Êxodo 13
Argumento
Neste capítulo temos:
I. As ordens que Deus deu a Israel:
De santificar-lhe todos os seus primogênitos, v. 1, 2.
De não deixar de lembrar o seu livramento do Egito (v. 3, 4) e, em memória dele, de guardar a festa dos pães asmos, vv. 5-7.
De transmitir aos seus filhos, com todo o cuidado possível, o conhecimento disso, vv. 8-10.
De separar para Deus as primeiras crias do seu gado (vv. 11-13), e de explicar isso também aos seus filhos, vv. 14-16.
II. O cuidado que Deus teve de Israel, quando os tinha tirado do Egito:
Escolhendo para eles o seu caminho, v. 17, 18.
Guiando-os no caminho, vv. 20-22.
E III. O cuidado deles com os ossos de José, v. 19.
Versículos 1 a 10
A Santificação dos Primogênitos. (a.C. 1491.)
Aqui se toma o cuidado de perpetuar a lembrança:
I. Da preservação dos primogênitos de Israel, quando os primogênitos dos egípcios foram mortos.
Em memória desse favor especial, e em gratidão por ele, os primogênitos, em todas as gerações, deviam ser consagrados a Deus, como propriedade particular dele (v. 2), e ser resgatados, v. 13.
Deus, que pelo direito de criação é proprietário e soberano de todas as criaturas, reivindica aqui em particular os primogênitos dos israelitas, por direito de proteção: “Santifica-me todos os primogênitos”.
Os pais não deviam olhar para si mesmos como tendo direito sobre os seus primogênitos, enquanto não os tivessem primeiro apresentado solenemente a Deus, reconhecido o título que ele tem sobre eles, e recebido de volta dele, a certo preço. Repare:
- Aquilo que por misericórdia especial e distintiva nos é poupado deve ser de maneira peculiar dedicado à honra de Deus.
Ao menos algum reconhecimento agradecido, em obras de piedade e de caridade, deve ser feito, quando as nossas vidas, ou as vidas dos nossos filhos, nos foram dadas por despojo.
- Deus, que é o primeiro e o melhor, deve ter o primeiro e o melhor, e a ele devemos entregar aquilo que nos é mais caro e mais valioso.
Os primogênitos eram a alegria e a esperança das suas famílias. “Portanto, eles serão meus”, diz Deus.
Por isto ficará claro que amamos a Deus acima de tudo (como devemos), se estivermos dispostos a abrir mão, em favor dele, daquilo que mais amamos neste mundo.
- É a igreja dos primogênitos que é santificada para Deus, Hebreus 12:23.
Cristo é “o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29), e, em virtude da união deles com ele, todos os que nascem de novo, e nascem do alto, são contados como primogênitos.
Há uma excelência de dignidade e de poder que lhes pertence; e, se filhos, então herdeiros.
II. A lembrança da saída deles do Egito também deve ser perpetuada: “Lembrai-vos deste dia”, v. 3. Deviam guardar bem a sua lembrança, como o dia mais notável da sua vida: o nascimento da sua nação, ou a chegada dela à maioridade, quando já não estaria sob a vara.
Assim deve ser lembrado o dia da ressurreição de Cristo, porque nele fomos ressuscitados com Cristo para fora da casa de servidão da morte.
A Escritura não nos diz expressamente em que dia do ano Cristo ressuscitou (como Moisés disse aos israelitas em que dia do ano foram tirados do Egito, para que o lembrassem todo ano), mas diz muito particularmente que dia da semana era, dando a entender claramente que, como o livramento mais valioso e de maior importância, ele deve ser lembrado semanalmente.
Lembrai-vos dele, porque “com força de mão o Senhor vos tirou”.
Repare: quanto mais de Deus e do seu poder aparece num livramento, mais memorável ele é. Ora, para que ele seja lembrado:
- Eles devem ter o cuidado de guardar a festa dos pães asmos, vv. 5-7.
Não bastava que se lembrassem dela, mas deviam celebrar o memorial dela do modo que Deus havia designado, e usar os meios instituídos para preservar a lembrança dela.
Assim, debaixo do evangelho, não devemos apenas lembrar-nos de Cristo, mas fazer isto em memória dele.
Observe quão estrita é a proibição do fermento (v. 7): não só nenhum fermento deve ser comido, mas nenhum deve ser visto, não, nem mesmo em qualquer parte do seu território.
Por conseguinte, o costume dos judeus era, antes da festa da páscoa, lançar fora de casa todo o pão levedado: queimavam-no, ou o enterravam, ou o partiam miúdo e o espalhavam ao vento.
Procuravam com diligência, com velas acesas, em todos os cantos das suas casas, para que não ficasse fermento algum.
O cuidado e o rigor exigidos nesta matéria tinham por desígnio:
(1.) Tornar a festa tanto mais solene, e por consequência tanto mais notada pelos seus filhos, que perguntariam: “Por que se faz tanto alvoroço?”
(2.) Ensinar-nos quão solícitos devemos ser em lançar de nós todo pecado, 1 Coríntios 5:7.
- Eles devem instruir os seus filhos no significado dela, e relatar-lhes a história do seu livramento do Egito, v. 8. Repare:
(1.) Deve-se ter cuidado desde cedo de instruir as crianças no conhecimento de Deus. Aqui está uma lei antiga para a catequese.
(2.) É particularmente de grande proveito dar a conhecer às crianças, desde cedo, as histórias da Escritura, e torná-las familiares a elas.
(3.) É uma dívida que devemos à honra de Deus, e ao proveito das almas dos nossos filhos, contar-lhes as grandes obras que Deus fez pela sua igreja, tanto as que vimos com os nossos olhos, feitas em nossos dias, quanto as que ouvimos com os nossos ouvidos e os nossos pais nos contaram: “Naquele dia mostrarás ao teu filho” (o dia da festa) “estas coisas”.
Quando estivessem celebrando a ordenança, deviam explicá-la. Cada coisa é formosa no seu tempo.
A páscoa é designada “por sinal, e por memorial, para que a lei do Senhor esteja na tua boca”.
Repare: devemos reter a lembrança das obras de Deus, para que permaneçamos debaixo da influência da lei de Deus.
E os que têm a lei de Deus no coração devem tê-la na boca, e falar dela muitas vezes, para tanto mais comover a si mesmos e instruir os outros.
Versículos 11 a 16
O Direito de Deus sobre os Primogênitos. (a.C. 1491.)
Aqui temos:
I. Mais instruções acerca da dedicação dos seus primogênitos a Deus:
- As primeiras crias do seu gado deviam ser dedicadas a Deus, como parte dos seus bens. As dos animais limpos — bezerros, cordeiros e cabritos —, se fossem machos, deviam ser sacrificadas, Êxodo 22:30; Números 18:17, 18.
As dos animais imundos, como os potros, deviam ser resgatadas com um cordeiro, ou mortas com um golpe na cabeça. Pois tudo o que é imundo (como todos nós somos por natureza), se não for resgatado, será destruído, v. 11, 13.
- Os primogênitos dos seus filhos deviam ser resgatados, e de modo nenhum sacrificados, como os gentios sacrificavam os seus filhos a Moloque. O preço do resgate do primogênito foi fixado pela lei (Números 18:16) em cinco siclos.
Todos nós estávamos expostos à cólera e à maldição de Deus; pelo sangue de Cristo somos resgatados, para que sejamos unidos à igreja dos primogênitos.
Eles deviam resgatar os seus filhos, assim como as primeiras crias dos animais imundos, pois os nossos filhos são por natureza contaminados. “Quem pode tirar coisa limpa da imunda?”
II. Mais instruções acerca de catequizar os seus filhos, e todos os da geração que ia surgindo, de tempos em tempos, nesta matéria:
Supõe-se que, ao verem todas as primeiras crias assim consagradas, eles perguntariam o sentido daquilo, e os seus pais e mestres deviam dizer-lhes (vv. 14-16) que o direito especial de Deus sobre os seus primogênitos, e sobre todas as primeiras crias, se fundava na preservação especial que ele lhes deu da espada do anjo destruidor.
Tendo sido assim livrados, eles deviam servi-lo. Repare:
- As crianças devem ser orientadas e estimuladas a fazer aos pais perguntas sobre as coisas de Deus — prática que seria talvez, de todas, a maneira mais proveitosa de catequizar; e os pais devem prover-se de conhecimento útil, para estarem sempre prontos a dar resposta às indagações delas.
Se algum dia o conhecimento de Deus cobrir a terra, como as águas cobrem o mar, é preciso que primeiro se rompam as fontes da instrução familiar.
- Todos nós deveríamos ser capazes de mostrar a razão do que fazemos em religião. Assim como os sacramentos são santificados pela palavra, assim também devem ser explicados e entendidos por ela.
O serviço de Deus é racional e é aceitável quando o prestamos com entendimento, sabendo o que fazemos e por que o fazemos.
- Deve-se observar quantas vezes se diz neste capítulo que “com força de mão” (v. 3, 14, 16), “com mão forte” (v. 9), o Senhor os tirou do Egito.
Quanto mais oposição se faz ao cumprimento dos propósitos de Deus, tanto mais o poder dele é engrandecido nisso. É mão forte a que vence corações duros.
Às vezes se diz que Deus opera livramento “não por força nem por poder” (Zacarias 4:6), não por manifestações visíveis do seu poder como a que se registra aqui.
- A sua posteridade, que nasceria em Canaã, é orientada a dizer: “O Senhor nos tirou do Egito”, v. 14, 16.
As misericórdias feitas aos nossos pais são misericórdias feitas a nós; colhemos o benefício delas e, por isso, devemos manter viva a lembrança agradecida delas.
Estamos assentados sobre o fundamento de livramentos passados, e estávamos nos lombos dos nossos antepassados quando eles foram livrados. Muito mais razão temos para dizer que na morte e ressurreição de Jesus Cristo nós fomos resgatados.
Versículos 17 a 22
A Coluna de Nuvem e de Fogo. (a.C. 1491.)
Aqui está:
I. A escolha que Deus fez do caminho deles, v. 17, 18.
Ele era o guia deles. Moisés dava a instrução, mas só conforme a recebia do Senhor. Repare: “O caminho do homem não está nele mesmo”, Jeremias 10:23.
Ele pode traçar o seu caminho e planejá-lo; mas, apesar de tudo, é Deus que “dirige os seus passos”, Provérbios 16:9.
O homem propõe, mas Deus dispõe, e na disposição dele temos de aquiescer, e nos pôr a seguir a providência.
Havia dois caminhos do Egito para Canaã. Um era um atalho do norte do Egito até o sul de Canaã, talvez uns quatro ou cinco dias de viagem; o outro dava uma volta muito maior, pelo deserto, e foi por esse que Deus escolheu conduzir o seu povo Israel, v. 18.
- Havia muitas razões pelas quais Deus os conduziu pelo caminho do deserto do mar Vermelho.
Os egípcios deviam ser afogados no mar Vermelho. Os israelitas deviam ser humilhados e provados no deserto, Deuteronômio 8:2.
Deus tinha dado isso a Moisés por sinal (Êxodo 3:12): “Vós servireis a Deus neste monte.”
Eles tinham dito a Faraó, vez após vez, que precisavam ir três dias de viagem pelo deserto para oferecer sacrifício, e por isso era necessário que voltassem a marcha para aquele lado; do contrário, teriam sido justamente denunciados como dissimuladores notórios.
Antes de entrarem em campo com os seus inimigos, as coisas tinham de ser acertadas entre eles e o seu Deus: leis deviam ser dadas, ordenanças instituídas, alianças seladas e o contrato original ratificado.
Para isso era necessário que se retirassem para a solidão do deserto, o único lugar reservado capaz de acolher tal multidão; a estrada principal não seria lugar próprio para essas transações.
Diz-se (Deuteronômio 32:10): “Ele os conduziu em redor” — algumas centenas de milhas em redor —, e no entanto (Salmos 107:7): “Ele os conduziu pelo caminho direito.”
O caminho de Deus é o caminho direito, ainda que pareça dar volta. Se pensamos que ele não conduz o seu povo pelo caminho mais curto, ainda assim podemos ter certeza de que o conduz pelo melhor caminho, e assim aparecerá quando chegarmos ao fim da nossa viagem. Não julgue nada antes do tempo.
- Havia uma razão pela qual Deus não os conduziu pelo caminho mais curto, que os teria levado, depois de poucos dias de marcha, à terra dos filisteus (porque era aquela parte de Canaã que ficava mais perto do Egito): a saber, porque ainda não estavam aptos para a guerra, muito menos para a guerra com os filisteus, v. 17.
O ânimo deles estava quebrado pela escravidão; não era fácil para eles voltar as mãos, de repente, da colher de pedreiro para a espada.
Os filisteus eram inimigos temíveis, ferozes demais para serem enfrentados por recrutas sem experiência; era mais conveniente que começassem com os amalequitas e fossem preparados para as guerras de Canaã experimentando as dificuldades do deserto.
Repare: Deus proporciona as provas do seu povo às forças deles, e não permitirá que “sejam tentados além do que podem”, 1 Coríntios 10:13.
Essa promessa, comparada com os versículos anteriores, parecerá referir-se a este acontecimento, como um exemplo dele.
Deus conhece a nossa constituição e considera a nossa fraqueza e a nossa pusilanimidade, e por provas menores nos preparará para as maiores.
Diz-se que Deus tira Israel do Egito como a águia cria os seus filhotes (Deuteronômio 32:11), ensinando-os a voar aos poucos.
Dadas assim as ordens sobre o caminho que deviam seguir, é-nos dito:
(1.) Que eles, de sua parte, subiram, não como uma turba desordenada, mas em boa ordem, em filas e fileiras: “subiram armados”, v. 18.
Subiram de cinco em cinco por fila (dizem alguns), em cinco esquadrões (dizem outros). Marchavam como um exército com bandeiras, o que muito acrescentava à força e à honra deles.
(2.) Que levaram consigo os ossos de José (v. 19), e provavelmente os ossos dos demais filhos de Jacó, a não ser que (como alguns pensam) tivessem sido levados em segredo para Canaã (Atos 7:16), separadamente, à medida que morriam.
José tinha determinado expressamente que os seus ossos fossem levados quando Deus os visitasse (Gênesis 50:25, 26). De modo que levá-los não era só o cumprimento do juramento que os seus pais tinham feito a José, mas um reconhecimento do cumprimento da promessa que Deus lhes fizera por meio de José: que os visitaria e os tiraria da terra do Egito.
E um encorajamento à fé e à esperança deles de que ele cumpriria a outra parte da promessa, que era levá-los a Canaã; na expectativa disso é que carregaram esses ossos consigo enquanto vagaram pelo deserto.
Eles podiam pensar: “Os ossos de José têm de repousar por fim, e então nós repousaremos.”
Diz-se que Moisés levou consigo esses ossos. Moisés era agora um homem muito grande; José também o tinha sido no seu tempo, e no entanto agora não passava de uma caixa cheia de ossos secos.
Era tudo o que restava dele neste mundo, o que podia servir de advertência a Moisés para lembrar-se da sua mortalidade.
“Eu disse: Vós sois deuses” — foi dito assim a Moisés expressamente (Êxodo 7:1) —, “mas morrereis como homens.”
II. Aqui está a direção com que foram abençoados no caminho: “O Senhor ia adiante deles numa coluna”, v. 21, 22.
Nas duas primeiras etapas bastava que Deus indicasse a Moisés para onde marchar: ele conhecia bem o país e a estrada.
Mas agora que tinham chegado à borda do deserto (v. 20), precisariam de um guia; e tinham um guia muito bom, um que era infinitamente sábio, bondoso e fiel.
“O Senhor ia adiante deles” — a shechinah (ou aparição da Majestade divina, que era tipo de Cristo), ou uma manifestação prévia da Palavra eterna, que, na plenitude do tempo, seria feita carne e habitaria entre nós.
Cristo esteve com a igreja no deserto, 1 Coríntios 10:9. Agora “o seu Rei passou diante deles, sim, o Senhor à frente deles”, Miquéias 2:13.
Repare: aqueles que Deus traz para um deserto ele não deixará nem perderá lá, mas cuidará de conduzi-los através dele.
Podemos bem pensar que era uma satisfação muito grande para Moisés e para os israelitas piedosos ter certeza de que estavam sob a direção divina.
Os que assim eram conduzidos não precisavam temer errar o caminho, nem os que assim eram dirigidos, perder-se; os que assim eram iluminados não precisavam temer ser surpreendidos pela noite, nem os que assim eram protegidos, ser roubados.
Aqueles que fazem da glória de Deus o seu fim e da palavra de Deus a sua regra, do Espírito de Deus o guia dos seus afetos e da providência de Deus o guia dos seus negócios, podem estar confiantes de que o Senhor vai adiante deles, tão verdadeiramente quanto foi adiante de Israel no deserto, ainda que não de modo tão perceptível aos sentidos; temos de viver pela fé.
- Eles tinham evidências perceptíveis aos sentidos de que Deus ia adiante deles.
Todos viram uma aparição vinda do céu, de uma coluna que, no claro do dia, parecia de nuvem, e na escuridão da noite parecia de fogo.
Comumente vemos que aquilo que é chama de noite é fumaça de dia; assim era esta coluna.
Deus lhes deu essa demonstração ocular da sua presença, em compaixão da fraqueza da fé deles, e atendendo àquele estado de infância da igreja, que precisava que se balbuciasse com ela na sua própria língua.
Mas bem-aventurados os que não viram e no entanto creram na presença graciosa de Deus com eles, segundo a promessa dele.
- Eles tinham efeitos perceptíveis aos sentidos de que Deus ia adiante deles nesta coluna. Porque:
(1.) Ela abria o caminho naquele deserto vasto e uivante, em que não havia estrada, nem trilha, nem marco de caminho, do qual não tinham mapas, e pelo qual não tinham guias.
Quando marchavam, esta coluna ia adiante deles, no ritmo em que podiam segui-la, e determinava o lugar do seu acampamento, conforme a Sabedoria Infinita achava conveniente, o que tanto os aliviava do cuidado quanto os punha a salvo do perigo, tanto ao marchar quanto ao repousar.
(2.) Ela os abrigava de dia do calor, que, em algumas épocas do ano, era extremo.
(3.) Ela lhes dava luz de noite quando tinham ocasião para isso, e em todo tempo tornava o seu acampamento agradável e o deserto em que estavam menos assustador.
III. Estes eram milagres constantes e permanentes (v. 22): “Ele não tirou a coluna de nuvem”; não, nem mesmo quando pareciam ter menos necessidade dela, viajando por países habitados; não, nem mesmo quando murmuravam e provocavam a Deus.
Ela nunca os deixou até levá-los às fronteiras de Canaã. Era uma nuvem que o vento não podia dispersar.
Esse favor é reconhecido com gratidão muito tempo depois, Neemias 9:19; Salmos 78:14. Havia algo espiritual nesta coluna de nuvem e de fogo.
- Os filhos de Israel “foram batizados em Moisés nesta nuvem”, que, alguns pensam, destilava orvalho sobre eles, 1 Coríntios 10:2.
Ao virem para debaixo desta nuvem, eles significavam que se punham sob a direção e o mando divinos pelo ministério de Moisés.
A proteção atrai a lealdade; esta nuvem era o distintivo da proteção de Deus, e assim se tornou o vínculo da lealdade deles.
Assim eles foram iniciados e admitidos sob aquele governo, agora que estavam entrando no deserto.
- Alguns fazem desta nuvem um tipo de Cristo. A nuvem da sua natureza humana era um véu para a luz e o fogo da sua natureza divina.
Encontramo-lo (Apocalipse 10:1) “vestido de uma nuvem, e os seus pés como colunas de fogo”.
Cristo é o nosso caminho, a luz do nosso caminho e o guia dele.
- Ela significava a direção e a proteção especiais que a igreja de Cristo tem neste mundo.
O próprio Deus é o guarda de Israel, e ele “não dormita nem dorme”, Salmos 121:4; Isaías 27:3.
Há uma defesa criada, não só sobre as assembleias de Sião, mas sobre cada morada em Sião. Veja Isaías 4:5, 6.
Ou melhor: todo verdadeiro israelita está escondido à sombra das asas de Deus (Salmos 17:8); os anjos, cujo ministério foi utilizado nesta nuvem, são empregados para o bem deles e armam as suas tendas ao redor deles.
“Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu, ó povo?”