2 Coríntios 1
Argumento
Segunda aos Coríntios
Completado por Daniel Mayo.
UMA EXPOSIÇÃO, COM OBSERVAÇÕES PRÁTICAS, DA SEGUNDA EPÍSTOLA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS.
Na sua epístola anterior, o apóstolo havia manifestado as suas intenções de ir a Corinto quando passasse pela Macedônia (1 Coríntios 16:5), mas, sendo providencialmente impedido por algum tempo, escreve-lhes essa segunda epístola cerca de um ano depois da anterior; e parece haver estas duas ocasiões urgentes:
- O caso da pessoa incestuosa, que estava sob censura, exigia que com toda rapidez fosse restaurada e recebida novamente na comunhão. Acerca disso, por isso, dá orientações (2 Coríntios 2).
E depois (2 Coríntios 7) declara a satisfação que teve com a notícia recebida do bom comportamento deles nessa questão.
- Havia uma contribuição sendo feita agora para os santos pobres em Jerusalém, à qual ele exorta os coríntios a se unirem, 2 Coríntios 8, 9.
Há diversas outras coisas muito observáveis nessa epístola; por exemplo:
I. O relato que o apóstolo dá dos seus trabalhos e êxito em pregar o evangelho em diversos lugares, 2 Coríntios 2.
II. A comparação que faz entre a dispensação do Antigo e do Novo Testamento, 2 Coríntios 3.
III. Os múltiplos sofrimentos que ele e os seus companheiros de trabalho encontraram, e os motivos e ânimos para a sua diligência e paciência, 2 Coríntios 4, 5.
IV. A cautela que dá aos coríntios contra mesclar-se com incrédulos, 2 Coríntios 6.
V. O caminho e maneira como justifica a si mesmo e o seu apostolado das insinuações e acusações desonrosas de falsos mestres que procuravam arruinar a sua reputação em Corinto, 2 Coríntios 10-12, e por toda a epístola.
Depois da introdução (v. 1, 2), o apóstolo começa com a narrativa das suas adversidades e da bondade de Deus que havia encontrado na Ásia, como ação de graças a Deus (vv. 3-6) e para a edificação dos coríntios, vv. 7-11.
Então atesta a integridade dele e dos seus companheiros de trabalho (vv. 12-14), e depois defende a si mesmo da imputação de leviandade e inconstância, vv. 15-24.
Versículos 1 a 2
Reconhecimentos Gratos. (d.C. 57.)
Essa é a introdução a essa epístola, na qual temos:
I. A inscrição; e nela:
- A pessoa de quem foi enviada, a saber, Paulo, que se chama apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. O próprio apostolado foi ordenado por Jesus Cristo segundo a vontade de Deus; e Paulo foi chamado a ele por Jesus Cristo segundo a vontade de Deus.
Ele associa Timóteo a si mesmo ao escrever essa epístola; não porque precisasse da sua assistência, mas para que pela boca de duas testemunhas a palavra fosse estabelecida.
E esse dignificar Timóteo com o título de irmão (ou na fé comum ou na obra do ministério) mostra a humildade desse grande apóstolo e o seu desejo de recomendar Timóteo (embora fosse então jovem) à estima dos coríntios e lhe dar reputação entre as igrejas.
- As pessoas a quem essa epístola foi enviada, a saber, a igreja de Deus em Corinto; e não somente a eles, mas também a todos os santos em toda a Acaia, isto é, a todos os cristãos que viviam na região ao redor. Repare:
Em Cristo Jesus, nenhuma distinção é feita entre os habitantes da cidade e do campo; toda a Acaia está no mesmo nível na sua avaliação.
II. A saudação ou bênção apostólica, que é a mesma da sua epístola anterior; e nela o apóstolo deseja as duas grandes e abrangentes bênçãos, graça e paz, para aqueles coríntios.
Esses dois benefícios são apropriadamente unidos porque não há paz boa e duradoura sem verdadeira graça; e ambos vêm de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo, que obtém e dispensa esses benefícios ao homem caído, e a quem se ora como Deus.
Versículos 3 a 6
Os Sofrimentos e Consolações de Paulo. (d.C. 57.)
Depois do prefácio anterior, o apóstolo começa com a narrativa da bondade de Deus para com ele e os seus companheiros de trabalho nas suas múltiplas tribulações, de que fala como ação de graças a Deus e para promover a glória divina (vv. 3-6).
E é apropriado que em todas as coisas e em primeiro lugar Deus seja glorificado. Observe:
I. O objeto da ação de graças do apóstolo, a quem oferece bênção e louvor, a saber, o Deus bendito, o único que deve ser louvado, a quem descreve por diversos títulos gloriosos e amáveis:
- O Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo: ho Theos kai pater tou Kyriou hemon Iesou Christou.
Deus é o Pai da natureza divina de Cristo por geração eterna, da sua natureza humana por concepção milagrosa no ventre da virgem, e de Cristo como Deus-homem e nosso Redentor por relação de aliança; e nele e por ele como Mediador, nosso Deus e nosso Pai, João 20:17.
No Antigo Testamento, frequentemente encontramos esse título: O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, para denotar a relação de aliança de Deus com eles e a sua semente.
E no Novo Testamento Deus é denominado o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, para denotar a sua relação de aliança com o Mediador e a sua semente espiritual. Gálatas 3:16.
O Pai de misericórdias. Há em Deus essencialmente uma multidão de ternas misericórdias, e todas as misericórdias vêm originalmente de Deus; a misericórdia é a sua genuína descendência e o seu deleite. “Ele se deleita na misericórdia”, Miquéias 7:18.
O Deus de todo conforto; dele procede o Consolador, João 15:26. Ele dá o penhor do Espírito no nosso coração, v. 22. Todos os nossos confortos vêm de Deus, e os nossos confortos mais doces estão nele.
II. Os motivos das ações de graças do apóstolo, que são estes:
- Os benefícios que ele próprio e os seus companheiros haviam recebido de Deus; pois Deus os havia confortado em todas as suas tribulações, v. 4. No mundo tinham adversidade, mas em Cristo tinham paz.
Os apóstolos encontraram muitas tribulações, mas acharam conforto em todas elas; os seus sofrimentos (que são chamados sofrimentos de Cristo, v. 5, porque Cristo se compadecia dos seus membros quando sofriam por causa dele) abundavam, mas a sua consolação por Cristo abundava também. Repare:
(1.) Então somos qualificados para receber o conforto das misericórdias de Deus quando nos empenhamos em lhe dar a glória delas.
(2.) Então falamos melhor de Deus e da sua bondade quando falamos da nossa própria experiência e, ao contar aos outros, contamos a Deus também o que fez pelas nossas almas.
- A vantagem que os outros poderiam receber; pois Deus pretendia que fossem capazes de confortar outros em adversidade (v. 4), comunicando-lhes as suas experiências da bondade e misericórdia divinas.
E os sofrimentos dos homens bons têm tendência para esse bom fim (v. 6), quando são dotados de fé e paciência. Repare:
(1.) Os favores que Deus nos concede são destinados não somente a nos tornar alegres nós mesmos, mas também para que possamos ser úteis aos outros.
(2.) Se imitamos a fé e paciência dos homens bons nas suas aflições, podemos esperar participar das suas consolações aqui e da sua salvação no futuro.
Versículos 7 a 11
A Sinceridade e Aflição de Paulo. (d.C. 57.)
Nesses versículos, o apóstolo fala para o ânimo e edificação dos coríntios; e lhes diz (v. 7) da sua persuasão ou esperança firme de que receberiam benefício pelas adversidades que ele e os seus companheiros de trabalho e viagem haviam encontrado, para que a sua fé não fosse enfraquecida, mas as suas consolações aumentadas.
Para isso, ele lhes diz:
- Quais haviam sido os seus sofrimentos (v. 8): “Não queremos que ignoreis a nossa adversidade”. Era conveniente que as igrejas soubessem quais eram os sofrimentos dos seus ministros.
Não é certo a quais adversidades particulares na Ásia se refere aqui; se ao tumulto levantado por Demétrio em Éfeso, mencionado em Atos 19, ou à luta com feras em Éfeso, mencionada na epístola anterior (1 Coríntios 15), ou a alguma outra adversidade; pois o apóstolo esteve em mortes frequentemente.
Isso, contudo, é evidente: que eram grandes tribulações. Foram pressionados além da medida, em grau muito extraordinário, acima da força comum dos homens, ou dos cristãos comuns, para suportá-las, a tal ponto que desesperaram até da vida (v. 8) e pensaram que teriam sido mortos, ou teriam desfalecido e expirado.
- O que fizeram na sua angústia: Confiaram em Deus. E foram levados a esse extremo para não confiarem em si mesmos, mas em Deus, v. 9. Repare:
Deus frequentemente traz o seu povo a grandes apertos, para que apreendam a sua própria insuficiência para ajudar a si mesmos e sejam induzidos a pôr a sua confiança e esperança na sua plena suficiência.
O nosso extremo é a oportunidade de Deus. No monte o Senhor será visto; e podemos seguramente confiar em Deus, que ressuscita os mortos, v. 9. Deus ressuscitar os mortos é prova do seu poder onipotente.
Quem pode fazer isso pode fazer qualquer coisa, pode fazer todas as coisas, e é digno de receber confiança em todos os tempos. A fé de Abraão se prendia a esse exemplo do poder divino: Ele creu em “Deus, que vivifica os mortos”, Romanos 4:17.
Se formos levados tão baixo a ponto de desesperar até da vida, contudo, podemos então confiar em Deus, que pode trazer de volta não somente das portas, mas das mandíbulas da morte.
- Qual era o livramento que haviam obtido; e esse foi oportuno e continuado. A sua esperança e confiança não foram em vão, nem serão envergonhados quaisquer que confiem nele. Deus os havia livrado e continuava a livrá-los, v. 10.
Tendo obtido ajuda de Deus, continuavam até aquele dia, Atos 26:22.
- Que uso fizeram desse livramento: “Confiamos que ainda nos livrará” (v. 10), que Deus livrará até o fim e preservará para o seu reino celestial. Repare:
As experiências passadas são grandes ânimos à fé e esperança, e impõem grandes obrigações de confiar em Deus pelo tempo por vir. Trazemos descrédito às nossas experiências se desconfiamos de Deus nos apertos futuros, ele que nos livrou nas adversidades anteriores.
Davi, mesmo quando jovem, e quando tinha só pequena reserva de experiências, argumentou à maneira do apóstolo aqui, 1 Samuel 17:37.
- O que era desejado dos coríntios por isso: Que ajudassem juntos pela oração em favor deles (v. 11), pela oração conjunta, concordando e se unindo em oração em favor deles. Repare:
A nossa confiança em Deus não deve dispensar o uso de nenhum meio apropriado e designado; e a oração é um desses meios. Deveríamos orar por nós mesmos e uns pelos outros. O próprio apóstolo tinha grande participação no trono da graça; contudo, deseja a ajuda das orações dos outros.
Se assim ajudamos uns aos outros pelas nossas orações, podemos esperar uma ocasião de muitos darem graças pela resposta à oração. E é nosso dever não somente ajudar uns aos outros com oração, mas em louvor e ação de graças, e assim fazer retribuições adequadas pelos benefícios recebidos.
Versículos 12 a 14
A Sinceridade e Aflição de Paulo. (d.C. 57.)
O apóstolo nesses versículos atesta a integridade dele e dos seus companheiros pela sinceridade da sua conduta. Não faz isso como ostentação e vanglória, mas como um bom motivo para desejar a ajuda da oração, assim como para confiar mais confortavelmente em Deus (Hebreus 13:18).
E para a necessária defesa de si mesmo das difamações de algumas pessoas em Corinto, que traziam descrédito à sua pessoa e questionavam o seu apostolado. Aqui:
I. Ele recorre ao testemunho da consciência com regozijo (v. 12), no qual observe:
- A testemunha à qual se recorre, a saber, a consciência, que está no lugar de mil testemunhas. Essa é a representante de Deus na alma, e a voz da consciência é a voz de Deus. Regozijavam-se no testemunho da consciência quando os seus inimigos lhes traziam descrédito e estavam enfurecidos contra eles. Repare:
O testemunho da consciência em nosso favor, se for correto e bem fundamentado, será matéria de regozijo em todos os tempos e em todas as condições.
- O testemunho que essa testemunha deu. E aqui repare: A consciência testemunhava:
(1.) Acerca da sua conduta, o seu constante curso e teor de vida; por isso podemos julgar a nós mesmos, e não por este ou aquele ato isolado.
(2.) Acerca da natureza ou maneira da sua conduta; que era em simplicidade e sinceridade piedosa. Esse apóstolo bendito era um verdadeiro israelita, homem de trato franco; você podia saber com quem lidava.
Não era homem que parecia ser uma coisa e era outra, mas homem de sinceridade.
(3.) Acerca do princípio pelo qual agiam em toda a sua conduta, tanto no mundo quanto para com esses coríntios; e não era a sabedoria carnal, nem política carnal e perspectivas mundanas, mas a graça de Deus, princípio gracioso vital nos seus corações, que vem de Deus e tende a Deus.
Então a nossa conduta será bem ordenada quando vivermos e agirmos sob a influência e comando de tal princípio gracioso no coração.
II. Ele recorre ao conhecimento dos coríntios com esperança e confiança, v. 13, 14. A sua conduta em parte caía sob a observação dos coríntios; e esses sabiam como se comportavam, quão santa, justa e irrepreensivelmente; nunca encontraram neles coisa alguma imprópria a um homem honesto.
Isso haviam reconhecido em parte antes, e ele não duvidava de que continuariam a fazê-lo até o fim, isto é, que nunca teriam nenhum bom motivo para pensar ou dizer dele outra coisa além de ser homem honesto. E assim haveria regozijo mútuo uns nos outros.
“Somos o vosso regozijo, assim como também vós sois o nosso no dia do Senhor Jesus.” Repare: É uma felicidade quando ministros e povo se regozijam uns nos outros aqui; e essa alegria será completa naquele dia em que o grande Pastor das ovelhas aparecerá.
Versículos 15 a 24
A Sinceridade e Aflição de Paulo. (d.C. 57.)
O apóstolo aqui defende a si mesmo da imputação de leviandade e inconstância por não ter mantido o seu propósito de ir até eles em Corinto. Os seus adversários ali buscavam todas as ocasiões para manchar o seu caráter e criticar a sua conduta.
E, ao que parecia, aproveitaram esse pretexto para trazer descrédito à sua pessoa e desacreditar o seu ministério. Agora, para a sua justificação:
I. Ele afirma a sinceridade da sua intenção (vv. 15-17) e faz isso em confiança na boa opinião deles acerca dele e em que acreditariam nele quando lhes assegurava que estava disposto, ou realmente pretendia, ir até eles.
E isso com o desígnio não de receber, mas de eles receberem um segundo benefício, isto é, uma vantagem ulterior pelo seu ministério.
Diz-lhes que não havia nisso usado leviandade (v. 17), que, assim como não visava nenhuma vantagem secular para si mesmo (pois o seu propósito não era segundo a carne, isto é, com perspectivas e alvos carnais), assim não era uma resolução precipitada e irrefletida que havia tomado.
Pois havia disposto os seus planos assim: passar por eles para a Macedônia e voltar da Macedônia até eles no seu caminho para a Judeia (v. 16); e, por isso, podiam concluir que havia alterado o seu propósito por alguns motivos importantes; e que com ele não havia sim, sim, e não, não, v. 17.
Não deveria ser acusado de leviandade e inconstância, nem de contradição entre as suas palavras e intenções. Repare: Os homens bons deveriam ser cuidadosos em preservar a reputação de sinceridade e constância; não deveriam resolver senão com madura deliberação, e não mudarão as suas resoluções senão por motivos importantes.
II. Ele não queria que os coríntios inferissem que o seu evangelho era falso ou incerto, nem contraditório em si mesmo, nem contrário à verdade, v. 18, 19.
Pois, se tivesse sido assim, que ele tivesse sido volúvel nos seus propósitos, ou até falso nas promessas que fez de ir até eles (do que não podia ser justamente acusado, e assim alguns entendem a sua expressão, v. 18: “A nossa palavra para convosco não foi sim e não”), contudo, não decorreria que o evangelho pregado fosse ou falso ou duvidoso.
Foi pregado não somente por ele, mas também por outros em pleno acordo com ele. Pois Deus é verdadeiro, e o Filho de Deus, Jesus Cristo, é verdadeiro. O Deus verdadeiro e a vida eterna.
Jesus Cristo, a quem o apóstolo pregava, não é sim e não, mas nele foi sim (v. 19), nada senão verdade infalível. E as promessas de Deus em Cristo não são sim e não, mas sim e amém, v. 20.
Há constância inviolável e sinceridade e certeza inquestionáveis em todas as partes do evangelho de Cristo.
Se nas promessas que os ministros do evangelho fazem como homens comuns e acerca dos seus próprios negócios veem às vezes motivo para alterá-las, contudo, as promessas da aliança do evangelho que pregam permanecem firmes e invioláveis.
Os homens maus são falsos; os homens bons são volúveis; mas Deus é verdadeiro, nem volúvel nem falso. O apóstolo, tendo mencionado a estabilidade das promessas divinas, faz uma digressão para ilustrar essa grande e doce verdade: que todas as promessas de Deus são sim e amém. Pois:
São as promessas do Deus da verdade (v. 20), daquele que não pode mentir, cuja verdade, assim como a sua misericórdia, dura para sempre.
São feitas em Cristo Jesus (v. 20), o Amém, a testemunha verdadeira e fiel; ele comprou e ratificou a aliança de promessas e é o fiador da aliança, Hebreus 7:22.
São confirmadas pelo Espírito Santo. Ele de fato estabelece os cristãos na fé do evangelho; ungiu-os com a sua graça santificadora, que na escritura é frequentemente comparada ao óleo; selou-os para a sua segurança e confirmação; e é dado como penhor nos seus corações, v. 21, 22.
Um penhor assegura a promessa e é parte do pagamento. A iluminação do Espírito é penhor da vida eterna; e os confortos do Espírito são penhor da alegria eterna. Repare:
A veracidade de Deus, a mediação de Cristo e a operação do Espírito estão todas empenhadas em que as promessas sejam certas para toda a semente e o seu cumprimento seja para a glória de Deus (v. 20), para a glória da sua graça rica e soberana e da sua verdade e fidelidade que nunca falham.
III. O apóstolo dá um bom motivo por que não foi a Corinto, como era esperado, v. 23. Era para poupá-los. Deveriam, por isso, reconhecer a sua bondade e ternura. Sabia que havia coisas erradas entre eles, e tais que mereciam censura, mas desejava mostrar ternura.
Assegura-lhes que esse é o verdadeiro motivo, dessa maneira muito solene: “Invoco Deus como testemunha sobre a minha alma”; modo de falar não justificável quando usado em questões triviais.
Mas isso era muito justificável no apóstolo, para a sua necessária defesa e para o crédito e utilidade do seu ministério, que era atacado pelos seus opositores. Acrescenta, para impedir equívocos, que não alegava ter qualquer domínio sobre a sua fé, v. 24.
Somente Cristo é o Senhor da nossa fé; é “o autor e consumador da nossa fé”, Hebreus 12:2. Revela-nos o que devemos crer. Paulo, Apolo e os demais apóstolos eram somente ministros pelos quais criam (1 Coríntios 3:5), e assim os ajudadores da sua alegria, precisamente a alegria da fé.
Pois pela fé permanecemos firmemente e vivemos segura e confortavelmente. A nossa força e capacidade se devem à fé, e o nosso conforto e alegria devem fluir da fé.