Matthew Henry

Êxodo 17

Argumento

Dois trechos de narrativa estão registrados neste capítulo:

I. O provimento de água à hoste de Israel:

  1. No deserto, faltou-lhes água, v. 1.

  2. Na sua falta, altercaram com Moisés, v. 2, 3.

  3. Moisés clamou a Deus, v. 4.

  4. Deus lhe ordenou que ferisse a rocha e dali tirasse água; Moisés assim fez, v. 5, 6.

  5. O lugar denominado a partir disso, v. 7.

II. A derrota da hoste de Amaleque:

  1. A vitória obtida pela oração de Moisés, vv. 8-12.

  2. Pela espada de Josué, v. 13.

  3. O registro guardado disso, v. 14, 16.

E estas coisas que lhes aconteceram estão escritas para a nossa instrução na nossa jornada e no nosso combate espirituais.

Versículos 1 a 7

Os Israelitas Murmuram por Água. (a.C. 1491.)

Aqui está:

I. O aperto em que os filhos de Israel se viram por falta de água; uma vez antes já haviam estado em igual angústia, e agora, uma segunda vez, v. 1.

Eles viajavam segundo o mandamento do Senhor, guiados pela coluna de nuvem e de fogo, e ainda assim chegaram a um lugar onde não havia água para eles beberem.

Repare: podemos estar no caminho do nosso dever e mesmo assim encontrar adversidades, que a Providência traz sobre nós para provar a nossa fé, e para que Deus seja glorificado no nosso socorro.

II. O descontentamento e a desconfiança deles neste aperto. Diz-se (v. 3): “ali tiveram sede de água”.

Se não tinham água para beber, forçosamente teriam sede; mas isto indica não só que lhes faltava água e que sentiam o incômodo dessa falta, mas que a paixão lhes aguçou o apetite e que eram violentos e impacientes no seu desejo; a sede os tornou desatinados.

Os desejos naturais, e sobretudo os mais ávidos, precisam ser mantidos sob o freio e o controle da religião e da razão. Veja qual era a linguagem deste desejo desregrado:

  1. Eles desafiaram Moisés a supri-los (v. 2): “Dá-nos água para bebermos”, exigindo-a como dívida e suspeitando fortemente de que ele não fosse capaz de saldá-la.

Porque foram supridos de pão, insistem em que devem ser supridos de água também; e, de fato, para os que pela fé e pela oração vivem uma vida de dependência de Deus, um favor é penhor de outro, e pode ser humildemente alegado.

Mas os ingratos e incrédulos têm razão de pensar que o abuso dos favores passados é a perda dos favores ulteriores: “Não pensem eles que receberão coisa alguma” (Tiago 1:7); e no entanto estão prontos a exigir tudo.

  1. Entraram em desavença com ele por tê-los tirado do Egito, como se, em vez de libertá-los, ele planejasse assassiná-los, do que nada poderia ser mais vil e odioso, v. 3.

Muitos que não só planejaram bem, mas fizeram bem à sua geração, tiveram assim os seus melhores serviços mal interpretados, e por isso a sua paciência provada, por gente irrefletida e ingrata.

A tal ponto subiu a malícia deles contra Moisés que estavam quase prontos a apedrejá-lo, v. 4. Muitas boas obras ele lhes tinha mostrado; e por qual delas o apedrejariam? João 10:32.

Paixões desgovernadas, provocadas pela contrariedade de apetites desenfreados, às vezes tornam os homens culpados dos maiores absurdos, e os fazem agir como loucos, que lançam tições, flechas e morte entre os seus melhores amigos.

  1. Começaram a questionar se Deus estava com eles ou não. Eles tentaram o Senhor, dizendo: “Está o Senhor entre nós, ou não?” (v. 7). Perguntavam se Jeová estava entre eles por aquele nome pelo qual se fizera conhecer no Egito.

Eles questionam a presença essencial dele — se havia um Deus ou não; a providência comum dele — se esse Deus governava o mundo; e a promessa especial dele — se ele seria tão bom quanto a sua palavra para com eles.

Isto se chama tentar a Deus, o que significa não só uma desconfiança de Deus em geral, mas uma desconfiança dele depois de terem recebido tais provas do seu poder e da sua bondade, para confirmação da sua promessa.

Eles supõem, na prática, que Moisés era um impostor, Arão um enganador, a coluna de nuvem e de fogo uma pura farsa e ilusão que iludia os seus sentidos, aquela longa série de milagres que os havia resgatado, servido e alimentado uma cadeia de embustes, e a promessa de Canaã uma zombaria com eles; era tudo isso, se o Senhor não estava entre eles.

Repare: é grande provocação a Deus questionarmos a sua presença, a sua providência ou a sua promessa, especialmente que o Israel dele o faça, que está tão peculiarmente obrigado a confiar nele.

III. O rumo que Moisés tomou quando foi assim atacado e insultado:

  1. Ele repreendeu os murmuradores (v. 2): “Por que altercais comigo?” Observe com que mansidão ele lhes respondeu; foi bom que ele fosse homem de mansidão extraordinária, do contrário a conduta tumultuada deles o teria feito perder o domínio de si.

É loucura responder à paixão com paixão, porque isso torna o mau pior; mas respostas brandas desviam a cólera.

Ele lhes mostrou sobre quem recaíam os seus murmúrios, e que as censuras que lançavam sobre ele caíam sobre o próprio Deus: “Vós tentais o Senhor”; isto é: ao desconfiar do poder de Deus, punham à prova sua paciência e provocavam sua cólera.

  1. Ele levou a sua queixa a Deus (v. 4): “Moisés clamou ao Senhor”. “Esse servo veio e relatou ao seu senhor todas estas coisas”, Lucas 14:21.

Quando os homens nos censuram injustamente e entram em desavença conosco, será grande alívio para nós irmos a Deus e, pela oração, expor-lhe o caso e deixá-lo com ele.

Se os homens não nos ouvirem, Deus ouvirá; se a má conduta deles para conosco nos perturbar o espírito, as consolações de Deus o acalmarão.

Moisés pede a Deus que o oriente sobre o que devia fazer, porque estava totalmente perdido; ele não podia por conta própria nem suprir a falta deles nem apaziguar o tumulto; só Deus podia fazê-lo.

Ele alega o próprio perigo: “Estão quase prontos a apedrejar-me; Senhor, se tens algum respeito pela vida do teu pobre servo, intervém agora.”

IV. A graciosa aparição de Deus para socorro deles, v. 5, 6. Ele ordena a Moisés que vá adiante do povo e se arrisque no seu posto, ainda que falassem de apedrejá-lo.

Ele deve levar consigo a sua vara, não (como Deus com justiça poderia ter ordenado) para convocar esta ou aquela praga que os castigasse pela desconfiança e pelo murmúrio, mas para trazer água para o sustento deles.

Ó a maravilhosa paciência e a tolerância de Deus para com pecadores provocadores! Ele carrega de benefícios aqueles que o fazem servir com os seus pecados, sustenta os que estão em guerra com ele, e estende a mão da sua liberalidade aos que levantam o calcanhar contra ele.

Assim ele nos ensina, se o nosso inimigo tiver fome, a alimentá-lo, e se tiver sede, como Israel tinha agora, a dar-lhe de beber, Romanos 12:20; Mateus 5:44, 45. Faltará ele aos que confiam nele, quando foi tão liberal até com os que o tentaram?

Se Deus tivesse apenas mostrado a Moisés uma fonte de água no deserto, como fez a Agar não longe daqui (Gênesis 21:19), teria sido grande favor.

Mas, para mostrar tanto o seu poder quanto a sua compaixão, e para fazer disso um milagre de misericórdia, ele lhes deu água de uma rocha.

Ele orientou Moisés aonde ir, e determinou que levasse consigo alguns dos anciãos de Israel, para serem testemunhas do que se fazia, a fim de que eles mesmos ficassem convencidos, e pudessem convencer outros, da certeza da presença de Deus com eles.

Ele prometeu encontrá-lo ali na nuvem de glória (para encorajá-lo), e ordenou-lhe que ferisse a rocha.

Moisés obedeceu, e imediatamente saiu água da rocha em grande abundância, que correu por todo o acampamento em regatos e rios (Salmos 78:15, 16), e os seguiu por onde quer que fossem naquele deserto: é chamada de “fonte de águas”, Salmos 114:8.

Deus mostrou o cuidado que tinha do seu povo ao dar-lhes água quando lhes faltava; mostrou o seu poder ao tirar a água de uma rocha; e honrou Moisés ao determinar que a água jorrasse quando ele ferisse a rocha.

Esta água pura, que saiu da rocha, é chamada de “mel e azeite” (Deuteronômio 32:13), porque a sede do povo a tornava duplamente agradável; vindo quando estavam em extrema falta, era para eles como mel e azeite.

É provável que o povo cavasse canais para conduzi-la e tanques para recolhê-la, do mesmo modo que, muito depois, passando pelo vale de Baca, “fizeram dele um poço”, Salmos 84:6; Números 21:18.

Que isto nos oriente a viver em dependência:

  1. Da providência de Deus, mesmo nos maiores apertos e dificuldades. Deus pode abrir fontes para o nosso sustento onde menos as esperamos, “águas no deserto” (Isaías 43:20), porque “ele abre caminho no deserto”, Isaías 43:19.

Os que, neste deserto, se mantêm no caminho de Deus podem confiar que ele proverá para eles. Enquanto seguimos a coluna de nuvem e de fogo, certamente a bondade e a misericórdia nos seguirão, como a água que saía da rocha.

  1. Da graça de Cristo: “aquela rocha era Cristo”, 1 Coríntios 10:4. As graças e as consolações do Espírito são comparadas a “rios de água viva”, João 7:38, 39; 4:14.

Estas fluem de Cristo, que é a rocha ferida pela lei de Moisés, porque ele foi feito debaixo da lei.

Nada suprirá as necessidades, nem satisfará os desejos, de uma alma, senão a água desta rocha, desta fonte aberta.

Os prazeres dos sentidos são água de poça; os deleites espirituais são água de rocha, tão pura, tão clara, tão refrescante — rios de prazer.

V. Um novo nome foi dado ao lugar nesta ocasião, preservando a lembrança não da misericórdia do seu sustento (a água que os seguia bastava para isso), mas do pecado do seu murmúrio: Massá, tentação, porque tentaram a Deus; Meribá, contenda, porque altercaram com Moisés, v. 7.

Guardou-se assim a lembrança do pecado, tanto para a desonra dos próprios pecadores (o pecado deixa uma mancha no nome) quanto para advertência à sua descendência, para que se guardassem de pecar à semelhança da transgressão deles.

Versículos 8 a 16

O Conflito com Amaleque; A Derrota de Amaleque. (a.C. 1491.)

Temos aqui a história da guerra com Amaleque, que, podemos supor, foi a primeira registrada no livro das guerras do Senhor, Números 21:14.

Amaleque foi a primeira das nações com que Israel guerreou, Números 24:20. Observe:

I. A investida de Amaleque: “Eles saíram e pelejaram contra Israel”, v. 8.

Os amalequitas eram a posteridade de Esaú, que odiou a Jacó por causa do direito de primogenitura e da bênção, e isto foi uma manifestação daquela inimizade hereditária, uma malícia que corria no sangue e talvez se acirrasse agora à medida que a promessa avançava para o seu cumprimento. Considere isto:

  1. Como aflição de Israel. Eles tinham andado em desavença com Moisés (v. 2), e agora Deus manda os amalequitas para entrarem em desavença com eles; as guerras lá fora são o justo castigo das contendas e dos descontentamentos em casa.

  2. Como pecado de Amaleque; é assim que isso é contado, Deuteronômio 25:17, 18.

Eles não os enfrentaram de frente com ousadia, como inimigo magnânimo, mas, sem nenhuma provocação dada por Israel nem desafio lançado a eles, caíram vilmente sobre a retaguarda deles e feriram os que estavam desfalecidos e débeis e não podiam resistir nem fugir.

Nisto desafiaram aquele poder que tão recentemente arruinara os egípcios; mas foi em vão que atacaram um arraial guardado e abastecido por milagres: na verdade, não sabiam o que faziam.

II. O combate de Israel com Amaleque, em defesa necessária contra os agressores. Observe:

  1. O posto designado a Josué, de quem esta é a primeira menção: ele é nomeado comandante-chefe nesta expedição, para que fosse treinado nos serviços a que estava destinado depois da morte de Moisés, e fosse homem de guerra desde a sua mocidade.

Ele recebe ordem de destacar um corpo de homens escolhidos dentre os milhares de Israel e de repelir os amalequitas, v. 9.

Quando os egípcios os perseguiram, Israel tinha de ficar parado e ver o que Deus faria; mas agora se exigia que eles se mexessem. Repare: deve-se confiar em Deus no uso dos meios.

  1. O posto assumido por Moisés: “Eu estarei no cimo do outeiro com a vara de Deus na minha mão”, v. 9.

Veja como Deus habilita o seu povo para os diversos serviços em prol do bem da sua igreja, e para eles o chama: Josué peleja, Moisés ora, e ambos servem a Israel.

Moisés subiu ao cimo do outeiro e se colocou, provavelmente, de modo a ser visto por Israel; ali ergueu na mão a vara de Deus, aquela vara operadora de maravilhas que convocara as pragas do Egito, e sob a qual Israel saíra da casa da servidão.

Esta vara Moisés ergueu diante de Israel, para animá-los; a vara era erguida como bandeira para encorajar os soldados, que podiam olhar para cima e dizer: “Lá está a vara, e lá a mão que a usou, quando tais coisas gloriosas foram feitas por nós.”

Repare: contribui muito para o encorajamento da fé refletir sobre as grandes coisas que Deus fez por nós e passar em revista os monumentos dos seus favores.

Moisés ergueu também esta vara para Deus, à maneira de apelo a ele: “Não é do Senhor a batalha? Não é ele capaz de ajudar, e não está comprometido a ajudar? Testemunhe esta vara, cuja voz, assim erguida, é (Isaías 51:9, 10): ‘Veste-te de força, ó braço do Senhor; não és tu aquele que cortou a Raabe?'”

Moisés não era só porta-estandarte, mas intercessor, pleiteando com Deus por êxito e vitória.

Repare: quando a hoste sai contra o inimigo, orações fervorosas devem ser feitas ao Deus das hostes pela sua presença com ela.

É aqui que a legião que ora se prova a legião que troveja. Ali, em Salém, em Sião, onde se faziam orações, ali a vitória foi ganha, ali quebrou as flechas do arco, Salmos 76:2, 3. Observe:

(1.) Como Moisés se cansou (v. 12): “as suas mãos estavam pesadas”. O braço mais forte desfalece quando fica muito tempo estendido; só de Deus é a mão que está estendida continuamente.

Não achamos que as mãos de Josué estivessem pesadas em pelejar, mas as mãos de Moisés estavam pesadas em orar. Quanto mais espiritual é um serviço, mais propensos somos a falhar e a afrouxar nele.

O trabalho de orar, se feito com a devida intensidade de mente e vigor de afeto, será achado trabalho duro, e, ainda que o espírito esteja pronto, a carne será fraca.

O nosso grande Intercessor no céu não desfalece nem se cansa, ainda que se aplique continuamente a esta mesma coisa.

(2.) Que influência a vara de Moisés teve sobre a batalha (v. 11): quando Moisés erguia a mão em oração (assim o explica o Caldeu), Israel prevalecia; mas, quando abaixava a mão da oração, Amaleque prevalecia.

Para convencer Israel de que a mão de Moisés (com quem eles acabavam de altercar) contribuía mais para a segurança deles do que as próprias mãos deles, e a vara dele mais do que a espada deles, o êxito sobe e desce conforme Moisés levanta ou abaixa as mãos.

Ao que parece, a balança oscilou por algum tempo antes de pender para o lado de Israel. Até a melhor causa deve esperar decepções como liga misturada aos seus êxitos; ainda que a batalha seja do Senhor, Amaleque pode prevalecer por um tempo.

A razão foi que Moisés abaixou as mãos. Repare: a causa da igreja é, comumente, mais ou menos bem-sucedida conforme os amigos da igreja são mais ou menos fortes na fé e fervorosos na oração.

(3.) O cuidado que se tomou para o amparo de Moisés. Quando ele já não pôde ficar em pé, sentou-se, não numa cadeira de estado, mas sobre uma pedra (v. 12); quando não pôde manter as mãos erguidas, quis que as mantivessem erguidas.

Moisés, o homem de Deus, alegra-se com o auxílio de Arão, seu irmão, e de Hur, que, segundo alguns pensam, era seu cunhado, marido de Miriã.

Não devemos ser esquivos nem em pedir ajuda aos outros nem em dar ajuda aos outros, porque somos membros uns dos outros.

As mãos de Moisés, assim amparadas, ficaram firmes até o pôr do sol; e, ainda que fosse com muito custo que ele aguentou, a sua mente disposta foi aceita.

Sem dúvida foi grande encorajamento para o povo ver Josué diante deles no campo de batalha e Moisés acima deles no cimo do outeiro.

Cristo é para nós tanto um quanto outro: o nosso Josué, o capitão da nossa salvação, que peleja as nossas batalhas, e o nosso Moisés, que, no mundo de cima, vive sempre para interceder, para que a nossa fé não desfaleça.

III. A derrota de Amaleque. A vitória pairou por algum tempo entre os arraiais; às vezes Israel prevalecia e às vezes Amaleque, mas Israel levou a melhor, v. 13.

Ainda que Josué pelejasse com grandes desvantagens — os seus soldados sem disciplina, mal armados, habituados de longa data à servidão e propensos a murmurar —, por meio deles Deus operou uma grande salvação e fez Amaleque pagar caro pela sua insolência.

Repare: as armas forjadas contra o Israel de Deus não podem prosperar por muito tempo, e ao fim serão quebradas. A causa de Deus e do seu Israel será vitoriosa.

Ainda que Deus tenha dado a vitória, diz-se que “Josué desbaratou a Amaleque”, porque Josué era tipo de Cristo, e do mesmo nome, e é nele que somos mais que vencedores.

Foi só o braço dele que despojou os principados e as potestades e derrotou toda a força deles.

IV. Os troféus desta vitória, erguidos:

  1. Moisés cuidou de que Deus tivesse a glória dela (v. 15); em vez de erguer um arco triunfal em honra de Josué (ainda que fosse proceder louvável pôr marcas de honra sobre ele), ele edifica um altar em honra de Deus, e podemos supor que não foi altar sem sacrifício.

Mas o que se registra com mais cuidado é a inscrição sobre o altar, Jeová-nissi — O Senhor é a minha bandeira, que provavelmente se refere ao erguer da vara de Deus como bandeira nesta ação.

A presença e o poder de Jeová eram a bandeira sob a qual se alistaram, pela qual eram animados e mantidos unidos, e que por isso ergueram no dia do seu triunfo.

No nome do nosso Deus devemos sempre arvorar as nossas bandeiras, Salmos 20:5. É justo que aquele que faz toda a obra tenha todo o louvor.

  1. Deus cuidou de que a posteridade tivesse o consolo e o proveito dela: “Escreve isto para memória, não em papéis avulsos, mas num livro; escreve-o e depois recita-o aos ouvidos de Josué; que ele seja encarregado deste memorial, para transmiti-lo às gerações vindouras.”

Moisés tinha agora de começar a manter um diário ou registro dos acontecimentos; é a primeira menção de escrita que encontramos na Escritura, e talvez a ordem não tenha sido dada senão depois de escrita a lei nas tábuas de pedra.

“Escreve-o in perpetuam rei memoriam — para que o desfecho fique em perpétua lembrança; o que está escrito permanece.”

(1.) “Escreve o que foi feito, o que Amaleque fez contra Israel; escreve em fel o ódio amargo deles, escreve em sangue as suas tentativas cruéis, que nunca sejam esquecidas, nem tampouco o que Deus fez por Israel ao salvá-los de Amaleque.”

“Que as eras vindouras saibam que Deus peleja pelo seu povo, e que quem lhes toca toca a menina do seu olho.”

(2.) “Escreve o que há de ser feito:

[1.] Que, com o correr do tempo, Amaleque será totalmente arruinado e desarraigado (v. 14), e que ele só será lembrado na história.”

Amaleque teria cortado o nome de Israel, para que não houvesse mais lembrança dele (Salmos 83:4, 7); e por isso Deus não só o frustra nisso, como corta o nome dele.

“Escreve isto para o encorajamento de Israel, sempre que os amalequitas lhes forem um incômodo: que Israel enfim, sem dúvida, triunfará na queda de Amaleque.”

Esta sentença foi executada em parte por Saul (1 Samuel 15) e por completo por Davi (1 Samuel 30; 2 Samuel 1:1; 8:12); depois do tempo dele nunca mais lemos sequer o nome de Amaleque.

[2.] Que nesse meio-tempo Deus teria uma controvérsia contínua com ele (v. 16): “Porque a mão dele está sobre o trono do Senhor”, isto é, contra o arraial de Israel, no qual o Senhor governava.

Este era o lugar do seu santuário, e por isso é chamado de “trono glorioso e excelso desde o princípio” (Jeremias 17:12); por isso “o Senhor terá guerra com Amaleque de geração em geração”.

Isto foi escrito como orientação a Israel para nunca fazer pacto algum com os amalequitas, mas olhá-los como inimigos irreconciliáveis, condenados à ruína.

A destruição de Amaleque era típica da destruição de todos os inimigos de Cristo e do seu reino. Quem quer que faça guerra ao Cordeiro, o Cordeiro os vencerá.


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