Matthew Henry

1 Crônicas 20

Argumento

Aqui se repete a história das guerras de Davi:

I. Contra os amonitas, incluindo a conquista de Rabá, vv. 1-3.

II. Contra os gigantes dos filisteus, vv. 4-8.

Versículos 1 a 3

A Derrota dos Amonitas. (a.C. 1036.)

Nos capítulos anteriores, lemos como o exército dos amonitas e de seus aliados foi derrotado em campo aberto. Aqui temos a destruição de Rabá, capital do reino deles (v. 1), a colocação da coroa de seu rei sobre a cabeça de Davi (v. 2) e a grande severidade empregada contra o povo, v. 3.

Recebemos um relato mais completo disso em 2 Samuel 11 e 12, e não podemos nos lembrar desse acontecimento sem esta triste marca: enquanto Joabe sitiava Rabá, Davi caiu naquele grande pecado no caso de Urias.

É digno de nota, porém, que, embora se repita o restante da história, isso não se repete. Há apenas uma alusão nas palavras entre parênteses: “Mas Davi permaneceu em Jerusalém”. Se estivesse fora com seu exército, teria ficado longe daquela tentação. Entregando-se, porém, ao conforto, caiu na impureza.

Assim como relatar o pecado de Davi mostra a imparcialidade e a fidelidade dos escritores sagrados, também deixar de repeti-lo aqui, apesar da boa ocasião, nos ensina que, embora haja justa razão para falar das faltas e dos erros alheios, ainda assim não devemos gostar de repeti-los.

Devemos sempre considerar desagradável esse assunto. Embora às vezes seja inevitável abordá-lo, ainda assim não escolheríamos nos deter nele, assim como não gostaríamos de remexer um monte de esterco. É melhor não dizer nada sobre as pessoas ou os atos dos quais não podemos falar bem.

Versículos 4 a 8

Os filisteus estavam quase subjugados (1 Crônicas 18:1). Mas, assim como os filhos de Anaque foram os últimos a ser vencidos na destruição dos cananeus por Josué (Josué 11:21), também aqui os gigantes de Gate foram os últimos a cair na conquista dos filisteus.

Nos conflitos entre a graça e a corrupção, há pecados que, como esses gigantes, resistem por muito tempo e não são vencidos sem grande dificuldade e uma luta prolongada. Mas, por fim, o juízo será levado à vitória. Observe:

  1. Nunca lemos sobre gigantes entre os israelitas como lemos sobre gigantes entre os filisteus: gigantes de Gate, mas não de Jerusalém. As plantas de Deus crescem em utilidade, não em volume. Os que desejam acrescentar côvados à própria estatura não percebem que isso apenas os tornaria mais desajeitados. Na balança do santuário, Davi pesa muito mais que Golias.

  2. Os servos de Davi, embora fossem homens de estatura comum, venceram os gigantes de Gate em todos os encontros, pois tinham Deus ao seu lado. Ele se agrada de humilhar os olhares altivos e mortificar os gigantes da terra, como fez antigamente pelo dilúvio, embora fossem homens de renome.

Que os amigos da igreja jamais se desanimem diante do poder e do orgulho dos inimigos dela. Não precisamos temer homens grandes contra nós enquanto temos o grande Deus a nosso favor. Que vantagem ter mais um dedo em cada mão ou mais um dedo em cada pé numa disputa com a Onipotência?

  1. Esses gigantes desafiaram Israel (v. 7) e, assim, pagaram por sua insolência. Ninguém está mais visivelmente marcado para a ruína do que os que insultam a Deus e a seu Israel. Deus fará grandes coisas em vez de permitir que o inimigo se conduza com orgulho (Deuteronômio 32:27).

As vitórias do Filho de Davi, como as do próprio Davi, são graduais. Ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele, mas logo veremos. E até sobre a própria morte, o último inimigo, haverá triunfo, como houve sobre esses gigantes.


Ajustes de leitura

Tamanho do texto
Tipo de letra