Matthew Henry

Ezequiel 42

Argumento

Este capítulo continua e conclui a descrição e medição desse templo místico, cuja arquitetura particular é muito difícil de entender e cujo significado místico é ainda mais difícil de compreender. Aqui há:

I. Uma descrição das câmaras ao redor dos pátios, sua situação e estrutura (vv. 1-13) e os usos a que se destinavam, v. 13, 14.

II. Um levantamento de toda a extensão do terreno ocupado pela casa e pelos pátios que lhe pertenciam, vv. 15-20.

Versículos 1 a 14

A Visão do Templo. (a.C. 574.)

O profeta contemplou com muita exatidão o templo e os edifícios que lhe pertenciam e agora é novamente levado ao pátio externo para observar as câmaras naquela área quadrada.

I. Aqui há uma descrição dessas câmaras, que (como a anterior) nos parece muito confusa e intrincada, por nossa falta de familiaridade com a língua hebraica e as regras de arquitetura daquele tempo. Observaremos apenas, em geral:

  1. Que ao redor do templo, o lugar do culto público, havia câmaras particulares, para ensinar-nos que nossa dedicação a Deus nas ordenanças solenes não nos dispensará dos deveres da devoção em particular.

Não devemos apenas adorar nos pátios da casa de Deus, mas, tanto antes quanto depois de nossa presença ali, entrar em nossas câmaras, entrar em nossos recintos reservados, ler, meditar e orar ao nosso Pai em secreto. Muito consolo o povo de Deus achou em sua comunhão com Deus na solidão.

  1. Que essas câmaras eram muitas; havia três andares delas, e, embora os andares superiores não fossem tão grandes quanto os inferiores, contudo serviam igualmente bem para o recolhimento, v. 5, 6.

Havia muitas para que houvesse acomodações para todas as pessoas devotas como a profetisa Ana, que não se afastava do templo de noite nem de dia, Lucas 2:37. “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” Em sua casa na terra também é assim; multidões, pela fé, alojaram-se em seu santuário e, contudo, há lugar.

  1. Que essas câmaras, embora particulares, contudo ficavam perto do templo, à vista e ao alcance dele, para ensinar-nos a preferir o culto público ao particular (o Senhor ama as portas de Sião mais que todas as moradas de Jacó, e nós também devemos fazê-lo) e orientar nosso culto particular para o público.

Nossas práticas religiosas nas câmaras devem preparar-nos para os exercícios de devoção em público e promover nosso aproveitamento deles, conforme nossas oportunidades.

  1. Que diante dessas câmaras havia passeios de cinco jardas de largura (v. 4), nos quais os alojados nessas câmaras poderiam encontrar-se para colóquio, andar e falar juntos para sua edificação mútua, comunicar seus conhecimentos e experiências.

Pois não devemos passar todo o nosso tempo entre a igreja e a câmara, embora se possa passar muito tempo em ambas com muito bom propósito. Mas o homem é feito para o convívio, e os cristãos, para a comunhão dos santos.

Devemos levar a sério os deveres dessa comunhão e receber o consolo de seus privilégios e prazeres. Promete-se a Josué, que era sumo sacerdote no segundo templo, que Deus lhe dará lugares para andar entre os que estão ao seu redor (Zacarias 3:7).

II. Aqui se designa o uso dessas câmaras, v. 13, 14:

  1. Eram para os sacerdotes que se aproximam do Senhor, para que estejam continuamente perto de sua ocupação e não residam fora. Por isso, são chamadas câmaras santas, pois eram para o uso dos que ministravam nas coisas santas durante sua ministração.

Os que têm trabalho público a fazer para Deus e as almas dos homens precisam passar muito tempo a sós, para se preparar para ele. Os ministros devem passar muito tempo em suas câmaras, em leitura, meditação e oração, para que seu progresso apareça; devem receber acomodações para esse propósito.

  1. Ali os sacerdotes deviam depositar as coisas santíssimas, aquelas partes das ofertas que lhes cabiam; ali deviam comê-las, eles e suas famílias, de modo religioso, pois o lugar é santo. Assim, devem fazer diferença entre aqueles banquetes sobre o sacrifício e outras refeições.

  2. Ali (entre outros usos) deviam deixar suas vestes, que Deus lhes designara usar quando ministravam no altar: seus éfodes de linho, túnicas, cintos e gorros. Lemos sobre o fornecimento de roupas sacerdotais depois de seu retorno do cativeiro, Neemias 7:70, 72.

Quando terminavam seu serviço no altar, deviam guardar essas roupas, para significar que seu uso continuaria apenas durante aquela dispensação.

Mas deviam pôr outras roupas, como as que outras pessoas usam, quando se aproximavam das coisas destinadas ao povo, isto é, para fazer aquela parte de seu serviço que se relacionava ao povo, ensinar-lhes a lei e responder às suas perguntas. Suas roupas santas devem ser guardadas para que se mantenham limpas e decorosas, para o crédito de seu serviço.

Versículos 15 a 19

A Visão do Templo. (a.C. 574.)

Acompanhamos a medição desse templo místico e agora devemos ver até onde se estende o terreno santo em que pisamos. Isso também é aqui medido, e se acha que abrange uma grande extensão. Observe:

  1. Quais eram suas dimensões. Estendia-se em cada direção por 500 canas (vv. 16-19), cada cana com mais de três jardas e meia, de modo que alcançava em cada direção cerca de uma milha medida pelo padrão inglês. Sendo o terreno quadrado, tinha mais de quatro milhas ao redor.

Tão amplos eram os arredores (como posso chamá-los) desse templo místico, significando a grande extensão da igreja nos tempos do evangelho, quando todas as nações seriam feitas discípulas e os reinos do mundo se tornariam reinos de Cristo.

Haveria lugar nos pátios de Deus para as numerosas forças dos gentios que afluirão a eles, como se predisse, Isaías 49:18; 60:4. Isso já se cumpriu em parte na entrada dos gentios na igreja; confiamos que terá cumprimento mais pleno quando entrar a plenitude dos gentios e todo Israel for salvo.

  1. Por que suas dimensões foram feitas tão grandes. Era para fazer separação, pondo uma distância muito grande entre o santuário e o lugar profano. Por isso, havia um muro ao redor, para afastar os impuros e separar o precioso do vil.

Repare: Deve-se fazer diferença entre coisas comuns e sagradas, entre o nome de Deus e outros nomes, entre seu dia e outros dias, seu livro e outros livros, suas instituições e outras observâncias.

Deve-se pôr distância entre nossas ações mundanas e religiosas, de modo a sempre nos dedicarmos ao culto de Deus com uma pausa solene.


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