Atos 25
Argumento
Alguns pensam que Félix foi destituído e Festo o sucedeu pouco depois da prisão de Paulo, e que os dois anos mencionados no fim do capítulo anterior devem ser considerados desde o início do reinado de Nero. Mas parece mais natural calculá-los desde que Paulo foi entregue às mãos de Félix.
De todo modo, temos aqui quase a mesma condução do caso de Paulo que tivemos no capítulo anterior. Aqui se toma conhecimento dele:
I. Pelo governador Festo. O caso lhe é apresentado pelos judeus, vv. 1-3. A audiência é designada para ocorrer, não em Jerusalém, como desejavam os judeus, mas em Cesareia, vv. 4-6. Os judeus comparecem contra Paulo e o acusam (v. 7), mas ele insiste em sua própria inocência (v. 8).
E, para evitar a transferência da causa para Jerusalém, à qual era pressionado a anuir, por fim recorre a César, vv. 9-12.
II. Pelo rei Agripa, a quem Festo relata o caso de Paulo (vv. 13-21). E Agripa deseja que possa ele mesmo ouvir a causa, v. 22. O tribunal é reunido em conformidade com isso e Paulo é apresentado diante dele (v. 23). E Festo apresenta a causa (vv. 24-27) para introduzir a defesa de Paulo no capítulo seguinte.
Versículos 1 a 12
Paulo sob Acusação Formal perante Festo; a Quarta Defesa de Paulo; Paulo Recorre a César.
Costumamos dizer: “Novos senhores, novas leis, novos costumes”. Aqui, porém, havia um novo governador, e contudo Paulo recebeu dele o mesmo tratamento que recebera do anterior, sem nenhuma melhora.
Festo, como Félix, não é tão justo com ele quanto deveria ter sido, pois não o liberta; mas também não é tão injusto quanto os judeus desejavam, pois não o condenará à morte nem o exporá à fúria deles. Aqui está:
I. O pedido insistente que o sumo sacerdote e outros judeus fizeram ao governador para persuadi-lo a abandonar Paulo, pois mandá-lo a Jerusalém seria, na prática, abandoná-lo:
- Veja como foram rápidos em procurar Festo por causa de Paulo. Assim que ele chegou à província e assumiu o governo, provavelmente tendo tomado posse em Cesareia, subiu a Jerusalém dentro de três dias para se apresentar ali. E imediatamente os sacerdotes o pressionaram a agir contra Paulo.
Ele ficou três dias em Cesareia, onde Paulo estava preso. E não consta que Paulo tenha procurado o governador nesse período para pedir sua soltura, embora sem dúvida pudesse ter conquistado bons amigos, por meio dos quais poderia esperar ter conseguido o intento.
Mas, assim que Festo chega a Jerusalém, os sacerdotes se apressam em conquistar seu apoio contra Paulo. Veja como a malícia é inquieta. Paulo suporta o prolongamento da própria prisão com mais paciência do que seus inimigos suportam a demora em persegui-lo até a morte.
- Veja como foram rancorosos em seu pedido. Apresentaram acusações contra Paulo ao governador (v. 2) antes que ele fosse submetido a um julgamento justo. Queriam, se possível, predispor o governador contra a causa e fazer daquele que deveria julgá-la uma das partes.
Mas não podiam confiar nesse artifício, embora fosse bastante vil: o governador certamente ouviria o próprio Paulo, e então todas as informações contra ele cairiam por terra. E por isso elaboraram um projeto ainda mais vil: assassiná-lo antes de seu julgamento.
Esses perseguidores recorrem a métodos desumanos e infernais, que todo o mundo ao menos professa abominar, para satisfazer sua malícia contra o evangelho de Cristo. E fazem isso também sob o pretexto de zelo por Moisés. Tantum religio potuit suadere malorum — tal era seu terrível zelo religioso.
- Veja como a alegação era plausível. Como o governador estava pessoalmente em Jerusalém, pediram-lhe que mandasse trazer Paulo para ser julgado ali. Isso pouparia muito trabalho aos acusadores e parecia muito razoável, porque ele era acusado de profanar o templo em Jerusalém, e os criminosos costumam ser julgados no tribunal do lugar onde o ato foi cometido.
Seu desígnio, porém, era armar uma emboscada durante a viagem e matá-lo no caminho. Supunham que Paulo não seria trazido sob uma guarda tão forte quanto a que o levara a Cesareia, ou que os oficiais encarregados de trazê-lo poderiam ser subornados para lhes dar oportunidade de cometer o crime.
Diz-se que pediram um favor contra Paulo. O dever de quem acusa é pedir justiça contra alguém que julga ser criminoso. Se o crime não for provado, absolvê-lo é tão justo quanto condená-lo se for provado.
Mas pedir um favor contra um preso, ainda mais ao juiz, que deveria atuar em sua defesa, é grande insolência. O favor deveria ser concedido ao preso, in favorem vitæ — em favor de sua vida; aqui, porém, pedem-no contra ele. Considerarão um favor que o governador ao menos condene Paulo, embora não possam provar crime algum contra ele.
II. A decisão do governador de que Paulo seja julgado em Cesareia, onde agora se encontra, v. 4, 5. Veja como ele lida com os acusadores:
- Ele não lhes faz o favor de mandar trazer Paulo a Jerusalém. Não: ordenou que Paulo permanecesse em Cesareia. Não parece que suspeitasse do desígnio sangrento de matá-lo no caminho, muito menos que tivesse informação segura a respeito, como tivera o comandante ao enviá-lo a Cesareia (Atos 23:30).
Mas talvez Festo não quisesse atender tanto ao sumo sacerdote e a seu grupo; talvez quisesse preservar a dignidade de seu tribunal em Cesareia e exigir que comparecessem ali; ou talvez não quisesse ter o trabalho nem o custo de trazer Paulo. Qualquer que fosse o motivo da recusa, Deus a usou para preservar Paulo das mãos de seus inimigos.
Talvez agora tivessem maior cuidado em manter secreta a conspiração, para que sua descoberta não a frustrasse como da outra vez. Mas, embora Deus não a revele como fizera antes, contudo, encontra outro meio igualmente eficaz de desfazê-la: inclina o coração do governador, por outros motivos, a não levar Paulo a Jerusalém.
Deus não está limitado a um único método para salvar seu povo. Pode permitir que os desígnios contra seu povo permaneçam ocultos e contudo não permitir que sejam realizados, e pode fazer até mesmo os cálculos políticos carnais de homens poderosos servirem a seus propósitos cheios de graça.
- Ainda assim, fará justiça aos acusadores e ouvirá o que têm a dizer contra Paulo, se descerem a Cesareia e ali comparecerem contra ele: “Desçam comigo os dentre vós que são capazes, capazes no corpo e na bolsa para tal viagem, ou capazes na mente e na língua para conduzir a acusação; desçam os dentre vós que são aptos a dirigi-la e acusem este homem.”
Ou: “As testemunhas competentes, capazes de provar algum crime contra ele, vão e apresentem seu testemunho, se há nele alguma maldade como a que lhe atribuís.”
Festo não tomará por certo, como desejam que faça, que há maldade em Paulo até que seja provada contra ele e que ele seja ouvido em sua própria defesa; mas, se for culpado, cabe a eles prová-lo.
III. O julgamento de Paulo perante Festo. Festo ficou em Jerusalém cerca de dez dias e então desceu a Cesareia, provavelmente acompanhado dos acusadores, pois lhes havia dito que descessem com ele. E, como estão tão ansiosos pela acusação, dispõe-se a que essa causa seja chamada primeiro; e, para que possam voltar depressa para casa, a resolverá no dia seguinte.
A rapidez na administração da justiça é muito louvável, desde que a pressa não comprometa o bom andamento da causa. Aqui temos:
- O tribunal instalado e o preso chamado a comparecer. Festo sentou-se no tribunal, como costumava fazer quando lhe apresentavam uma causa importante, e mandou trazer Paulo para comparecer, v. 6.
Para animar seus discípulos e lhes fortalecer o ânimo diante de provas de coragem tão temíveis quanto esta de Paulo, Cristo lhes prometeu que chegaria o dia em que se sentariam em tronos para julgar as tribos de Israel.
- Os acusadores apresentam as acusações contra o preso (v. 7): “Os judeus ficaram ao redor”, o que indica que eram muitos. Senhor, como se multiplicam os que me perturbam! Indica também que estavam unidos, apoiando uns aos outros e decididos a permanecer juntos, e que se empenhavam na acusação, clamando com fervor contra Paulo.
Cercaram-no para, se possível, intimidar o juiz e levá-lo a concordar com seu desígnio malicioso, ou ao menos intimidar o preso e perturbá-lo. Tudo em vão: Paulo tinha uma segurança firme e bem fundada demais para se assustar com eles. “Cercaram-me como abelhas, mas são apagados como o fogo dos espinhos”, Salmos 118:12.
Quando o cercaram, apresentaram muitas e graves acusações contra Paulo: é assim que se deve ler. Atribuíram-lhe crimes e faltas graves. Os artigos da acusação eram numerosos e continham coisas de natureza muito grave. Apresentaram-no ao tribunal como alguém tão sombrio e odioso quanto sua inteligência e malícia puderam maquinar.
Mas, depois de exporem a causa como bem entenderam, falharam ao chegar às provas: não conseguiram provar o que alegavam contra ele, pois tudo era falso, e as queixas não tinham fundamento nem justiça. Ou o fato não havia ocorrido como o descreveram, ou não havia culpa alguma nele. Atribuíram-lhe coisas de que nem ele nem eles tinham conhecimento.
Não é novidade que os mais excelentes da terra sejam alvo de toda espécie de maledicência falsa, não só na canção dos bêbados e no assento dos zombadores, mas até perante o tribunal.
- A insistência do preso em sua própria defesa, v. 8. Quem quer que o desacredite, seu próprio coração não o faz; e por isso sua própria língua não o fará. Mesmo que morra, não abrirá mão de sua integridade. Quando chegou sua vez de falar, manteve sua alegação geral: “Não culpado”.
“Nem contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César pequei em coisa alguma.”
(1.) Não violara a lei dos judeus nem ensinara doutrina alguma que a destruísse. Anulou a lei pela fé? Não: estabeleceu a lei. Pregar a Cristo, o fim da lei, não era ofensa contra ela.
(2.) Não profanara o templo nem demonstrara qualquer desprezo pelo serviço prestado ali. Ajudar a edificar o templo do evangelho em nada ofendia aquele templo que o prefigurava.
(3.) Não cometera ofensa contra César nem contra seu governo.
Isso mostra que, agora que sua causa estava diante das autoridades, os judeus, para conquistar o favor do governador e parecerem amigos de César, o haviam acusado de certos atos de deslealdade para com os poderes constituídos. Por isso Paulo precisou se justificar nesse ponto e afirmar que não era inimigo de César, nem tanto quanto aqueles que o acusavam de sê-lo.
IV. O recurso de Paulo ao imperador e o que o ocasionou. Isso deu novo rumo à causa. Não se sabe se antes tivera esse desígnio ou se foi uma resolução súbita, diante da provocação presente.
Mas Deus lhe põe essa decisão no coração para cumprir o que lhe dissera: ele precisava dar testemunho de Cristo em Roma, onde ficava a corte do imperador, Atos 23:11. Aqui temos:
- A proposta feita por Festo a Paulo de ir a Jerusalém para ser julgado, v. 9. Festo queria agradar aos judeus; inclinava-se a satisfazer os acusadores, e não o preso, até onde pudesse fazê-lo com segurança contra um cidadão romano.
Por isso perguntou se Paulo aceitaria subir a Jerusalém e ali se defender, no lugar onde fora acusado e onde poderia ter prontas as testemunhas que confirmariam suas palavras. Festo não quis oferecer-se para entregá-lo ao sumo sacerdote e ao Sinédrio, como desejavam os judeus. Mas: Você irá para lá e será julgado dessas coisas perante mim?
O governador poderia ter ordenado a transferência, se quisesse, mas não quis fazê-lo sem a própria anuência de Paulo. Se pudesse tê-lo persuadido com lisonjas a dá-la, teria afastado a aversão à medida. Em tempos de sofrimento, a prudência do povo do Senhor é provada assim como sua paciência. Enviados como ovelhas ao meio de lobos, precisam ser prudentes como as serpentes.
- A recusa de Paulo em anuir e seus motivos. Ele sabia que, se fosse levado a Jerusalém, os judeus encontrariam algum meio de matá-lo, apesar de toda a vigilância do governador. E por isso pede para ser dispensado e alega:
(1.) Que, como cidadão romano, era o mais apropriado que fosse julgado não apenas pelo governador, mas no tribunal próprio dele, sediado em Cesareia: “Estou perante o tribunal de César, onde devo ser julgado”, na cidade que era a capital da província.
Como o tribunal funcionava em nome de César, por sua autoridade e comissão, presidido por um delegado seu, podia ser chamado de tribunal de César. Entre nós, da mesma forma, todos os mandados são expedidos em nome do soberano, e é em seu nome que os tribunais funcionam.
Ao reconhecer que devia ser julgado no tribunal de César, Paulo mostra claramente que os ministros de Cristo não estão isentos da jurisdição das autoridades civis. Devem sujeitar-se a elas até onde possam fazê-lo de boa consciência; se culpados de crime real, devem submeter-se à sua censura; se inocentes, ainda assim devem aceitar a investigação e defender-se perante elas.
(2.) Que, como membro da nação judaica, nada fizera que o tornasse exposto à hostilidade deles: “Nenhum mal fiz aos judeus, como tu muito bem sabes”. É correto que os inocentes aleguem e sustentem sua inocência.
Devemos isso ao nosso próprio bom nome: não basta deixar de dar falso testemunho contra nós mesmos; devemos também defender nossa própria integridade contra os que dão falso testemunho contra nós.
(3.) Que estava disposto a seguir as regras da lei e deixar que ela seguisse seu curso, v. 11. Se for culpado de algum crime capital, digno de morte, não tentará resistir nem fugir; não fugirá da justiça nem lutará contra ela: “Não recuso morrer, mas aceitarei o castigo da minha iniquidade”.
Isso não significa que todos os que cometeram algo digno de morte tenham a obrigação de denunciar a si mesmos e entregar-se à justiça. Mas, uma vez acusados e levados a julgamento, devem submeter-se e dizer que tanto Deus quanto o governo são justos, pois é necessário que alguns sejam usados como exemplos.
Se, porém, for inocente, como afirma ser, “se nada há do que me acusam, se a acusação é maliciosa e estão resolvidos a ter meu sangue, com direito ou sem direito, ninguém pode me entregar a eles, não, nem mesmo o próprio governador, sem cometer flagrante injustiça. Cabe-lhe proteger o inocente tanto quanto punir o culpado”. Paulo reivindica essa proteção.
- Seu recurso ao tribunal. Como está continuamente em perigo por causa dos judeus, que fazem uma tentativa após outra de pô-lo em suas mãos, cujas ternas misericórdias eram cruéis, recorre ao dernier resort — último refúgio da inocência oprimida. Ali busca proteção, já que não pode obter justiça de outro modo: “Recorro a César”.
“Em vez de ser entregue aos judeus” — medida com a qual Festo parece inclinado a anuir —, “seja eu entregue a Nero”. Davi escapou por pouco da fúria de Saul diversas vezes. Concluindo que aquele inimigo inquieto o mataria algum dia, tomou uma decisão à qual praticamente foi forçado: Nada há de melhor para mim do que me abrigar na terra dos filisteus, 1 Samuel 27:1. Assim faz Paulo aqui.
Mas é triste que um filho de Abraão seja forçado a recorrer a um filisteu, a um Nero, contra os que se dizem descendentes de Abraão, e que esteja mais seguro em Gate ou em Roma do que em Jerusalém. Como a cidade fiel se tornou prostituta!
V. A decisão tomada sobre toda a causa. Paulo não é libertado nem condenado. Seus inimigos esperavam que a causa terminasse com sua morte; seus amigos, com sua libertação. Mas nenhuma das duas coisas aconteceu. Ambos estão decepcionados, e tudo permanece como antes.
Esse é um exemplo dos passos lentos que a Providência às vezes dá, sem levar as coisas a uma conclusão tão cedo quanto esperamos. Com isso, muitas vezes somos envergonhados tanto em nossas esperanças quanto em nossos temores, e continuamos à espera de Deus.
Antes, a causa fora adiada para outro momento; agora, foi transferida para outro lugar e outro tribunal, para que a tribulação de Paulo produzisse paciência.
O governador busca conselho sobre o caso: teve um colóquio com seu conselho, meta tou symbouliou. Não se tratava do conselho dos judeus, chamado synedrion, mas de seus próprios conselheiros, sempre prontos a auxiliá-lo com suas recomendações. Na multidão de conselheiros há segurança, e os juízes devem consultar tanto a si mesmos quanto a outros antes de proferir sentença.
Decide enviá-lo a Roma. Alguns pensam que Paulo não pretendia recorrer à pessoa de César, mas apenas à sua corte, a cuja sentença se submeteria em vez de ser remetido ao conselho dos judeus, e que Festo poderia ter escolhido se o enviaria a Roma ou, pelo menos, se teria discutido com ele a questão no recurso.
Mas parece, pelo que Agripa disse (Atos 26:32), que Paulo poderia ter sido libertado se não tivesse recorrido a César; que, pelo curso da lei romana, um cidadão romano podia recorrer a qualquer momento a um tribunal superior, até mesmo ao supremo.
É como quando, entre nós, causas são transferidas por certiorari e criminosos por habeas corpus, e como recursos são frequentemente feitos à câmara dos pares. Assim, ou por escolha ou naturalmente, Festo chega a esta decisão: “Recorreste a César? A César irás”.
Percebeu que havia algo muito extraordinário no caso e, por isso, receou julgá-lo em qualquer dos sentidos. E pensou que o conhecimento dele seria um entretenimento para o imperador; portanto, submeteu-o à sua apreciação.
No nosso julgamento diante de Deus, os que, ao se justificarem, recorrem à lei, à lei irão, e ela os condenará; mas os que, pelo arrependimento e pela fé, recorrem ao evangelho, ao evangelho irão, e ele os salvará.
Versículos 13 a 27
A Visita de Agripa a Festo; Paulo sob Acusação Formal perante Agripa.
Temos aqui a preparação feita para outra audiência de Paulo perante o rei Agripa, não para que julgasse Paulo, mas para que desse conselho a respeito dele, ou antes apenas para satisfazer sua curiosidade. Cristo dissera, a respeito de seus seguidores, que seriam levados perante governadores e reis.
Na primeira parte deste capítulo, Paulo foi levado perante o governador Festo; aqui, perante o rei Agripa, para dar testemunho a ambos. Aqui está:
I. A visita bondosa e amigável que o rei Agripa fez a Festo, agora ao assumir o governo daquela província (v. 13): “Depois de alguns dias, o rei Agripa veio a Cesareia.” Aqui está uma visita real. Os reis geralmente acham suficiente enviar seus embaixadores para felicitar seus amigos; aqui, porém, houve um rei que veio pessoalmente.
Fez a majestade de um príncipe ceder à satisfação de um amigo, pois ter comunhão pessoal é o que há de mais agradável entre amigos. Observe:
- Quem eram os visitantes:
(1.) O rei Agripa era filho daquele Herodes, de sobrenome Agripa, que matou o apóstolo Tiago e foi ele mesmo comido por vermes; e bisneto de Herodes, o Grande, em cujo reinado Cristo nasceu.
Josefo chama este Agripa de o Jovem. O imperador Cláudio o fez rei de Cálcis e tetrarca de Traconites e Abilene, mencionadas em Lucas 3:1. Os escritores judeus falam dele e, entre outras coisas, contam o seguinte episódio, segundo nos informa o Dr. Lightfoot:
“Ao ler publicamente a lei, no fim do ano da remissão, conforme era ordenado, o rei chegou às palavras: ‘Não porás sobre ti como rei um estrangeiro que não seja de teus irmãos’, Deuteronômio 17:15. Então lágrimas lhe correram pelo rosto, pois ele não era da descendência de Israel.”
“Ao perceber isso, a congregação clamou: ‘Tem bom conforto, rei Agripa; tu és nosso irmão’; pois ele pertencia à religião deles, embora não ao sangue deles.”
(2.) Berenice veio com ele. Era sua própria irmã, agora viúva, a viúva de seu tio Herodes, rei de Cálcis. Depois da morte do marido, morou com esse seu irmão, de quem se suspeitava que tivesse intimidade excessiva com ela. Depois de casar-se pela segunda vez com Polemão, rei da Cilícia, conseguiu divorciar-se dele e voltou para o irmão, o rei Agripa.
Juvenal (Sátira 6) fala de um anel de diamante que Agripa deu a Berenice, sua irmã incestuosa:
Berenices
In digito factus pretiosior; hunc dedit olim
Barbarus incestæ, dedit hunc Agrippa sorori.
“A gema de tão grande fama que reluzia no dedo de Berenice, mais preciosa por isso, dada por um irmão incestuoso.” Gifford.
E tanto Tácito quanto Suetônio falam de uma intimidade criminosa que ela teve mais tarde com Tito Vespasiano. Drusila, mulher de Félix, era outra irmã. Em geral, como eram dissolutas as pessoas de posição elevada naquela época! Não diga que os tempos passados eram melhores.
- Qual era o desígnio dessa visita: vieram saudar Festo, felicitá-lo por sua nova promoção e desejar-lhe alegria nela. Vieram elogiá-lo pela posse do governo e manter uma boa correspondência com ele, para que Agripa, que governava a Galileia, pudesse agir em conjunto com Festo, que governava a Judeia.
Mas é provável que tivessem vindo tanto para se divertir quanto para lhe mostrar respeito, participar dos entretenimentos de sua corte e mostrar suas roupas esmeradas, que de nada serviriam às pessoas vaidosas se não saíssem de casa.
II. O relato que Festo deu ao rei Agripa sobre Paulo e sua causa, que deu:
- Para entretê-lo e oferecer-lhe alguma distração. Era uma história muito notável, digna de ser ouvida por qualquer pessoa, não só por ser surpreendente e divertida, mas também, se contada de modo verdadeiro e completo, por ser muito instrutiva e edificante.
E seria especialmente agradável a Agripa, não só porque era juiz e havia nela alguns pontos de lei e prática bem dignos de sua atenção, mas muito mais porque era judeu e havia nela alguns pontos de religião muito mais dignos de seu conhecimento.
- Para pedir seu conselho. Festo acabara de tornar-se juiz, ao menos naquela região. Por isso, desconfiava de si mesmo e de sua própria capacidade e desejava ouvir o conselho de pessoas mais velhas e experientes, sobretudo numa questão que tinha tanta dificuldade quanto parecia ter a causa de Paulo. Assim, apresentou-a ao rei.
Vamos agora ver o relato específico que ele dá ao rei Agripa sobre Paulo, vv. 14-21:
(1.) Encontrou-o preso quando assumiu o governo dessa província; por isso, não podia, por seu próprio conhecimento, dar um relato de sua causa desde o começo: “Há certo homem deixado em amarras por Félix.” Por isso, se houvesse alguma irregularidade na primeira detenção, Festo não deve responder por ela, pois o encontrou em amarras.
Quando Félix, para agradar aos judeus, deixou Paulo amarrado embora soubesse que era inocente, não sabia o que fazia. Não sabia se ele poderia cair em mãos piores do que aquelas em que caiu, embora estas não fossem das melhores.
(2.) Que o Sinédrio judaico estava extremamente decidido contra ele: Os principais sacerdotes e os anciãos o acusaram perante mim como homem perigoso e indigno de viver e, por isso, pediram sua condenação à morte.
Como eram grandes alegadores de religião e, por isso, deviam ser considerados homens de honra e honestidade, Festo pensa que deve dar-lhes crédito. Mas Agripa os conhece melhor que ele; por isso, Festo deseja seu conselho nessa questão.
(3.) Que havia insistido na lei romana em favor do preso e não quis condená-lo sem ouvi-lo (v. 16):
“Não é costume dos romanos, que nisso seguem a lei natural e os princípios fundamentais da justiça, entregar alguém à morte, concedê-lo à destruição” — é o sentido da palavra —, “para satisfazer os inimigos com essa destruição, antes que o acusado tenha os acusadores face a face, para confrontar seu testemunho, e lhe sejam dados tanto licença quanto tempo para responder por si mesmo”.
Parece repreendê-los, como se insultassem os romanos e seu governo ao pedir tal coisa ou esperar que condenassem um homem sem julgá-lo. “Não:”, diz ele, “quero que saibais: seja o que for que consentirdes entre vós mesmos, os romanos não consentem em tal injustiça entre eles.”
Audi et alteram partem — ouça o outro lado — tornara-se um provérbio entre eles. Devemos ser governados por essa regra em nossas censuras particulares na conduta comum; não devemos dar má reputação aos homens nem condenar suas palavras e ações até ouvirmos o que se pode dizer em sua defesa. Veja João 7:51.
(4.) Que o havia levado a julgamento, conforme o dever de seu cargo, v. 17. Que havia sido expedito nisso, e os acusadores não tinham motivo para queixar-se de que fosse moroso: assim que chegaram, e sabemos que não perderam tempo, havia iniciado a causa no dia seguinte, sem demora alguma.
Também o havia julgado da maneira mais solene: sentou-se no tribunal, como costumavam fazer nas causas de maior peso, enquanto as de pouca importância eles julgavam de plano — em terreno plano. Convocou um grande tribunal de propósito para o julgamento de Paulo, a fim de que a sentença fosse definitiva e a causa, encerrada.
(5.) Que ficou extremamente decepcionado com a acusação que trouxeram contra ele (v. 18, 19): quando os acusadores se levantaram contra ele e expuseram sua acusação formal, não trouxeram acusações das coisas que eu supunha.
[1.] Pela avidez de sua acusação e por insistirem assim nela perante os governadores romanos, um após outro, supusera, em primeiro lugar, que tinham algo a alegar contra Paulo que ameaçasse a propriedade particular ou a paz pública. Supunha que se comprometeriam a provar que ele era ladrão, ou assassino, ou rebelde contra o poder romano, que estivera em armas para chefiar uma sedição.
Se Paulo não era aquele egípcio que recentemente havia provocado um tumulto e comandado um grupo de assassinos, como o comandante imaginara, ainda assim era alguém da mesma espécie. Tão altos e ferozes eram os clamores contra os primeiros cristãos que os observadores, julgando-os por esses clamores, não podiam deixar de considerá-los os piores dos homens.
E representá-los assim era o desígnio daquele clamor, como também fora no caso de nosso Salvador. Em segundo lugar, supusera que os acusadores tivessem algo que pudesse ser julgado nos tribunais romanos e cuja decisão coubesse propriamente ao governador, como Gálio esperava (Atos 18:14). Do contrário, incomodá-lo com isso seria absurdo, ridículo e realmente uma afronta a ele.
[2.] Para sua grande surpresa, porém, descobre que a questão não é nem uma coisa nem outra. Tinham certas questões contra ele, em lugar de provas e evidências contra ele.
O pior que tinham a dizer era discutível até quanto a constituir crime: pontos de controvérsia capazes de alimentar um debate sem fim, mas incapazes de atribuir-lhe qualquer culpa; questões mais próprias das escolas que do tribunal.
E eram questões da superstição deles. Assim Festo chama sua religião ou, antes, a parte de sua religião à qual Paulo era acusado de causar estrago. Os romanos protegiam a religião judaica segundo sua lei, mas não a superstição nem a tradição de seus anciãos.
Mas a grande questão, ao que parece, dizia respeito a certo Jesus, que morrera e que Paulo afirmava estar vivo. Alguns pensam que a superstição a que Festo se referia era a religião cristã pregada por Paulo e que tinha a mesma noção dela que os atenienses: a introdução de um novo demônio, o próprio Jesus.
Veja com que desdém esse romano fala de Cristo, de sua morte e ressurreição, da grande controvérsia entre judeus e cristãos sobre ser ele ou não o Messias prometido e da grande prova de que é o Messias, sua ressurreição dentre os mortos. Como se não fosse mais do que isto: havia certo Jesus que estava morto, e Paulo afirmava que estava vivo.
Em muitas causas, a questão disputada é saber se uma pessoa ausente há muito tempo está viva ou morta, e são apresentadas provas de ambos os lados. E Festo fará que se pense que essa questão não tem maior importância.
Ao passo que esse Jesus, de quem se orgulha de ser assim ignorante, como se estivesse abaixo de sua atenção, é aquele que estava morto, está vivo, vive para todo o sempre e tem as chaves do inferno e da morte, Apocalipse 1:18. O que Paulo afirmou a respeito de Jesus, que está vivo, é de tamanha importância que, se não for verdade, estamos todos perdidos.
(6.) Que, por isso, havia proposto a Paulo que a causa fosse adiada e levada para os tribunais judaicos, como os mais aptos a tomar conhecimento de uma questão dessa natureza (v. 20).
Como eu tinha dúvidas sobre questões dessa espécie e me julgava incapaz de decidir assuntos que não compreendia, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém, comparecer perante o grande Sinédrio e ali ser julgado sobre essas matérias.
Não queria obrigá-lo a isso, mas ficaria contente se Paulo anuísse, para não ter a consciência sobrecarregada com uma causa dessa natureza.
(7.) Que Paulo havia escolhido antes levar sua causa a Roma do que a Jerusalém, esperando tratamento mais justo do imperador que dos sacerdotes: “Recorreu para ficar reservado à audiência de Augusto (v. 21), pois não tinha outro meio de interromper o processo neste tribunal inferior.”
“Por isso ordenei que ficasse preso sob custódia rigorosa até que pudesse enviá-lo a César, pois não vi motivo para recusar seu recurso; pelo contrário, tive antes prazer nele.”
III. A apresentação de Paulo perante Agripa para que pudesse ouvir sua causa:
- O rei quis ouvi-lo (v. 22): “Agradeço a você o relato que fez dele, mas eu mesmo também gostaria de ouvir o homem.” Agripa sabe mais sobre essa questão, sobre a causa e sobre a pessoa, do que Festo. Ouviu falar de Paulo e sabe quão importante é essa questão, da qual Festo faz tamanho gracejo: se Jesus está vivo ou não.
E nada o agradaria mais do que ouvir Paulo. Muitos homens importantes consideram indigno de si examinar questões religiosas, a menos que possam ouvi-las, como convém a eles, no tribunal. Agripa não iria por nada deste mundo a uma reunião para ouvir Paulo pregar, assim como Herodes não iria ouvir Jesus.
Ainda assim, ambos ficam contentes em tê-los levados perante si, apenas para satisfazer sua curiosidade. Talvez Agripa quisesse ouvir Paulo pessoalmente para poder fazer-lhe algum favor; ainda assim não lhe fez nenhum, apenas lhe deu algum crédito.
- Festo concedeu: “Amanhã o ouvirás”. Houve nisso uma boa providência para o ânimo de Paulo, que parecia sepultado em vida na prisão e privado de todas as oportunidades de fazer o bem. Não sabemos de nenhuma epístola sua datada do cárcere em Cesareia.
A oportunidade que tinha de fazer bem a seus amigos que o visitavam, e talvez a uma pequena congregação dos que o visitavam a cada dia do Senhor, era apenas uma esfera baixa e estreita de utilidade. Parecia posto de lado como um vaso quebrado e desprezado, no qual ninguém tinha prazer.
Mas isso lhe dá oportunidade de pregar Cristo a uma grande congregação e, o que é mais, a uma congregação de pessoas importantes. Félix o ouvira em particular sobre a fé em Cristo; Agripa e Festo, porém, concordam que ele será ouvido publicamente.
E temos motivo para crer que seu discurso no capítulo seguinte, embora pudesse não ter sido tão eficaz quanto alguns outros de seus sermões para a conversão de almas, redundou tanto para a honra de Cristo e do cristianismo quanto qualquer sermão que já pregou em sua vida.
- Foram feitos grandes preparativos (v. 23): no dia seguinte, houve grande comparecimento no lugar da audiência. Falava-se muito de Paulo e de sua causa, ainda mais porque se falava tanto contra eles.
(1.) Agripa e Berenice aproveitaram a ocasião para exibir sua posição e causar impressão. Talvez a tivessem desejado justamente para isso, a fim de verem e serem vistos. Pois vieram com grande pompa, ricamente vestidos, com ouro, pérolas e trajes caros, com um grande séquito de lacaios em ricas librés.
Isso produzia um espetáculo esplêndido e deslumbrava os olhos da multidão que olhava. Vieram meta polles phantasias — com grande fantasia; esse é o sentido da palavra. Repare: grande pompa é apenas grande fantasia.
Não acrescenta nenhuma excelência real nem conquista respeito real; apenas alimenta uma inclinação vaidosa que os sábios prefeririam reprimir a satisfazer. É só aparência, sonho, coisa fantástica — como a palavra significa —, superficial, e passa.
E a pompa dessa apresentação faria qualquer um perder para sempre o gosto pela pompa, pois a de Agripa e Berenice estava:
[1.] Manchada por sua conduta dissoluta. Toda a beleza do espetáculo ficava maculada, e todas as pessoas virtuosas que os conheciam não podiam deixar de desprezá-los em meio a toda aquela pompa como pessoas vis, Salmos 15:4.
[2.] Ofuscada pela verdadeira glória do pobre preso perante o tribunal. O que era a honra de suas roupas esmeradas comparada com a sabedoria, a graça e a santidade de Paulo, com sua coragem e constância ao sofrer por Cristo?
Suas amarras numa causa tão boa eram mais gloriosas que as correntes de ouro deles, e seus guardas que a equipagem deles. Quem se encantaria com a pompa do mundo ao ver ali uma mulher tão má carregada dela e um homem tão bom carregado do seu oposto?
(2.) Os comandantes e os principais homens da cidade aproveitaram a ocasião para prestar homenagens a Festo e a seus convidados. A reunião cumpriu a função de um baile na corte: reuniu as pessoas elegantes em suas roupas esmeradas e lhes serviu de entretenimento.
É provável que Festo tenha avisado Paulo na noite anterior, para que estivesse pronto para a audiência diante de Agripa na manhã seguinte. E Paulo tinha tal confiança na promessa de Cristo de que, naquela mesma hora, lhe seria dado o que dizer, que não se queixou do aviso com pouca antecedência nem foi confundido por ele.
Estou inclinado a pensar que os que se apresentariam com pompa se inquietaram mais com o zelo por suas roupas do que Paulo, que se apresentaria como preso, com o zelo por sua causa, pois sabia em quem havia crido e quem estava ao seu lado.
IV. O discurso com que Festo apresentou a causa quando o tribunal, ou melhor, a assembleia, estava reunido. O conteúdo era muito semelhante ao do relato que acabara de fazer a Agripa:
- Dirigiu-se respeitosamente à companhia: “Rei Agripa e todos os homens aqui presentes conosco”. Fala a todos os homens, pantes andres, como se quisesse censurar discretamente Berenice, uma mulher, por comparecer a uma reunião dessa natureza. Não submete nada ao juízo dela nem pede seu conselho.
É como se dissesse: “Todos vós que estais presentes e sois homens” — essa é a ordem das palavras —, “desejo que tomeis conhecimento desta questão”. A palavra empregada distingue os homens das mulheres. O que Berenice fazia ali?
- Apresenta o preso como alguém contra quem os judeus têm grande rancor. Não só os governantes, mas a multidão, tanto em Jerusalém quanto ali em Cesareia, clamam que ele não deve viver mais, pois pensam que já viveu tempo demais e, se viver mais, será para fazer mais dano.
Não podiam acusá-lo de crime capital, mas queriam tirá-lo do caminho.
- Reconhece a inocência do preso. Foi muito para a honra de Paulo e de suas amarras que tivesse reconhecimento tão público como este da boca de seu juiz (v. 25): “Achei que ele nada havia feito digno de morte”. Depois de uma audiência completa da causa, pareceu que não havia evidência alguma para sustentar a acusação formal.
Por isso, embora estivesse bastante inclinado a favorecer os acusadores, ainda assim sua própria consciência declarou Paulo inocente. E por que, então, não o soltou, já que Paulo exigia a soltura?
Ora, na verdade, porque havia tanto clamor contra ele que Festo temia que a gritaria se voltasse contra si se o soltasse. É pena que nem todo aquele que tem consciência tenha também coragem para agir conforme ela.
Ou talvez, por haver tanta fumaça, concluísse que deveria haver algum fogo, que acabaria aparecendo, e mantivesse Paulo preso à espera disso.
Informa aos presentes o estado atual da causa: o preso recorrera ao próprio imperador, honrando assim sua causa, pois sabia que ela não era indigna de ser examinada pelos maiores dos homens. Festo aceitara o recurso: “Decidi enviá-lo”. E assim se encontrava a causa naquele momento.
Pede a ajuda dos presentes para examinar o assunto com calma e imparcialidade, agora que não havia risco de serem interrompidos, como Festo fora pela gritaria e descomedimento dos acusadores, para que pudesse ao menos entender a causa o suficiente para apresentá-la ao imperador, v. 26, 27.
(1.) Considerava irrazoável enviar um preso, sobretudo a um lugar tão distante quanto Roma, sem indicar as acusações feitas contra ele. Desse modo, a questão poderia ser organizada tanto quanto possível e deixada pronta para a decisão do imperador, homem presumivelmente muito ocupado. Cada assunto, portanto, precisava ser-lhe apresentado da forma mais concisa possível.
(2.) Ainda não podia escrever nada de certo sobre Paulo. As informações dadas contra ele eram tão confusas e inconsistentes que Festo não conseguia tirar delas conclusão alguma. Por isso desejava que Paulo fosse interrogado publicamente, para que os presentes o aconselhassem sobre o que escrever.
Veja quantas perturbações e vexações lhes eram impostas, a que demora, ou melhor, até a que perigo eram expostos na administração da justiça pública aqueles que viviam tão longe de Roma e, ainda assim, estavam sujeitos ao imperador romano.
Nossa própria nação, situada a uma distância semelhante de Roma, mas na direção oposta, enfrentou as mesmas coisas quando, nas questões eclesiásticas, esteve sujeita ao papa romano e em todas as ocasiões eram feitos recursos a seu tribunal.
Aqueles que desejam enredar-nos novamente nesse jugo de servidão nos trariam os mesmos danos e mil outros piores.