Apocalipse 18
Argumento
Temos aqui: I. Um anjo proclamando a queda da Babilônia (v. 1, 2). II. A exposição das razões de sua queda (v. 3). III. O aviso a todos os que pertenciam a Deus para saírem dela (v. 4, 5) e ajudarem em sua destruição (vv. 6-8).
IV. O grande lamento por ela, feito por aqueles que tinham tido ampla participação em seus prazeres e lucros pecaminosos (vv. 9-19). V. A grande alegria que outros sentirão ao ver sua ruína irrecuperável (v. 20, etc.).
Versículos 1 a 8
A Queda da Babilônia. (95 d.C.)
A queda e a destruição da Babilônia formam um desfecho tão plenamente determinado nos conselhos de Deus e de tal importância para seus interesses e sua glória que as visões e predições a respeito dele se repetem.
Temos aqui outro anjo enviado do céu, acompanhado de grande poder e esplendor (v. 1). Ele tinha não só luz em si mesmo para discernir a verdade de sua própria predição, mas também para informar e iluminar o mundo acerca desse grande desfecho; e tinha não apenas luz para discerni-lo, mas poder para realizá-lo.
Esse anjo proclama a queda da Babilônia como algo já acontecido. Faz isso com voz poderosamente forte, para que todos pudessem ouvir o clamor e percebessem quanto lhe agradava ser o mensageiro de tais notícias.
Parece haver aqui uma alusão à predição da queda da Babilônia pagã (Isaías 21:9), onde a expressão se repete como aqui: “Caiu, caiu.”
Alguns pensaram que se pretende indicar uma queda dupla: primeiro sua apostasia e depois sua ruína. E eles pensam que as palavras imediatamente seguintes favorecem sua opinião: ela se tornou morada de demônios, reduto de todo espírito imundo e gaiola de toda ave impura e detestável (v. 2).
Mas essa descrição também vem de Isaías 21:9 e parece retratar não tanto o pecado de acolher ídolos, que na verdade são chamados demônios, quanto a punição da Babilônia. Era comum pensar que espíritos imundos, assim como aves agourentas e detestáveis, assombravam uma cidade ou casa reduzida a ruínas.
- A razão dessa ruína é declarada (v. 3). Pois, embora Deus não tenha obrigação de dar qualquer relato de suas questões, ainda assim ele tem por bem fazê-lo, especialmente nas dispensações da providência mais temíveis e tremendas.
A maldade da Babilônia fora muito grande: ela própria não só abandonara o Deus verdadeiro e estabelecera ídolos, como também, com grande habilidade e diligência, atraíra todo tipo de gente para o adultério espiritual. Por meio de sua riqueza e de seu luxo, as mantivera em sua causa.
- É dado um aviso claro a todos os que esperam receber misericórdia de Deus: devem não apenas sair dela, mas também ajudar em sua destruição (v. 4, 5). Observe: (1.) Deus pode ter um povo mesmo na Babilônia, pessoas que pertencem à eleição da graça.
(2.) O povo de Deus será chamado para fora da Babilônia, e esse chamado será eficaz. (3.) Os que estão decididos a participar dos pecados dos ímpios terão de receber suas pragas.
(4.) Quando os pecados de um povo chegam ao céu, a cólera de Deus desce à terra. (5.) Embora a vingança particular seja proibida, ainda assim Deus fará seu povo agir sob sua direção, quando chamado a isso, para derrubar os inimigos inveterados e implacáveis dele e deles (v. 6).
(6.) Deus proporcionará o castigo dos pecadores à medida de sua maldade, orgulho e falsa segurança (v. 7). (7.) Quando a destruição vem de repente sobre um povo, a surpresa é um grande agravamento de sua miséria (v. 8).
Versículos 9 a 24
A Queda da Babilônia. (95 d.C.)
Temos aqui:
I. Um lamento doloroso dos amigos da Babilônia por sua queda. Observe aqui:
- Quem são os que choram: os que foram enfeitiçados pela fornicação dela, os que participaram de seus prazeres sensuais e os que lucraram com sua riqueza e seu comércio: os reis e os mercadores da terra.
Ela havia lisonjeado os reis e os levado à idolatria, consentindo que fossem arbitrários e tirânicos com seus súditos, enquanto eles se mostravam submissos a ela. Os mercadores, isto é, os que negociavam com ela por indulgências, perdões, dispensas e cargos, também chorarão, pois enriqueceram por meio dessa atividade.
- Como se manifesta esse lamento. (1.) Eles ficaram de longe, sem ousar aproximar-se dela. Até os amigos da Babilônia se manterão distantes quando ela cair.
Embora tivessem participado de seus pecados, de seus prazeres pecaminosos e de seus lucros, não estavam dispostos a sofrer parte de suas pragas. (2.) Soltaram um grito de aflição: “Ai! Ai! A grande cidade, a Babilônia, a cidade poderosa!”
(3.) Choraram e lançaram pó sobre as cabeças (v. 19). Os prazeres do pecado duram apenas por algum tempo e terminarão em tristeza terrível.
Todos os que se alegram com o êxito dos inimigos da igreja participarão com eles de sua queda. Os que mais se entregaram ao orgulho e ao prazer são os menos capazes de suportar calamidades; suas tristezas serão tão excessivas quanto antes foram seus prazeres e sua alegria.
- A causa do lamento não é o pecado, mas o castigo. Eles não lamentaram sua queda na idolatria, no luxo e na perseguição, mas sua queda na ruína: perderam o comércio, a riqueza e o poder.
O espírito do anticristo é mundano, e sua tristeza é meramente uma tristeza mundana. Eles não lamentaram a ira de Deus, que então caíra sobre eles, mas a perda de seu conforto exterior.
Temos uma extensa lista e inventário da riqueza e mercadorias dessa cidade, tudo perdido de repente (v. 12, 13) e sem possibilidade de recuperação (v. 14): “Todas as coisas que eram delicadas e belas se afastaram de ti, e de modo algum as acharás outra vez.”
A igreja de Deus pode cair por algum tempo, mas se levantará novamente. Mas a queda da Babilônia será uma destruição completa, como a de Sodoma e Gomorra. A tristeza segundo Deus é certo amparo na aflição, mas a tristeza puramente mundana aumenta a calamidade.
II. O relato da alegria e do triunfo tanto no céu quanto na terra diante da queda irrecuperável da Babilônia. Enquanto seu próprio povo lamentava, os servos de Deus foram chamados a alegrar-se sobre ela (v. 20). Observe aqui:
Como essa alegria seria universal: o céu e a terra, os anjos e os santos se uniriam nela. Aquilo que alegra os servos de Deus neste mundo também alegra os anjos no céu.
Como é justa e razoável; e isso: (1.) Porque a queda da Babilônia foi um ato da justiça vingadora de Deus. Deus estava vingando a causa de seu povo.
Eles haviam confiado sua causa àquele a quem pertence a vingança. Chegara o ano da recompensa pelas disputas de Sião. Embora não se alegrassem com a miséria de ninguém, ainda assim tinham razão para se alegrar com as revelações da gloriosa justiça de Deus.
(2.) Porque foi uma ruína irrecuperável. Esse inimigo nunca mais os afligiria, e eles tiveram a certeza disso por um sinal notável (v. 21): um anjo do céu tomou uma pedra semelhante a uma grande pedra de moinho e a lançou no mar, dizendo: assim Babilônia será derrubada com violência e de modo algum será mais encontrada.
O lugar não será mais habitável por seres humanos; ali não se fará obra alguma, não se desfrutará consolo, não se verá luz, mas trevas e desolação completas. Como recompensa por sua grande maldade: primeiro, enganar as nações com suas feitiçarias; segundo, destruir e assassinar aqueles que ela não podia enganar (v. 24). Pecados tão abomináveis mereciam ruína tão grande.