Matthew Henry

1 Samuel 21

Argumento

Davi agora se despediu por completo tanto da corte de Saul como do acampamento, e deu adeus ao seu alter idem — seu outro eu, o amado Jônatas. Daqui em diante, até o fim deste livro, será visto e tratado como proscrito e declarado traidor. Ainda o encontramos mudando de lugar em lugar para proteger a própria vida, enquanto Saul o persegue.

Seus sofrimentos são relatados com muitos detalhes neste e nos capítulos seguintes, não só para servir de chave para os Salmos, mas também para que ele, como outros profetas, fosse exemplo aos santos de todas as épocas “de sofrer aflição e ter paciência” e, sobretudo, prefigurasse Cristo, que, tendo sido ungido para o reino, humilhou-se e, por isso, foi muito exaltado.

O exemplo de Jesus em seu sofrimento, porém, foi sem mácula; o de Davi não foi. Vemos isso nos relatos deste capítulo, em que Davi está fugindo:

I. O ato de iludir Aimeleque, o sacerdote, para obter dele alimento e armas (vv. 1-9).

II. O ato de iludir Aquis, rei de Gate, fingindo-se louco (vv. 10-15).

Com razão os sofrimentos são chamados de tentações, pois muitos são levados por eles a pecar.

Davi Obtém os Pães da Proposição; Davi Recebe a Espada de Golias. (a.C. 1057.)

Versículos 1 a 9

I. Davi, aflito, foge para o tabernáculo de Deus, agora instalado em Nobe, cidade que se supõe ficar no território de Benjamim. Desde que Siló foi abandonada, o tabernáculo era transferido de um lugar para outro, embora a arca continuasse em Quiriate-Jearim. Fugindo da fúria de Saul, Davi foi até lá (v. 1) e procurou Aimeleque, o sacerdote.

O profeta Samuel não podia protegê-lo, nem Jônatas, o príncipe. Por isso, recorreu em seguida a Aimeleque, o sacerdote. Prevendo que agora teria de viver no exílio, foi ao tabernáculo por duas razões.

  1. Para despedir-se dele com emoção, pois não sabia quando o veria outra vez. Nada seria mais doloroso em seu exílio do que estar longe da casa de Deus e impedido de participar das cerimônias públicas, como mostram muitos de seus salmos.

Ele já se despedira com carinho de seu amigo Jônatas e não podia partir sem despedir-se do mesmo modo do tabernáculo.

  1. Para consultar o Senhor ali e pedir que o orientasse tanto no caminho do dever como no da segurança, pois sua situação era difícil e perigosa. Que essa era sua intenção fica claro em 1 Samuel 22:10: diz-se que Aimeleque consultou o Senhor em favor dele, como já fizera antes (v. 15).

É um grande consolo, em tempos de aflição, termos um Deus a quem recorrer, a quem podemos apresentar nossa situação e de quem podemos pedir e esperar orientação.

II. Aimeleque, o sacerdote, ficou surpreso ao vê-lo com um séquito tão modesto. Ao saber que Davi caíra em desgraça na corte, tratou-o com reserva, como muitos costumam fazer com os amigos quando a sorte lhes vira as costas.

Temia incorrer no desagrado de Saul ao acolhê-lo e notou como agora parecia tão simples em comparação com o que costumava ser. “Por que estás só?” (v. 1). Davi tinha alguns homens consigo, como se vê em Marcos 2:26, mas eram apenas seus próprios servos; não havia pessoas da corte nem gente de destaque com ele, como costumava haver quando vinha consultar o Senhor.

Davi diz (Salmos 42:4) que costumava ir com uma multidão à casa de Deus; como agora estava com apenas dois ou três homens, Aimeleque bem podia perguntar: “Por que estás só?”

Aquele que, de repente, saíra da vida solitária de pastor para o tumulto e a agitação do acampamento foi logo reduzido à condição desolada de exilado. Estava só como um pardal no telhado. Assim são as mudanças deste mundo, e tão incertos são seus sorrisos! Os que hoje são cortejados podem ser abandonados amanhã.

III. Fingindo ter sido enviado por Saul para tratar de assuntos públicos, Davi pediu a Aimeleque que suprisse suas necessidades imediatas (v. 2, 3).

  1. Aqui Davi não agiu como de costume. Contou a Aimeleque uma mentira grosseira: disse que Saul lhe dera uma tarefa a cumprir, que seus acompanhantes haviam sido enviados a certo lugar e que recebera ordens de guardar segredo; por isso, não ousava contar o que se passava nem mesmo ao sacerdote.

Era tudo falso. O que dizer disso? A Escritura não esconde o fato, e nós não ousamos justificá-lo. Davi agiu mal, e isso teve consequências ruins: ocasionou a morte dos sacerdotes do Senhor, como ele próprio recordou depois com pesar (1 Samuel 22:22).

Não era necessário dissimular assim com o sacerdote. Podemos supor que, se Davi lhe tivesse contado a verdade, Aimeleque o teria abrigado e socorrido tão prontamente quanto Samuel, e saberia melhor como aconselhá-lo e consultar a Deus em seu favor. As pessoas devem ser francas com seus ministros fiéis.

Davi era homem de grande fé e coragem; mesmo assim, naquele momento ambas lhe faltaram, e ele caiu vergonhosamente por medo e covardia, tudo devido à fraqueza de sua fé. Se tivesse confiado corretamente em Deus, não teria recorrido a um expediente tão fraco e pecaminoso para se salvar.

O relato foi escrito para nossa advertência, não para nossa imitação, nem mesmo nas maiores dificuldades. “Aquele que pensa estar de pé cuide para que não caia”, e oremos todos os dias: “Senhor, não nos conduzas à tentação.”

Tiremos disso ocasião para lamentar:

(1.) A fraqueza e a fragilidade dos homens bons. Os melhores não são perfeitos neste mundo; pode haver verdadeira graça mesmo onde ainda há muitas falhas.

(2.) A perversidade dos tempos maus, que leva os homens bons a situações tão difíceis que se tornam tentações fortes demais para eles. A opressão faz o sábio agir sem juízo.

  1. Davi pediu duas coisas a Aimeleque: pão e uma espada.

(1.) Precisava de pão: cinco pães (v. 3). Viajar era difícil naquela época, pois as pessoas geralmente levavam consigo os mantimentos, já que tinham pouco dinheiro e não havia hospedarias. Se não fosse assim, Davi não precisaria agora procurar pão.

Parece que Davi conhecia casos em que descendentes dos justos precisavam pedir pão de vez em quando, mas não viviam sempre nessa situação (Salmos 37:25). Então:

[1.] O sacerdote objetou que só tinha pão consagrado, os pães da proposição, que haviam ficado uma semana sobre a mesa de ouro no santuário e dali eram retirados para uso dos sacerdotes e de suas famílias (v. 4).

Parece que Aimeleque não mantinha uma mesa farta: talvez lhe faltasse vontade de ser hospitaleiro, ou talvez não tivesse provisões para isso. Ele pensava que os jovens que acompanhavam Davi não podiam comer daquele pão a menos que tivessem se abstido de mulheres por algum tempo, até mesmo de suas próprias esposas.

Essa exigência foi feita quando a lei foi dada (Êxodo 19:15), mas não encontramos em outro lugar tal abstinência considerada fonte de pureza cerimonial, nem sua ausência, de impureza. Por isso, o sacerdote parece escrupuloso demais, para não dizer supersticioso.

[2.] Davi alegou que, naquela necessidade, ele e seus companheiros podiam comer legalmente o pão consagrado: além de terem cumprido a exigência de se abster de mulheres nos três dias anteriores, os corpos dos jovens eram santos, mantidos sempre em santificação e honra (1 Tessalonicenses 4:4, 5); por isso, Deus cuidaria para que tivessem o sustento necessário e faria seu sacerdote cuidar deles.

Como eram santos, as coisas santas não lhes eram proibidas. Na prática, os israelitas pobres e piedosos eram sacerdotes de Deus e, antes de morrerem de fome, podiam comer do pão reservado aos sacerdotes. Os que creem são sacerdotes espirituais, e as ofertas do Senhor serão sua herança: eles comem o pão de seu Deus.

Davi argumentou também que, de certo modo, o pão agora era comum, pois já terminara seu uso religioso principal. Isso era ainda mais verdade, como diz a nota à margem, porque havia outro pão (quente, v. 6), consagrado naquele dia no recipiente e colocado no lugar dele sobre a mesa.

Esse foi o argumento de Davi, aprovado pelo Filho de Davi. A partir dele, Jesus mostra que a misericórdia deve ser preferida ao sacrifício, que o rito deve ceder lugar aos deveres morais e que, numa necessidade urgente disposta pela providência, pode-se fazer o que em outras circunstâncias não se deveria fazer.

Jesus usa esse caso para justificar seus discípulos quando colheram espigas no sábado, ação pela qual os fariseus os censuraram (Mateus 12:3, 4).

[3.] Aimeleque então lhe deu pão consagrado (v. 6). Alguns pensam que foi a respeito disso que Aimeleque consultou o Senhor (1 Samuel 22:10). Como servo fiel, não disporia das provisões de seu senhor sem a permissão dele.

Podemos supor que o pão foi ainda mais agradável a Davi por ser consagrado, pois todas as coisas sagradas lhe eram preciosas. Havia apenas doze pães da proposição ao todo; mesmo assim, Aimeleque deu cinco a Davi (v. 3), embora não houvesse mais pão na casa. Confiou na providência.

(2.) Davi precisava de uma espada. Naquela época, mesmo os homens importantes que eram oficiais do exército não usavam a espada com tanta frequência quanto hoje; caso contrário, certamente Davi não estaria sem uma.

É surpreendente que Jônatas não lhe tivesse dado a própria espada, como já fizera antes (1 Samuel 18:4). Seja como for, Davi estava agora sem armas e alegou que isso se devia à pressa com que partira (v. 8).

Os que estão equipados com a espada do Espírito e o escudo da fé não podem ser desarmados dessas armas nem precisam ficar sem elas em momento algum. Mas, ao que parece, os sacerdotes não tinham espadas: as armas com que combatiam não eram carnais.

Não havia espada no tabernáculo, exceto a de Golias, guardada atrás do éfode como memorial da gloriosa vitória que Davi obtivera sobre ele. Provavelmente, Davi pensou nessa espada ao pedir uma ao sacerdote. Quando ela foi mencionada, exclamou: “Ah! Não há nenhuma como essa; dá-a para mim” (v. 9).

Davi não podia usar a armadura de Saul, pois nunca a havia experimentado; mas já havia experimentado a espada de Golias e feito uso dela com grande efeito. Isso mostra que agora tinha força e estatura suficientes para usar e manejar uma espada como aquela. Deus ensinara suas mãos a guerrear, para que pudesse realizar maravilhas (Salmos 18:34).

Podemos observar duas coisas a respeito dessa espada:

[1.] Deus a dera graciosamente a Davi, como sinal de seu favor especial. Assim, sempre que a desembainhasse — ou mesmo quando a olhasse —, ela fortaleceria muito sua fé, lembrando-o daquele grande exemplo do cuidado particular e do favor da providência divina para com ele.

[2.] Davi a devolvera a Deus com gratidão, dedicando-a a ele e à sua honra como sinal de agradecimento; agora, em sua aflição, ela lhe foi de grande utilidade.

Repare: o que dedicamos ao louvor de Deus e usamos para servi-lo provavelmente voltará, de algum modo, para nosso próprio conforto e benefício. O que demos, temos.

Assim Davi se muniu bem de armas e alimento. Mas aconteceu, para sua grande infelicidade, que um dos servos de Saul, chamado Doegue, estava ali servindo perante o Senhor e se mostrou um traidor vil tanto de Davi como de Aimeleque.

Ele era edomita de nascimento (v. 7). Embora tivesse se convertido à religião judaica para obter o cargo que agora ocupava sob Saul, conservava a antiga inimizade hereditária de Edom contra Israel. Era encarregado dos rebanhos, função que talvez tivesse tanta honra naquela época quanto hoje a de mestre dos cavalos.

Por alguma razão, teve de esperar junto ao sacerdote naquele momento, talvez para se purificar de alguma impureza ou cumprir um voto. Seja qual fosse o motivo, diz-se que ficou retido diante do Senhor.

Precisava esperar e não podia evitar, mas estava farto do serviço, desprezava-o e dizia: “Que canseira!” (Malaquias 1:13). Preferiria estar em qualquer outro lugar a ficar diante do Senhor. Por isso, em vez de cuidar do motivo que o levara ali, tramava prejudicar Davi e vingar-se de Aimeleque por tê-lo feito esperar.

O santuário de Deus jamais pôde proteger lobos em pele de ovelha. Veja Gálatas 2:4.

Versículos 10 a 15

Davi É Expulso por Aquis. (a.C. 1057.)

Davi, embora escolhido para ser rei, agora vivia no exílio; destinado a possuir grandes tesouros, naquele momento pedia pão; ungido para a coroa, era obrigado a fugir de seu país. Às vezes, as providências de Deus parecem contrariar suas promessas, para provar a fé de seu povo e glorificar seu nome quando seus desígnios se cumprem, apesar das dificuldades no caminho.

Temos aqui:

  1. A fuga de Davi para a terra dos filisteus, onde esperava esconder-se e não ser reconhecido na corte ou no acampamento de Aquis, rei de Gate (v. 10).

O favorito de Israel é obrigado a deixar a terra de Israel; e aquele que era o grande inimigo dos filisteus — sabe-se lá por que motivo — procura abrigo entre eles.

Ao que parece, embora os israelitas o amassem, a inimizade pessoal do rei de Israel o obrigou a deixar seu país; e, embora os filisteus o odiassem, o rei de Gate tinha afeição pessoal por ele, valorizava seus méritos e talvez o apreciasse ainda mais por ele ter matado Golias de Gate, que talvez não fosse amigo de Aquis.

Davi foi diretamente a Aquis, em quem podia confiar, como faria depois (1 Samuel 27:2, 3). Aquis o teria protegido, não fosse o receio de desagradar seu próprio povo.

Com frequência, o povo de Deus perseguido encontra tratamento melhor entre filisteus do que entre israelitas, nos teatros gentios do que nas sinagogas judaicas. O rei de Judá prendeu Jeremias; o rei da Babilônia o libertou.

  1. O desagrado dos servos de Aquis por Davi estar ali e a queixa que apresentaram ao rei (v. 11):

“Não é este Davi? Não é ele que triunfou sobre os filisteus? Vejam o refrão daquela canção tão conhecida: Saul matou os seus milhares, mas Davi, este mesmo, as suas dezenas de milhares. Ou melhor, não é este também aquele que, se nossas notícias da terra de Israel forem verdadeiras, é ou será rei daquela terra?”

Como rei, “ele deve ser inimigo do nosso país. É seguro ou honroso proteger ou acolher um homem assim?”

Talvez Aquis lhes tivesse dado a entender que seria prudente acolher Davi, pois agora era inimigo de Saul e, mais tarde, poderia tornar-se amigo deles. É comum que os proscritos de uma nação encontrem abrigo entre os inimigos dela. Mas os servos de Aquis contestaram sua política e acharam completamente impróprio que Davi permanecesse entre eles.

  1. O medo que isso provocou em Davi. Embora tivesse algum motivo para confiar em Aquis, quando percebeu que os servos do rei desconfiavam dele, começou a temer que Aquis fosse obrigado a entregá-lo a eles. Ficou muito assustado (v. 12).

Talvez temesse ainda mais por sua vida depois de ser reconhecido, pois usava a espada de Golias, que devia ser bem conhecida em Gate. Podia esperar que o decapitassem com ela, assim como ele próprio decapitara Golias.

Davi aprendeu pela experiência aquilo que nos ensinou (Salmos 118:9): “É melhor confiar no Senhor do que pôr a confiança nos príncipes.” Os homens de alta posição são uma mentira e, se os tomarmos por esperança, podem tornar-se nosso medo.

Foi nessa ocasião que Davi escreveu o Salmo 56, um mictão, isto é, um salmo de ouro. Quando os filisteus o prenderam em Gate, ele apresentou suas aflições diante de Deus e resolveu (v. 3): “No dia em que eu temer, confiarei em ti.” Por isso (v. 11), “não temerei o que o homem possa fazer comigo — não, nem mesmo os filhos dos gigantes”.

  1. O meio que escolheu para escapar das mãos deles: fingiu-se louco (v. 13). Fez os gestos e imitou os modos de um tolo de nascença ou de alguém que perdera o juízo, supondo que eles acreditariam facilmente que a desgraça na corte e as dificuldades atuais o haviam enlouquecido.

Esse disfarce não pode ser justificado. Rebaixar-se assim era indigno, e representar algo que não era contrariava a verdade; portanto, não condizia com a honra e a sinceridade de um homem como Davi.

Ainda assim, pode ser escusado em certa medida: não era uma mentira direta e se parecia com uma estratégia de guerra, pela qual iludiu os inimigos para salvar a própria vida.

O que Davi fez apenas de fingimento e para se proteger, e que por isso é em parte escusável, os bêbados fazem de verdade e apenas para satisfazer uma paixão vil. Fazem papel de tolos e mudam de comportamento; suas palavras e ações costumam ser tão tolas e ridículas quanto as de um idiota, ou tão furiosas e descontroladas quanto as de um louco.

Muitas vezes me espanta que homens sensatos e honrados se permitam agir assim.

  1. A fuga de Davi por esse meio (v. 14, 15). Inclino-me a pensar que Aquis percebeu que a loucura era fingida, mas desejava proteger Davi, como se vê depois, quando foi bondoso com ele mesmo sem o favor dos príncipes filisteus (1 Samuel 28:1, 2; 29:6).

Por isso, fingiu diante de seus servos que realmente o julgava louco. Dava-lhes, assim, motivo para duvidarem que aquele homem fosse Davi; e, se fosse, não precisavam temê-lo: que mal ele poderia fazer agora que perdera o juízo?

Os servos suspeitavam que Aquis quisesse acolher Davi. “Eu? De modo algum”, respondeu. “Ele é louco. Não quero ter nada a ver com ele. Vocês não precisam temer que eu o empregue ou o favoreça.”

Ele entrou no jogo ao perguntar: “Preciso de loucos? Este tolo vai entrar em minha casa? Não lhe mostrarei bondade; mas vocês não devem fazer-lhe mal, pois, se é louco, merece compaixão.”

Por isso, Aquis o expulsou, como diz o título do Salmo 34, que Davi escreveu naquela ocasião. É um salmo excelente e mostra que seu espírito não mudou quando mudou de comportamento: mesmo em meio às maiores dificuldades e agitações, seu coração permanecia firme, confiando no Senhor.

Davi conclui o salmo com a certeza de que nenhum dos que confiam em Deus ficará desamparado, embora, como ele naquele momento, possam estar solitários e aflitos, perseguidos, mas não abandonados.


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