) Agora fala com mais poder e eficácia. Naquele tempo, sua voz de fato abalou a terra, mas agora, ao introduzir a condição do evangelho, ele abalou não apenas a terra, mas também os céus.
Não abalou apenas colinas e montes, ou os espíritos das pessoas, ou a condição civil da terra de Canaã, para abrir espaço para seu povo. Não abalou apenas o mundo, como fez então, mas também a igreja, isto é, a nação judaica, e a abalou em sua condição eclesiástica, que nos tempos do Antigo Testamento era um céu na terra. Agora abalou essa condição espiritual celestial que era deles.
É pelo evangelho vindo do céu que Deus despedaçou a condição civil e eclesiástica da nação judaica e introduziu uma nova condição da igreja, que não pode ser removida. Nunca será trocada por nenhuma outra na terra, mas permanecerá até ser aperfeiçoada no céu.
- Quando Deus fala às pessoas da maneira mais excelente, maior é a culpa dos que o rejeitam, e seu castigo será mais inevitável e intolerável: não há como escapar dele nem suportá-lo, v. 25.
A maneira diferente pela qual Deus trata as pessoas sob o evangelho, pela graça, nos assegura de que tratará os que desprezam o evangelho de maneira diferente daquela com que trata outras pessoas, por meio do juízo.
A glória do evangelho, que deveria recomendá-lo grandemente à nossa consideração, aparece nestas três coisas:
(1.) Foi ao som da trombeta do evangelho que a dispensação e a condição anteriores da igreja de Deus foram abaladas e removidas. Desprezaremos, então, essa voz de Deus que derrubou uma igreja e uma condição estabelecidas havia tanto tempo e construídas pelo próprio Deus?
(2.) Foi ao som da trombeta do evangelho que se estabeleceu no mundo um novo reino para Deus, que nunca poderá ser abalado a ponto de ser removido. Essa mudança foi feita de uma vez por todas; nenhuma outra ocorrerá até que o tempo deixe de existir.
Recebemos agora um reino que não pode ser abalado, nunca será removido e nunca dará lugar a nenhuma nova dispensação. O cânon das Escrituras está agora completo, o Espírito de profecia cessou, o mistério de Deus está consumado: ele lhe deu a última demão.
A igreja do evangelho pode tornar-se maior, mais próspera e mais purificada da contaminação que contraiu, mas nunca será substituída por outra dispensação; os que perecem sob o evangelho perecem sem remédio.
Daí o apóstolo conclui, com razão:
[1.] Como é necessário obtermos graça de Deus para servi-lo de maneira aceitável: se Deus não nos aceitar sob esta dispensação, jamais seremos aceitos; e perderemos todo o nosso trabalho na religião se não formos aceitos por Deus.
[2.] Não podemos adorar a Deus de maneira aceitável a menos que o adoremos com reverência e temor piedosos. Assim como a fé, o santo temor é necessário à adoração aceitável.
[3.] Só a graça de Deus nos capacita a adorá-lo da maneira correta: a natureza não pode alcançar isso; não pode produzir nem aquela preciosa fé nem aquele santo temor necessários à adoração aceitável.
[4.] Deus é, sob o evangelho, o mesmo Deus justo e reto que se mostrou sob a lei. Embora seja nosso Deus em Cristo e agora nos trate de maneira mais bondosa e graciosa, ainda assim é, em si mesmo, um fogo consumidor. Isto é, um Deus de justiça rigorosa, que se vingará de todos os que desprezam sua graça e de todos os apóstatas.
Sob o evangelho, a justiça de Deus se manifesta de maneira mais terrível, embora não tão palpável quanto sob a lei. Pois aqui contemplamos a justiça divina atingindo o Senhor Jesus Cristo e fazendo dele um sacrifício propiciatório, sua alma e seu corpo uma oferta pelo pecado. Essa demonstração de justiça supera muito o que se viu e ouviu no monte Sinai quando a lei foi dada.