Ezequiel 26
Argumento
O profeta logo terminara com aquelas quatro nações contra as quais pôs seu rosto nos capítulos anteriores; pois naquele tempo não eram muito consideráveis no mundo, nem sua queda faria grande ruído entre as nações nem teria destaque na história.
Mas a cidade de Tiro é a seguir posta diante do tribunal; sendo lugar de vasto negócio, era conhecida em todo o mundo. E, por isso, três capítulos inteiros, este e os dois seguintes, são dedicados à predição da destruição de Tiro. Temos “o peso de Tiro” (Isaías 23).
É só mencionada em Jeremias, como compartilhando com os nativos a calamidade comum (Jeremias 25:22; 27:3; 47:4). Mas Ezequiel recebe ordem de tratar extensamente daquele assunto. Neste capítulo temos:
I. O pecado imputado a Tiro, que era triunfar na destruição de Jerusalém (v. 2). II. A destruição da própria Tiro predita:
O extremo desta destruição: será inteiramente arruinada (vv. 4-6, 12-14). 2. Os instrumentos desta destruição, muitas nações (v. 3), e o rei da Babilônia por nome, com seu vasto exército vitorioso (vv. 7-11).
A grande surpresa que isto daria às nações vizinhas, que todas se espantariam com a queda de tão grande cidade e seriam alarmadas por ela (vv. 15-21).
Versículos 1 a 13
O Peso de Tiro. (a.C. 588.)
Esta profecia é datada no décimo primeiro ano, que foi o ano em que Jerusalém foi tomada, e no primeiro dia do mês, mas não se diz qual mês.
Alguns pensam que fosse o mês em que Jerusalém foi tomada, que foi o quarto mês, outros o mês seguinte; ou talvez fosse o primeiro mês, e assim fosse o primeiro dia do ano. Observe aqui:
I. O prazer com que os tírios olhavam para as ruínas de Jerusalém. Ezequiel estava muito longe, na Babilônia, mas Deus lhe disse o que Tiro disse contra Jerusalém (v. 2):
“Ah! Ela está quebrada, quebrada em pedaços, aquela que constituía as portas do povo, à qual havia grande afluência e onde havia reunião geral de todas as nações, umas por um motivo e outras por outro, e ganharei com isto; espera-se que toda a riqueza, poder e influência que Jerusalém tinha sejam voltados para Tiro e assim, agora que ela está devastada, serei abastecida.”
Não encontramos que os tírios tivessem tal ódio e inimizade contra Jerusalém e o santuário como tinham os amonitas e edomitas, ou fossem tão despeitosos e danosos aos judeus.
Eram homens de negócios, de amplos contatos e livre convívio; e, por isso, não eram tão fanáticos nem tinham tal espírito perseguidor como as almas estreitas que viviam retiradas e não conheciam o mundo. Todo seu zelo era para obter bens e ampliar seu negócio, e consideravam Jerusalém não como inimiga, mas como rival.
Hirão, rei de Tiro, era bom amigo de Davi e Salomão, e não lemos de desavenças entre judeus e tírios.
Mas Tiro prometia a si mesma que a queda de Jerusalém lhe traria vantagem quanto ao negócio e comércio, que agora teria os clientes de Jerusalém, e que os grandes homens de todas as partes que vinham a Jerusalém para se aperfeiçoar e gastar ali seus bens agora viriam a Tiro e os gastariam lá.
E, ao passo que muitos, desde que o exército caldeu se tornou tão temível naquelas partes, se haviam retirado para Jerusalém e levado seus bens para lá por segurança, como fizeram os recabitas, agora virão a Tiro, que, sendo de certo modo cercada pelo mar, será julgada lugar de maior força que Jerusalém. E assim a prosperidade de Tiro se levantará das ruínas de Jerusalém.
Repare: estar secretamente contente com a morte ou declínio de outros, quando provavelmente ganharemos com isso, com sua queda quando podemos prosperar sobre ela, é pecado que muito facilmente nos assedia. Mas não se julga coisa tão má e tão provocadora a Deus como realmente é.
Somos propensos a dizer, quando os que nos barram a luz e estão em nosso caminho são removidos, quando quebram ou caem em desgraça: “Seremos abastecidos agora que eles estão devastados.”
Mas isto vem de princípio egoísta e cobiçoso, e do desejo de sermos postos sozinhos no meio da terra, como se nos ressentíssemos de que alguém vivesse junto de nós.
Isto vem da falta daquele amor ao próximo como a nós mesmos que a lei de Deus tão expressamente exige, e vem daquele amor desordenado ao mundo, visto como nossa felicidade, que o amor de Deus tão expressamente proíbe.
E é justo que Deus faça fracassar os desígnios e projetos dos que assim maquinam erguer-se sobre as ruínas de outros; e vemos que esses homens frequentemente se decepcionam.
II. O desagrado de Deus contra eles por isto. A providência de Deus fizera bem a Tiro. Tiro era cidade agradável e rica e poderia ter continuado assim se tivesse, como deveria ter feito, se compadecido de Jerusalém em suas calamidades e lhe enviado mensagem de condolências.
Mas, quando em vez disso se mostrou contente com a queda de sua vizinha, e talvez enviou mensagem de congratulação aos conquistadores, então Deus diz: “Eis que sou contra ti, ó Tiro!” (v. 3). E que ela não espere prosperar por muito tempo se Deus é contra ela.
- Deus trará sobre ela inimigos temíveis: muitas nações virão contra você, exército formado de muitas nações, ou uma nação que será tão forte quanto muitas. Os que têm Deus contra eles podem esperar todas as criaturas contra eles; pois que paz podem ter aqueles com quem Deus está em guerra?
Virão afluindo como as ondas do mar, uma no pescoço de outra, com força irresistível. A pessoa que trará este exército sobre eles é nomeada: Nabucodonosor, rei da Babilônia, rei de reis, que tinha muitos reis tributários seus e dependentes dele, além dos que eram seus cativos (Daniel 2:37, 38).
Ele é aquela cabeça de ouro. Virá com vasto exército, cavalos e carros, etc., todas forças terrestres.
Não encontramos que tivesse força naval alguma ou coisa alguma com que pudesse atacá-la pelo mar, o que tornava a tentativa tanto mais difícil, como encontramos em Ezequiel 29:18, onde é chamado grande serviço que prestou contra Tiro.
Fará um cerco regular à cidade (v. 8), construirá um forte e levantará um aterro, e (v. 9) porá engenhos de guerra contra os muros. Suas tropas serão tão numerosas que levantarão poeira que cobrirá a cidade (v. 10).
Farão ruído que até sacudirá os muros; e gritarão a cada ataque, como soldados fazem quando entram numa cidade em que se abriu uma brecha. Os cavalos saltitarão com tanto furor e violência que até pisotearão as ruas, por mais bem pavimentadas que sejam.
- Farão terrível execução da sentença:
(1.) O inimigo se tornará senhor de todas as suas fortificações, destruirá os muros e derrubará as torres (v. 4). Pois que muros são tão fortemente construídos que sejam defesa contra os juízos de Deus?
Suas fortes guarnições cairão ao chão (v. 11). E os muros serão derrubados (v. 12). A cidade resistiu a um longo cerco, mas ao final foi tomada.
(2.) Muito sangue será derramado: suas filhas que estão no campo, as cidades no continente sujeitas a Tiro como cidade-mãe, seus habitantes serão abatidos pela espada (v. 6). Os invasores começam pelos que primeiro vêm em seu caminho.
E (v. 11) ele abaterá seu povo com a espada; não apenas os soldados encontrados em armas, mas os cidadãos serão postos à espada, estando o rei da Babilônia altamente indignado contra eles por resistirem tanto tempo.
(3.) Toda a riqueza da cidade se tornará despojo para o conquistador (v. 12): farão presa da mercadoria. Era na esperança do saque que a cidade foi atacada com tanto vigor.
Veja a vaidade das riquezas, que são guardadas para prejuízo dos donos; atraem e recompensam ladrões. E não apenas deixam de beneficiar os que se esforçaram por elas e tinham justo direito a elas, mas são feitas servir aos inimigos desses donos, que por elas se tornam capazes de fazer tanto mais dano aos donos.
(4.) A própria cidade será posta em ruínas. Todas as casas agradáveis serão destruídas (v. 12), as que eram agradavelmente situadas, embelezadas e mobiliadas se tornarão monte de entulho. Ninguém se deleite demais com suas casas agradáveis, pois não sabe quão cedo pode ver sua desolação.
Tiro será inteiramente arruinada; o inimigo não apenas derrubará as casas, mas levará as pedras e a madeira e as porá no meio da água, para não serem recuperadas ou jamais usadas novamente.
Ou melhor: (v. 4) “Rasparei dela seu pó”; não apenas o pó solto será soprado para longe, mas o próprio chão em que está será arrancado pelo inimigo enfurecido, levado e posto no meio da água (v. 12). O fundamento está no pó; aquele pó será todo tirado, e então a cidade terá de cair naturalmente.
Quando Jerusalém foi destruída, foi arada como campo (Miquéias 3:12). Mas a destruição de Tiro é levada além disto; o próprio solo dela será raspado, e será feita como o topo de uma rocha (v. 4, 14), pura rocha que não tem terra para cobri-la.
Será apenas lugar para estender redes (v. 5, 14); servirá aos pescadores para ali secarem suas redes e as consertarem.
(5.) Haverá fim completo de toda sua festa e alegria (v. 13): “Farei cessar o ruído de teus cânticos”. Tiro fora cidade alegre (Isaías 23:7); com seus cânticos cortejara clientes para que fizessem negócios com ela.
Mas agora adeus a todo o seu comércio lucrativo e ao seu convívio agradável; Tiro não é mais lugar nem de negócios nem de diversão.
Por último, não será mais construída (v. 14), não mais construída como fora, com tal aparato e magnificência, nem mais construída no mesmo lugar, dentro do mar, nem construída em lugar algum por muito tempo; os habitantes presentes serão destruídos ou dispersos, de modo que esta Tiro não existirá mais.
Pois Deus o falou (v. 5, 14); e, quando o que disse for cumprido, saberão por isso que ele é o Senhor, e não homem para mentir nem filho do homem para se arrepender.
Versículos 15 a 21
O Peso de Tiro. (a.C. 588.)
A ruína completa de Tiro aqui é representada em figuras muito fortes e vivas, que são excessivamente comoventes.
- Veja quão alta, quão grande Tiro fora, quão improvável era que algum dia chegasse a isto. A lembrança da grandeza e abundância anteriores dos homens é grande agravante de sua desgraça e pobreza presentes.
Tiro era cidade renomada (v. 17), famosa entre as nações, “a cidade coroante”, como é chamada em Isaías 23:8, cidade que tinha coroas para dar, honrava todos a quem sorria, coroava a si mesma e todos ao redor.
Era habitada por gente dos mares, isto é, pelos que negociam no mar, pelos que de todas as partes ali vinham pelo mar, trazendo consigo a abundância dos mares e os tesouros escondidos na areia. Era forte no mar, de fácil acesso a seus amigos, mas inacessível a seus inimigos, fortificada por muro de água que a tornava inexpugnável.
De modo que ela, com sua pompa, e seus habitantes, com seu orgulho, faziam seu terror recair sobre todos os que visitavam aquela cidade e por qualquer motivo a frequentavam. Era bem fortificada e temível aos olhos de todos os que a conheciam. Todos temiam os tírios e receavam desagradá-los.
Repare: os que conhecem sua força são muito propensos a causar terror, a se orgulhar de assustar aqueles para quem são mais que páreo.
- Veja quão baixa, quão pequena Tiro é feita (v. 19, 20). Esta cidade renomada é feita cidade desolada, não é mais frequentada como foi; não há mais afluência de mercadores a ela. É como as cidades não habitadas, que não são cidades e, sem ninguém que as mantenha em reparo, decairão por si mesmas.
Tiro será como cidade submersa por uma inundação de águas que a cobrem e sobre a qual o abismo é feito subir. Assim como as ondas antes haviam sido sua defesa, assim agora serão sua destruição.
Será feita descer com os que descem à cova, com as cidades do mundo antigo que ficaram debaixo da água e com Sodoma e Gomorra, que jazem no fundo do mar Morto.
Ou estará na condição dos que foram sepultados há muito, do povo do tempo antigo, antigos habitantes da sepultura silenciosa, completamente apodrecidos debaixo do chão e completamente esquecidos acima do chão.
Tal será Tiro, livre entre os mortos, posta nas partes inferiores da terra, humilhada, mortificada, reduzida. Será como os lugares desolados desde tempos antigos, assim como pessoas mortas desde tempos antigos; será como outras cidades antes igualmente abandonadas e destruídas.
Não será habitada novamente; ninguém terá coragem de tentar reconstruí-la naquele ponto, de modo que não existirá mais. Os tírios se perderão entre as nações, de modo que as pessoas procurarão Tiro em Tiro em vão: você será procurada e nunca mais encontrada.
Novas pessoas podem construir nova cidade num novo ponto de chão próximo, que podem chamar Tiro, mas Tiro, como é, nunca mais existirá. Repare: as cidades mais fortes deste mundo, as mais fortificadas e mais providas, estão sujeitas ao declínio e podem em pouco tempo ser reduzidas a nada.
Na história de nossa própria ilha se fala de muitas cidades existentes quando os romanos estavam aqui, que agora nossos antiquários mal sabem onde procurar e das quais não resta mais evidência que urnas e moedas romanas desenterradas ali, às vezes acidentalmente.
No outro mundo, porém, esperamos uma cidade que permanecerá para sempre e florescerá em perfeição por todas as eras da eternidade.
- Veja em que angústia estão os habitantes de Tiro (v. 15): há grande matança feita no meio de você, muitos abatidos e grandes homens. É provável que, quando a cidade foi tomada, a maioria dos habitantes tenha sido posta à espada.
Então os feridos gritaram e gritaram em vão aos conquistadores sem piedade; gritaram por clemência, mas não lhes seria dada. Os feridos são abatidos sem misericórdia, ou antes, essa é a única misericórdia que lhes é mostrada, que o segundo golpe os livrará de sua dor.
- Veja em que consternação estão todos os vizinhos pela queda de Tiro. Isto aqui é elegantemente expresso, para mostrar quão espantoso seria:
(1.) As ilhas tremerão ao som de sua queda (v. 15), como, quando um grande mercador quebra, todos os que negociam com ele são abalados por isto e começam a olhar ao redor. Talvez tivessem bens em suas mãos, que temem perder.
Ou, quando veem alguém fracassar e ir à falência de repente, devendo muito mais do que vale, isto os faz temer por si mesmos, receando que lhes aconteça o mesmo. Assim as ilhas, que se julgavam seguras nos abraços do mar, ao verem Tiro cair, tremerão e serão perturbadas, dizendo: “Que será de nós?”.
E será bom se fizerem disto bom uso, tomando-o como aviso para não se julgarem seguros, mas para temerem Deus e seus juízos. A queda súbita de uma grande torre sacode o chão ao redor.
Assim todas as ilhas do mar Mediterrâneo se sentirão palpavelmente tocadas pela destruição de Tiro, sendo lugar do qual tinham tanto conhecimento, no qual tinham tais interesses e com o qual tinham tal correspondência constante.
(2.) Os príncipes do mar serão tocados por isto, os que governavam naquelas ilhas. Ou os ricos mercadores, que vivem como príncipes (Isaías 23:8), e os senhores de navios, que comandam como príncipes, estes lamentarão a queda de Tiro de maneira muito compassiva e pungente (v. 16).
“Descerão de seus tronos”, como negligenciando as incumbências de seus tronos e desprezando sua pompa. Tirarão suas vestes de aparato, suas roupas bordadas, e se vestirão inteiramente de tremores, com pano de saco que os fará estremecer.
Ou, por seus próprios atos e feitos, se farão tremer nesta ocasião; se assentarão no chão em vergonha e tristeza. Tremerão a todo momento pensando no que aconteceu a Tiro e por medo do que pode lhes acontecer; pois que ilha é segura se Tiro não o é?
“Levantarão lamentação por ti”, terão elegias e poemas de luto escritos sobre a queda de Tiro (v. 17). “Como estás destruída!”:
[1.] Lhes será grande surpresa e serão tocados por espanto de que um lugar tão bem fortificado por natureza e arte, tão famoso por sua sagacidade política e tão cheio de dinheiro, que constitui os nervos da guerra, que resistiu por tanto tempo e com tanta bravura, ao final seja tomado (v. 21): faço de você um terror.
Repare: é justo que Deus, pelo caráter repentino e insólito de seu castigo, faça daqueles que se fazem um terror para seus vizinhos pelo abuso de seu poder um terror para esses mesmos vizinhos. Tiro havia espalhado seu terror (v. 17) e agora se torna um exemplo terrível.
[2.] Lhes será grande aflição e serão tocados por tristeza (v. 17); levantarão lamentação por Tiro, julgando ser mil vezes lamentável que tal cidade rica e esplêndida fosse assim posta em ruínas. Quando Jerusalém, a cidade santa, foi destruída, não houve tais lamentações por ela.
Não era nada para os que passavam (Lamentações 1:12); mas, quando Tiro, a cidade negociante, caiu, foi universalmente lamentada. Repare: os que têm o mundo em seus corações lamentam a perda de grandes homens mais que a perda de homens bons.
[3.] Lhes será alto alarme: tremerão no dia de sua queda, porque terão motivo para julgar que sua própria vez será a próxima. Se Tiro cair, quem pode ficar de pé? Uivem, abetos, se tal cedro for sacudido.
Repare: a queda de outros deveria nos despertar de nossa segurança. A morte ou declínio de outros no mundo é freio para nós, quando sonhamos que nosso monte está firme e não será movido.
- Veja como a ruína irreparável de Tiro é agravada pela perspectiva da restauração de Israel. Assim Tiro afundará quando “eu puser glória na terra dos vivos” (v. 20). Repare:
(1.) A terra santa é a terra dos vivos; pois só almas santas são propriamente almas vivas. Onde sacrifícios vivos são oferecidos ao Deus vivo e onde estão os oráculos vivos, ali está a terra dos vivos; ali Davi esperava ver a bondade do Senhor (Salmos 27:13). Era tipo do céu, que é de fato a terra dos vivos.
(2.) Embora esta terra dos vivos possa por algum tempo ficar sob desgraça, contudo Deus novamente porá glória nela; a glória que partira voltará, e a restauração daquilo de que haviam sido privados será tanto mais sua glória. O próprio Deus será a glória das terras que são as terras dos vivos.
(3.) Agravará a miséria dos que têm sua porção na terra dos que morrem, dos que para sempre morrem, contemplar a felicidade dos que, ao mesmo tempo, terão sua porção eterna na terra dos vivos. Quando o rico estava ele próprio em tormento, viu Lázaro no seio de Abraão e glória posta para Lázaro na terra dos vivos.