Matthew Henry

Ezequiel 31

Argumento

A profecia deste capítulo, assim como a dos dois capítulos anteriores, é contra o Egito e tem o desígnio de humilhar e mortificar Faraó.

Ao proferir sentença contra grandes criminosos, é usual consultar precedentes e ver o que se fez a outros em caso semelhante, o que serve tanto para orientar quanto para justificar os procedimentos.

Faraó está formalmente acusado diante do tribunal da justiça divina por seu orgulho e altivez e pelas injúrias que fizera ao povo de Deus. Mas se julga tão alto, tão grande que não presta contas a autoridade alguma, tão forte e tão bem guardado que não pode ser conquistado por força alguma.

Por isso o profeta é orientado a lhe fazer relato do caso do rei da Assíria, cuja cidade principal era Nínive:

I. Deve lhe mostrar quão grande monarca fora o rei da Assíria, que vasto império tinha, que poderoso domínio exercia; o rei do Egito, grande como era, não podia superá-lo (vv. 3-9).

II. Deve então lhe mostrar como era semelhante ao rei da Assíria em orgulho e confiança carnal (v. 10). III. Deve a seguir lhe ler a história da queda e ruína do rei da Assíria, que ruído fez entre as nações e que aviso deu a todos os príncipes poderosos para tomarem cuidado com o orgulho (vv. 11-17).

IV. Deve deixar o rei do Egito aplicar tudo isto a si mesmo, ver seu próprio rosto no espelho do pecado do rei da Assíria e prever sua própria queda pela luneta de sua ruína (v. 18).

Versículos 1 a 9

A Grandeza do Rei da Assíria. (a.C. 588.)

Esta profecia traz data do mês antes de Jerusalém ser tomada, assim como aquela no encerramento do capítulo anterior data de cerca de quatro meses antes. Quando o povo de Deus estava na profundeza de sua angústia, seria algum consolo para eles serem informados do céu de que a taça circulava, até a taça de tremor.

Logo seria tirada das mãos do povo de Deus e posta nas mãos dos que os odiavam (Isaías 51:22, 23). Essa notícia serviria também de freio ao orgulho e à malícia de seus vizinhos que os insultavam. Nesta profecia:

I. O profeta é orientado a fazer Faraó explorar os registros em busca de caso paralelo ao seu próprio (v. 2): “Fala a Faraó e à sua multidão”, à multidão de seus acompanhantes que contribuíam tanto para sua magnificência e à multidão de seus exércitos que contribuíam tanto para sua força.

Destes era orgulhoso, nestes punha confiança; e eles eram igualmente orgulhosos dele e igualmente confiavam nele. Agora lhe pergunte: “A quem és semelhante em tua grandeza?”. Somos propensos a nos julgar por comparação.

Os que se julgam elevados se imaginam tão grandes e tão bons como tais e tais, que foram poderosamente celebrados. Os lisonjeadores dos príncipes lhes dizem a quem igualam em pompa e grandeza.

“Bem”, diz Deus, “que ele escolha o potentado mais famoso que jamais houve, e se consentirá que é semelhante a ele em grandeza e em nada inferior a ele; mas, escolha quem escolher, achará que chegou o dia de cair daquele potentado; verá que houve fim de toda a perfeição dele e deve, por isso, esperar o fim de sua própria perfeição igualmente.”

Repare: as quedas de outros, tanto no pecado quanto na ruína, têm a intenção de nos servir de advertências para não nos julgarmos seguros nem sermos de mente altiva, nem julgarmos estar fora de perigo.

II. É orientado a lhe mostrar um exemplo de alguém a quem se assemelha em grandeza, e era o assírio (v. 3), cuja monarquia continuara desde Nimrode. Senaqueribe foi um dos príncipes poderosos daquela monarquia.

Mas ela afundou logo depois dele, e a monarquia de Nabucodonosor foi construída sobre suas ruínas, ou antes enxertada sobre seu tronco. Vejamos agora que príncipe florescente era o rei da Assíria. Aqui é comparado a um cedro majestoso (v. 3).

A glória da casa de Davi é ilustrada pela mesma semelhança (Ezequiel 17:3). A oliveira, a figueira e a videira, todas árvores frutíferas, se haviam recusado a ser promovidas sobre as árvores porque não quiseram deixar sua frutificação (Juízes 9:8, etc.).

E, por isso, a escolha cai no cedro, majestoso e forte, que lança grande sombra, mas não dá fruto:

  1. O monarca assírio era um cedro alto, como geralmente eram os cedros no Líbano, de alta estatura e com seu topo entre os galhos espessos; era acompanhado por outros príncipes tributários seus e cercado por uma guarda pessoal de homens bravos.

Superava todos os príncipes de sua vizinhança; todos lhe eram arbustos (v. 5): “Sua altura foi exaltada acima de todas as árvores do campo”; muitas eram muito altas, mas superava todas em altura (v. 8).

Os cedros, até aqueles no jardim do Éden, que podemos supor os melhores da espécie, não o esconderiam, mas seus ramos superiores se estendiam além dos deles.

  1. Era um cedro expansivo; seus ramos não apenas subiam em altura, mas se estendiam em largura. Isto denotava que este príncipe poderoso não apenas era exaltado a grande dignidade e honra e tinha nome acima dos nomes dos grandes homens da terra, mas obtivera grande domínio e poder.

Seus territórios eram grandes, e estendia suas conquistas longe e suas influências muito mais longe. Este cedro, como uma videira, enviava seus ramos ao mar, ao rio (Salmos 80:11). “Seus galhos eram multiplicados; seus ramos se tornaram longos” (v. 5), de modo que tinha cobertura sombreante (v. 3).

Isto contribuía muito para sua beleza, crescer proporcionalmente tanto em largura quanto em altura. “Era belo em sua grandeza, no comprimento de seus ramos” (v. 7), muito formoso assim como muito majestoso, “belo pela multidão de seus ramos” (v. 9).

Seus grandes domínios eram bem administrados, como uma árvore expansiva mantida em forma e boa ordem pela habilidade do jardineiro, de modo a ser muito bela aos olhos. Seu governo era tão amável aos olhos dos sábios quanto admirável aos olhos de todos os homens.

Os abetos não eram como seus galhos, tão retos, tão verdes, tão regulares; nem os ramos dos castanheiros como seus ramos, tão espessos, tão expansivos.

Em resumo, nenhuma árvore no jardim de Deus, no Éden, na Babilônia, pois esta ficava onde o paraíso foi plantado, onde havia toda árvore agradável à vista (Gênesis 2:9), era semelhante a este cedro em beleza.

Isto é, em todas as nações ao redor não havia príncipe tão admirado, tão cortejado e por quem todos estivessem tão apaixonados como o rei da Assíria. Muitos deles agiam virtuosamente, mas ele excedia a todos, eclipsava a todos.

“Todas as árvores do Éden o invejavam” (v. 9). Quando achavam que não podiam se comparar com ele, ficavam irados e sentiam dor porque tanto os superava e, em segredo, relutavam em lhe conceder o louvor devido.

Repare: é a infelicidade dos que em algo excedem outros que assim se tornam objetos de inveja; e quem pode resistir diante da inveja?

  1. Era útil até onde um cedro em pé e crescente podia ser, e era apenas por sua sombra (v. 6): “Todas as aves do céu”, algumas de todas as espécies, “faziam seus ninhos em seus galhos”, onde eram abrigadas das injúrias do tempo. Os animais do campo se punham sob a proteção de seus ramos.

Ali estavam levant, levantando-se, e couchant, deitando-se; ali davam à luz seus filhotes, pois tinham ali cobertura natural contra o calor e contra a tempestade. O significado de tudo é: “Sob sua sombra habitavam todas as grandes nações”.

Todas fugiam para ele por segurança e estavam dispostas a lhe jurar lealdade se se encarregasse de protegê-las, como viajantes sob um aguaceiro se abrigam debaixo de árvores frondosas. Repare: os que têm poder devem usá-lo para proteção e consolo dos que estão sob seu poder; pois para esse fim lhes é confiado poder.

Até o espinheiro, se ungido rei, convida as árvores a virem confiar em sua sombra (Juízes 9:15). Mas a máxima segurança que qualquer criatura, até o próprio rei da Assíria, pode dar é só como a sombra de uma árvore, que é proteção só escassa e frágil e deixa o homem exposto de muitas maneiras.

Por isso fujamos a Deus por proteção, e nos tomará sob a sombra de suas asas, onde estaremos mais aquecidos e seguros que sob a sombra do cedro mais forte e mais majestoso (Salmos 17:8; 91:4).

  1. Parecia estável e estabelecido em sua grandeza e poder. Pois:

(1.) Deus é que o fez belo (v. 9). Pois por ele reinam os reis. Era formoso com a formosura que Deus lhe pôs. Repare: a mão de Deus deve ser observada e reconhecida na elevação dos grandes homens da terra e, por isso, não devemos invejá-los.

Contudo, isto não assegurará a continuação de sua prosperidade, pois aquele que lhes deu sua beleza, se forem privados dela, sabe como torná-la deformidade.

(2.) Parecia ter bom fundamento. Este cedro não era como a urze no deserto, feita habitar lugares secos (Jeremias 17:6); não era uma raiz em chão seco (Isaías 53:2). Não: tinha abundância de riqueza para sustentar seu poder e grandeza (v. 4): “As águas o fizeram grande”.

Tinha vastos tesouros, grandes estoques e depósitos, que eram como o abismo que o elevava, rendas constantes que entravam por impostos, taxas alfandegárias e rendas da coroa, como rios que corriam ao redor de suas plantas; estas o capacitavam a fortalecer e assegurar seus interesses em toda parte.

Pois enviava seus pequenos rios, ou canais, a todas as árvores do campo para regá-las; e, quando tinham sustento do palácio do rei (Esdras 4:14), e “seu país era nutrido pelo país do rei” (Atos 12:20), seriam úteis e fiéis a ele.

Os que têm riqueza fluindo sobre eles em grandes rios se acham obrigados a enviá-la novamente em pequenos rios; pois, assim como aumentam os bens, aumentam os que os comem, e quanto mais os homens têm, mais necessidade têm dela; sim, e ainda: precisam continuamente de mais.

Os ramos deste cedro se tornaram longos por causa da multidão de águas que os alimentavam (v. 5 e 7); sua raiz estava junto de grandes águas, o que parecia assegurar que sua folha nunca murchasse (Salmos 1:3), que não visse quando viesse calor (Jeremias 17:8).

Repare: pessoas mundanas podem parecer ter prosperidade estabelecida; contudo só parece assim (Jó 5:3; Salmos 37:35).

Versículos 10 a 18

A Derrocada do Rei da Assíria; A Queda da Assíria. (a.C. 588.)

Vimos o rei do Egito se assemelhar ao rei da Assíria em pompa, poder e prosperidade, como era semelhante a ele em sua grandeza; agora aqui vemos:

I. Como igualmente se assemelha a ele em seu orgulho (v. 10). Pois, assim como rosto corresponde a rosto num espelho, assim um coração corrupto e carnal corresponde a outro; e as mesmas tentações do estado próspero pelas quais alguns são vencidos também são fatais para muitos outros.

“Tu, ó rei do Egito, elevaste-te em altura e te orgulhaste de tua riqueza e poder” (Ezequiel 29:3).

“E exatamente assim ele, isto é, o rei da Assíria: quando lançou seu topo entre os galhos espessos, seu coração imediatamente se elevou em sua altura, e ele ficou insolente e imperioso, desafiou o próprio Deus e pisoteou o povo de Deus”; disso dão testemunho as mensagens e a carta que o grande rei, o rei da Assíria, enviou a Ezequias (Isaías 36:4).

Quão altivamente fala de si mesmo e de suas próprias realizações! Quão escarnecedoramente fala daquele homem grande e bom!

Havia outros pecados em que egípcios e assírios se juntavam, particularmente o de oprimir o povo de Deus, imputado a ambos juntos (Isaías 52:4). Mas aqui aquele pecado é rastreado até sua causa, o orgulho; pois o povo de Deus está cheio do desprezo dos orgulhosos.

Repare: quando a condição externa dos homens se eleva, suas mentes comumente se elevam com ela; e é muito raro achar espírito humilde no meio de grandes elevações.

II. Como por isso se assemelhará a ele em sua queda; e para abrir esta parte da comparação:

  1. Aqui está a história da queda do rei da Assíria. Quanto a ele, diz Deus (v. 11): “Por isso eu o entreguei na mão do poderoso dos pagãos”, porque o assírio assim se elevou.

Ciaxares, rei dos medos, no vigésimo sexto ano de seu reinado, junto com Nabucodonosor, rei da Babilônia, no primeiro ano do reinado deste, destruiu Nínive e com ela o império assírio.

Nabucodonosor, embora não fosse então, contudo depois se tornou muito enfaticamente o poderoso dos pagãos, o mais poderoso entre eles e o mais poderoso sobre eles, para conseguir o intento contra eles.

(1.) Sobre a queda do assírio, três coisas são afirmadas:

[1.] É o próprio Deus que ordena sua ruína: o entreguei na mão do executor da sentença; “Eu o expulsei”. Repare: Deus é o Juiz que abate um e exalta outro (Salmos 75:7); e, quando lhe agrada, pode extirpar e expulsar os que se julgam, e parecem a outros, ter fincado a raiz mais profunda.

E os mais poderosos dos pagãos não poderiam conseguir seu intento contra os que com eles contendiam se o Todo-poderoso não os entregasse ele próprio em suas mãos.

[2.] É seu próprio pecado que provoca sua ruína: “Eu o expulsei por sua impiedade”. Ninguém é expulso de sua honra, poder e posses senão por sua impiedade. Nenhum dos nossos consolos jamais é perdido sem que tenhamos perdido mil vezes o direito a ele. Se os ímpios são levados embora, é em sua impiedade.

[3.] É um poderoso dos pagãos que será o instrumento de sua ruína; pois Deus muitas vezes emprega um ímpio em castigar outro. “Certamente tratará com ele”; saberá como manejá-lo, por grande que seja o assírio. Repare: homens orgulhosos e imperiosos cedo ou tarde encontrarão seu páreo.

(2.) Nesta história da queda do assírio, observe:

[1.] Uma continuação da semelhança do cedro. Cresceu muito alto e estendeu seus galhos muito longe; mas chega seu dia de cair. Primeiro, este cedro majestoso foi truncado: os terríveis das nações o cortaram.

Soldados, sendo tanto armados quanto incumbidos de matar, abater e destruir, bem podem ser considerados entre os terríveis das nações.

Primeiro podaram seus ramos, apreenderam algumas partes de seu domínio e as forçaram para fora de suas mãos; de modo que em todos os montes e vales das nações ao redor, nas terras altas e baixas e junto de todos os rios, havia cidades ou países que foram separados da monarquia assíria, que lhe haviam sido sujeitos, mas ou se revoltaram ou foram recuperados dela.

Suas penas eram emprestadas; e, quando cada ave recuperou as suas, o cedro ficou nu como o tronco de uma árvore. Segundo, foi abandonado: todos os habitantes da terra que haviam fugido para ele em busca de abrigo desceram de sua sombra e o deixaram.

Quando foi incapacitado de lhes dar proteção, julgaram não mais lhe dever lealdade. Os grandes homens não se orgulhem do número dos que os acompanham e dependem deles; é só pelo que podem obter. Quando a Providência lhes franze o cenho, seu séquito logo é disperso e espalhado para longe deles.

Terceiro, sofreu insultos, e triunfaram por sua queda (v. 13): “Sobre sua ruína ficarão todas as aves do céu”, para pisar os ramos quebrados deste cedro. As outras árvores triunfam em sua queda, irritadas por vê-lo sobressair tanto acima delas.

Todas as árvores do Éden, cortadas e caídas antes dele, todas as que bebiam água da chuva do céu, como se diz que o tronco da árvore deixado no sul é molhado pelo orvalho do céu (Daniel 4:23) e brota pelo cheiro da água (Jó 14:9), serão consoladas nas partes inferiores da terra quando virem este cedro orgulhoso trazido tão baixo quanto elas mesmas.

Solamen miseris socios habuisse doloris, ter companheiros no infortúnio é consolo para os que sofrem.

Mas, ao contrário, as árvores do Líbano, ainda de pé em sua altura e força, guardaram luto por ele, e as árvores do campo desfaleceram por ele, porque não podiam deixar de ler seu próprio destino em sua queda.

Uivem, abetos, se o cedro for sacudido, pois não podem esperar ficar de pé por muito tempo (Zacarias 11:2).

[2.] Uma explicação da semelhança do cedro. Cortar este cedro significa a matança deste monarca poderoso e de todos os seus aderentes e sustentadores; todos são entregues à morte, para cair pela espada, como o cedro pelo machado.

Ele e seus príncipes, que dizia serem todos reis, descem à sepultura, às partes inferiores da terra, no meio dos filhos dos homens, como pessoas comuns, sem posição social ou distinção. Morreram como homens (Salmos 82:7).

Foram levados com os que descem à cova, e sua pompa nem os protegeu nem desceu depois deles. Novamente (v. 16), foi lançado no inferno com os que descem à cova; entrou no estado dos mortos e foi sepultado como outros, em obscuridade e esquecimento.

Novamente (v. 17), todos os que eram seu braço, em quem se apoiava, por quem agia e exercia seu poder, todos os que habitavam sob sua sombra, seus súditos e aliados e todos os que tinham alguma dependência dele, todos desceram à ruína, desceram à sepultura com ele, aos abatidos pela espada, aos que foram cortados por mortes prematuras antes deles, sob a carga da culpa e vergonha.

Quando grandes homens caem, muitos caem com eles, como muitos igualmente caíram antes deles.

[3.] O desígnio e alvo de Deus ao fazer descer este monarca poderoso e sua monarquia. Tinha o desígnio:

Primeiro, dar alarme às nações ao redor, fazê-las todas parar, fazê-las todas olhar fixamente (v. 16): “Fiz as nações tremer ao som de sua queda”. Todas foram golpeadas de espanto ao ver tão poderoso príncipe assim trazido para baixo.

Isso abalou todas as suas fontes de confiança, cada um julgando que sua vez seria a próxima. Quando desceu à sepultura (v. 15), “Causei luto”, lamentação geral, como todo o reino entra em luto pela morte do rei.

Como sinal desta dor geral, “Cobri por ele o abismo”, vesti-o de preto e suspendi as atividades, em deferência a este luto universal. “Restringi as cheias”, e “as grandes águas foram detidas”, para que pudessem correr para outro canal, o da lamentação.

O Líbano particularmente, o reino da Síria, que às vezes estava em confederação com o assírio, guardou luto por ele, como os aliados da Babilônia (Apocalipse 18:9).

Segundo, dar advertência às nações ao redor e a seus reis (v. 14):

Para que nenhuma de todas as árvores junto às águas, por mais vantajosamente situadas que sejam, se exalte por sua altura, seja orgulhosa e presuma de si mesma e lance para cima seu topo entre os galhos espessos, olhando com desdém para outros, nem se firme em si mesma por sua altura, confiando em sua própria política e poderes, como se nunca pudesse ser trazida para baixo.

Que todas recebam o aviso do assírio, pois certa vez ele manteve a cabeça tão erguida e julgava manter os pés tão firmes quanto qualquer delas; mas seu orgulho precedeu sua destruição, e sua confiança lhe falhou.

Repare: a queda de homens orgulhosos e presunçosos tem a intenção de avisar outros a se manterem humildes. Teria sido bom para Nabucodonosor, ele próprio ativo em fazer descer o assírio, se tivesse tomado a advertência.

  1. Aqui está uma profecia da queda do rei do Egito igualmente (v. 18). Julgava-se semelhante ao assírio em glória e grandeza, superando em altura todas as árvores do Éden, como o cipreste aos arbustos.

“Mas tu também serás feito descer com as outras árvores agradáveis à vista, como aquelas no Éden. Serás trazido à sepultura, às partes inferiores ou mais baixas da terra; jazerás no meio dos incircuncisos, que morrem em sua impureza, morrem sem glória, morrem sob maldição e distantes de Deus.”

“Então os que pisoteaste triunfarão sobre ti, dizendo: ‘Este é Faraó e toda a sua multidão. Vede como parece pequeno, quão baixo jaz; vede a que chegou toda a sua pompa e orgulho; aqui está tudo o que dele resta.’”

Repare: grandes homens e grandes multidões, com o grande destaque e grande ruído que fazem no mundo, quando Deus vem contender com eles, logo se tornarão pequenos, menos que nada, tais como Faraó e toda a sua multidão.


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