2 Crônicas 27
Argumento
Temos aqui um relato muito breve do reinado de Jotão, príncipe piedoso e próspero, sobre quem desejaríamos saber mais. Podemos, porém, aceitar melhor a brevidade de sua história porque o que alongou o relato dos três reis anteriores foi sua degeneração no fim da vida, da qual recebemos um relato fiel.
Neste reinado, porém, não houve ocasião para um desfecho tão triste, e sua história contém apenas um relato: I. Da data e duração do reinado, v. 1, 8. II. Do seu bom caráter em geral, v. 2, 6. III. Da sua prosperidade, vv. 3-5. IV. Do seu fim, v. 7, 9.
Versículos 1 a 9
O Reinado de Jotão. (a.C. 758.)
Não se relata aqui muito mais a respeito de Jotão do que já vimos em 2 Reis 15:32, etc.
I. Ele reinou bem. Fez o que era reto aos olhos do Senhor; o curso de seu reinado foi bom e agradável a Deus, cujo favor tomou por objetivo e cuja palavra tomou por regra.
Ele “preparou seus caminhos diante do Senhor, seu Deus” (v. 6), o que mostra que agia por um bom princípio: andou com prudência e muita cautela, planejando como evitar o mal e alcançar o bem.
Olhava adiante e organizava seus assuntos de maneira que a condução regular deles se tornasse mais fácil. Ou ele estabeleceu ou firmou seus caminhos diante do Senhor: andou de modo firme e constante no caminho do dever, sendo coerente e resoluto nele.
Não foi como alguns dos que o precederam, os quais, embora tivessem algo de bom, perderam seu crédito por sua inconstância e incoerência consigo mesmos. Tinham corrido bem, mas algo os impediu. Com Jotão não foi assim. Duas coisas são observadas aqui em seu caráter:
- Corrigiu em si o que havia de errado em seu pai (v. 2). Fez como seu pai em tudo o que este fizera bem e com sabedoria; contudo, não quis imitá-lo naquilo em que errou, pois não entrou no templo do Senhor para queimar incenso como seu pai fizera, mas viu no destino dele um aviso para não ousar cometer tamanha presunção.
Repare: não devemos imitar nem os melhores homens, nem aqueles por quem temos a maior veneração, além do que fizeram de bom. Ao contrário, suas quedas e as consequências danosas delas devem servir de avisos para que andemos com mais prudência, para não tropeçarmos na mesma pedra em que eles tropeçaram.
- Não conseguiu corrigir o que havia de errado em seu povo: “O povo ainda agia de maneira corrupta.”
Talvez isso lance alguma culpa sobre ele, por ter deixado de cumprir sua parte na reforma da terra. Homens podem ser muito bons pessoalmente e, ainda assim, não ter coragem nem zelo para fazer o que poderiam pela reforma de outros.
De qualquer modo, certamente pesa muita culpa sobre o povo, pois não fez o que poderia para aproveitar as vantagens de um reinado tão bom. Recebeu boas instruções e teve diante de si um bom exemplo, mas não quis reformar-se.
Assim, mesmo sob seus bons reis, como sob os maus, acumulava cólera para o dia da cólera, pois continuava a agir de maneira corrupta, e o fundidor fundia em vão.
II. Ele prosperou e se tornou de fato respeitado. 1. Construiu. Começou pelo portão da casa do Senhor, que reparou, embelezou e elevou. Depois fortificou a muralha de Ofel e construiu cidades nos montes de Judá (v. 3, 4). Tomou todos os cuidados possíveis para fortificar e povoar seu país.
- Conquistou. Prevaleceu contra os amonitas, que haviam invadido Judá no tempo de Josafá, 2 Crônicas 20:1. Triunfou sobre eles e lhes exigiu grandes tributos, v. 5. Tornou-se forte (v. 6) em riqueza, poder e influência sobre as nações vizinhas, que buscavam sua amizade e temiam seu desagrado.
Conseguiu tudo isso por preparar seus caminhos diante do Senhor, seu Deus. Quanto mais firmes somos na religião, mais fortes somos tanto para resistir ao mal quanto para praticar o bem.
III. Terminou sua carreira cedo demais, mas com honra. Teve a infelicidade de morrer no meio de seus dias; em compensação, teve a felicidade de não viver tempo suficiente para perder sua boa reputação, como aconteceu com os três reis anteriores.
Morreu com apenas quarenta e um anos de idade (v. 8); mas suas guerras e seus caminhos, as guerras no exterior e os caminhos em casa, foram tão gloriosos que ficaram registrados no livro dos reis de Israel, assim como no dos reis de Judá, v. 7.
As últimas palavras do capítulo são as mais tristes: informam que seu filho Acaz, cujo caráter era o oposto do seu em todos os aspectos, reinou em seu lugar. Quando a riqueza e o poder com que homens sábios fizeram o bem passam a tolos, que com eles farão o mal, isso é motivo de lamentação e continuará a sê-lo.