1 Crônicas 18
Argumento
O capítulo anterior tratou da piedade e da oração de Davi. Agora vem logo em seguida o que seria razoável esperar: um relato de sua prosperidade. Pois os que buscam primeiro o reino de Deus e sua justiça, como Davi fez, receberão as demais coisas na medida em que Deus julgar bom para eles.
Temos aqui:
I. Sua prosperidade fora do reino. Conquistou os filisteus (v. 1), os moabitas (v. 2), o rei de Zobá (v. 3, 4) e os sírios (vv. 5-8); fez do rei de Hamate seu tributário (vv. 9-11) e venceu os edomitas, vv. 12-13.
II. Sua prosperidade dentro do reino. Sua corte e seu reino floresceram, vv. 14-17. Já tivemos um relato de tudo isso em 2 Samuel 8.
Versículos 1 a 8
As Vitórias de Davi. (a.C. 1042.)
Depois disso, diz-se (v. 1), Davi realizou aqueles grandes feitos. Após a doce comunhão que tivera com Deus pela palavra e pela oração, mencionada no capítulo anterior, ele prosseguiu em sua obra com vigor e coragem extraordinários, conquistando e para conquistar. Assim também Jacó, depois da visão, levantou os pés (Gênesis 29:1).
Já examinamos essas vitórias antes. E agora observaremos apenas:
Os que são inimigos do Israel de Deus há muito tempo serão, por fim, abatidos. Durante várias gerações os filisteus importunaram Israel, mas agora Davi os subjugou, v. 1. Assim, ao fim dos tempos, todo governo, principado e poder adversário será derrubado pelo Filho de Davi, e os inimigos mais obstinados cairão diante dele.
Tamanha é a incerteza deste mundo que, muitas vezes, os homens perdem a riqueza e o poder justamente quando pensam em consolidá-los. Hadadezer foi derrotado quando saía para firmar seu domínio, v. 3.
“Um cavalo é uma coisa vã para a segurança”, disse Davi (Salmos 33:17), e parece que acreditava no que disse, pois jarretou os cavalos dos carros, v. 4. Resolvido a não confiar neles (Salmos 20:7), não os usaria.
Muitas vezes os inimigos da igreja de Deus são levados à ruína por ajudarem uns aos outros, v. 5. Os sírios de Damasco foram derrotados quando vieram ajudar Hadadezer. Quando assim dão as mãos, não só deixarão de escapar impunes, mas também serão reunidos como feixes na eira (Miquéias 4:11, 12).
Às vezes, a riqueza do pecador acaba se mostrando guardada para o justo. Os sírios trouxeram presentes, v. 6. Seus escudos de ouro e seu bronze foram levados a Jerusalém, v. 7, 8.
Assim como o tabernáculo foi construído com os despojos dos egípcios, assim também o templo foi construído com os despojos de outras nações gentias. Era um feliz prenúncio da participação que os gentios teriam na igreja do evangelho.
Versículos 9 a 17
Aprendamos aqui:
- É do nosso interesse fazer amizade com aqueles que têm consigo a presença de Deus. Ao ouvir falar do grande sucesso de Davi, o rei de Hamate enviou-lhe um presente nobre para felicitá-lo e conquistar seu favor, v. 9, 10.
É inútil lutar contra o Filho de Davi. Portanto, beijem o Filho, para que ele não se ire. Sejam assim sábios e instruídos os reis e juízes da terra, e também todas as pessoas de posição inferior.
Os presentes que devemos lhe trazer não são vasos de ouro e prata, como aqui (aqueles que não têm presentes assim para trazer serão bem recebidos por ele), mas nossos corações e nossas afeições sinceras, todo o nosso ser; devemos nos apresentar a ele como sacrifícios vivos.
- Devemos honrar a Deus com aquilo com que ele nos abençoa. Davi dedicou ao Senhor tanto os presentes dos amigos quanto os despojos dos inimigos (v. 11), isto é, reservou-os para a construção e o enriquecimento do templo.
Aquilo que consagramos ao Senhor e usamos para sua glória é o que mais verdadeira e confortavelmente nos pertence. Que nossas mercadorias e nossa renda sejam santidade ao Senhor (Isaías 23:18).
Os que levam Deus consigo aonde quer que vão podem esperar prosperar e ser preservados aonde quer que vão. Disse-se antes (v. 6), e aqui se repete (v. 13), que “o Senhor preservava Davi aonde quer que ia”. Os que sempre têm Deus diante dos olhos estão sempre sob o olhar dele.
Deus dá poder aos homens não para que pareçam grandes, mas para que façam o bem. Quando Davi reinou sobre todo o Israel, exerceu o juízo e a justiça entre todo o seu povo e, assim, cumpriu o propósito de sua elevação.
Ele não se ocupou tanto das conquistas externas a ponto de negligenciar a administração da justiça em casa. Nisso serviu aos propósitos do reino da providência e daquele Deus que se assenta no trono e julga com retidão. E foi também um tipo notável do Messias, o cetro de cujo reino é um cetro reto.