1 Crônicas 27
Argumento
Neste capítulo temos a relação dos servidores do reino, inclusive os militares: I. Os doze comandantes, um para cada mês do ano, vv. 1-15. II. Os príncipes das diversas tribos, vv. 16-24. III. Os oficiais da corte, vv. 25-34.
Versículos 1 a 15
Os Oficiais do Exército. (a.C. 1015.)
Temos aqui um relato da organização da milícia do reino. O próprio Davi era um homem de guerra e havia realizado grandes feitos com a espada; havia levado grandes exércitos ao campo de batalha. Agora nos é dito como os dispôs quando Deus lhe deu descanso de todos os seus inimigos.
Ele não os manteve todos reunidos, pois isso teria sido penoso para eles e para o país; contudo, também não os dispensou nem dispersou a todos, pois assim teria deixado o reino desprotegido, e seu povo teria esquecido as artes da guerra em que fora instruído.
Por isso, planejou manter uma força sempre disponível, sem manter um exército permanente. O modelo é muito prudente.
- Mantinha 24.000 homens constantemente em armas, suponho que reunidos em um corpo e treinados, numa ou noutra parte do reino; os proprietários livres levavam suas próprias armas e custeavam suas despesas enquanto estavam em serviço. Era força suficiente para garantir a paz e a segurança públicas.
Os que são verdadeiramente israelitas devem aprender a guerrear; pois temos inimigos com quem lutar, contra os quais precisamos estar constantemente de guarda.
- Substituía-os a cada mês; assim, o número total da milícia chegava a 288.000, talvez cerca de um quinto dos homens aptos do reino.
Distribuídos desse modo em doze turmas, todos recebiam instrução nos exercícios militares e se habituavam a eles; contudo, ninguém era obrigado a servir nem a arcar com despesas por mais de um mês no ano, o que bem podiam suportar, a não ser em ocasiões extraordinárias, quando todos poderiam ser reunidos rapidamente.
Cabe à sabedoria dos governantes, e muito contribui para seu louvor, ao proverem a segurança pública, planejar como torná-la eficaz e, ainda assim, fácil de manter e tão pouco onerosa quanto possível para o povo.
- Cada turma tinha um comandante-chefe. Além dos oficiais subalternos que comandavam milhares, centenas e grupos de cinquenta, havia um oficial general para cada turma ou legião. Todos esses doze grandes comandantes são mencionados entre os valentes e campeões de Davi, 2 Samuel 23 e 1 Crônicas 11.
Primeiro se distinguiram por seus grandes feitos e depois foram elevados a esses cargos importantes. Vai bem um reino quando a honra acompanha o mérito dessa forma.
Benaia é chamado aqui de sacerdote principal, v. 5. Mas, como cohen significa tanto sacerdote quanto príncipe, seria melhor traduzi-lo aqui por governante principal, ou, como na margem, oficial principal.
Dodai tinha Miclote (v. 4) como substituto quando estava ausente ou enfermo, ou como sucessor depois de sua morte. Benaia tinha seu filho sob seu comando, v. 6.
Asael teve seu filho como sucessor (v. 7), e isso parece indicar que esse plano para a milícia foi estabelecido no início do reinado de Davi; pois Asael foi morto por Abner quando Davi reinava em Hebrom.
Terminadas as guerras, Davi retomou esse método e deixou os assuntos militares organizados dessa maneira para o reinado pacífico de seu filho Salomão.
Mesmo quando nos julgamos em máxima segurança, enquanto estamos neste corpo, devemos permanecer preparados para os conflitos espirituais. Quem veste a armadura não se gabe como quem a tira.
Versículos 16 a 34
A Força Militar. (a.C. 1015.)
Temos aqui um relato:
I. Dos príncipes das tribos. Ainda se conservava algo da antiga ordem instituída por Moisés no deserto: cada tribo devia ter seu príncipe ou chefe.
É provável que ela tenha sido mantida ao longo de todo o tempo, por eleição ou por sucessão na mesma família; aqui são nomeados os que ocupavam esse ofício quando este relato foi feito.
Eliú, ou Eliabe, príncipe de Judá, era o filho mais velho de Jessé e descendia em linha direta de Naassom e Salmom, os príncipes dessa tribo no tempo de Moisés. Não fica claro se esses príncipes eram uma espécie de governadores que os dirigiam nos assuntos militares ou juízes principais que presidiam seus tribunais.
Podemos supor que seu poder era muito menor agora, quando todas as tribos estavam unidas sob um só rei, do que havia sido quando, na maior parte do tempo, agiam separadamente.
Nossa religião nos obriga a sujeitar-nos não só ao rei como autoridade suprema, mas também aos governadores abaixo dele (1 Pedro 2:13, 14), os príncipes que decretam a justiça.
O príncipe de Benjamim era Jaasiel, filho de Abner, v. 21. Embora Abner tivesse sido inimigo de Davi e se oposto à sua ascensão ao trono, Davi não se opôs a que o filho dele recebesse um cargo; talvez até o tenha nomeado para esse posto de honra, o que nos ensina a retribuir o mal com o bem.
II. Do recenseamento do povo, v. 23, 24. Diz-se aqui:
- Quando Davi ordenou que o povo fosse contado, proibiu que se contassem os menores de vinte anos, pensando evitar assim que seu ato lançasse alguma sombra sobre a promessa de que seriam incontáveis.
Contudo, era um recurso fraco, pois nunca havia sido costume contar os menores de vinte anos, e a promessa quanto ao número deles dizia respeito principalmente aos homens aptos.
- A contagem que Davi fez do povo, no orgulho do seu coração, não lhe trouxe nenhum bom resultado; pois jamais foi concluída, nem feita com exatidão, nem registrada como levantamento autêntico.
Joabe desgostou-se dela e a fez pela metade; Davi envergonhou-se dela e desejou que fosse esquecida, porque por sua causa a ira caiu sobre Israel.
Ao refletir, um homem bom não pode agradar-se daquilo que sabe desagradar a Deus; não pode usar nem encontrar consolo no que foi obtido por meio do pecado.
III. Dos oficiais da corte. 1. Os administradores dos bens do rei, como são chamados (v. 31), que supervisionavam e cuidavam das terras cultivadas do rei, de suas vinhas, seus olivais, seus rebanhos bovinos, seus camelos, seus jumentos e seus rebanhos de ovelhas.
Não havia aqui oficiais para a ostentação, nenhum para o entretenimento, nenhum responsável pelo guarda-roupa, nenhum mestre de cerimônias, nenhum responsável pelos cavalos, nenhum responsável pelos cães de caça, mas todos se dedicavam ao serviço, de acordo com a simplicidade e a singeleza daqueles tempos.
Davi era um grande soldado, um grande estudioso e um grande príncipe e, ainda assim, um grande administrador de suas propriedades: mantinha sob seus cuidados muitas terras e nelas criava animais, não por prazer, mas por lucro; pois até o rei é servido pelo campo, Eclesiastes 5:9.
Os magistrados que desejam que seus súditos sejam trabalhadores devem eles próprios dar exemplo de dedicação e aplicação aos negócios.
Constatamos, porém, que, mais tarde, os pobres da terra foram considerados suficientemente bons para trabalhar nas vinhas e nos campos, 2 Reis 25:12. Agora Davi colocava seus grandes homens à frente desses trabalhos.
- Os que atendiam pessoalmente ao rei. Eram homens que se destacavam pela sabedoria, pois eram destinados à convivência com ele. Seu tio, homem sábio e escriba, versado não apenas na arte de governar, mas também conhecedor das Escrituras, era seu conselheiro, v. 32.
Outro, que sem dúvida se destacava pelo saber e pela prudência, era o preceptor de seus filhos. Aitofel, homem muito astuto, era seu conselheiro; mas Husai, homem honesto, era seu companheiro e confidente.
Não parece que ele tivesse muitos conselheiros; mas os que tinha eram homens de grande capacidade. Muito da sabedoria dos príncipes se revela na escolha de seus ministros.
Mas Davi, embora tivesse ao seu redor todos esses parentes e conselheiros fiéis e queridos, preferia a Bíblia a todos eles. Salmos 119:24: “Os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros.”