Matthew Henry

2 Crônicas 29

Argumento

Entramos aqui numa cena agradável: o bom e glorioso reinado de Ezequias. Nele encontraremos mais de Deus e da religião do que talvez em qualquer dos bons reinados que vimos até agora, pois ele foi um homem muito zeloso, devoto e bom, sem outro igual.

Neste capítulo, temos o relato da obra de reforma que ele empreendeu com vigor logo depois de subir ao trono. Aqui está:

I. Sua exortação aos sacerdotes e levitas, quando os pôs novamente na posse da casa de Deus, vv. 1-11. II. O cuidado e o esforço com que os levitas purificaram o templo e ali puseram as coisas em ordem, vv. 12-19.

III. A restauração solene das ordenanças de Deus que haviam sido negligenciadas. Nela se fez expiação pelos pecados do reinado anterior e as rodas voltaram a girar, para grande satisfação do rei e do povo, vv. 20-36.

Versículos 1 a 11

O Bom Reinado de Ezequias. (a.C. 726.)

Aqui está:

I. A idade de Ezequias quando subiu ao trono. Tinha vinte e cinco anos. Joás, que subiu ao trono depois de dois reinados maus, tinha apenas sete anos; Josias, que veio depois de outros dois reinados maus, tinha apenas oito. Isso retardou a reforma; Ezequias, porém, já chegara à idade adulta e, por isso, dedicou-se imediatamente a ela.

Podemos imaginar com que coração entristecido ele contemplava a idolatria e a profanação de seu pai, quanto o afligia ver fechadas as portas do templo, embora não ousasse abri-las enquanto o pai vivia. Sem dúvida, sua alma chorava por isso em segredo.

Ele fez o voto de corrigir essas injustiças quando a congregação lhe fosse confiada, e isso o levou a agir com maior prontidão e determinação.

II. Seu caráter geral. Fez o que era reto, como Davi, v. 2. De vários de seus antecessores se dissera que haviam feito o que era reto, mas não como Davi, não com sua integridade e seu zelo. Aqui, porém, estava alguém que tinha pela arca e pela lei de Deus um afeto tão sincero quanto o próprio Davi.

III. Sua pronta dedicação à grande obra de restaurar a religião. A primeira coisa que fez foi abrir as portas da casa do Senhor, v. 3. Queremos crer que seu pai não tivesse suprimido inteiramente o serviço do templo, pois, nesse caso, o fogo sagrado do altar teria se apagado, e não lemos que fosse aceso de novo.

Mas ele havia impedido o povo de comparecer ao culto e os sacerdotes também, exceto os que pertenciam a seu partido, 2 Reis 16:15. Ezequias, porém, abriu imediatamente as portas da igreja e trouxe de volta os sacerdotes e os levitas.

Encontrou Judá abatido e nu, mas não fez da restauração dos interesses civis de seu reino sua primeira tarefa; preferiu restituir a religião à sua boa condição. Os que começam por Deus começam seu trabalho pelo lado certo, e ele prosperará de acordo com isso.

IV. Seu discurso aos sacerdotes e levitas. Sem dúvida, todos sabiam que ele tinha verdadeiro apreço pela religião e rejeitava as corrupções do reinado anterior. Ainda assim, não vemos os sacerdotes e levitas procurarem o rei para restaurar o serviço do templo; foi ele quem os chamou.

Receio que isso revele tanto a frieza deles quanto o zelo do rei. Talvez, se tivessem cumprido seu dever com vigor, as coisas não tivessem chegado ao estado tão ruim em que Ezequias as encontrou. A exortação dele aos levitas é muito comovente.

  1. Apresentou-lhes a devastação da religião e o estado deplorável a que ela havia chegado entre eles (v. 6, 7): “Nossos pais transgrediram.” Não disse “Meu pai”, pois, como filho, cabia-lhe tratar o nome do pai com toda a delicadeza possível.

Além disso, seu pai não teria feito tudo aquilo se os pais deles não tivessem negligenciado o dever. Urias, o sacerdote, havia se unido a Acaz para erguer um altar idólatra. Ezequias lamentou:

(1.) Que a casa de Deus tivesse sido abandonada: abandonaram a Deus e voltaram as costas para sua habitação. Repare: pode-se dizer com razão que aqueles que voltam as costas às ordenanças de Deus abandonam o próprio Deus.

(2.) Que o culto instituído por Deus naquele lugar tivesse sido deixado de lado. As lâmpadas não eram acesas, e o incenso não era queimado. Ainda ocorrem negligências como essas, não menos censuráveis, quando a palavra não é devidamente lida e explicada, pois isso era simbolizado pelo acendimento das lâmpadas.

O mesmo acontece quando orações e louvores não são devidamente oferecidos, pois isso era simbolizado pela queima do incenso.

  1. Mostrou as tristes consequências da negligência e do declínio da religião entre eles, v. 8, 9. Essa era a causa de todas as calamidades que haviam sofrido. Em sua ira, Deus os entregara à aflição, à espada e ao cativeiro.

Quando sofremos as repreensões da providência de Deus, é bom indagar se não negligenciamos suas ordenanças e se o litígio que ele tem conosco não se deve a essa negligência.

  1. Declarou seu pleno propósito e sua decisão de restaurar a religião e fazer da promoção dela sua tarefa (v. 10): “Está em meu coração” (isto é, estou plenamente decidido) “fazer uma aliança com o Senhor, Deus de Israel” (isto é, adorá-lo somente, da maneira que ele determinou).

Pois tinha certeza de que, de outro modo, a ira ardente de Deus não se afastaria deles. Essa aliança ele não apenas faria pessoalmente, mas também levaria seu povo a assumir o vínculo dela.

  1. Convocou e animou os levitas e sacerdotes a cumprirem seu dever nessa ocasião. Começou por isso (v. 5) e terminou da mesma maneira, v. 11.

Chamou-os de levitas para lembrá-los de sua obrigação para com Deus e de filhos para lembrá-los da relação que tinham com ele. Esperava que, como um filho ao lado do pai, servissem com ele na reforma da terra.

(1.) Disse-lhes qual era seu dever: santificar-se primeiro, arrependendo-se de suas negligências, reformando o próprio coração e a própria vida e renovando suas alianças com Deus para cumprir melhor seu dever dali em diante.

Depois deviam santificar a casa de Deus, como servos dele, limpando-a de tudo o que fosse impróprio, quer pelo abandono, quer pela profanação, e preparando-a para os fins para os quais fora construída.

(2.) Estimulou-os a fazê-lo (v. 11): Não sejam agora negligentes nem remissos em seu dever. Não deixem que seu descuido atrase esta boa obra. “Não vos enganeis”, diz a nota à margem.

Repare: os que, por sua negligência no serviço de Deus, pensam zombar dele e armar-lhe um embuste apenas enganam a si mesmos e impõem às próprias almas um embuste que as condena.

“Não se sintam seguros”, dizem alguns, como se não houvesse chamado urgente para fazê-lo nem perigo em deixar de agir. Repare: a negligência das pessoas em matéria de religião procede de sua segurança carnal.

A consideração com que ele as despertou vinha do ofício que exerciam. Deus lhes havia concedido honra nisso: ele os escolheu para estar diante dele. Por isso, Deus esperava trabalho de suas mãos.

Não haviam sido escolhidos para ficar ociosos, desfrutar a dignidade e deixar o dever a cargo de outros, mas para servir a Deus e ministrar diante dele. Portanto, deviam envergonhar-se da recente negligência e, agora que as portas do templo estavam abertas de novo, dedicar-se ao trabalho com diligência redobrada.

Versículos 12 a 19

O Templo Purificado. (a.C. 726.)

Temos aqui um trabalho intenso, bom e necessário: a purificação da casa do Senhor.

I. Os encarregados desse trabalho foram os sacerdotes e levitas. Eles deviam ter mantido o templo limpo; como não o fizeram, coube-lhes limpá-lo.

Vários levitas são citados pelo nome: dois de cada uma das três famílias principais, Coate, Gérson e Merari (v. 12), e dois de cada uma das três famílias de cantores, Asafe, Hemã e Jedutum, v. 13, 14.

Não podemos pensar que foram nomeados apenas por ocuparem os cargos mais altos; se fosse assim, certamente o sumo sacerdote ou algum dos chefes das turmas de sacerdotes teria sido citado. Foram nomeados porque tinham mais zelo e atividade que os demais.

Quando Deus tem uma obra a realizar, suscita homens capazes de dirigi-la. Nem sempre os primeiros em posição e categoria são os mais aptos para servir ou os mais prontos a fazê-lo.

Esses levitas não apenas se puseram em movimento: reuniram seus irmãos e os animaram a agir conforme a ordem do rei, pela palavra do Senhor. Observe: seguiram a ordem do rei, mas com os olhos voltados para a palavra de Deus.

O rei lhes ordenou o que, pela palavra de Deus, já era seu dever. Ao cumpri-lo, consideraram a palavra divina a regra para si e a ordem do rei um estímulo.

II. O trabalho consistia em purificar a casa de Deus: 1. Da sujeira comum acumulada enquanto esteve fechada: poeira, teias de aranha e ferrugem dos utensílios. 2. Dos ídolos e altares idólatras que haviam sido instalados ali.

Ainda que fossem mantidos com todo o asseio, esses objetos a contaminavam mais do que se o templo tivesse sido transformado no esgoto comum da cidade. Nenhum sacerdote é citado entre os líderes da obra; contudo, ninguém além deles ousava entrar na parte interna da casa, nem mesmo para limpá-la, como eles fizeram.

Talvez o sumo sacerdote tenha entrado no Santo dos Santos para limpá-lo. E, embora os levitas tivessem a honra de liderar a obra, não consideraram indigno servir de auxiliares aos sacerdotes, conforme seu ofício: a sujeira que os sacerdotes traziam para o pátio era levada pelos levitas até o ribeiro de Cedrom.

Por mais notável que seja a utilidade de alguém, ela não deve fazê-lo esquecer seu lugar.

III. A rapidez com que fizeram esse trabalho foi muito notável. Começaram no primeiro dia do primeiro mês: um início feliz para o ano novo, que prometia um bom ano.

Assim, cada ano deve começar pela reforma do que está errado e pela remoção, mediante o verdadeiro arrependimento, de todas as impurezas acumuladas no ano anterior.

Em oito dias, limparam e purificaram o templo; em mais oito, fizeram o mesmo nos pátios, v. 17. Que aqueles que fazem uma boa obra aprendam a avançar depressa e a concluí-la. O que está errado deve ser corrigido rapidamente.

IV. O relato que deram a Ezequias foi muito agradável, v. 18, 19. Prestaram-lhe contas do que haviam feito porque fora ele quem lhes dera a tarefa.

Não se vangloriaram de seus próprios cuidados e esforços nem foram até ele cobrar pagamento, mas informá-lo de que tudo o que havia sido profanado agora estava santificado segundo a lei e pronto para ser usado de novo quando ele quisesse.

Sabiam que o bom rei tinha o coração voltado para o altar de Deus e ansiava por acompanhar o serviço ali. Por isso, destacaram especialmente como o haviam deixado pronto: os utensílios do altar estavam esfregados e reluzentes.

Os utensílios que Acaz, em sua transgressão, havia lançado fora como coisas em que não encontrava prazer, eles os reuniram, santificaram e colocaram em seu lugar diante do altar.

Embora os utensílios do santuário possam ser profanados por algum tempo, Deus encontrará tempo e meio de santificá-los. Nem suas ordenanças nem seu povo serão deixados perecer para sempre.

Versículos 20 a 36

O Sacrifício de Ezequias. (a.C. 726.)

Purificado o templo, temos aqui o relato do bom uso que imediatamente se fez dele. Convocou-se uma assembleia solene para encontrar o rei no templo já no dia seguinte (v. 20). Sem dúvida, todas as pessoas piedosas de Jerusalém ficaram muito alegres quando se disse: vamos subir à casa do Senhor, Salmos 122:1.

Assim que Ezequias soube que o templo estava pronto para recebê-lo, não perdeu tempo, mas mostrou estar pronto para ele. Levantou-se cedo para subir à casa do Senhor, mais cedo naquele dia que nos outros, para mostrar que tinha o coração voltado para a obra que faria ali. A tarefa desse dia apontava em duas direções:

I. Era necessário fazer expiação pelos pecados do reinado anterior. Eles não consideraram suficiente lamentar e abandonar esses pecados, mas trouxeram uma oferta pelo pecado. Até nosso arrependimento e nossa reforma só obtêm perdão em Cristo e por meio dele, que foi feito pecado, isto é, oferta pelo pecado, por nós.

Não há paz senão por seu sangue, não, nem mesmo para os penitentes. Observe:

  1. A oferta pelo pecado era em favor do reino, do santuário e de Judá (v. 21), isto é, para fazer expiação pelos pecados dos príncipes, dos sacerdotes e do povo, pois todos haviam corrompido seu caminho.

A lei de Moisés determinava sacrifícios para fazer expiação pelos pecados de toda a congregação (Levítico 4:13, 14; Números 15:24, 25), a fim de afastar os juízos nacionais merecidos por seus pecados nacionais.

Para esse fim, assim como para a remissão e a salvação de cada pessoa, devemos agora voltar os olhos para Cristo, a grande propiciação.

  1. A lei determinava apenas um bode como oferta pelo pecado, tanto no dia da expiação (Levítico 16:15) quanto em ocasiões extraordinárias como esta, Números 15:24. Aqui, porém, ofereceram sete (v. 21), porque os pecados da congregação haviam sido muito grandes e praticados por longo tempo.

Sete é número de perfeição. Nossa grande oferta pelo pecado é uma só; ainda assim, essa única oferta aperfeiçoa para sempre os que são santificados.

  1. O rei e a congregação, isto é, seus representantes, puseram as mãos sobre as cabeças dos bodes destinados à oferta pelo pecado (v. 23). Assim reconheceram sua culpa diante de Deus e expressaram o desejo de que a culpa do pecador fosse transferida ao sacrifício.

Pela fé, pomos as mãos sobre o Senhor Jesus e, desse modo, recebemos a expiação, Romanos 5:11.

  1. Holocaustos foram oferecidos com as ofertas pelo pecado: sete novilhos, sete carneiros e sete cordeiros. A intenção dos holocaustos era dar glória ao Deus de Israel, a quem reconheciam como o único Deus verdadeiro. Era apropriado fazê-lo ao mesmo tempo que expiavam suas ofensas por meio da oferta pelo pecado.

O sangue desses animais, assim como o da oferta pelo pecado, foi aspergido sobre o altar (v. 22) para fazer reconciliação por todo o Israel (v. 24), não apenas por Judá. Cristo é propiciação não só pelos pecados de Israel, mas pelos do mundo inteiro, 1 João 2:1, 2.

  1. Enquanto as ofertas ardiam sobre o altar, os levitas cantavam o cântico do Senhor (v. 27): os salmos compostos por Davi e Asafe (v. 30), acompanhados dos instrumentos musicais cujo uso Deus ordenara por meio de seus profetas (v. 25) e que haviam sido negligenciados por muito tempo.

Até a tristeza pelo pecado não deve nos tirar o tom para louvar a Deus. Pela fé, devemos nos alegrar em Cristo Jesus como nossa justiça. E nossas orações e nossos louvores devem subir com a oferta dele, para serem aceitos somente por sua eficácia.

  1. O rei e toda a congregação demonstraram seu consentimento e sua concordância com tudo o que se fizera inclinando a cabeça e adorando. Por meio desses gestos de adoração, expressaram profunda reverência pela Majestade divina. Isso é mencionado nos vv. 28-30.

Não basta estarmos onde Deus é adorado, se nós mesmos não o adoramos, e não apenas com exercícios do corpo, que pouco aproveitam, mas com o coração.

II. As solenidades desse dia também apontavam para o futuro. O serviço do templo devia ser restabelecido para que fosse mantido continuamente; Ezequias os chamou a isso, v. 31.

Agora que vocês se consagraram ao Senhor, fizeram expiação e firmaram uma aliança mediante sacrifício, foram solenemente reconciliados com ele e se comprometeram com ele, aproximem-se e tragam sacrifícios.

Repare: nossa aliança com Deus deve ser mantida e aproveitada na comunhão com ele. Depois de nos consagrarmos, em primeiro lugar, ao Senhor, devemos levar à sua casa os sacrifícios de oração, louvor e esmolas. Nessa obra, verificou-se:

  1. Que o povo foi generoso. Convocado pelo rei, trouxe suas ofertas, embora não em tanta abundância quanto nos dias gloriosos de Salomão, pois Judá estava agora reduzido, empobrecido e abatido.

Ainda assim, ofereceu segundo os recursos que possuía e tanto quanto se poderia esperar, considerando sua pobreza e o grande declínio da piedade entre eles.

(1.) Alguns foram tão generosos que trouxeram holocaustos, inteiramente consumidos para honra de Deus, dos quais o ofertante não recebia parte alguma. Desse tipo houve setenta novilhos, cem carneiros e duzentos cordeiros, v. 32.

(2.) Outros trouxeram ofertas pacíficas e de ação de graças. A banha dessas ofertas era queimada sobre o altar, e a carne era dividida entre os sacerdotes e os ofertantes, v. 35. Desse tipo houve seiscentos bois e três mil ovelhas, v. 33.

Talvez a lembrança do pecado de sacrificar nos lugares altos os tivesse tornado mais dispostos a levar agora seus sacrifícios ao altar de Deus.

  1. Que os sacerdotes eram poucos, poucos demais para o serviço, v. 34. Muitos deles, ao que parece, haviam sido suspensos e afastados por estarem impuros e inaptos segundo a lei, pois haviam sacrificado aos ídolos no reinado anterior. Os demais não tinham o zelo que se poderia esperar numa ocasião como aquela.

Pensavam que o rei não precisava agir com tanta prontidão nem havia necessidade de tanta pressa para abrir as portas do templo. Por isso, não cuidaram de se santificar; sem santificação e, portanto, sem qualificação, usaram isso como desculpa para faltar ao serviço, como se sua falta pudesse servir-lhes de defesa.

Fica registrado aqui, para vergonha perpétua dos sacerdotes, que, embora fossem tão bem sustentados pelas ofertas queimadas ao Senhor, não se aplicavam ao trabalho. Havia serviço a fazer, mas faltavam mãos adequadas para realizá-lo.

  1. Que os levitas se mostraram prontos. Haviam sido mais retos de coração ao se santificarem do que os sacerdotes (v. 34); estavam mais bem dispostos para a obra e mais bem preparados e qualificados para ela.

Isso lhes trouxe louvor e, como recompensa, a honra de serem empregados numa tarefa própria dos sacerdotes: ajudaram-nos a esfolar os animais ofertados. Isso não estava de acordo com a lei (Levítico 1:5, 6), mas a irregularidade foi admitida por necessidade.

Assim, deu-se ânimo aos levitas fiéis e zelosos e impôs-se justo descrédito aos sacerdotes descuidados. O que faltava aos levitas em privilégios cerimoniais de nascimento e consagração foi amplamente compensado por suas notáveis qualificações de habilidade e disposição para o trabalho.

  1. Que todos ficaram satisfeitos. O rei e todo o povo se alegraram com essa bendita mudança de situação e com a nova face que a religião assumira no reino, v. 36. Duas coisas lhes agradaram nisso:

(1.) Que tudo aconteceu depressa: a obra foi realizada de repente, em pouco tempo, com grande facilidade e sem oposição alguma. Os que se dedicam à obra de Deus com fé e determinação verão que ela não apresenta a dificuldade que às vezes imaginam. Será uma surpresa agradável perceber como logo se conclui.

(2.) Que a mão de Deus estava claramente nessa obra: Deus preparara o povo pelas influências secretas de sua graça, de modo que muitos dos que, no reinado anterior, se encantavam com os altares idólatras agora amavam da mesma maneira o altar de Deus.

Essa mudança, operada por Deus na mente deles, apressou e facilitou muito a obra. Que governantes e ministros façam sua parte na reforma de uma terra e atribuam a Deus a glória pelo que for feito, sobretudo quando acontecer de repente e for uma surpresa agradável. Isso é obra do Senhor, e é maravilhoso.


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