2 Crônicas 4
Argumento
Temos aqui mais um relato dos utensílios da casa de Deus. I. Os objetos de bronze: o altar dos holocaustos (v. 1), o mar e as bacias para conter água (vv. 2-6), as placas com que se revestiam as portas do átrio (v. 9), os utensílios do altar e outros objetos, vv. 10-18.
II. Os objetos de ouro: os candelabros e as mesas (v. 7, 8), o altar do incenso (v. 19) e os acessórios de cada um deles, vv. 20-22. Tudo isso, exceto o altar de bronze (v. 1), foi descrito com mais detalhes em 1 Reis 7:23, etc.
Versículos 1 a 10
Os Utensílios do Templo. (a.C. 1012.)
Davi fala muitas vezes com grande afeto tanto da casa do Senhor quanto dos átrios do nosso Deus. Tanto do lado de fora quanto do lado de dentro havia coisas que prefiguravam a graça do evangelho e eram sombra dos bens futuros, cuja realidade é Cristo.
I. Havia no átrio aberto, à vista de todo o povo, objetos de grande significado.
- Havia o altar de bronze, v. 1. Sua construção não foi mencionada no livro dos Reis. Sobre ele eram oferecidos todos os sacrifícios, e ele santificava a oferta. Esse altar era muito maior do que o feito por Moisés no tabernáculo: aquele tinha cinco côvados de lado, e este, vinte.
Agora que Israel se tornara mais numeroso e mais rico, e, esperava-se, mais devoto (pois cada geração deve procurar ser mais sábia e melhor do que a anterior), esperava-se que fossem levadas ao altar de Deus mais ofertas do que antes.
Por isso o altar foi feito como um estrado tão amplo que pudesse comportar todas elas, e ninguém pudesse desculpar-se de levar aquelas expressões de sua devoção alegando que não havia espaço para recebê-las.
Deus havia ampliado muito os limites deles; convinha, portanto, que ampliassem os altares dele. Nossas retribuições devem guardar alguma proporção com o que recebemos.
O altar tinha dez côvados de altura, de modo que o povo que adorava nos átrios pudesse ver o sacrifício queimar-se e o olhar comovesse seu coração com tristeza pelo pecado: “É graças às misericórdias do Senhor que não sou consumido assim e que isto é aceito como expiação da minha culpa.”
Assim, podiam ser levados a considerar o grande sacrifício que seria oferecido na plenitude dos tempos para tirar o pecado e abolir a morte, o que o sangue de touros e bodes jamais poderia fazer. E, com a fumaça dos sacrifícios, seu coração podia subir ao céu em santos desejos por Deus e por seu favor.
Em todas as nossas devoções, devemos manter o olhar da fé fixo em Cristo, a grande propiciação. Não nos é dito como subiam até esse altar e levavam os sacrifícios para cima dele.
Alguns pensam que era por uma subida contínua, como a encosta de um monte; se era por degraus, sem dúvida foram planejados de modo a cumprir a finalidade da lei mencionada em Êxodo 20:26.
- Havia o mar de bronze fundido, uma cuba muito grande em que colocavam água para os sacerdotes se lavarem, v. 2, 6. Ficava logo na entrada do átrio dos sacerdotes, como a pia batismal à porta de uma igreja.
Se fosse cheio até a borda, comportaria 3.000 batos (como se diz aqui, v. 5), mas normalmente continha apenas 2.000 batos, 1 Reis 7:26. Por esse símbolo, o Espírito Santo indicava:
(1.) Nosso grande privilégio no evangelho: o sangue de Cristo nos limpa de todo pecado, 1 João 1:7. Para nós há uma fonte aberta para todos os crentes (que são sacerdotes espirituais, Apocalipse 1:5, 6), ou melhor, para todos os habitantes de Jerusalém se lavarem do pecado, que é impureza.
Em Jesus Cristo há mérito abundante para todos os que, pela fé, recorrem a ele para purificar suas consciências, a fim de servirem ao Deus vivo, Hebreus 9:14.
(2.) Nosso grande dever no evangelho: limpar-nos, por meio do verdadeiro arrependimento, de todas as contaminações da carne e da corrupção que há no mundo. Nossos corações devem ser santificados, ou não poderemos santificar o nome de Deus.
Os que se aproximam de Deus devem limpar as mãos e purificar o coração, Tiago 4:8. “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”; e quem já foi lavado ainda precisa lavar os pés, para renovar seu arrependimento sempre que entra para ministrar, João 13:10.
- Havia dez bacias de bronze, nas quais lavavam as coisas oferecidas em holocausto, v. 6. Assim como os sacerdotes precisavam ser lavados, os sacrifícios também precisavam.
Não devemos apenas purificar-nos ao nos preparar para nossos atos religiosos, mas também afastar cuidadosamente os pensamentos vãos e as intenções corruptas que se apegam aos próprios atos e os contaminam.
- As portas do átrio eram revestidas de bronze (v. 9), tanto para lhes dar resistência e beleza quanto para impedir que apodrecessem com a exposição às intempéries. Lemos sobre “portas de bronze” em Salmos 107:16.
II. Havia na casa do Senhor, onde somente os sacerdotes entravam para ministrar, objetos de grande significado. Ali tudo era de ouro. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais puros devemos ser e mais puros seremos.
- Havia dez candelabros de ouro, conforme o modelo daquele que havia no tabernáculo, v. 7. A palavra escrita é lâmpada e luz que brilha em lugar escuro.
No tempo de Moisés, havia somente um candelabro, o Pentateuco; o aumento do número de candelabros podia representar os outros livros da Escritura que seriam acrescentados com o passar do tempo. A luz crescia.
Os candelabros são as igrejas, Apocalipse 1:20. Moisés erigiu apenas um, a igreja dos judeus; no templo do evangelho, porém, multiplicam-se não apenas os crentes, mas também as igrejas.
- Havia dez mesas de ouro (v. 8), sobre as quais eram colocados os pães da proposição, v. 19. Talvez cada uma tivesse doze pães da proposição. À medida que a casa crescia, crescia também seu abastecimento. Na casa de meu pai há pão suficiente para toda a família.
Àquelas mesas pertenciam cem tigelas ou pratos de ouro, pois a mesa de Deus está bem guarnecida.
- Havia um altar de ouro (v. 19), sobre o qual queimavam incenso. É provável que tenha sido ampliado em proporção ao altar de bronze. Cristo, que de uma vez por todas fez expiação pelo pecado, vive para sempre, intercedendo em virtude dessa expiação.
Versículos 11 a 22
Temos aqui um resumo tanto dos trabalhos em bronze quanto dos trabalhos em ouro do templo, como já tínhamos antes (1 Reis 7:13, etc.). Nada mais temos a observar senão isto:
- Hurão, o artífice, cumpriu sua tarefa com muito rigor. Terminou tudo o que devia fazer (v. 11) e não deixou nenhuma parte de sua obra inacabada. É chamado de Hurão, seu pai, v. 16.
Provavelmente era uma espécie de apelido pelo qual era geralmente conhecido: Pai Hurão. Pois o rei de Tiro o chamava de Hurão Abi, meu pai; e Salomão, seguindo seu exemplo, chamou-o de seu pai, já que era um grande artífice e pai dos artesãos que trabalhavam em bronze e ferro. Desempenhou bem seu trabalho, tanto pela engenhosidade quanto pela diligência.
- Salomão foi muito generoso. Fez todos os utensílios em grande abundância (v. 18), muitos de cada tipo, para que muitas mãos pudessem trabalhar e a obra avançasse depressa, ou para que alguns ficassem guardados para uso quando outros se desgastassem.
De graça ele recebeu e de graça dará. Depois de fazer utensílios suficientes para o momento, não podia destinar o bronze restante ao próprio uso; está dedicado a Deus e será usado para ele.