Matthew Henry

Deuteronômio 23

Argumento

As leis deste capítulo tratam: I. Da preservação da pureza e da honra das famílias de Israel, excluindo os que as desonrariam, vv. 1-8. II. Da preservação da pureza e da honra do acampamento de Israel quando estivesse em marcha, vv. 9-14. III. Do encorajamento e acolhimento dos escravos que fugissem para Israel, v. 15, 16.

IV. Da proibição da prostituição, v. 17, 18. V. Da proibição dos juros, v. 19, 20. VI. Do cumprimento dos votos, vv. 21-23. VII. Da liberdade de comer na plantação ou na vinha do próximo e de seus limites, v. 24, 25.

Versículos 1 a 8

Leis de Separação. (a.C. 1451.)

Os intérpretes não concordam sobre o que significa aqui “entrar na congregação do Senhor”, o que se proíbe para os eunucos, os bastardos, os amonitas e os moabitas para sempre, mas apenas até a terceira geração para os edomitas e os egípcios. 1. Alguns pensam que ficam excluídos da participação nos cultos do povo de Deus.

Embora eunucos e bastardos fossem reconhecidos como membros da igreja e amonitas e moabitas pudessem ser circuncidados e convertidos à religião judaica, eles e suas famílias deveriam por algum tempo levar marcas de desonra, lembrando a rocha de onde foram talhados. Não poderiam aproximar-se do santuário tanto quanto os outros nem desfrutar de comunhão tão livre com os israelitas.

  1. Outros pensam que ficam impedidos de exercer cargos na congregação: nenhum deles poderia ser ancião ou juiz, para que a honra da magistratura não fosse manchada.

  2. Outros pensam que são excluídos apenas do casamento com israelitas. É assim que o erudito bispo Patrick tende a entender a lei. Contudo, vemos que, quando ela foi executada depois do cativeiro, separaram de Israel não só as esposas estrangeiras, mas também toda a multidão de origem mista, veja Neemias 13:1-2.

Parece que os homens israelitas podiam casar-se com as mulheres dessas nações, embora fossem de fora de Canaã, se elas se convertessem completamente à religião judaica. As mulheres israelitas, porém, não podiam casar-se com os homens dessas nações, nem eles podiam ser naturalizados, salvo conforme a lei estabelecia.

De modo geral, é evidente que se impõe desonra:

I. Aos bastardos e aos eunucos, v. 1, 2. Os escritores judeus entendem que bastardos não são todos os nascidos de fornicação ou fora do casamento, mas os descendentes de uniões incestuosas proibidas em Levítico 18. Embora não fosse culpa dos filhos, era muito apropriado que sua descendência fosse assim estigmatizada para dissuadir as pessoas desses casamentos e desejos ilícitos.

Por esta regra, Jefté não era bastardo no sentido da lei, embora fosse filho de uma prostituta, uma mulher estrangeira, Juízes 11:1, 2.

Quanto aos eunucos, embora por esta lei parecessem expulsos da vinha como árvores secas, como lamentam, Isaías 56:3, em Isaías 56:5 promete-se que, se cuidassem de cumprir seus deveres para com Deus na medida em que fossem admitidos, guardando os sábados e escolhendo o que lhe agrada, a falta desse privilégio seria compensada por bênçãos espirituais que lhes dariam um nome eterno.

II. Aos amonitas e moabitas, descendentes de Ló, que por conveniência material se separara de Abraão, Gênesis 13:11. Não vemos que ele ou seus descendentes voltaram a unir-se aos filhos da aliança. São excluídos até a décima geração, isto é, para sempre, como alguns entendem; compare Neemias 13:1.

Israel não deveria buscar a paz deles, v. 6, por causa da falta de bondade que haviam demonstrado pouco antes para com o acampamento de Israel, apesar da ordem de Deus para não os afligir nem atormentar, Deuteronômio 2:9, 19.

  1. Já era grave não terem ido ao encontro dos israelitas com pão e água no caminho, v. 4; não terem, como aliados ou ao menos como nações neutras, levado mantimentos ao acampamento, pelos quais teriam sido devidamente pagos. Felizmente, Israel não precisava de sua bondade, pois o próprio Deus o acompanhava com pão e água.

Mesmo assim, essa omissão dos amonitas deveria ser lembrada contra a nação no futuro. Repare: Deus certamente pedirá contas não só aos que se opõem ao seu povo, mas também aos que deixam de ajudá-lo e favorecê-lo quando podem. No grande dia, a acusação será por uma omissão: “Eu estava com fome, e vocês não me deram alimento”.

  1. Os moabitas agiram pior: contrataram Balaão para amaldiçoar Israel, v. 4. É verdade que Deus transformou a maldição em bênção, v. 5, mudando não apenas as palavras na boca de Balaão, mas fazendo o que fora planejado para a ruína de Israel resultar em honra e vantagem para ele.

Embora o plano tenha fracassado e sido revertido para o bem, a maldade dos moabitas não foi menos provocadora. Deus tratará os pecadores, mas de acordo com os intentos deles (Salmos 28:4).

III. Os edomitas e os egípcios não recebem uma marca de desagrado tão profunda quanto os moabitas e amonitas. Se um edomita ou egípcio se convertesse, seus netos seriam considerados membros da congregação do Senhor para todos os efeitos, v. 7, 8.

Parece que os edomitas haviam sido mais hostis aos israelitas do que os amonitas e mereciam deles tão pouco favor, Números 20:20; ainda assim, não abominem o edomita como devem abominar o amonita, pois ele é irmão de vocês. Repare: a falta de bondade dos parentes próximos, embora muitos a levem mais a mal, deve ser perdoada primeiro por nós, justamente por causa do parentesco.

Quanto aos egípcios, apresenta-se uma razão surpreendente para não os abominar: vocês foram estrangeiros na terra deles; por isso, embora tenham sido maltratados ali, sejam corteses com eles, por causa da antiga convivência.

Não devem lembrar-se da escravidão no Egito para manter ressentimento contra os egípcios, mas somente para engrandecer o poder e a bondade de Deus em libertá-los.

Versículos 9 a 14

Ordenada a Pureza Moral e Cerimonial. (a.C. 1451.)

Israel estava acampado, e esse vasto exército se preparava para entrar em ação, o que provavelmente os manteria unidos por bastante tempo. Era apropriado, portanto, dar-lhes instruções específicas para organizar bem o acampamento. A ordem pode ser resumida numa palavra: pureza. Deveriam conservar o acampamento livre de contaminação moral, cerimonial e natural.

I. Contra a contaminação moral, v. 9: Quando o exército sair contra o seu inimigo, considere-se especialmente obrigado a guardar-se de toda coisa má.

  1. Os próprios soldados devem tomar cuidado com o pecado, pois o pecado enfraquece a coragem; a culpa torna covardes. Quem arrisca a vida deve fazer as pazes com Deus e manter essa paz, conservando uma consciência livre de culpa; então poderá encarar a morte sem terror. Ao cumprir seu dever, os soldados devem evitar satisfazer os desejos de malícia, avareza ou impureza: são coisas perversas.

Devem também evitar os ídolos ou as coisas amaldiçoadas encontradas nos acampamentos que saquearem.

  1. Os que ficassem em casa — o povo como um todo e cada pessoa em particular — também deveriam, naquela ocasião, evitar toda maldade, para que o pecado não provocasse Deus a retirar sua presença do exército e a dar vitória ao inimigo, corrigindo assim o próprio povo.

Os tempos de guerra deveriam ser tempos de reforma; caso contrário, como esperar que Deus ouça e responda às nossas orações por sucesso? (Salmos 66:18). Veja 1 Samuel 7:3.

II. Contra a impureza cerimonial, que poderia sobrevir a alguém sem que percebesse e exigia que lavasse o corpo com água e se considerasse impuro até a noite, Levítico 15:16. Mesmo com todos os serviços e deveres constantes do acampamento, o soldado não poderia considerar-se dispensado dessa cerimônia; exigia-se dele mais do que em outras ocasiões.

Em casa, bastaria lavar o corpo; no exército, deveria sair do acampamento, demonstrando preocupação em conservá-lo puro e vergonha da própria impureza, e só voltar depois do pôr do sol, v. 10, 11. O incômodo e a vergonha aos quais até as impurezas involuntárias os expunham deveriam ensinar-lhes grande temor de todos os desejos carnais. Seria bom que os militares considerassem isso.

III. Contra a contaminação natural: nada ofensivo deveria haver no acampamento do Senhor, vv. 12-14. É surpreendente que a lei divina, ou pelo menos a ordem solene de Moisés, se estendesse a algo assim. Seu propósito era ensinar-lhes:

  1. Modéstia e decoro. A própria natureza os ensina a distinguir-se dos animais, que não conhecem a vergonha.

  2. Limpeza e asseio, embora sem preciosismo, até mesmo no acampamento. A sujeira ofende os sentidos que Deus nos deu, prejudica a saúde, compromete o conforto da vida humana e revela descuido e preguiça.

  3. Pureza da contaminação do pecado. Se é preciso cuidar para que o corpo permaneça limpo e cheiroso, muito mais devemos empenhar-nos em conservar assim a mente.

  4. Reverência pela majestade divina. Esta é a razão apresentada: o Senhor, seu Deus, caminha com a arca, sinal especial de sua presença, pelo meio do seu acampamento.

Por respeito a esse símbolo externo, exigia-se pureza externa; embora a letra da regra não seja insistida quando cessa essa razão, ela nos ensina a conservar a pureza interior da alma, considerando o olhar de Deus, que está sempre sobre nós.

Ao demonstrar respeito pela presença de Deus, aprendiam a fortalecer-se contra o pecado e a encorajar-se diante dos inimigos, lembrando-se dessa presença.

  1. Consideração uns pelos outros. A sujeira de uma pessoa incomoda muitas. Esta lei de limpeza nos ensina a não fazer o que ofende legitimamente os irmãos e os entristece. É uma lei contra aquilo que causa incômodo.

Versículos 15 a 25

Proteção dos Fugitivos e Lei sobre os Juros. (a.C. 1451.)

Dão-se aqui ordens sobre cinco assuntos sem relação entre si:

I. A terra de Israel é feita santuário ou cidade de refúgio para escravos maltratados e abusados por seus senhores que fugissem dos países vizinhos em busca de proteção, v. 15, 16. Não podemos supor que fossem obrigados a acolher todo indivíduo sem princípios que fugisse do serviço; Israel não precisava, como Roma no princípio, povoar-se dessa maneira.

Mas, 1. Não deveriam entregar o escravo trêmulo ao senhor furioso antes de averiguar o caso e concluir que ele havia prejudicado o senhor e merecia punição. Repare: proteger os fracos, desde que não sejam perversos, é uma atitude honrosa. Deus permite que seu povo proteja os oprimidos.

O anjo mandou Agar voltar para sua senhora, e Paulo enviou Onésimo de volta ao senhor Filemom, pois nenhum dos dois tinha motivo para partir nem corria perigo ao regressar.

Supõe-se, porém, que o escravo mencionado aqui tenha escapado, isto é, fugido para salvar a vida, e buscado refúgio entre os israelitas, dos quais ouvira — como Ben-Hadade ouviu falar dos reis de Israel, 1 Reis 20:31 — que eram um povo misericordioso. Ele fugira da fúria de um tirano; entregá-lo de volta seria lançar um cordeiro na boca de um leão.

  1. Se ficasse provado que o escravo era maltratado, não deveriam apenas protegê-lo, mas também, se quisesse adotar a religião deles, dar-lhe todo incentivo para se estabelecer entre eles. Cuida-se tanto para que ninguém lhe imponha o lugar onde se estabelecerá — que seja o que ele escolher e onde mais lhe agradar — quanto para que não troque um senhor severo por vários: “Não o oprimirás”.

Assim, logo encontraria uma diferença reconfortante entre a terra de Israel e as outras terras e escolheria permanecer nela para sempre. Repare: os prosélitos e convertidos à verdade devem ser tratados com especial ternura, para que não sejam tentados a voltar atrás.

II. A terra de Israel não deve servir de refúgio para os impuros. Não se deve permitir que prostitutas nem sodomitas vivam entre eles, v. 17, 18; não se deve tolerar entre eles nem a prostituta nem o prostituidor. Nem homens nem mulheres devem manter casas de impureza.

  1. Está implícita uma boa razão para não tolerar tamanha perversidade: eram israelitas. Parece haver ênfase nisso. Uma filha de Israel ser prostituta, ou um filho de Israel ser prostituidor, é desonrar sua origem, o povo a que pertence e o Deus que adora. É mau em qualquer pessoa, mas pior num israelita, membro de uma nação santa, 2 Samuel 13:12.

  2. Essa perversidade recebe uma marca justa de desagrado: o salário de uma prostituta, isto é, o dinheiro obtido por sua prostituição, e o preço de um cão, isto é, o dinheiro obtido pelo sodomita, alcoviteiro ou prostituidor com suas práticas vis — inclino-me a entender assim, pois tais pessoas são chamadas “cães” (Apocalipse 22:15).

Nenhuma parte desses ganhos pode ser levada à casa do Senhor, como se levava aos templos dos gentios o salário das prostitutas, para cumprir qualquer voto.

Isso indica: (1.) Que Deus não aceitará oferta alguma dessas pessoas perversas.

Só teriam para oferecer o que obtiveram por meio da perversidade; seu sacrifício, portanto, não poderia deixar de ser “uma abominação ao Senhor” (Provérbios 15:8).

(2.) Que não devem imaginar que, fazendo e pagando votos e levando ofertas ao Senhor, obterão licença para continuar nesse pecado, como alguns que seguiam essa profissão parecem ter pensado quando suas ofertas eram aceitas: “Hoje paguei os meus votos; por isso saí ao teu encontro”, Provérbios 7:14, 15.

Nenhuma oferta deve ser aceita em substituição à penitência. (3.) Que não podemos honrar a Deus com nossos bens se não os adquirimos com honestidade e honra. Importa não apenas o que damos, mas também como o obtivemos. Deus detesta o roubo oferecido em holocausto, e também a impureza.

III. Determina-se a questão dos juros, v. 19, 20.

(1.) Não deveriam emprestar com juros a um israelita. Recebiam e mantinham seus bens diretamente de Deus e sob sua autoridade. Ele os distinguiu de todos os outros povos e poderia ter determinado, se quisesse, que tudo fosse comum entre eles. Em vez disso, como sinal de sua participação comum na boa terra que lhes dera, ordenou apenas que emprestassem uns aos outros sem juros, quando necessário.

Isso causaria pouca ou nenhuma perda ao credor: a terra estava dividida entre eles, os bens eram estáveis e havia pouco comércio, de modo que raramente, ou nunca, precisavam tomar emprestado grandes somas. Em geral, precisavam apenas do necessário para sustentar suas famílias quando as colheitas de suas terras sofressem algum dano, ou algo semelhante.

Nessa situação, exigir juros por um valor pequeno seria crueldade. Quando quem toma emprestado lucra ou espera lucrar, é justo que o credor participe do ganho. Mas deve-se ter compaixão de quem toma emprestado o indispensável para comer; se tivermos condições, devemos “emprestar sem esperar receber nada de volta” (Lucas 6:35).

(2.) Podiam emprestar com juros ao estrangeiro, que se supunha viver do comércio e de negociar, lucrando com o dinheiro tomado emprestado, e que vinha entre eles esperando fazer isso. Isso mostra que cobrar juros não é em si uma forma de opressão, pois não deveriam oprimir o estrangeiro e, contudo, podiam exigir juros dele.

IV. Exige-se cumprir os votos com que comprometemos a alma; isso também é parte da lei da natureza, vv. 21-23.

(1.) Fica a nosso critério fazer ou não votos: se você deixar de fazer um voto (de oferecer algum sacrifício e alguma oferta específicos, além do que a lei ordenava), isso não será pecado para você. Deus já mostrara que estaria disposto a aceitar uma oferta voluntária assim, ainda que fosse somente flor de farinha, Levítico 2:4, etc., o que bastava para encorajar quem tivesse essa disposição.

Mas, para que os sacerdotes, que recebiam a maior parte dos votos e das ofertas voluntárias, não extorquissem o povo, insistindo que era seu dever fazer votos além das possibilidades e da disposição do povo, afirma-se expressamente que deixar de fazer tais votos não seria pecado, ao contrário de omitir qualquer sacrifício que Deus exigisse especificamente.

Pois, como observa o bispo Patrick, Deus quer que as pessoas sirvam com leveza e que todas as ofertas sejam livres e oferecidas com alegria.

(2.) Depois de fazer um voto, ficamos sob a mais alta obrigação de cumpri-lo e fazê-lo prontamente: você não deve demorar a pagá-lo, para que, se houver demora além da primeira oportunidade, o zelo não diminua, o voto não seja esquecido ou aconteça algo que impeça você de cumpri-lo.

O que saiu dos seus lábios como voto solene e deliberado não deve ser revogado, mas você deve guardá-lo e cumpri-lo pontualmente e por inteiro.

A regra do evangelho vai um pouco além: “Cada um, segundo propõe em seu coração, assim dê”, mesmo que isso não tenha saído dos seus lábios, 2 Coríntios 9:7. Eis uma boa razão para cumprir nossos votos: se não o fizermos, Deus nos pedirá contas e certamente nos cobrará severamente não só por mentir, mas por tentar zombar daquele de quem não se pode zombar. Veja Eclesiastes 5:4.

V. Permite-se que, ao atravessar um campo de cereal ou uma vinha, apanhem e comam as espigas ou as uvas que crescem junto ao caminho, por necessidade ou prazer, mas não levem nada consigo, v. 24, 25. Por isso os discípulos não foram censurados por colher espigas — todos sabiam que a lei permitia —, mas por fazê-lo no sábado, o que a tradição dos anciãos proibia.

  1. Esta lei lhes indicava a grande abundância de cereal e vinho que teriam em Canaã: haveria tanto que não fariam falta alguns frutos colhidos para comer; teriam o bastante para si e para os amigos.

  2. A lei provia o sustento dos viajantes pobres, para aliviar o cansaço da viagem, e nos ensina a ser bondosos com eles. Os judeus dizem: “Esta lei visava sobretudo favorecer os trabalhadores ocupados na colheita e na vindima: não se deve amordaçar-lhes a boca, assim como a do boi que debulha o cereal.”

  3. Ensina-nos a não insistir na propriedade de coisas pequenas. É fácil dizer a respeito delas: “Que importa isso entre nós?”.

É verdade que as uvas que o viajante comia não eram dele próprio, nem o dono as dera a ele; mas eram de tão pouco valor que ele tinha motivos para pensar que, se o dono estivesse presente, não as negaria ao viajante, assim como ele próprio não recusaria a mesma cortesia, e por isso não era furto tomá-las.

  1. Acostumava-os à hospitalidade e nos ensina a estar prontos para repartir, dispostos a compartilhar, sem considerar perdido tudo o que damos.

  2. Contudo, também nos proíbe abusar da bondade dos amigos e aproveitar-nos de permissões generosas para fazer exigências desarrazoadas. Não devemos tirar uma vara de quem nos oferece apenas um dedo. Podem comer as uvas do próximo, mas isso não significa que possam levá-las consigo.


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