Matthew Henry

2 Crônicas 8

Argumento

Neste capítulo nos é dito: I. Que cidades Salomão construiu, vv. 1-6. II. Que trabalhadores empregou, vv. 7-10. III. Que cuidado teve em providenciar uma residência apropriada para sua esposa, v. 11. IV. Como organizou bem o serviço do templo, vv. 12-16. V. Que comércio manteve com países estrangeiros, v. 17, 18.

Versículos 1 a 11

As Construções de Salomão. (a.C. 992.)

Isso já vimos em 1 Reis 9:10-24; por isso, aqui observaremos apenas:

I. Embora Salomão fosse um homem de grande instrução e conhecimento, ainda assim passou seus dias não na contemplação, mas na ação; não em seu gabinete, mas em seu país, construindo e fortificando cidades. Em tempos de paz, preparava-se para tempos de guerra, tarefa que compete a um homem tanto quanto providenciar alimento no verão para o inverno.

II. Assim como ele próprio era ativo e não buscava poupar-se, também empregava muitas mãos, mantendo uma multidão de pessoas no trabalho. É do interesse de um Estado promover e incentivar a atividade produtiva por todos os meios possíveis e impedir que seus súditos fiquem ociosos.

Havia muitos estrangeiros em Israel, inclusive muitos remanescentes dos cananeus. E eram bem-vindos para morar ali, mas não para morar sem fazer nada. Os homens de Laís, que não tinham ocupação, foram presa fácil dos invasores, Juízes 18:7.

III. Tendo Salomão começado pela construção da casa de Deus e feito esse trabalho bem e depressa, prosperou em todos os seus empreendimentos, de modo que construiu tudo o que desejava construir, v. 6.

Quem tem aptidão para construir descobre que um projeto leva a outro e que o seguinte deve corrigir e aperfeiçoar o anterior. Observe agora:

  1. Como a providência divina satisfez até mesmo as inclinações de Salomão e lhe deu êxito, não apenas em tudo o que precisava construir e lhe convinha construir, mas em tudo o que tinha vontade de construir. Deus às vezes é um Pai tão indulgente com os desejos inocentes dos filhos que o servem. Assim agradou a Jacó com a promessa: “José porá a mão sobre os teus olhos”.

  2. Salomão sabia impor limites a seus desejos. Não era dos que os ampliam sem fim e nunca se satisfazem; sabia quando parar, pois terminou tudo o que desejava e então não desejou mais nada. Não se sentou a lamentar que não tivesse mais cidades para construir, como Alexandre se lamentou por não ter mais mundos para conquistar, Habacuque 2:5.

IV. Uma das razões pelas quais Salomão construiu um palácio especialmente para a rainha e transferiu para lá tanto ela quanto sua corte foi considerar de todo impróprio que ela morasse na casa de Davi (v. 11). Aquela havia sido um lugar de grande piedade; talvez a casa dela fosse um lugar de grande vaidade.

É provável que ela tivesse aderido à religião judaica; mas resta saber se todos os seus servos também aderiram. Talvez houvesse entre eles ídolos do Egito e muita profanidade e devassidão.

Embora Salomão não tivesse zelo e coragem suficientes para reprimir e punir o que ali havia de errado, ainda assim cuidou, ao menos, da honra da memória de seu pai. Não permitiu que fosse profanado o lugar onde estivera a arca de Deus e onde o santo Davi fizera muitas boas orações e cantara muitos doces salmos.

Isso não significa que todos os lugares onde a arca estivera fossem tão santos que jamais pudessem ter uso comum; pois, nesse caso, também o seriam as casas de Abinadabe e Obede-Edom.

Mas o lugar onde a arca permanecera por tanto tempo e fora objeto de tanta reverência pública era tão venerável que não convinha abrigar tanta diversão, para não dizer iniquidade, quanto, receio eu, havia na corte mantida pela filha de Faraó.

Repare: devem ser preservados os antigos marcos que separam as coisas sagradas das comuns. Era um átrio exterior do templo que servia de átrio das mulheres.

Versículos 12 a 18

A Devoção de Salomão. (a.C. 992.)

Aqui está: I. A devoção de Salomão. O templo foi construído para o serviço do templo. Por mais que gastasse para erguer o edifício, se negligenciasse a adoração que ali devia ser prestada, tudo teria sido inútil. Ajudar na devoção dos outros não expia nossas próprias negligências.

Depois de construir o templo, Salomão: 1. Manteve ali os sacrifícios santos, conforme a lei de Moisés, v. 12, 13. O altar teria sido construído em vão, e em vão teria descido fogo do céu, se os sacrifícios não fossem levados constantemente como alimento do altar e combustível daquele fogo.

Havia sacrifícios diários, uma quantidade determinada a cada dia, tão regularmente quanto os dias chegavam; sacrifícios semanais no sábado, em dobro do que era oferecido nos outros dias; sacrifícios mensais nas luas novas; e sacrifícios anuais nas três festas solenes.

São sacrifícios espirituais que agora se exigem de nós, e devemos apresentá-los diariamente e semanalmente; e é bom seguir um método regular de devoção.

  1. Manteve ali os cânticos santos, conforme a lei de Davi, que aqui é chamado homem de Deus, como Moisés, pois Deus o instruíra e autorizara a estabelecer essas práticas. Salomão cuidou para que fossem observadas conforme o dever de cada dia exigia, v. 14.

Embora fosse um homem sábio e ilustre e tivesse construído o templo, Salomão não tentou corrigir, alterar nem acrescentar nada ao que o homem de Deus havia ordenado em nome de Deus. Seguiu fielmente essa ordem e usou sua autoridade para que fosse devidamente observada; então ninguém se desviou do mandamento do rei em assunto algum, v. 15.

Ele observou as leis de Deus, e então todos obedeceram às suas ordens. Quando o serviço do templo foi posto nessa boa ordem, disse-se: “A casa do Senhor foi aperfeiçoada”, v. 16. O principal era o serviço, não o lugar; o templo não estava concluído até que tudo isso fosse feito.

II. O comércio de Salomão. Ele próprio, em pessoa, visitou as cidades portuárias de Elote e Eziom-Geber, pois os que têm muitos negócios no mundo verão que lhes convém, tanto quanto possível, examinar pessoalmente seus assuntos e ver com os próprios olhos, v. 17.

Canaã era uma terra rica e, ainda assim, precisava mandar buscar ouro em Ofir; os israelitas eram um povo sábio e entendido e, ainda assim, dependiam do rei de Tiro para obter homens conhecedores do mar, v. 18. Contudo, Canaã era a terra que pertencia de modo especial a Deus, e Israel, o povo que lhe pertencia de modo especial.

Isso nos ensina que a graça, e não o ouro, é a melhor riqueza; e que conhecer a Deus e sua lei, e não as artes e as ciências, é o melhor conhecimento.


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