Amós 5
Argumento
O propósito deste capítulo é dar seguimento à exortação feita a Israel no fim do capítulo anterior: que se preparasse para encontrar-se com seu Deus. Aqui o profeta lhes diz: I. Que preparo devem fazer: devem “buscar o Senhor” e deixar de buscar os ídolos (vv. 4-8); devem buscar o bem e amá-lo (v. 14, 15). II. Por que devem preparar-se para encontrar seu Deus:
Por causa da deplorável condição em que se achavam (vv. 1-3). 2. Porque foi o pecado que os levou a essa condição (v. 7, 10-12). 3. Porque buscar a Deus seria sua felicidade, e ele estava pronto a deixar-se encontrar por eles (v. 8, 9, 14). 4. Porque, em sua cólera, ele os levaria à ruína completa se não o buscassem (v. 5, 6, 13, 16, 17).
Porque todas as coisas em que confiavam lhes falhariam, caso não buscassem a Deus e fizessem dele seu amigo. (1.) O desprezo profano que tinham pelos juízos de Deus, desafiando-os abertamente, não lhes traria segurança (vv. 18-20). (2.) Os atos externos de culto e as demonstrações de devoção não serviriam para afastar a cólera de Deus (vv. 21-24).
(3.) O fato de terem desfrutado por tanto tempo dos privilégios da igreja e cumprido deveres santos não os protegeria enquanto persistissem em seus costumes idólatras (vv. 25-27). Portanto, não lhes resta outro caminho para se salvarem senão o arrependimento e a reforma de vida.
Versículos 1 a 3
Convites e Advertências. (a.C. 790.)
Este capítulo começa, como os dois anteriores, com: “Ouvi esta palavra”. Quando Deus tem boca para falar, devemos ter ouvidos para ouvir. É nosso dever e interesse; contudo, a maioria das pessoas é tão insensível que precisa ser chamada repetidas vezes a ouvir a palavra do Senhor, a dar-lhe ouvidos e atenção.
“Ouvi esta palavra”. Essa palavra que convence e desperta deve ser ouvida e atendida, assim como as palavras de consolo e paz. Devemos ouvir tanto a palavra levantada contra nós quanto a que nos favorece; pois, quer a ouçamos, quer nos recusemos, a palavra de Deus terá efeito, e nem um só til dela cairá por terra.
É a palavra que eu entoo; quem a entoa não é só o profeta, mas também o Deus que o enviou. É a palavra que o Senhor falou (Amós 3:1). A palavra a ser ouvida é uma lamentação: um triste relato da calamidade em que se encontrava o reino de Israel, bem como uma triste previsão de sua destruição completa.
Sua condição é triste: “A virgem de Israel caiu” (v. 2), descendo da posição que antes ocupava. Aquele reino, embora não fosse puro e casto como uma virgem, era belo, alegre e atraente. Tinha grande opinião de si mesmo e era cortejado por muitos como uma virgem; mas caiu no desprezo e na pobreza, sendo desdenhado por todos.
Além disso, sua condição não tem remédio: “Ela nunca mais se levantará”, nunca recuperará sua antiga dignidade. Deus havia começado, pouco antes, a reduzir Israel (2 Reis 10:32); e, porque eles não se arrependeram, não demorou para que o derrubasse.
- Os príncipes, que deveriam ajudá-la a levantar-se, estavam incapacitados: “Ela está abandonada em sua terra”. Falharam-lhe não apenas os aliados de fora; os amigos de dentro também a abandonaram. Ela não teria sido levada cativa para uma terra estranha se primeiro não tivesse sido abandonada e derrubada em sua própria terra.
Ali, todos os seus verdadeiros interesses foram deixados de lado por aqueles que deveriam tê-los no coração. “Não há quem a levante”: ninguém que possa fazê-lo, nem que se importe em estender-lhe a mão.
- O povo, que deveria ajudá-la a levantar-se, foi reduzido (v. 3). “A cidade que tinha uma milícia de mil homens e que, no início da guerra, fornecera mil soldados aptos, robustos e bem armados, ao passar as tropas em revista depois da batalha verá que só restam cem.
Na mesma proporção, da cidade que enviou cem, apenas dez voltarão. Tão grande será a matança, e tão poucos restarão à casa de Israel para o serviço e a segurança públicos.” Mal escapará um em dez daqueles que deveriam socorrer essa nação humilhada e abatida.
Repare: é justo lamentar a redução do número dos que pertencem ao Israel espiritual de Deus, seja pela morte, seja pela deserção. Pois por quem Jacó se levantará? Quem reparará o declínio da piedade, quando ele assim se torna pequeno?
Mensagem de Deus a Israel; Os Pecados Agravados de Israel; Advertências e Exortações; Exortações e Encorajamentos. (a.C. 790.)
Versículos 4 a 14
Esta é uma mensagem de Deus à casa de Israel, na qual:
I. Ele lhes mostra suas faltas, para que percebam quanto precisam arrepender-se e reformar-se e, quando forem chamados a voltar, não precisem perguntar: Em que devemos voltar?
- Deus lhes diz, em termos gerais (v. 12): “Conheço as vossas muitas transgressões e os vossos grandes pecados”; e fará com que também eles os conheçam. Ao refletirmos com arrependimento sobre nossos pecados, devemos considerar, como Deus o faz em seu juízo sobre eles e fará no grande dia:
(1.) Que são numerosíssimos. São nossas muitas transgressões: pecados de várias espécies e muitas vezes repetidos. Quantos pensamentos vãos e vis se abrigam em nós! Quantas palavras ociosas, tolas e perversas dissemos! Em quantas ocasiões satisfizemos e alimentamos nossos apetites e paixões corrompidos!
E quantas são nossas omissões, tanto de nossos deveres quanto no cumprimento deles! Quem pode discernir os próprios erros? Quem pode dizer quantas vezes ofende? Deus conhece o número exato de nossas transgressões; nenhuma lhe passa despercebida. Nós sabemos que, para nós, elas são incontáveis, mais numerosas que os cabelos de nossa cabeça.
Temos, pois, razão para ver a que perigo nos expusemos e quanto trabalho de arrependimento criamos para nós mesmos com nossas muitas transgressões, com a incontável quantidade de pecados em que caímos todos os dias.
(2.) Que alguns deles são gravíssimos. São nossos grandes pecados: pecados ainda mais pecaminosos por sua própria natureza e por serem cometidos com presunção e insolência; pecados contra a luz da natureza, crimes flagrantes, fortes o bastante para vencer vossa consciência e atrair juízos sobre vós.
- Ele especifica alguns desses grandes pecados. (1.) Corromperam o culto a Deus e voltaram-se para os ídolos; isso está implícito no v. 5. Procuraram Betel, onde estava um dos bezerros de ouro; frequentaram Gilgal, lugar que escolheram para erguer ídolos porque se tornara célebre nos dias de Josué pelas maravilhosas manifestações de Deus a seu povo e em favor dele.
Também Berseba, famosa nos dias dos patriarcas, era agora outro ponto de encontro dos ídolos, como vemos em Amós 8:14. Para lá se dirigiam, embora ficasse distante, na terra de Judá. Tendo-se assim prostituído vergonhosamente, afastando-se de Deus, sem dúvida deveriam sentir-se obrigados a voltar para ele.
(2.) Perverteram a justiça entre si (v. 7): “Converteis o juízo em absinto”, isto é, tornais a administração da justiça amarga e repugnante, profundamente desagradável a Deus e aos homens. O fruto tornou-se erva daninha, uma erva daninha no jardim.
Assim como nada é mais respeitável nem mais valioso que a justiça devidamente administrada, nada é mais prejudicial nem mais abominável que cometer injustiça deliberada sob a aparência e o pretexto de fazer o que é certo. Corruptio optimi est pessima: o melhor, quando corrompido, torna-se o pior.
“Lançais por terra a justiça”, como se os que praticam a injustiça devessem prestar contas somente ao Deus do céu, e não também aos príncipes e juízes da terra. Era como antes do dilúvio, quando a terra se encheu de violência.
(3.) Oprimiam duramente os pobres e os empobreciam ainda mais. Pisavam os pobres (v. 11), esmagavam-nos, tratavam-nos com arrogância, faziam deles o estrado de seus pés. Eram extremamente imperiosos e cruéis com aqueles que se mostravam mais dóceis e submissos.
Não se importavam com a vergonha e a escravidão a que submetiam os pobres, de quem não podiam tirar proveito. Os juízes não visavam outra coisa senão enriquecer; por isso, tiravam dos pobres cargas de trigo, extorquindo-as como suborno ou juros.
Para não serem pisoteados e reduzidos ao pó por eles, os pobres não tinham outra saída senão lhes entregar cargas, levadas a cavalo, do cereal que deveria sustentar a si e suas famílias. E os juízes os obrigavam a fazê-lo. Alguns leem: “cobrais dos pobres dívidas de trigo”.
A dívida podia ser legalmente devida por aluguel ou por trigo emprestado, mas eles a exigiam com rigor daqueles que, pela providência de Deus, não tinham condições de pagá-la, como em Neemias 5:2,5. Mesmo ao cobrar e receber uma dívida justa, devemos tomar cuidado para não agir injustamente nem sem caridade.
Esse pecado de opressão lhes é novamente imputado (v. 12): Afligem o justo, voltando o rigor da lei e a espada da justiça contra os inocentes e pacíficos da terra. Odiavam os homens por serem mais justos que eles; e aquele que se desviava do mal tornava-se sua presa.
Recebem suborno dos ricos para apoiá-los e protegê-los na opressão dos pobres. Assim, quem tem dinheiro na mão tem a certeza de uma sentença favorável, por pior que seja sua causa. Desse modo, privam os pobres do seu direito à porta da cidade, nos tribunais.
Se os pobres pleiteiam seu direito, sem poder subornar os juízes, ou sendo honestos demais para fazê-lo, a sentença injusta os afasta dele. Mesmo que seu direito esteja claríssimo e ao seu alcance, não conseguem obtê-lo. Por isso, o prudente se cala (v. 13).
Ao sofrerem dano e injustiça, os homens julgarão prudente permanecer calados e não apresentar queixas aos magistrados, pois nada adiantaria: a justiça lhes será negada.
(4.) Perseguiam com malícia os ministros fiéis de Deus e seu povo (v. 10). Seus corações estavam tão decididos a praticar o mal que não suportavam ser repreendidos [1.] pelo ministério da palavra: pela leitura e exposição da lei e pelas mensagens que os profetas lhes traziam em nome do Senhor.
Odeiam o que os repreende à porta: à porta da casa do Senhor, nos tribunais ou nos lugares de reunião, onde a Sabedoria levanta a voz (Provérbios 1:21). Os que repreendem à porta o fazem por dever do seu ofício; Israel os odiava, considerando-os inimigos por lhe dizerem a verdade, como Acabe odiava Micaías.
Não apenas os desprezavam: eram hostis a eles e procuravam causar-lhes dano. Quem odeia a repreensão ama a ruína.
[2.] Pela conduta de seus vizinhos honestos. Embora a situação geral fosse muito má, havia entre eles alguns que falavam com retidão e tinham cuidado com o que diziam. Isso lhes servia de louvor, mas envergonhava e condenava os que falavam com falsidade, assim como a fé de Noé condenou a incredulidade do mundo antigo.
Por isso os abominavam. Eram inimigos tão arraigados daquilo que se chama honestidade que não suportavam ver um homem honesto. Todos os que se importam minimamente com o bem comum da humanidade amam e valorizam quem fala com retidão, pois a veracidade é o vínculo da sociedade humana.
A que extremo de loucura e insensatez chegaram, então, aqueles que, tendo expulsado toda noção de justiça do próprio coração, também querem expulsá-la do mundo e lançar a humanidade em estado de guerra! Pois abominam o que fala com retidão.
Por essa razão, o prudente se calará naquele tempo (v. 13). Os profetas não podem nem ousam calar-se: o impulso que recebem não lhes permite agir segundo cálculos de prudência. Precisam clamar em alta voz, sem poupar ninguém. Os outros homens sábios e bons, porém, calar-se-ão e julgarão prudente fazê-lo, porque é tempo mau.
Primeiro, pensarão que é perigoso queixar-se e, portanto, ficarão calados. Uma das maneiras pelas quais se afligia o justo era transformar homens em culpados por uma palavra, mediante falsas acusações e insinuações forçadas (Isaías 29:21).
Assim, os prudentes, sábios como serpentes, eram tão cautelosos que nada diziam. Não sabiam como suas palavras poderiam ser distorcidas e deturpadas e não queriam incorrer em alguma penalidade, pois era tempo mau.
Repare: por causa da iniquidade dos tempos, os homens bons tanto se escondem quanto se calam, e é sábio que ajam assim; quanto menos se disser, mais cedo se remediará o mal. Seu consolo, porém, é poderem falar livremente com Deus quando não sabem com quem mais podem fazê-lo.
Segundo, julgarão inútil repreender. Veem a perversidade cometida e seu espírito se agita, como aconteceu com Paulo em Atenas. Contudo, julgarão prudente não dar testemunho público contra ela, pois seria inútil. Eles se apegaram aos ídolos; deixem-nos.
Ninguém contenda nem repreenda a outro, pois isso seria lançar pérolas aos porcos. Os cautelosos dirão a um repreensor ousado, como Erasmo disse a Lutero: “Abi in cellam, et dic, Miserere mei, Domine”, ou seja: “Vai para tua cela e clama: Tem misericórdia de mim, Senhor!”
Guardem-se as lições e os conselhos graves para homens e tempos melhores. Há tempo de calar e tempo de falar (Eclesiastes 3:7). Tempos maus não suportam a franqueza, isto é, os homens maus não a suportam.
Os homens de quem o profeta fala tinham, portanto, motivo para se reconhecerem verdadeiramente maus, quando os sábios e bons consideravam inútil falar-lhes e receavam ter qualquer relação com eles.
II. Ele lhes mostra o perigo que correm e os juízos a que seus pecados os expõem.
- Os lugares de sua idolatria correm o risco de ser destruídos primeiro (v. 5). Gilgal, centro da idolatria, irá para o cativeiro: não apenas seus habitantes, mas também suas imagens. Betel, com seu bezerro de ouro, será reduzida a nada.
O inimigo vitorioso a tratará como coisa sem valor, tão facilmente será saqueada; e a reduzirá a nada, tão completamente será destruída. Os ídolos sempre foram vaidade e coisas sem valor, e assim se mostrarão quando Deus vier aboli-los.
- O próprio reino corre o risco de ser destruído com eles (v. 6). Se não buscardes a Deus a tempo, há o perigo de que ele irrompa como fogo na casa de José e a devore. Nosso Deus é um Juiz justo, fogo consumidor; e os israelitas, como criminosos, são palha diante dele. Ai daqueles que se tornam combustível para o fogo da cólera de Deus!
Segue-se: E não haverá quem o apague em Betel. Lá estavam seus ídolos e sacerdotes idólatras; para lá levavam seus sacrifícios e ali ofereciam suas orações. Mas Deus lhes diz que, quando o fogo dos seus juízos se acender contra eles, nenhum dos deuses que serviam em Betel poderá apagá-lo, afastar o juízo ou trazer-lhes alívio em meio a ele.
Assim, os que fazem do mundo um ídolo descobrirão que ele não basta para protegê-los quando Deus os chamar a prestar contas de sua idolatria espiritual.
- Aquilo que conseguiram pela opressão e pela extorsão lhes será tirado (v. 11): “Construístes casas de pedras lavradas que julgáveis duradouras, mas não habitareis nelas. Vossos inimigos as incendiarão, ou delas se apossarão, ou vos levarão cativos.
Plantastes vinhas agradáveis e planejastes torná-las aprazíveis em todos os sentidos, esperando dar nelas muitos passeios prazerosos. Porém, sereis forçados a partir e nunca bebereis do seu vinho.”
A lei, com ternura, determinava que quem houvesse construído uma casa ou plantado uma vinha tivesse liberdade para voltar da guerra (Deuteronômio 20:5,6). Agora, porém, a necessidade seria tão urgente que isso não seria permitido. Todos teriam de ir à batalha, e muitos dos que haviam construído e plantado recentemente cairiam nela, sem jamais desfrutar do fruto de seu trabalho.
O que não se adquire honestamente provavelmente não se desfrutará por muito tempo.
III. Ele lhes mostra seu dever, com fortes incentivos para que se dediquem a cumpri-lo de modo sincero e sensato. Os deveres prescritos aqui são a piedade e a honestidade: seriedade ao se dirigirem a Deus e justiça no trato com os homens. Cada um desses deveres é reforçado com argumentos apropriados.
- São exortados a dirigir-se a Deus com sinceridade e devoção (v. 4). Deus diz à casa de Israel: “Buscai-me”. E com razão, pois não deveria um povo buscar seu Deus? (Isaías 8:19). A quem mais recorreria, senão ao seu protetor? Israel era príncipe com Deus; que seus descendentes busquem o Senhor, como ele o buscou, e também o serão.
Para isso, precisam abandonar a idolatria. Não se busca verdadeiramente a Deus quando não se busca somente a ele, pois Deus não tolera rivais: “Buscai o Senhor e não busqueis Betel (v. 5). Não consulteis vossos oráculos idólatras, nem pergunteis aos sacerdotes de Betel.
Não busqueis proteção junto ao bezerro de ouro dali, nem leveis mais vossas orações e sacrifícios para lá ou para Gilgal, pois abandonais vossa própria misericórdia ao vos apegardes a essas vaidades mentirosas. Antes, buscai o Senhor (v. 6, 8); procurai conhecê-lo e consultai-o. Buscai conhecer sua vontade como vossa regra e garantir seu favor como vossa felicidade.”
Para reforçar essa exortação, devemos considerar: (1.) O que ganharemos ao buscar a Deus. Isso será nossa vida: nós o encontraremos e seremos felizes nele. É o que ele próprio lhes diz (v. 4): “Buscai-me e vivereis”.
Os que buscam deuses perecíveis perecerão com eles (v. 5); mas os que buscam o Deus vivo viverão com ele: “Sereis livres dos juízos mortais com que estais ameaçados. Vossa nação viverá e se recuperará de seu atual enfraquecimento. Vossas almas viverão: sereis santificados e consolados, e feitos bem-aventurados para sempre. Vivereis.”
(2.) Que Deus é esse que devemos buscar (v. 8, 9). [1.] Ele próprio é o Deus de poder onipotente. Os ídolos eram impotentes: não podiam fazer nem o bem nem o mal; portanto, era insensatez temê-los ou confiar neles. O Deus de Israel, porém, faz tudo e pode fazer qualquer coisa; por isso devemos buscá-lo.
Aquele que tem todo o poder nas mãos exige nossa homenagem, e é de nosso interesse tê-lo a nosso lado. São dadas aqui diversas provas e exemplos do poder de Deus como Criador, tanto na fundação quanto no governo do reino da natureza. Compare com Amós 4:13.
Primeiro, as estrelas são obra das suas mãos. Aquelas estrelas que os pagãos adoravam (v. 26), as estrelas do vosso deus, são criaturas e servas de Deus. Ele fez as sete estrelas e Órion, duas constelações notáveis cujos movimentos Amós, pastor de gado, observara de maneira especial ao cuidar dos animais durante a noite.
Ele as criou no princípio e continua fazendo delas o que são para esta terra; prende ou solta as suaves influências das Plêiades e de Órion, as duas constelações aqui citadas. Veja Jó 38:31; 9:9. Amós parece aludir a essas passagens, lembrando-lhes antigas revelações da glória de Deus, anteriores ao tempo em que ele passou a ser chamado Deus de Israel.
Segundo, a sucessão constante do dia e da noite está sob sua direção e é mantida por seu poder e providência. É ele quem transforma a noite, escura como a sombra da morte, em manhã, fazendo o sol nascer; e, ao pôr do sol, escurece o dia com a noite.
O mesmo poder pode facilmente transformar a aflição e a tristeza dos penitentes humildes em prosperidade e alegria; mas também pode transformar a prosperidade de pecadores presunçosos em trevas, em trevas profundas.
Terceiro, a chuva sobe e desce conforme ele determina. Ele chama as águas do mar; delas o calor do sol faz subir vapores, que se reúnem em nuvens e se derramam sobre a face da terra para regá-la e torná-la fértil.
Essa era a misericórdia que lhes havia sido negada recentemente (Amós 4:7). A quem, pois, deveriam recorrer, senão àquele que tinha o poder de concedê-la? Todas as vaidades dos pagãos eram incapazes de dar chuva; nem mesmo os céus, por si sós, podiam produzir aguaceiros (Jeremias 14:22).
Deus fez todas essas coisas. Jeová é seu nome: o nome pelo qual o Deus da natureza, o Deus de toda a terra, se deu a conhecer a seu povo Israel e firmou aliança com ele.
[2.] Assim como ele próprio é o Deus de poder onipotente, também dá força e poder ao povo que o busca. Aos que perderam as forças, ele as renova, se nele esperarem; pois (v. 9) fortalece o despojado contra o forte, a tal ponto que o despojado ataca a fortaleza e faz investidas corajosas e ousadas contra aqueles que o despojaram.
Isso anima o povo a buscar o Senhor. Se o fizer, verá que ele é capaz de restaurar sua situação, mesmo quando esta chega ao ponto mais baixo. Embora eles estejam despojados e seus inimigos sejam fortes, se conseguirem ter Deus a seu favor, logo recobrarão as forças.
Assim, no confronto seguinte, serão não apenas os que tomam a iniciativa, mas também os vencedores: investirão contra a fortaleza para recuperar o que perderam e assenhorear-se dela.
- São exortados a tratar os homens com honestidade e justiça (v. 14, 15). Observe: (1.) O dever exigido: “Buscai o bem e não o mal”. “Odiai o mal, amai o bem e estabelecei o juízo à porta da cidade”; restaurai-o ali, de onde fora banido (v. 7).
Repare: as coisas nunca estão tão ruins que não possam ser corrigidas pelo caminho certo. Não devemos perder a esperança de que as queixas sejam atendidas e os abusos, corrigidos. A justiça ainda pode triunfar onde a injustiça tiraniza. Para isso, é preciso amar e buscar o bem, odiar o mal e deixar de buscá-lo.
Devemos amar os bons princípios e permanecer firmes neles; amar a prática do bem e abundar nela; amar as pessoas boas, a boa comunhão e os bons deveres. E todo o bem que fizermos deve nascer do amor: deve ser feito por escolha e com prazer.
Quem ama o bem dessa forma o buscará. Planejará fazer todo o bem possível, procurará oportunidades para fazê-lo e se empenhará nisso até o limite de suas forças. Também odiará o mal, abominará a ideia de praticar qualquer injustiça e se absterá até da aparência dela.
É inútil fingirmos que buscamos a Deus em nossa devoção se não buscamos o bem em toda a nossa conduta.
(2.) As razões apresentadas. [1.] Esse é o caminho seguro para sermos felizes e contarmos com a presença constante de Deus: “Buscai o bem e não o mal para que vivais; para que escapeis ao castigo do mal que buscáveis e amáveis, pois a justiça livra da morte.
Assim tereis o favor de Deus, que é vossa vida e é melhor que a própria vida; tereis consolo em vós mesmos e vivereis com algum bom propósito. Vivereis, pois o Senhor, Deus dos Exércitos, estará convosco e será vossa vida.”
Repare: quem permanece no caminho do dever tem consigo a presença de Deus, o Deus dos Exércitos, Deus de poder onipotente. “Ele estará convosco, como tendes dito”, isto é, como vos tendes gloriado. Tereis de fato aquilo que, enquanto seguíeis caminhos injustos, apenas parecíeis ter e de que vos vangloriáveis.
Os que se arrependem e se reformam de verdade passam a desfrutar do consolo que antes apenas imaginavam ter, iludindo-se a si mesmos. Ou então: “Como tendes dito em vossas orações ao buscar o Senhor. Vivei conforme orais e recebereis o que pedis.”
[2.] Esse é o caminho mais promissor para tornar a nação feliz: “Se buscardes e amardes o que é bom, podereis contribuir para salvar a terra da ruína.” Talvez o Senhor, Deus dos Exércitos, se compadeça do remanescente de José.
Embora reste apenas um remanescente, se Deus se compadecer dele, poderá tornar-se novamente uma grande nação. Se alguns abandonarem o pecado, sobretudo se a justiça for estabelecida à porta da cidade, não podemos ter certeza, mas é muito provável que os assuntos públicos tomem novo e feliz rumo e que tudo melhore se os homens melhorarem sua vida.
As promessas temporais vêm acompanhadas de um “talvez”; nossas orações também devem ser feitas nesse espírito.
Versículos 16 a 20
Ameaças e Censuras. (a.C. 790.)
Aqui está: I. Uma ameaça muito terrível de destruição iminente (v. 16, 17). Visto que não quiseram seguir o caminho certo para obter o favor de Deus, ele seguiria um caminho eficaz para fazê-los sentir o peso do seu desagrado.
A ameaça é introduzida com solenidade mais que comum, para inspirar-lhes temor. Não se trata apenas da palavra do profeta, que, se fosse assim, poderiam fazer pouco caso. Quem fala é o Senhor Jeová, de existência infinita e eterna; é o Deus dos exércitos, de poder ilimitado e irresistível; é Adonai, o Senhor de soberania absoluta e incontestável e domínio universal.
É ele quem o diz, quem pode e cumprirá as suas palavras. Ele declarou: 1. Que a terra de Israel ficará de luto, de luto verdadeiro, e que todos os lugares se encherão de lamentações pelas calamidades que se aproximam.
Olhem para as cidades: haverá pranto em todas as ruas, nas vias principais e nas ruas menores. Olhem para o campo: em todas as estradas dirão: “Ai! Ai! Estamos todos perdidos!” Tão grande será o lamento que não ficará restrito às casas nem dentro dos limites do decoro: será proclamado pelas ruas e estradas, sem controle.
As calamidades do seu país chamarão o lavrador para longe do arado, às expressões naturais do luto. Porque aquelas ficarão aquém do que a causa merece, os que são hábeis na lamentação serão chamados ao luto artificial, para pôr acentos nas lamentações dos verdadeiros pranteadores com seu “ai, ai”.
Até em todas as vinhas, onde antes só havia diversão e prazer, haverá pranto geral quando uma força estrangeira invade o país, devasta tudo e não há como resistir-lhe, sem outras armas além de orações e lágrimas.
- Que a terra de Israel será levada à ruína, e os avanços dessa ruína serão a ocasião de todo esse pranto: “Passarei por ti”, assim como o anjo destruidor passou pela terra do Egito para destruir os primogênitos, mas então passou por cima das casas dos israelitas.
Os juízos de Deus muitas vezes haviam passado ao largo deles, mas agora passarão pelo meio deles e os atravessarão.
II. Uma censura justa e severa àqueles que faziam pouco caso dessas ameaças e desafiavam com insolência a justiça e os juízos de Deus (v. 18): “Ai de vós que desejais o dia do Senhor!” Eles realmente desejam tempos de guerra e confusão, como alguns que têm espíritos inquietos e anseiam por mudanças.
Ou que preferem pescar em águas turvas, esperando erguer suas famílias sobre as ruínas da nação, como alguns já haviam feito. O profeta, porém, lhes diz que a devastação será tão grande que ninguém lucrará com ela.
Ou a palavra se dirige aos que, em meio ao pranto e às lamentações por suas calamidades, desejavam morrer e livrar-se da miséria, como Jó fez, com exaltação. O profeta mostra a insensatez disso. Sabem eles o que é a morte para quem não está preparado e quanto mais terrível será do que qualquer coisa que lhes possa acontecer nesta vida?
Ou, antes, a palavra se dirige aos que zombavam do dia do Senhor, do qual o profeta falava tão seriamente. Desejavam esse dia, isto é, desafiavam-no. Diziam: Que ele faça o seu pior; “que se apresse e apresse a sua obra”, Isaías 5:19. “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pedro 3:4).
Isso indica: 1. Que não creem nesse dia. Dizem desejá-lo porque não acreditam que alguma vez virá; e não acreditarão enquanto não o virem. 2. Que não o temem. Embora possam ter alguma crença nele, ainda assim, pensam tão pouco a respeito e estão tão concentrados em outras coisas que não têm apreensão alguma de perigo vindo dele.
Em vez de terem consciência para temê-lo, têm curiosidade para desejá-lo. Em resposta: (1.) O profeta mostra a insensatez dos que desejam insolentemente qualquer dos juízos de Deus e zombam de qualquer dos terrores do Senhor:
Para que lhes serve que venha o dia do Senhor? Vocês o acharão tanto certo quanto triste, não uma coisa de que zombar, pois não é nem uma coisa a se questionar se virá ou não, nem uma coisa a afastar com desprezo quando vier.
“O dia do Senhor é trevas, e não luz”, v. 18. Não será assim? v. 20. As suas próprias consciências não lhes dizem que será assim, que será muito escuro e sem brilho nele?
Repare: o dia do Senhor será escuro, triste e sombrio para todos os pecadores impenitentes. Assim será o dia do juízo e, às vezes, o dia da sua tribulação presente. Quando Deus torna um dia escuro, o mundo inteiro é incapaz de iluminá-lo.
(2.) Ele mostra a insensatez dos que desejam impacientemente uma mudança no juízo de Deus, esperando que o próximo seja melhor e mais suportável. Desejam o dia do Senhor na esperança de melhorar sua situação, embora seus corações e vidas não sejam corrigidos; ou, ao menos, de conhecer o pior.
O profeta, porém, lhes diz que não sabem o que pedem (v. 19). É como se um homem fugisse de um leão e um urso o encontrasse, uma fera de rapina mais cruel e voraz que um leão. Ou como se um homem, para escapar a todos os perigos de fora, entrasse na casa em busca de segurança e apoiasse a sua mão na parede para descansar, e ali uma serpente o mordesse.
Repare: os que não se reformam diante dos juízos de Deus serão perseguidos por eles. Se escaparem de um, outro estará pronto para apanhá-los: o terror, a cova e o laço os cercam (Isaías 24:17, 18). Portanto, é loucura desafiar o dia do Senhor.
Versículos 21 a 27
Serviços Hipócritas Rejeitados; Ameaças contra Israel. (a.C. 790.)
O alcance destes versículos é mostrar quão pouco Deus valorizava suas demonstrações de devoção, ou melhor, quanto as detestava enquanto persistissem no pecado. Observe:
I. Quão pouco agradáveis, ou melhor, quão desagradáveis os seus serviços hipócritas eram a Deus. Tinham dias de festa em Betel, imitando os de Jerusalém, nos quais alegavam alegrar-se diante de Deus. Tinham assembleias solenes de culto, nas quais assumiam a seriedade dos que vêm à presença de Deus como seu povo e se assentam diante dele como o seu povo se assenta.
Ofereciam holocaustos para honrar a Deus, junto com as ofertas de alimento que pela lei deviam ser oferecidas com eles; ofereciam sacrifícios pacíficos para implorar o favor de Deus, usando para isso seus animais gordos (v. 21, 22).
Imitando também a música do templo, tinham o ruído de seus cânticos e a melodia de suas violas (v. 23): música vocal e instrumental com que louvavam a Deus. Com esses serviços, esperavam compensar Deus pelos pecados que haviam cometido e obter permissão para continuar pecando. Por isso, longe de agradarem a Deus, eram abomináveis.
Ele odiava e desprezava seus dias de festa. Não apenas os desprezava como serviços sem valor para ele, mas os odiava como ofensa e provocação, assim como odiamos ver alguém agir conosco com falsidade, fingindo respeito sem senti-lo de fato. Nada é mais odioso nem mais desprezível que a hipocrisia.
Aquele que bendiz o seu amigo em alta voz, isso será considerado maldição se ficar claro que seu coração não está com ele. Deus não cheirará nas suas assembleias solenes, pois nada nelas lhe agrada; há, porém, muita coisa que o ofende.
Seus sacrifícios não são para ele um aroma suave, como foi o de Noé (Gênesis 8:21). Ele não os aceitará, não os considerará, não reparará neles. Não ouvirá a melodia de suas violas. Quando o pecado é uma dissonância na harmonia, isso range nos seus ouvidos: “Tire isso”, diz Deus, “não posso suportá-lo”.
Isso indica: 1. Que o sacrifício, por si só, tem pouco valor para Deus em comparação com os deveres morais. Amar a Deus e ao próximo é melhor que todos os holocaustos e sacrifícios. 2. Que o sacrifício dos ímpios é, de fato, uma abominação para ele (Provérbios 15:8).
A piedade dissimulada é iniquidade dobrada. Assim se achará quando, se algum lugar no inferno for mais quente que outro, esse será a porção do hipócrita.
II. O que Deus exigia para que aceitasse seus sacrifícios, e sem o que nenhum deles seria aceito (v. 24): “Corra o juízo como as águas”, entre vocês, “e a justiça como uma corrente poderosa”. Isto é:
- Haja entre vocês uma reforma geral dos costumes. Que a religião, o juízo de Deus, e a justiça tenham a sua devida influência sobre vocês. Que a sua terra seja regada por ela, e que ela derrube toda a oposição do vício e da profanação. Que corra largamente como águas transbordantes e, contudo, corra forte como uma corrente poderosa.
(2.) Em particular, que os magistrados e governantes administrem devidamente a justiça. Que a sua corrente não seja detida pela parcialidade e pelo suborno, mas que venha livremente como as águas, no curso natural.
Que seja pura como água corrente, sem ser turvada pela corrupção ou por qualquer coisa que possa pervertê-la. Que corra como uma corrente poderosa, e não se permita ser obstruída, ou o seu curso retardado, pelo medo do homem. Que todos tenham livre acesso a ela como a um curso de água comum e dela se beneficiem como árvores plantadas junto aos rios de águas.
A principal acusação contra Israel era converter o juízo em absinto (v. 7); é nisso, portanto, que deviam reformar-se (Zacarias 7:9). Isso era o que Deus desejava mais que sacrifícios (Oseias 6:6; 1 Samuel 15:22).
III. Quão pouca importância Deus atribuía à lei dos sacrifícios, embora fosse sua própria lei, em comparação com os preceitos morais (v. 25): “Acaso me oferecestes sacrifícios no deserto durante quarenta anos? Não, não oferecestes.”
Pois durante a maior parte daquele período, os sacrifícios foram muito negligenciados por causa da instabilidade em que viviam. Depois do segundo ano, a Páscoa não foi celebrada até entrarem em Canaã, e outras instituições foram de modo semelhante interrompidas.
Contudo, como Deus quer misericórdia e não sacrifício, nunca lhes imputou essa omissão como falta; continuou a cuidar deles e a tratá-los com bondade. Não foi essa omissão, mas suas murmurações e sua incredulidade que despertaram o desagrado de Deus.
Aquele que assim reconheceu o seu povo, embora não sacrificassem, quando noutras coisas se mantinham próximos dele, certamente os rejeitará, embora sacrifiquem, se noutras coisas se afastarem dele.
Mas, embora os sacrifícios rituais possam ser assim dispensados, os sacrifícios espirituais não serão. Nem mesmo a justiça e a honestidade desculparão a falta de oração e louvor, de um coração quebrantado e do amor a Deus.
Estêvão cita essa passagem (Atos 7:42) para mostrar aos judeus que não deveriam estranhar a revogação da lei cerimonial, visto que desde o princípio se fizera relativamente pouco caso dela. Compare com Jeremias 7:22, 23.
IV. Quão pouco motivo tinham para esperar que seus sacrifícios fossem aceitos por Deus, quando eles e seus pais sempre haviam sido inclinados ao culto de outros deuses. Assim alguns entendem o v. 25: “Oferecestes a mim sacrifícios”, isto é, somente a mim? Não: por isso de modo algum a mim de modo aceitável.
Pois a lei do culto ao Senhor nosso Deus é esta: somente a ele devemos servir. Mas “carregastes o tabernáculo do vosso Moloque” (v. 26): pequenos santuários que vocês fizeram para carregar consigo, ídolos de bolso para a sua superstição particular, quando não ousavam ser vistos praticando isso em público.
“Tivestes as imagens de vosso Moloque, vosso rei”, provavelmente uma representação do sol, que reina entre os corpos celestes, “e de Quium, ou Renfã”, como Estêvão o chama em Atos 7:43, seguindo a Septuaginta. Ao que se supõe, este representava Saturno, o mais alto dos sete planetas.
O culto ao sol, à lua e às estrelas era a forma mais antiga, mais difundida e mais plausível de idolatria. Fizeram para si a estrela do seu Deus: uma estrela particular que tomavam por deus ou cujo nome davam ao seu deus.
Israel teve inclinação para essa idolatria desde o princípio (Deuteronômio 4:19). E quem conserva afeição por falsos deuses não pode esperar o favor do Deus verdadeiro.
V. O castigo que Deus lhes infligiria por persistirem na idolatria (v. 27): “Eu vos farei ir para o cativeiro além de Damasco”. Foram levados cativos por Satanás à idolatria; por isso Deus os fez ir cativos para o meio de idólatras, levando-os às pressas para uma terra estrangeira, já que tanto gostavam de deuses estrangeiros.
Foram levados além de Damasco. O cativeiro imposto pelos assírios foi muito além daquele imposto pelos sírios, pois, se juízos menores não realizam aquilo para que foram enviados, Deus enviará maiores.
Ou o cativeiro de Israel sob Salmaneser foi muito além do cativeiro de Damasco sob Tiglate-Pileser, sendo muito mais penoso e destrutivo, como foi predito em Amós 1:5. Pois, como os pecados do povo que professa pertencer a Deus são maiores que os dos demais, pode-se esperar que os seus castigos sejam proporcionais.
Vemos que o espólio de Damasco e o de Samaria foram levados juntos pelo rei da Assíria (Isaías 8:4). Estêvão lê: “Eu vos levarei para além da Babilônia” (Atos 7:43), mais longe do que Judá será levado, tão mais longe a ponto de não voltar.
E, para tornar essa sentença tanto mais certa quanto mais terrível, aquele que a pronuncia chama a si mesmo Senhor, cujo nome é Deus dos exércitos. Portanto, ele é capaz de executá-la, pois dispõe de exércitos às suas ordens.