Matthew Henry

Ester 10

Argumento

Este é apenas parte de um capítulo. O restante, a partir do v. 4, mais seis outros capítulos, aparece somente em grego e é rejeitado como apócrifo. Nestes três versículos temos apenas breves informações:

I. Sobre Assuero no trono: como era poderoso, vv. 1-2. II. Sobre Mardoqueu, seu favorito: como foi uma bênção notável para seu povo, vv. 2-3.

Versículos 1 a 3

A Glória de Mardoqueu. (a.C. 495.)

Aqui somos informados:

I. De como o rei Assuero era grande e poderoso. Seu domínio era vasto, tanto no continente quanto nas ilhas, e de todo ele recolhia uma receita enorme. Além das taxas alfandegárias habituais cobradas pelos reis da Pérsia (Esdras 4:13), impôs aos súditos um tributo adicional para alguma grande necessidade de dinheiro que tinha (v. 1): “O rei impôs um tributo.”

Feliz é nossa ilha, que não paga tributo algum além do que lhe é imposto por seus representantes, escolhidos por ela própria, e que não é espremida nem oprimida por um poder arbitrário, como algumas nações vizinhas.

Além desse exemplo da grandeza de Assuero, muitos outros poderiam ser dados, feitos de seu poder e de sua força. Não se julgou apropriado registrá-los aqui na história sagrada, que se concentra nos judeus e relata os assuntos de outras nações apenas quando se cruzam com os deles.

Esses feitos, porém, foram registrados nas crônicas persas (v. 2), há muito perdidas e sepultadas no esquecimento. Já os escritos sagrados vivem, vivem em honra e viverão até que o tempo não exista mais.

Quando os reinos dos homens, reis e monarquias, forem destruídos e sua memória desaparecer com eles (Salmos 9:6), o reino de Deus entre os homens e os registros desse reino permanecerão e durarão como os dias do céu, Daniel 2:44.

II. De como Mardoqueu era grande e bom.

  1. Era grande, e faz bem ver a virtude e a piedade assim honradas. (1.) Era importante junto ao rei, o segundo depois dele, homem em quem o rei mais se comprazia e confiava.

Durante muito tempo Mardoqueu se assentara satisfeito à porta do rei; por fim, foi elevado à chefia do conselho real. Homens de mérito podem parecer enterrados vivos por algum tempo, mas muitas vezes, de um modo ou de outro, acabam sendo descobertos e promovidos.

A declaração da grandeza a que o rei elevou Mardoqueu foi escrita nas crônicas do reino como algo digno de memória e que contribuiu para as grandes realizações do rei. Assuero jamais realizou feitos tão poderosos como quando Mardoqueu era seu braço direito.

(2.) Era grande entre os judeus (v. 3): não apenas estava acima deles, mais honrado que qualquer outro, mas era querido por eles, próximo deles e muito respeitado. Longe de invejarem sua promoção, alegraram-se com ela e a ampliaram ao lhe dar grande influência entre si e confiar todos os seus assuntos à direção dele.

  1. Era bom, muito bom, pois fazia o bem. Essa bondade o tornava verdadeiramente grande; então sua posição lhe dava oportunidade de fazer ainda mais bem. Quando o rei o promoveu:

(1.) Não renegou seu povo judeu nem se envergonhou de seu vínculo com ele, embora fossem estrangeiros e cativos, dispersos e desprezados. Continuou a assinar-se Mardoqueu, o judeu. Sem dúvida, portanto, permaneceu fiel à religião judaica, cujas práticas o distinguiam, e isso não impediu sua promoção nem foi visto como defeito nele.

(2.) Não buscou a própria riqueza nem procurou acumular bens para si e sua família, como costuma ser a principal ambição dos que alcançam altos cargos na corte. Olhou, antes, pelo bem-estar de seu povo e dedicou-se a promovê-lo. Usou seu poder, sua riqueza e toda a influência que tinha junto ao rei e à rainha para o bem público.

(3.) Não apenas fez o bem: fê-lo com humildade, sem manter distância dos outros. Era acessível, cortês e afável, e falava de paz a todos os que o procuravam. Praticar boas obras é o melhor e o principal que se espera dos que têm riqueza e poder. Também é louvável, porém, dizer boas palavras, pois isso torna a boa ação ainda mais bem recebida.

(4.) Não tomou partido de uma facção de seu povo contra outra nem favoreceu alguns enquanto os demais eram negligenciados e oprimidos. Quaisquer que fossem as diferenças entre eles, agiu como pai comum de todos. Fez-se estimado pela multidão de seus irmãos, sem desprezar o povo, e falou de paz a toda a descendência deles, sem distinção.

Assim, por sua humildade e beneficência, tornou-se agradável a todos, foi universalmente aceito e ganhou o bom testemunho de todos os seus irmãos. Graças a Deus, somos abençoados com um governo assim, que busca o bem-estar do nosso povo e fala de paz a toda a sua descendência.

Que Deus o conserve por muito tempo, por muito tempo mesmo, e nos conceda, sob sua feliz proteção e influência, viver em quietude e paz, com piedade, honestidade e caridade!


Ajustes de leitura

Tamanho do texto
Tipo de letra